ACHANDO O QUE SE PERDEU

Evangelho de Lucas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Lucas 15
Esse capítulo é bastante conhecido pelos que leem a Bíblia. Poucos capítulos das Escritura têm produzido tanto benefício às almas dos homens quanto o capítulo 15 do Evangelho de Lucas. A parábola do filho pródigo é amplamente conhecida, por cristãos e descrentes pelo mundo à fora. Muito se foi falado e cantado sobre esse texto, esse ensino de Jesus. As crianças certamente já ouvirem muitas vezes esse texto exposto como pequenas histórias.
Jesus é visitado por pessoas comuns, que aos olhos dos religiosos escribas e fariseus, são rotulados negativamente como publicanos e pecadores. Eles que estavam sempre prontos para reprovarem Jesus, argumentam que ele não pode ser quem disse ser, haja visto que se relaciona com aquele tipo de pessoa.
- As parábolas contidas nesse capítulo, são tidas como a reação de Jesus ao terrível pensamento daqueles religiosos. Que se achavam superiores, maiores e melhores do que aqueles com que Jesus se reunia.
Assim, as três parábolas contêm um estreitamento temático, ou seja, estão centradas no mesmo tema, o amor do Pai pelos perdidos e, também, pelos que se perdem.
v.1-2 – “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2 E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles”.[1]
- O texto começa dizendo que “aproximavam-se de Jesus (...) para o ouvir”. Isso poderia ter passado despercebido se não fosse as pessoas que também estavam próximas a Jesus, os fariseus e escribas. Esses se incomodam profundamente com “aquelas” pessoas que se aproximam de Jesus.
- Os escribas e fariseus acham ultrajantes essa “acolhida de Jesus” a essas pessoas. Na verdade, eles são mais objetivos, porque “essas pessoas” não são meramente pessoas, na verdade eles as rotulam de “publicanos e pecadores”.
- Nota-se que a um claro ressentimento entre os religiosos fariseus e escribas contra esses declarados pecadores. Eles não mostram graça a esses leprosos sociais e morais, e ainda se sentem afrontados por verem Jesus se relacionando com eles.
- Por isso mesmo no versículo 2 eles dizem: “Este recebe pecadores e come com eles”[2].
- Os escribas e fariseus não mentiram, o testemunho deles é verdadeiro. Jesus realmente “recebe pecadores”. Ele os recebe para perdoá-los, santifica-los e prepara-los para ir ao céu. Foi para esse fim que Jesus veio ao mundo. Não veio chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento e salvá-los.
- O testemunho é verdadeiro, mas o propósito do coração é diabólico, os escribas e fariseus falam a verdade “recebe pecadores e come com eles”, contudo o dom não é aprovação e reconhecimento de sua misericórdia e salvação. Na verdade, as palavras dos religiosos, apresentam desprezo, desmerecem e buscam diminuir a missão do Cristo.
- Sobre os méritos.
 Para os religiosos, aqueles homem não merecem, não são dignos, não há nada neles que pudesse aproximar Deus, que pudesse manifestar Deus, portanto se Jesus fosse o mestre que diz ser, deveria saber que aqueles homens “publicanos e pecadores” não são, e nada fizeram para tivessem o benefício de ter um grande homem, um grande profeta, uma grande Deus, recebendo-os e comendo com eles.
- Com que isso se parece?
- Se carregamos algum senso de pecado? Se conseguimos perceber que somos ímpios, culpados e merecedores da ira de Deus? Se temos recordações de nossa antiga vida e como erámos tão desagradáveis? Lembrar nossa conduta passada será ela nos deixa envergonhados?
- Nós em nada erámos diferentes desses pecadores que foram recebidos por Jesus.
- Não há, nem nunca houve algo de bom em nós que possa atrair Deus, que possa nos tornar dignos de sua presença. Somos aceitos por Ele, não por nossos méritos, mas pelos méritos de seus Filho na Cruz, não fomos nós que o amamos, Ele nos amou primeiro.
Que lição tiramos dessa primeira parte?
- Jesus não veio para viver numa bolha religiosa – ele se envolveu com os perdidos, foi encontrá-los. Seguindo seu exemplo, nós devemos fazer o mesmo, e nos envolver com pecadores – buscando o mesmo objetivo de Jesus, anunciar a salvação.
A resposta de Jesus a arrogância dos religiosos vem em forma de três parábolas que expressam o amor de Deus pelos perdidos e indignos. Ele conclui citando o irmão mais velho, que simbolizando os escribas e fariseus presunçosos, arrogantes, ressentidos, que escolheu ficar de fora da feste porque não aceitava a ideia de que o indigno possa ser amado e perdoado.
v.3-7 “Então, lhes propôs Jesus esta parábola: 4 Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5               Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.              6 E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. 7 Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”. [3]
- A primeira parábola fala sobre a busca da centésima ovelha. Jesus se utiliza de uma linguagem intencional, as figuras usadas para a ilustração do ensino são familiares aos que pretende ensinar.
- Ele começa dizendo: “Qual, dentre vós, é o homem...”
- Quando Jesus retrata os fariseus como pastores (“Suponhamos que um de vocês tenha cem ovelhas”), isso é uma sutil correção de seus preconceitos “farisaicos” e presunçosos.
- A ênfase está em sua total preocupação com aquela que falta, fazendo com que eles “deixem as noventa e nove no campo aberto” a fim de buscar a que falta.
- Os pastores conduziriam seus rebanhos em vez de expulsá-los da retaguarda, e seria fácil para um dos que estão na retaguarda se afastar. Eles contavam as ovelhas a cada noite enquanto se deitavam, e sabiam imediatamente quando uma estava faltando.[4]
- Grant Osborne, estudioso do texto diz que: “Este é um rebanho de tamanho razoável. (Trezentos era considerado grande.)”
- Não há nenhuma menção feita a um guarda ou assistente que vigia as noventa e nove. Talvez tenhamos que presumir que este seja o caso, mas provavelmente Jesus deixou deliberadamente esta parte de fora para enfatizar a extraordinária dedicação do pastor à ovelha perdida.
- Não haveria esperança para esta ovelha perdida sem a busca cuidadosa do pastor, e ela é bem sucedida.
- O retrato do pastor caminhando de volta com a ovelha sobre seus ombros é muito famoso.
- A ênfase não está apenas em procurá-la e encontrá-la, mas também no esforço amoroso para reintegrá-la ao rebanho. Este é um retrato perfeito do trabalho de redenção: Deus não apenas busca os perdidos, mas também os reconduz de volta ao rebanho. Cristo pagou o preço para tornar possível a salvação, o Espírito procura e convence o pecador, e Deus os perdoa e os declara justos (justifica-os). É um ato trinitário.[5]
- Todas as três parábolas terminam com forte regozijo, e há dois momentos diferentes de alegria. O pastor se alegra ao trazer a ovelha perdida de volta ao redil, e seus amigos e vizinhos se unem ao regozijo enquanto celebram o retorno.
- O tema principal da segunda metade da história é a alegria, e ela tipifica a alegria de Deus e de seu povo em relação a cada convertido que entra na igreja.[6]
v.8-10 – “8 Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la?    9 E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. 10 Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”. [7]
- Aqui somos introduzidos à vida campesina: 8. Ou, que mulher, se tem dez moedas de prata e perde uma moeda, não acende uma lâmpada e varre a casa e procura cuidadosamente até a encontrar?
- A moeda de prata aqui mencionada, como o denário romano, equivalia ao salário de um dia para um trabalhador comum (Mt 20.2).
- É possível que a mulher tenha posto as dez dracmas em uma corrente em volto de seu pescoço, ou, mais provavelmente, as teria atado em uma tira de pano. A corrente poderia ter-se quebrado ou desatado o nó do pano, resultando que ela, em ambos os casos, perdeu uma de suas moedas.
- A casa de uma pessoa da classe pobre, como essa mulher, geralmente era bem pequena. Tinha o piso de terra e não tinha janelas, ou se as tinha eram bem pequenas. Portanto, uma vez caída uma moeda no chão, tornava-se muito difícil de encontrá-la.
- Portanto, visto que a casa era um tanto escura, ela acende uma lâmpada e passa a varrer. Ela varre cada canto e cada greta da casa e … ei-la! Ela a encontra. Que alegria!
9. E quando a tiver encontrado, ela chama as outras mulheres: suas amigas e vizinhas, e diz: Celebrem comigo, porque achei a moeda que perdi.
- Como essas mulheres celebram! Repetidas vezes a mulher que perdera a moeda e a achou conta e reconta todos os detalhes do que realmente aconteceu. Na parábola precedente, os homens passaram a celebrar; aqui, as mulheres.
- Alguns quando leem parábolas, se utilizam de uma criatividade assustadora para explica-la.
Qual é o sentido de tudo isso? Alguns diriam que chegam as seguintes “explicações”:
a. A mulher simboliza o Espírito Santo. Um processo de eliminação lógica conduz alguns a essa conclusão. Há três Pessoas na Trindade. A segundaPessoa, o Filho, já foi simbolizado, isto é, na parábola sobre A ovelha perdida. Jesus não é o Bom pastor? A primeiraPessoa é evidentemente representada por “o pai” na parábola sobre O filho perdido (ou pródigo) (vs. 11–32). Só restou o Espírito Santo, a terceira Pessoa. Portanto, a mulher na segunda das três parábolas do capítulo 15 deve simbolizar o Espírito Santo.
Entretanto, nem todos concordam. Por exemplo, Lenski (op. cit., p. 506) não hesita um momento sequer em fazer da mulher um símbolo da Igreja.
b. A lâmpada indica o evangelho.
c. A vassoura – sim, nem mesmo a vassoura é poupada! – significa a lei, assim somos informados.
- Nem eu, nem qualquer estudioso sério do texto conseguirá chegar a essas conclusões.
- Creio que o único ponto, a lição central da parábola é indicado pelo próprio Jesus quando conduz a parábola a uma conclusão muito bela e consoladora com as seguintes palavras:
10. Semelhantemente, eu lhes digo, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se converte.
Essa passagem significa que os anjos se alegram quando um pecador se converte? Não pode haver dúvida sobre o fato de que os santos anjos de Deus têm um profundo interesse por nossa salvação. Veja Mateus 18.10; 25.31; Lucas 2.10–14; 1Coríntios 13.1; 1Pedro 1.12; Apocalipse 3.5; 5.11; 14.10. Eles podem saber mais sobre isso do que nós imaginamos, pois habitam na presença de Deus. Daí não se deve descartar a possibilidade de que se regozijem pela conversão de um pecador.
Mas esse não é exatamente o ensino de nossa passagem; pelo menos, esse não é o seu ponto primordial. O ponto primordial é este: Deus, que tem sua habitação na presença dos anjos, busca pecadores e se regozija por cada um deles que se arrepende ou se converte. Por isso vocês, fariseus e escribas, não se preocupam com essas pessoas que ora desprezam? Não deviam fazer tudo ao seu alcance para ajudá-las?
- Essa mensagem tem exatamente a mesma mensagem que a primeira, na terceira parábola, é que o assunto será amplificado, não será modificado, o tema central, o amor de Deus é mantido, mas tomará uma proporção maior. A primeira parábola falou sobre uma ovelha, um bem de valor monetário, a segunda parábola falou de uma moeda perdida, um bem monetário. A terceira parábola trata de uma vida, um bem inestimável, mas que ironicamente, se reduz a algum valor monetário.
- Quando ele pede a sua parte na herança, ele está pedindo ao Pai um valor “X” do qual ele presume valer.
Vamos ao texto!
Antes de mais nada, deixe-me prepara-los para leitura e compreensão dessa parábola. Sendo considerada uma das parábolas mais conhecidas, esta passagem apresenta o evangelho de modo embrionário, pois trata de arrependimento e perdão.
- Devemos ter o cuidado, e nos ater que todos os detalhes da história não devem ter um significado alegórico, e a maioria é simplesmente parte da história.
- Há três aspectos principais que devem receber significado — o pai, que é um Deus que perdoa; o filho mais novo, que representa o pecador arrependido; e o irmão mais velho, que representa a liderança sem misericórdia de Israel.
- O tema principal é o contraste entre a misericórdia ilimitada de Deus e a recusa repressiva dos fariseus e dos outros em aceitar os pecadores.
- O principal objetivo é a espera do pai e a disposição dele em perdoar para reconciliar-se com seu filho perdido; os subtemas são o arrependimento e o retorno do filho mais novo, a alegria da comunidade com esse retorno e a relutância do irmão mais velho em acolher seu pródigo irmão de volta na família.[8]
- É claro que podemos tirar múltiplas lições da parábola, mas, tenhamos em mente que o nosso Senhor, ao proferir essa parábola, ele não queria ensinar muitas coisas, não deixou o ensino aberto a múltiplas interpretações.
v.11-12 – “11 Continuou: Certo homem tinha dois filhos; 12 o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres”.[9]
- A história começa, com a questão da herança. O filho mais novo, provavelmente com cerca de dezoito anos de idade, a idade em que os jovens normalmente se casam e assumem suas ocupações, decide que quer sair de casa e viver por conta própria.
- Segundo a Torá, o filho mais velho deveria receber dois terços da herança, e o filho mais novo um terço (Dt 21.15–17), a fim de preservar a situação financeira da família na comunidade. No entanto, eles não deveriam obtê-lo até a morte do pai, e o patriarca deveria ter o uso de seus bens enquanto ele vivesse[10]
- Assim, quando o mais jovem de repente exigiu: “Pai, dê-me minha parte da propriedade” e o forçou a dividir sua propriedade naquele momento, ele estava privando seu pai de seu padrão de vida. Bem, eu não acredito que o Pai estive realmente sendo forçado a dividir a sua propriedade e entregar ao filho mais novo sua parte na herança, como já mencionei, nem na Torá, nem em qualquer outra tábua de normas e leis antigas legitima a atitude do filho.
- Mas, ao fazer isso ele estava trazendo vergonha ao pai diante de toda a comunidade. O jovem impetuoso estava dizendo a todos ao seu redor que seu pai era tão bom vivo, quanto morto, e que ele não se importava mais com ele.
- Na verdade, ele estava destruindo a posição social de sua família na comunidade, pois ele estava tirando um terço de sua riqueza.
- Eu queria ensinar uma coisa importante para a igreja nesta noite baseado na atitude do filho. A sociedade moderna, com sua “inteligência moderna”, tem destruído símbolos importantes, como honra, respeito, mérito.
- Essa sociedade tem destruído a ideia de honra e laços familiares, como se cada pessoa fosse tão somente responsável por si e não tivesse qualquer responsabilidade para com a sua família.
- Essa mentalidade não é bíblica, a aquisição dessa mentalidade diabólica, talvez seja a causa de não zelarmos pelo Soberano Nome de Deus.
- Não compactuem com a ideia de que não devemos prestar satisfação com a nossa vida. De que aquilo que você faz só a cabe a você e aos seus. Isso é heresia, isso não é bíblico.
- Em primeiro lugar nós carregamos o nome de Cristo, é o significa “santificar o nome”, e como membros do corpo de Cristo, representamos essa comunidade. Não somente isso, você é um representante de sua família terrena.
- Talvez você diga: O nome da minha família é pesado, a história da minha família é pesada. E daí? Cristo não lhe fez uma nova criatura? Você é o início da redenção das gerações que vieram antes de você. Talvez eles tenham rejeitado a Cristo, vivido mergulhados em fanatismo religioso, idolatria, magia. Isso não foi diferente com Abraão, por exemplo.
- Cuidado com o modo como você escolhe viver. A sua “vida” não é sua! A não ser, é claro, que você não pertença a Cristo!
- Retornando ao texto.
- A atitude desse jovem, muito se assemelha com demanda de 12.13–15, quando o irmão pede Jesus para ser juiz em um caso de família. Isto mostrou a ganância que consumia este jovem, e tanto os leitores judeus quanto os romanos teriam ficado horrorizados com o insulto que isso significava para o restante da família. – Jesus desejava gerar espanto com a atitude.
- Agora, vamos nos voltar mais a fundo para alguns aspectos da parábola.
- O filho jovem, que comia e vivia as custas do pai, mostrou possuir um coração perverso, sua atitude é de alguém ressentido, que se vê injustiçado, pensa que está fazendo demais, talvez recebendo de menos.
Olhar a vida organizada e produtiva do pai, lhe gera sentimentos revolucionários. “Se fosse eu no poder”, “se essa riqueza fosse minha, tudo seria diferente”.
- Ele resolve partir para o confronto, vai ao pai e pede a sua parte da herança.
- Hernandes considera algo interessante sobre o filho e o seu senso de felicidade.
- Ele era feliz inconscientemente na casa do Pai. O filho vivia na casa do Pai, tinha comunhão e conforto. Nada lhe faltava: ele tinha abrigo, pão, roupa, calçado e anel no dedo. Tudo o que pai possuía também lhe pertencia. Ele vivia cercado de bênçãos.
- Todavia, um dia aquele jovem cavou um poço de insatisfação dentro do seu próprio coraçãoe começou a sentir-se infeliz dentro da casa do Pai. – Isso é aquele exato fruto da queda, aquela mesma atitude que encontramos em Eva quando dá ouvido a serpente e depois em Adão, quando escuta Eva.
- Aquele menino, esticou o pescoço, olhou pela janela da cobiça e viu, além do muro, um mundo colorido, atraente, cheio de emoções. Desejou ardentemente conhecer o outro lado. Então, pediu ao pai a sua herança e partiu para grandes e intensas aventuras.[11]
- O desfecho dessa história, que já conhecemos, nos ensina que a felicidade nem sempre é consciente, e que, em muitas ocasiões, só reconhecemos a tal felicidade quando a infelicidade nos bate a porta. Quando somos tomados da verdadeira infelicidade, descobrimos que aquilo que tínhamos, inconscientemente era a felicidade.
- A terrível e velha mania de não nos contentarmos com o que temos, acreditando que a grama do vizinho é mais verde. A velha e má síndrome de vira-lata que quase todo brasileiro tem.
v.13 – “Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente”.
- É importante destacar esse versículo, que ressalta a verdadeira intensão do filho jovem. Ele não desejava tomar a sua parte para abrir um novo empreendimento, não pensa em ser o próprio chefe de uma família.
- O interesse dele era mesquinho, dissoluto. O ressentimento tinha como essência a volúpia, o desejo diabólico do seu coração, que buscava prazer.
- Às vezes ouvimos que o que esse jovem fez não é de forma alguma incomum. Não é verdade que muitos judeus saiam de seu país, de modo que apenas meio milhão permaneceu na Palestina enquanto quatro milhões estavam vivendo na diáspora? Sim, mas o que temos nessa parábola não é o caso de uma família que emigrava, mas um jovem orgulhoso que abandonou sua família.
- Note também “para um país distante!” Evidentemente, o mais longe possível de casa que ele se atreveu a ir. Essa loucura não nos lembra o profeta Jonas que parece ter imaginado que ao embarcar para Tarsis poderia fugir de Deus?
B. Sua vida em outro país
Prossegue: e ali esbanjou sua riqueza vivendo extravagantemente. Que conduta mais estulta foi a sua! Primeiro juntou “tudo o que tinha”, sem deixar nada para o caso de seu plano não ter bom resultado e ter de voltar para casa; e agora, além disso, ele gastou o dinheiro a torto e a direito, até que em pouco tempo nada lhe restou.[12]
v.14-16 - “Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. 15 Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. 16 Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.
- Seu dinheiro exauriu-se; a fome chegou. Além do mais, esse novo desastre golpeou não só o lugar onde ocorreu de estar vivendo naquele tempo, mas o país inteiro! Ele mesmo nada tinha e não podia esperar socorro de ninguém.
- Um judeu alimentando porcos, animais imundos (Lv 11.7), quão degradante era! Quão humilhante era! Não era algo comum entre os judeus este dito: “Que a maldição caia sobre o homem que cuida de porcos”?
- À humilhação acrescentou-se a fome. Ele tinha fome o tempo todo, como o original sugere, tanta fome que o estômago reclamava algo para comer, qualquer coisa. Os porcos devoravam as alfarrobas. E ele mesmo desejava ardentemente comer algo disso.
- Perguntamos: “Ora, e por que ele não comia?” Não sabemos. Tem sido sugerido que, embora ele mesmo apascentasse os animais enquanto estavam no campo (veja v. 15), eram alimentados por outros depois de voltarem do campo. Seja como for, somos informados definidamente que ninguém lhe dava nada. Seria o caso de roubar para ter o suficiente para manter-se vivo?
- E agora à humilhação e à fome acrescenta-se a saudade de casa:
v.17 - “Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome![13]
Continuamos...
[1] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.1–2.
[2] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.2.
[3] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.3–7.
[4] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 389.
[5] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 389–390.
[6] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 390.
[7] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.8–10.
[8] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 392.
[9] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.11–12.
[10]Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 392.
[11]Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 461–462.
[12]William Hendriksen, Lucas, trad. Valter Graciano Martins, 2a edição, vol. 2, Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 278.
[13]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.13–17.
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