Sem título Sermão (4)
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Transcript
No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.
Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.
E os umbrais das portas se moveram com a voz daquele que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
Então, disse eu: Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!
Mas um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;
e com ela tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado.
Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.
Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis; e vedes, em verdade, mas não percebeis.
Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o seu coração, e a converter-se, e a ser sarado.
Texto introdutório e explicativo:
Corrigido para maior clareza e correção gramatical:
Este é um texto que aparentemente é muito conhecido. Mas Isaías estava em apuros; ele tinha problemas de verdade. E não era só ele; toda a nação de Israel era culpada de gravíssimo pecado contra um Deus Santo, e, como consequência, as pessoas estavam prestes a cair sob condenação divina, incluindo Isaías.
Introdução
Para entendermos quantos problemas Isaías enfrentava, é útil pensarmos nele pelo que ele era: um profeta. Assim, ele era o porta-voz de Deus, o que nunca foi fácil no mundo caído. Portanto, os profetas tinham palavras de bem-aventurança e palavras de maldição. Como sabemos, só Deus abençoa e só Deus amaldiçoa. Como Isaías mesmo diz em Isaías 45.7: “Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas.” Havia uma introdução para as maldições e uma introdução para as bênçãos, e as de maldição começavam com “ai”. Quando Deus falava “ai”, as pessoas já sabiam que Deus manifestaria maldições; quando começava com “bem-aventurado” ou “bendito”, então se sabia que vinha a bênção de Deus.
As bem-aventuranças de Isaías
Algumas palavras de Isaías, não muitas, eram palavras de “bênçãos de bem-aventurança”. Por exemplo, Isaías 7.14: “Portanto, o Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.” Você verá Isaías dizendo, por exemplo, Isaías 40.31: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.” Ou então Isaías 41.10: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” E você verá as bem-aventuranças mais profundas, como Isaías 53.4–5: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.”
Assim, havia palavras maravilhosas e doces, e Isaías é chamado de evangelho no Antigo Testamento porque ninguém falou tanta bênção final e profunda como Isaías.
O juízo de Deus em Isaías
Contudo, a maior parte das palavras de Isaías não eram palavras de bem-aventurança. Mas muitas tinham o peso do juízo de Deus. É isso que faz os profetas verdadeiros não serem queridos. Um dos melhores lugares para se observar isso é o capítulo que antecede essa passagem de Isaías 6, em que todo o Israel se encontra em sérios problemas.
Isaías 6 é uma dessas passagens bíblicas que, ao contrário do que se imagina, a maioria dos cristãos não conhece muito bem. Passagens com versículos famosos têm esse problema: as pessoas conhecem alguns versículos de forma isolada, mas não compreendem bem o contexto completo.
Por exemplo, muitos conhecem o versículo 3 do capítulo 6: Isaías 6.3: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” Muitos também conhecem o versículo 8, que é um dos grandes versículos usados em missões, pois Isaías diz: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Essas palavras são muito encorajadoras quando se conhece o contexto.
Mas quantas pessoas entendem o contexto em que isso acontece? Não é saudável conhecer versículos isolados. A chance de termos uma visão distorcida da verdade é enorme. Portanto, para compreender um texto, é fundamental conhecer seu contexto: o que vem antes, o que vem depois, o que Deus está realmente fazendo.
O contexto: Isaías 5
Devemos entender que a Bíblia não foi escrita em pequenas frases desconexas, postadas na internet. A Bíblia é um livro que originalmente não tinha capítulos ou versículos, esses foram adicionados posteriormente para facilitar a referência.
Ao retornarmos para Isaías 5, encontramos o profeta pronunciando juízo contra o povo de Deus. Este é o contexto. Ele começa falando sobre uma vinha que foi cuidada, tratada, mas que não produzia frutos doces, e sim amargos (versos 1 e 2). Ele usa isso como metáfora para Israel, o povo visível de Deus.
Crentes nominais
Sempre que há um povo visível de Deus, existe o seu verdadeiro povo, os eleitos. Deus reserva para si aquilo que lhe pertence, e isso nem sempre coincide com o povo externo. 1 Reis 19.18: “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou.” Deus tinha 7 mil fiéis em Israel, enquanto o povo externo se apresentava como o povo de Deus.
Sempre há entre o povo de Deus uma quantidade de cristãos nominais. A vinha, cheia desses nominais, foi cuidada, recebeu privilégios que nenhuma outra nação recebeu. Assim como Judas, que desfrutou de três anos de bênçãos ao lado de Jesus, mas cujo coração não foi regenerado, esses cristãos nominais podem estar recebendo o conhecimento e a revelação de Deus, mas sem fruto verdadeiro, resultando em frutos amargos.
Os seis “ais”
Isaías pronunciou seis “ais”.
Primeiro, lamenta a busca por riqueza, que não visa a glória de Deus, mas o acúmulo de bens. Isaías 5.8: “Ai dos que ajuntam casa a casa, e herdades a herdades, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores na terra!”
Depois, o “ai” sobre os que vivem em busca de prazeres e entretenimento. Isaías 5.11: “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedeira; e se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta!”
Também reprende a desonestidade, com o “ai” em Isaías 5.18: “Ai dos que se prendem à iniquidade com cordas de engano e ao pecado com cordas de carroça!”
Repreende o relativismo moral, Isaías 5.20: “Ai dos que chamam ao bem, mal; ao mal, bem; fazem das trevas luz e da luz trevas; do amargo, doce, e do doce, amargo!”
Repreende o orgulho intelectual: Isaías 5.21: “Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião!”
E, por fim, a injustiça social e corrupção, em Isaías 5.22-23: “Ai dos que são heróis em beber vinho e mestres em misturar bebidas; dos que por suborno absolvem o culpado e negam justiça ao inocente!”
Rever essa lista nos ajuda a entender o quanto o juízo de Deus é severo e atual. Perguntamos: o que esse profeta diria a nós hoje? É mais fácil criticar os contemporâneos do passado, mas como trataríamos Isaías ou Jeremias? E se Isaías nos dirigisse algum desses “ais”?
Muitas vezes preferimos não saber, pois não gostamos de ter nossos pecados expostos. Achamos Isaías maravilhoso porque ele não está aqui conosco hoje, dizendo: “Olha seu pecado, olha o que você faz, Deus está sendo desonrado por sua conduta no trabalho, na família, na oração.” Gostamos de ouvir sobre os pecados dos outros, mas não gostaríamos que alguém apontasse os nossos.
O que Isaías faria se estivesse perto de nós?
Ele provavelmente diria: “Ai de vocês, que usam o dinheiro para privilégios egoístas, que pensam que a vida existe para prazeres banais, que torcem a verdade para parecerem melhores, que diminuem o valor da Bíblia para esconder desejos pecaminosos.”
O “ais” de Isaías aponta para nossas próprias falhas. É fácil achar que o problema está nos outros, mas a Bíblia nos chama a um exame pessoal, um “ai” sobre nós mesmos. É só quando reconhecemos nossa própria condição que podemos verdadeiramente buscar misericórdia.
O ponto central: Isaías 6
No capítulo 6, Isaías presencia a glória de Deus e percebe sua própria condição de pecado. Quando viu a santidade infinita de Deus, sentiu-se completamente perdido, dizendo: “Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!”
Ele percebeu que sua boca, que deveria glorificar a Deus, era contaminada pelo pecado. Um serafim tocou seus lábios com uma brasa viva, simbolizando a purificação pelo sangue de Cristo, pois o altar de Deus está na cruz, onde o sacrifício foi realizado.
O espírito de Isaías e nossa resposta
Todos nós temos uma tendência natural de usar palavras que desonram a Deus. Isaías mostrou que, diante da santidade de Deus, reconhecemos nossa pecaminosidade, nossa indignidade. O verdadeiro arrependimento leva ao reconhecimento de nossos próprios “ais”, e à confissão sincera, como fez Isaías: “Ai de mim!”
A importância da confissão e do perdão
Quando Isaías confessou seus pecados, um serafim trouxe uma brasa do altar e tocou seus lábios, simbolizando o perdão imediato. Deus não disse: “Espere, deixe as feridas cicatrizarem”. Assim como Isaías, podemos ter a certeza de que, quando nos arrependemos sinceramente, Deus perdoa de imediato. O perdão é sempre baseado na obra de Cristo, realizado na cruz, e recebido por fé.
A aplicação prática
Devemos examinar nossas vidas, reconhecer nossas áreas de maior orgulho, orgulho intelectual, desejos egoístas, palavras impuras, e confessar a Deus com sinceridade. Assim, experimentaremos a purificação e a transformação. Nosso papel é apenas confessar, e Deus, por sua graça, perdoa e purifica imediatamente, pela obra do Espírito Santo e pelo sangue de Jesus.
Conclusão
O Espírito Santo aplica a expiação de Cristo ao nosso pecado específico. Quando vemos Jesus na glória, reconhecemos nossa condição de pecadores e clamamos: “Ai de mim!” Somente assim estaremos prontos para dizer: “Eis-me aqui”, vivendo para a glória de Deus, independentemente do sucesso ou fracasso humano.
Versículos finais
Isaías 6.9-10: “Ele disse: ‘Vá e diga a este povo: Ouçam com atenção, mas não entendam; olhem bem, mas não percebam’. Endureçam o coração deste povo, tape os ouvidos, fechem os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam sarados.”
Este capítulo revela a nossa condição e a necessidade urgente de misericórdia divina.
