Cristo: O propósito de Sua vinda
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Introdução
Introdução
Nem todos entendem o verdadeiro propósito da vinda de Cristo ao mundo. Por que o Filho de Deus deixaria a glória do céu para viver como homem humilde na terra? Nesta mensagem, vamos estudar cinco propósitos principais da vinda de Jesus: (1) trazer salvação aos pecadores, (2) fazer a revelação de Deus ao homem, (3) destruir as obras do diabo, (4) cumprir as profecias do Antigo Testamento, e (5) estabelecer o Reino de Deus.
Cada um desses propósitos tem base nas Escrituras e relevância prática para nossas vidas. O nosso objetivo ao estudarmos esse tema é que o Espírito Santo de Deus fortaleça nossa fé em Cristo e renove nosso compromisso de viver para Ele.
Antes de tudo, lembremos que Jesus veio com um propósito definido. Ele não apareceu por acaso na história; Sua vinda foi planejada por Deus desde a eternidade. E como cristãos, compreender os motivos da missão de Cristo nos ajuda a valorizar mais a nossa salvação e a viver de modo digno do evangelho. Vamos então estudar o primeiro grande propósito da vinda de Cristo: a salvação dos pecadores.
1 - Salvação dos Pecadores
1 - Salvação dos Pecadores
Em primeiro lugar, Jesus veio para salvar os pecadores. A Bíblia deixa isso claro em diversas passagens. O apóstolo Paulo escreveu: (1 Timóteo 1:15, ACF) “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” . Esta é uma declaração direta do propósito central da vinda de Cristo. Nosso Senhor deixou o céu e encarnou como um de nós para resgatar pessoas perdidas. O próprio Jesus afirmou: (Lucas 19:10, ACF)“Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Que coisa maravilhosa!
Todos nós, sem exceção, nascemos em pecado e estávamos espiritualmente perdidos, “mortos” em nossas ofensas. Não tínhamos como nos salvar por nossos próprios esforços. Mas Jesus voluntariamente veio ao nosso encontro. Ele viveu uma vida perfeita e se entregou na cruz, derramando Seu sangue para pagar o preço dos nossos pecados. Ele tomou sobre Si a punição que nós merecíamos, para que pudéssemos receber o perdão e a vida eterna. (João 3:17, ACF) “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” – meus irmãos essa é a verdade deve encher nossos corações de gratidão e esperança!
Uma ilustração prática: imagine um náufrago em alto-mar, prestes a se afogar, sem forças. De repente, aparece um salva-vidas que salta do barco e o puxa para a segurança. Jesus é esse “salva-vidas” perfeito. Nós éramos os náufragos, e Ele pulou “nas águas” deste mundo para nos resgatar. Ele fez isso por amor, não porque merecíamos. Como disse certa vez Charles Spurgeon, “Ele não veio à terra por causa de qualquer coisa que fizemos para merecer Seu amor, mas unicamente pelas razões que Ele buscou nas profundezas de Seu próprio amor divino”. Em outras palavras, foi a graça e o amor de Deus que motivaram Cristo a nos salvar, e não algum mérito nosso. Spurgeon resumiu bem ao dizer que “o pecador é a razão de ser do evangelho” – Jesus veio justamente porque nós, pecadores, precisávamos desesperadamente de salvação.
Para nós, qual a aplicação disso? Primeiro, precisamos ter certeza de que já recebemos essa salvação pessoalmente. Cristo veio te salvar. Você já reconheceu que é pecador e recebeu Jesus pela fé como seu Salvador? Então essa verdade tem que residir em nosso coração e ser motivo de alegria, todos os dias. Se ainda não, essa deve ser a decisão mais importante da sua vida. E se já o fez, lembre-se: você foi salvo por graça, então viva em gratidão! Não há espaço para orgulho – nossa salvação é um presente imerecido de Cristo. Vivamos com alegria e humildade, sabendo que o propósito principal de Jesus ao vir foi nos dar vida. Que possamos compartilhar essa boa notícia com outros amigos que ainda não conhecem a Cristo, pois Ele veio salvar a todos que crerem.
2 - Revelação de Deus ao Homem
2 - Revelação de Deus ao Homem
Outro propósito glorioso da vinda de Cristo é revelar Deus ao ser humano. Sem Jesus, estaríamos “no escuro” quanto à verdadeira natureza de Deus. Ao longo da história, Deus falou de muitas maneiras: pela criação, pela consciência, pelos profetas e pelas Escrituras do Antigo Testamento. Mas foi em Jesus que tivemos a revelação suprema e perfeita de quem Deus é. Como diz a Bíblia: (João 1:18, ACF) “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” . Você quer saber como Deus pensa, ama e age? Olhe para Jesus! Quando Jesus veio ao mundo, Deus colocou um “rosto” visível em Si mesmo, por assim dizer. Ele é “Emanuel, Deus conosco” – Deus em forma humana, andando, falando, tocando pessoas, demonstrando compaixão.
Certa vez um dos discípulos, Filipe, pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai”. Jesus respondeu: (João 14:9, ACF) “Quem me vê a mim vê o Pai” . Ou seja, em Cristo nós vemos o próprio Deus. Ele veio para que não restassem dúvidas sobre o caráter do Pai celeste. Quando lemos nos evangelhos as palavras de Jesus, estamos ouvindo a voz de Deus. Quando vemos Jesus abraçando pecadores arrependidos, curando os enfermos, acolhendo as crianças, perdoando seus inimigos – estamos contemplando o coração de Deus em ação. Hebreus 1:1-2 nos lembra que antigamente Deus falou pelos profetas, “a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Jesus é a Palavra viva de Deus, a expressão exata do Ser divino.
Pense numa situação do dia a dia: é como tentar conhecer um autor apenas lendo suas cartas – você pode até saber algo sobre ele, mas quando esse autor vem pessoalmente até você, aí sim você o conhece de verdade. No Antigo Testamento tínhamos as “cartas” de Deus; em Jesus, o Autor entrou em cena pessoalmente. Ele disse e mostrou tudo o que precisávamos saber sobre Deus: Sua santidade, Sua justiça, Sua misericórdia, Seu amor sem limites.
Uma ilustração: imagine estar em um quarto completamente escuro. Você sabe que há móveis ali, mas não consegue enxergá-los claramente. Então alguém acende a luz. De repente, tudo fica nítido – o que estava oculto aparece. Jesus é essa luz de Deus acesa em nosso mundo. Ele mesmo declarou: (João 8:12)“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” ). Na vinda de Cristo, a luz de Deus brilhou intensamente, dissipando as trevas da nossa ignorância sobre Ele.
Para nós, qual a implicação? Significa que não precisamos ficar imaginando como Deus é – temos Jesus como nosso modelo e referência. Às vezes podemos ter ideias distorcidas de Deus (alguns pensam que Deus é apenas um juiz severo pronto a castigar, ou ao contrário, que Ele não se importa com nada). Mas olhando para Jesus, encontramos o equilíbrio perfeito: vemos a santidade de Deus quando Jesus confronta o pecado, e vemos o amor de Deus quando Jesus perdoa a pecadora arrependida. Vemos o poder de Deus quando Jesus acalma a tempestade, e vemos a compaixão de Deus quando Ele chora com os que sofrem. Então, se quisermos conhecer a Deus, precisamos conhecer Jesus. Estudar os evangelhos, vamos nos aproximar de Cristo em oração, porque quanto mais O contemplarmos, mais entenderemos o Pai. Esse foi o propósito dEle ter vindo – que você e eu pudéssemos ter um relacionamento verdadeiro com Deus, sem confusão. Em Jesus, Deus se fez acessível e pessoal para nós. Aproveitemos esse acesso: aproximemo-nos de Deus confiados em Cristo, sabendo que Ele nos entende (pois se fez homem) e nos revela o caminho para o Pai.
3 - Destruição das Obras do Diabo
3 - Destruição das Obras do Diabo
O terceiro propósito da vinda de Cristo que vamos destacar é destruir as obras do diabo. Vivemos em um mundo marcado pelo mal – é só olhar as notícias e veremos violência, mentiras, vícios, ódio. A Bíblia ensina que por trás do pecado e do mal está Satanás, o inimigo de Deus e de nossas almas. Desde o Éden, o diabo vem enganando e escravizando a humanidade através do pecado. Mas graças a Deus, Jesus veio para tratar desse problema na raiz! Ele veio para quebrar as correntes com as quais o diabo prendia as pessoas. Em 1ªJoão 3:8 está escrito: “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” . Que declaração poderosa! Tudo aquilo que Satanás construiu – a espiral de pecado, condenação e morte – Cristo veio demolir.
Como Jesus fez isso? Primeiramente, vivendo em santidade perfeita. Ele foi o único ser humano que o diabo não pôde derrotar nem corromper. Jesus disse: (João 14:30) “Aí vem o príncipe deste mundo; e ele nada tem em mim” . Diferente de nós, que caímos em tentações, Jesus nunca pecou.
Com Sua vida sem pecado, Ele condenou o pecado. Em seguida, Jesus desarmou o diabo na cruz e na ressurreição. Hebreus 2:14 diz que Jesus participou da carne e sangue (ou seja, se fez humano) “para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”.
Ao morrer pelos nossos pecados e ressuscitar, Cristo venceu definitivamente Satanás. Ele pagou o preço do pecado (tirando assim a “arma” da acusação que o diabo usava contra nós) e venceu a própria morte (que era o maior poder que Satanás tinha). Jesus saiu do túmulo com as chaves da morte e do inferno em Suas mãos – o inimigo foi derrotado!
Imagine uma cena cotidiana: um criminoso perigoso invadiu uma casa e fez a família de refém. Eles estavam amarrados e com medo. Então chega um policial forte e bem treinado, que luta contra o criminoso, o imobiliza e liberta os reféns, retirando as amarras. Nesse exemplo, o criminoso representa o diabo, e nós somos os reféns presos pelo pecado. Jesus é o “herói” que entrou no mundo para nos libertar. Ele “amarrou o valente” (como diz Marcos 3:27) – amarrou Satanás – e saqueou seus bens, isto é, nos tirou de suas garras. Cada pessoa salva por Jesus é alguém arrancado do império das trevas e transportado para o Reino de Deus (Colossenses 1:13). Que grande libertação Jesus realizou!
Charles Spurgeon certa vez pregou que “Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória sobre o pecado” e nos livra do poder do maligno. Quando Cristo veio, a luz brilhou nas trevas, e as trevas não prevaleceram (João 1:5). Os demônios entravam em pânico na presença de Jesus durante Seu ministério terreno – eles sabiam quem Ele era e o que Ele vinha fazer. E de fato, pela cruz, Jesus esmagou a cabeça da serpente, cumprindo a antiga profecia de Gênesis 3:15.
O que isso significa de forma prática para nós? Significa que não precisamos mais viver sob a opressão do maligno. Cristo oferece libertação do poder do pecado. Alguém que lute contra algum vício, algum pecado recorrente, alguma influência maligna – saiba que Jesus veio para quebrar essas cadeias. Em Cristo, podemos resistir ao diabo e ele fugirá de nós. Não precisamos ter medo de Satanás, pois maior é o que está em nós (Jesus) do que o que está no mundo. Também significa que devemos abandonar as obras do diabo em nossas próprias ações: se antes mentíamos, agora em Cristo falamos a verdade; se antes havia ódio, agora deixamos Jesus encher nosso coração de amor. A vitória de Jesus nos capacita a viver uma vida santa.
Além disso, lembramos que embora o diabo ainda atue no mundo, ele é um inimigo derrotado. Suas obras foram expostas e condenadas por Jesus. Um dia, no final, toda maldade será eliminada de vez. Enquanto isso, nós, como cristãos, somos chamados a viver nessa vitória, não dando lugar ao diabo em nossa vida. O propósito de Cristo ao vir a este mundo foi destruir as obras do diabo – então não “reconstruamos” aquilo que Jesus já destruíu. Que possamos dizer não ao pecado diariamente, confiando no poder do Espírito Santo que habita em nós graças a Jesus. Louvado seja Deus porque Jesus veio para nos libertar do inimigo das nossas almas!
4 - Cumprimento das Profecias do Antigo Testamento
4 - Cumprimento das Profecias do Antigo Testamento
O quarto propósito da vinda de Cristo que vamos considerar é cumprir as profecias do Antigo Testamento. A vinda de Jesus não foi um evento isolado ou desconectado da história anterior – foi o cumprimento de um plano anunciado por Deus ao longo de séculos. Muito antes de Jesus nascer em Belém, Deus já havia falado através dos profetas sobre a vinda de um Messias, um Salvador. Cada profecia era como uma peça de um quebra-cabeça que apontava para Jesus. Por exemplo, o Antigo Testamento predisse que o Messias nasceria de uma virgem (veja Isaías 7:14), em Belém (Miquéias 5:2), que seria da linhagem de Davi, que sofreria pelos pecados do povo (Isaías 53), que ressuscitaria (Salmo 16:10), entre muitas outras profecias. Todas essas promessas se cumpriram perfeitamente em Cristo!
O próprio Jesus enfatizou esse propósito. Em Mateus 5:17 Ele declarou: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir” (ACF). Ou seja, Ele veio realizar tudo que estava escrito a Seu respeito nas Escrituras antigas. Após Sua ressurreição, Jesus disse aos discípulos: (Lucas 24:44, ACF) “convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos” .
Desde o Seu nascimento até Sua morte e ressurreição, vemos as profecias se desenrolando: nasceu exatamente onde deveria, viveu como o Servo sofredor que Isaías descreveu, entrou em Jerusalém montado em jumentinho conforme Zacarias havia predito, foi traído por trinta moedas (profetizado em Zacarias), nenhum de Seus ossos foi quebrado na crucificação (cumprindo os Salmos), e assim por diante. Cada detalhe demonstra que Jesus é de fato o Messias prometido.
Realmente é incrível. Imaginemos uma ilustração: pense em um diretor de cinema liberando vários spoilers e pistas sobre um filme ao longo de meses, e quando o filme finalmente estreia, todas aquelas pistas fazem sentido juntas. Da mesma forma, Deus foi dando “verdades proféticas” durante todo o Antigo Testamento, e no “grande lançamento” – a vinda de Jesus – tudo fez sentido. Warren W. Wiersbe observou que “toda a Lei e os Profetas apontam para Cristo e se cumprem nEle”. Ou seja, toda a história bíblica converge em Jesus. Ele é o “sim” e o “amém” de todas as promessas de Deus (2 Coríntios 1:20).
Para nós, entender isso fortalece muito nossa fé. Vemos que a Bíblia é confiável e que Deus cumpre Sua palavra fielmente. Nada fugiu do controle ou do plano de Deus – Jesus veio no tempo certo (Gálatas 4:4) para cumprir o que fora planejado. Quando às vezes enfrentamos dúvidas, podemos lembrar das inúmeras profecias cumpridas que atestam: Jesus é quem Ele dizia ser.
Não seguimos fábulas inventadas; seguimos um Cristo que foi atestado pelos profetas muito antes dEle nascer. Se Deus foi fiel em cumprir Suas promessas na primeira vinda de Cristo, temos toda segurança de que Ele cumprirá também as promessas relacionadas ao futuro (como a segunda vinda de Jesus e a vida eterna para os que creem).
Além disso, o cumprimento das profecias nos ensina sobre o caráter de Deus – Ele não mente, não falha e não se atrasa. Pode demorar (foram séculos aguardando o Messias), mas no momento certo Deus agiu. Talvez você esteja orando e esperando Deus agir em alguma área da sua vida. Lembre-se: Ele cumpre o que promete, assim como cumpriu enviando Jesus. Podemos descansar nas promessas bíblicas, porque em Cristo vemos que Deus honra cada palavra dada.
Assim, esse propósito também nos convida a estudar mais a Bíblia. Meus irmãos eu confesso que acho empolgante ler o Antigo Testamento e encontrar “pistas” de Jesus ali. Por exemplo, ver Abraão quase sacrificando Isaque no Moriá e perceber ali um retrato do que Deus faria entregando Seu próprio Filho; ou ler o Salmo 22 e enxergar a crucificação descrita detalhadamente cerca de 1000 anos antes de acontecer. Tudo isso aumenta nosso amor pela Escritura e pelo Salvador que ela anuncia. Jesus veio para cumprir a Lei e os Profetas – e Ele o fez perfeitamente. Glorifiquemos a Deus por Sua fidelidade através das gerações!
5 - Estabelecimento do Reino de Deus
5 - Estabelecimento do Reino de Deus
O quinto e último propósito que veremos hoje é que Cristo veio para estabelecer o Reino de Deus. Quando dizemos “Reino de Deus”, não falamos de um reino político com palácios e exércitos terrenos, mas do reinado de Deus nos corações e, futuramente, sobre toda a criação. Desde o início do Seu ministério, Jesus anunciou a chegada do Reino: (Marcos 1:15, ACF) “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho” . Em outras palavras, com a vinda de Jesus, o governo de Deus irrompeu neste mundo de uma forma nova e transformadora. Ele é o Rei prometido, descendente de Davi, cujo reinado seria eterno.
Os judeus da época esperavam que o Messias estabelecesse imediatamente um reino político e libertasse Israel do império romano. Mas o plano de Deus era maior: primeiro, Jesus estabeleceria um reino espiritual, conquistando corações, e no futuro (na Sua segunda vinda) consumará esse reino em glória visível (milênio). Durante Seu ministério terreno, Cristo inaugurou o Reino de Deus pregando as boas-novas, chamando pessoas ao arrependimento e à fé, e demonstrando vislumbres do reino através de milagres (que mostravam como será quando Deus remover todo sofrimento e mal). Onde quer que Jesus fosse recebido como Senhor, ali o Reino de Deus estava presente.
Ele mesmo afirmou essa missão. Em Lucas 4:43 Jesus disse: “Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado” (ACF). Percebamos: Jesus declara que veio ao mundo para trazer o Reino de Deus até nós. Ele veio estabelecer uma nova realidade, um novo povo sob o senhorio de Deus – povo esse que é a Sua Igreja, composta por todos que creem nEle. Assim, podemos dizer que o Reino de Deus já está entre nós, embora ainda não em sua plenitude. Cada vez que um pecador se converte a Cristo, o Reino ganha um novo “cidadão”. Jesus comparou o reino a uma semente de mostarda que começa pequena e vai crescendo (Marcos 4:30-32). De um pequeno grupo de discípulos na Palestina, hoje milhões e milhões de pessoas pelo mundo inteiro se submetem ao reinado de Jesus – o Reino está crescendo! E um dia, quando Jesus voltar, esse Reino será manifesto em poder, eliminando todo mal, e “os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e de Cristo, e Ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse 11:15).
Mas se focarmos em Sua primeira vinda: Cristo plantou as bases do Reino. Ele ensinou os valores do Reino (como no Sermão do Monte, mostrando que no Seu Reino prevalece a humildade, a justiça, o amor ao próximo, a pureza de coração). Ele derrotou o inimigo do Reino (Satanás, como já vimos), tirando dele a usurpada autoridade sobre as almas. E Ele convidou todos a entrar no Reino pela fé. Quando alguém O chamava de “Senhor” de coração sincero, estava reconhecendo Sua realeza. Lembram-se de Tomé, ao ver Jesus ressuscitado, exclamando: “Senhor meu, e Deus meu!”? Ali está um súdito se rendendo ao Rei. A placa na cruz escrita em três línguas dizia “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” (João 19:19-20) – mal sabiam eles que era verdade, não apenas dos judeus, mas Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Uma maneira simples de entender isso é imaginar um rei bondoso que decide visitar um vilarejo rebelde que não o reconhecia. Esse rei vem disfarçado de homem comum, começa a ensinar o povo, conquista a confiança de alguns, cura seus enfermos, mostra sabedoria e amor. Aos poucos, várias pessoas daquele vilarejo passam a segui-lo e obedecê-lo, mesmo sem ele parecer um rei glorioso. Ele então forma uma comunidade de seguidores leais dentro daquele lugar que antes era rebelde. Mais tarde, esse rei promete voltar em trajes reais para tomar posse oficial do vilarejo. Essa historinha se parece com o que Jesus fez: veio de forma humilde, ganhou nossos corações para Deus, e um dia voltará em glória para reinar plenamente. Nós que cremos já fazemos parte do Seu Reino agora.
E qual a aplicação para nós? Se o propósito de Jesus era estabelecer o Reino de Deus, precisamos nos perguntar: estamos vivendo como súditos desse Reino? Jesus já reina em nosso coração? Ser parte do Reino de Deus significa reconhecer Cristo como Senhor da nossa vida – Ele está no trono, não nós. Isso afeta nossas escolhas diárias. Por exemplo, quando enfrentamos pressão dos colegas para fazer algo errado, lembremos: “Eu pertenço ao Reino de Deus, meus valores vêm de Jesus, não vou me conformar com este mundo”. Também significa que temos uma missão: espalhar as boas-novas do Reino. Somos como “embaixadores” anunciando que há um Rei salvador que convida todos a se reconciliarem com Deus.
Além disso, viver o Reino agora traz justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). Podemos e devemos ser exemplos no modo como submetemos nossa vida a Cristo – buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mateus 6:33). Quando oramos “Venha o Teu Reino”, estamos pedindo que mais pessoas conheçam a Jesus e submetam-se a Ele, e também dezejando ardentemente pela volta de Cristo e a restauração final de todas as coisas. Tenhamos então o coração de súditos leais de Jesus. Ele veio estabelecer o Reino e nós temos o privilégio de fazer parte dele! Que nada neste mundo nos distraia de buscar esse Reino. Lembremos: somos cidadãos dos céus, e nossa vida presente já deve refletir a cultura do Reino de Deus – amor, verdade, serviço, perdão. Esse era o objetivo de Cristo: formar um povo santo, um reino de sacerdotes para Deus (1 Pedro 2:9). E Ele o fez vindo até nós.
Conclusão
Conclusão
Meus queridos irmãos, ao contemplarmos “Cristo: o propósito de Sua vinda”, vimos quão rica e abrangente é a missão do nosso Salvador. Vamos recapitular brevemente os cinco pontos:
Salvação dos pecadores: Jesus veio nos resgatar da perdição. Ele é o Salvador que nos oferece perdão e vida eterna. Ele te salvou – viva em gratidão e santidade, e compartilhe essa salvação com outros que ainda estão perdidos.
Revelação de Deus ao homem: Jesus veio nos mostrar exatamente como Deus é. Nele, conhecemos o Pai. Portanto, busque um relacionamento íntimo com Cristo, leia sobre Ele, aprenda dEle, pois assim você conhecerá cada vez mais a Deus e não será enganado por visões erradas acerca do Senhor.
Destruição das obras do diabo: Jesus veio libertar os cativos do pecado e derrotar o mal. Ele já ganhou a vitória. Então, não volte às práticas antigas que escravizam – permaneça firme em Jesus, usando a armadura de Deus para resistir às ciladas do diabo. Se cair, levante-se em arrependimento, pois Cristo te dá poder para vencer. Lembre-se de que você pertence ao Vencedor.
Cumprimento das profecias do AT: Jesus veio cumprir o plano de Deus anunciado havia muito tempo. Isso nos dá segurança de que a nossa fé está alicerçada numa história real e orquestrada por Deus. Confie na Palavra! Estude as promessas de Deus e descanse nelas, pois “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” – Ele que cumpriu as promessas de ontem, cumprirá as de amanhã também em sua vida.
Estabelecimento do Reino: Jesus veio inaugurar o Reino de Deus. Hoje Ele reina em nossos corações e um dia reinará visivelmente sobre todo o universo. Aplique isso buscando o Reino em primeiro lugar. Faça de Cristo o centro das suas decisões. Priorize as coisas de Deus, sirva no Seu Reino (na igreja, ajudando o próximo, sendo luz na escola/faculdade). Você faz parte de algo muito maior – o Reino eterno do Senhor – então não se prenda às “modinhas” passageiras deste mundo.
Em tudo isso, percebemos que a vinda de Cristo foi por nossa causa e para a glória de Deus. Como reagiremos a tão grande amor e propósito? A melhor resposta é entregar nossas vidas a Ele em devoção.
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Se algum de vocês ainda não se rendeu a Jesus como Salvador e Senhor, o convite continua de pé: Ele veio ao mundo por você, morreu por você e vive hoje para te transformar. Arrependa-se dos seus pecados e creia nEle de todo coração. Para os que já são dEle, a devemos viver diariamente lembrando: “Jesus veio com um propósito; agora eu tenho um propósito Nele!”.
Que propósito é esse? Viver para a glória de Deus, anunciando Cristo e aguardando Sua volta. Somos agora o Corpo de Cristo na terra, dando continuidade à Sua obra: espalhar salvação, refletir o caráter de Deus, resistir ao diabo, proclamar as promessas de Deus e demonstrar os valores do Reino. Em suma, vivamos como verdadeiros cristãos que honram a missão do Mestre.
Encerrando, quero lhes encorajar com as palavras de um grande pregador do passado, Charles Spurgeon: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu faça por Ele pode ser grande demais”. Ele deu tudo por nós em Sua vinda; dêmos nós também o nosso tudo a Ele em gratidão. Que ao finalizarmos mais essa lição, nossos corações estejam mais preenchidos por esse amor e propósito de Cristo.
Vamos orar pedindo que Deus aplique essas verdades em nós: (oração) “Senhor Deus, obrigado por ter enviado Jesus com tão nobres propósitos. Obrigado porque fui alcançado pela salvação que Ele trouxe, porque conheço Teu coração revelado em Cristo, porque estou liberto do inimigo, porque vejo Tuas promessas cumpridas e posso fazer parte do Teu Reino. Ajuda-nos, a vivermos à altura desse chamado. Que Cristo seja real para nós a cada dia, e que o propósito da vinda dEle se cumpra também em nossas vidas. Em nome de Jesus, amém.”
Vamos em paz, lembrando que Cristo veio ao mundo por nossa causa – agora nós fomos enviados ao mundo por causa dEle, para espalhar Sua luz. Que Deus nos abençoe nessa jornada!
