Desafios da Jornada Cristã: Falar e compreender os mais jovens à luz das escrituras
Famílias em Comunhão • Sermon • Submitted • Presented
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31 Pois eu afirmo, irmãos, que enfrento a morte diariamente, assim como afirmo meu orgulho daquilo que Cristo Jesus, nosso Senhor, fez em vocês. 32 E, se não haverá ressurreição dos mortos, de que me adiantou ter lutado contra feras, isto é, aquela gente de Éfeso? Se não há ressurreição, “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”. 33 Não se deixem enganar pelos que dizem essas coisas, pois “as más companhias corrompem o bom caráter”. 34 Pensem bem sobre o que é certo e parem de pecar. Pois, para sua vergonha, eu lhes digo que alguns de vocês não têm o menor conhecimento de Deus.
Oração inicial
A minissérie “Adolescência”, da Netflix, tornou-se um grande sucesso de audiência global. Com mais de 100 milhões de visualizações na principal plataforma de streaming, a produção superou séries queridas pelo público como “La Casa de Papel” e “Bridgerton”, entre outras. Se você ainda não assistiu, saiba que a proposta desta minissérie é evidenciar o universo dos adolescentes a partir da vida de Jamie Miller, de 13 anos, que é preso acusado de matar uma colega de escola, também adolescente. Toda a trama gira em volta da radicalização online, bulliyng, grupos de redpill (movimento que busca usar a internet para promover a chamada masculinidade dominante) e incel (abreviação de celibetários involuntários, um universo de homens heterossexuais que sentem-se incapazes de atrair o interesse das mulheres e promove ressentimento nas redes).
A grande questão é que enquanto estamos, domingo após domingo, em nossas igrejas, muitos adolescentes de nossas famílias gastam tempo em fóruns ocultos e são bombardeados por ideias contaminadas que flertam com o extremismo nas escolas.
Em primeiro lugar, devemos discutir o papel dos pais / responsáveis neste momento tão complexo da nossa história. Brigar simplesmente por brigar não resolve a questão. A orientação bíblica aponta para a necessidade de sabedoria. E o Senhor é misericordioso e concede sabedoria a quem a ele pede.
Tiago 1.5 diz “Se algum de vocês precisar de sabedoria, peça a nosso Deus generoso, e receberá. Ele não os repreenderá por pedirem.”
O apóstolo Paulo, por sua vez, teve um grande desafio, pastorear à distância a igreja de Corinto, uma comunidade difícil e que, em algumas áreas, parecia patinar na fé e agir como criança.
Alguns que se inseriam na comunidade levantavam dúvidas quanto a ressurreição de Jesus e a própria questão da ressurreição para a vida eterna. Para elucidar dúvidas e acabar com as controvérsias, Paulo escreveu àqueles irmãos:
31 Pois eu afirmo, irmãos, que enfrento a morte diariamente, assim como afirmo meu orgulho daquilo que Cristo Jesus, nosso Senhor, fez em vocês. 32 E, se não haverá ressurreição dos mortos, de que me adiantou ter lutado contra feras, isto é, aquela gente de Éfeso? Se não há ressurreição, “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”. 33 Não se deixem enganar pelos que dizem essas coisas, pois “as más companhias corrompem o bom caráter”. 34 Pensem bem sobre o que é certo e parem de pecar. Pois, para sua vergonha, eu lhes digo que alguns de vocês não têm o menor conhecimento de Deus.
1º A sociedade mexe com a mente dos mais jovens para levantar dúvidas e questionamentos; os pais devem ser sábios para lidar com eles
Em meio à era da pós-verdade, cada um tem para si uma concepção de verdade. Isso faz com que todos queiram ter voz e vez. A internet possibilitou que muitas pessoas surgissem e liderassem movimentos e multidões. Com isso, vivemos uma fase de incertezas. Alguns adolescentes, criados na igreja, nas escolas e no mundo são estimulados a “pensar fora da caixinha” e a tolerar coisas reprováveis. O “novo normal” passa por envolvimentos amorosos precoces, sem qualquer laço afetivo real, apenas pelo prazer da conquista momentânea. Muitos filhos de crentes, que cresceram em nossas EBFs, estão no intervalo ou depois das aulas, “ficando” com colegas.
O ato de “ficar” tornou-se tão normal para os adolescentes e reflete uma objetificação das pessoas. Aponta o quanto temos rebaixado as pessoas às nossas vontades e graus de satisfação.
Os pais os responsáveis devem ser sábios na hora de conversar com os filhos. Ouvi-los é parte do processo em busca de uma solução. Muitos dos dilemas e problemas enfrentados pelos adolescentes foram, em determinado modo, os problemas que enfrentamos em nossas adolescências.
Os adolescentes têm dúvidas em relação às amizades, em relação a seu papel social, enfrentam questões próprias como as mudanças do corpo, futuro, entre outras coisas. Tudo isso em meio a uma sociedade totalmente digital (diferente da época dos pais), em que os erros que eventualmente cometam ganhem repercussões globais e permanentes. Alguns deslizes viram memes, algumas falhas viram motivo eterno de zombaria.
Os pais devem ter a humildade de conversar com seus filhos em espírito de oração, pedindo a Deus que conduza a conversa a uma solução, segundo a vontade do Senhor.
Paulo nos diz: pessoal, se essa ressurreição é um papo furado, vamos simplesmente viver a vida de forma desregrada, satisfazendo o nosso desejo mais íntimo, e morramos, já que este será mesmo o fim de todos.
As pessoas acham que a ideia de vida eterna que nós, crentes em Cristo, temos pode beirar o fanatismo. Para muitos, após a morte, acabou, não terá mais nada. O que vale é só isso daqui, este tempo sobre a terra. Mas a Bíblia nos assegura uma vida eterna em Cristo. Essa ideia é replicada em diversos textos como João 3.16; João 6.68; Romanos 2.7 e 1João 2.25, entre outros.
Então, adolescente que ouve esta mensagem, neste momento, a sua existência não é vazia ou sem sentido. Deus te criou e, por Cristo, te fez filho dele e te deu o maior presente que uma pessoa pode ter: a vida eterna. E aqueles que, alcançados por essa graça, compreendem o seu papel como filhos de Deus compreendem que nada deste mundo deve enganar seu coração.
As ondas, os movimentos, as tendências, aquilo que é moda… nada disso é mais importante do que estar firmado em Deus e saber que, no Senhor, você será cuidado pelo Pai que deseja o melhor para você. A sua vida sentimental estará nas mãos do Senhor. Ainda não é o momento de você se preocupar com isso. No tempo certo, com mais maturidade, você saberá definir quando e quem será a pessoa com quem você poderá se relacionar.
O seu papel social não deve te tirar o sono. Se você não for popular (ou até rirem de você), lembre-se de que a sua identidade está firmada em Cristo, não na visão que as pessoas têm de você. Se você está em Cristo, você é filho de Deus, como traz João 1.12
12 Mas, a todos que creram nele e o aceitaram, ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus.
2º As más companhias e as circunstâncias corrompem caráter; Deus pode restaurar todas as coisas
Paulo vai dizer no v.32 para que aquela igreja não se deixasse levar por essas pessoas porque pessoas más corrompem o caráter. Pais, vocês já investiram tempo para saber quem são as amizades dos seus filhos? O que esses garotos e garotas gostam de fazer? O que apresentam a seus filhos? Faça o exercício reverso, veja o que o seu filho tem apresentado aos amigos deles também.
Por vezes, esses amigos são instrumentos do mal para apresentar ideias, rebeldia e desejos pecaminosos aos adolescentes.
Na minha adolescência, em vários momentos, eu falei com amigos coisas que eu queria, na verdade, ter tido a oportunidade de conversar com os meus pais, mas não tive a abertura necessária.
Exercitemos o ato de olhar para os filhos e de querer com eles conversar.
Isso pode evitar com que eles sejam aliciados por pessoas ruins que fingem ouvi-los simplesmente para se aproveitarem deles.
Para os adolescentes que reconhecem que estão no fundo do poço, a boa notícia é que Deus é misericordioso. Jeremias 31.25 diz:
25 Pois dei descanso aos exaustos e alegria aos aflitos”.
Ele pode restaurar toda e qualquer história. Ele pode apoiar quem está exausto e dar alegria ao coração triste e aflito.
O que é necessário? Reconhecer que, sozinho, não consegue melhorar e confiar em Deus porque ele é Pai amoroso que deseja cuidar de seus filhos.
3º Parar de pecar. Adolescência para Cristo é um estilo de vida
Na minha adolescência, existia uma comunidade na finada rede social Orkut chamada “Minha juventude para Cristo”. Eu amava aquela comunidade porque parecia ser organizada por pessoas extremamente piedosas, com vidas rendidas a Cristo. Eu gostava muito de ler o relato de pessoas que, naquela época, já tinham 20, 25 anos, dizendo o quanto eram felizes com Cristo. Isso me enchia de esperança porque mostrava que os problemas da minha adolescência, por mais monstruosos que parecessem com meus 13 anos, não me devorariam. Eu venceria, nao por mim mesmo, mas porque Cristo está em minha vida.
Paulo diz para aquela igreja: pensem sobre o que é certo, sobre a sã doutrina que a vocês já foi pregada e tenham o discernimento de entender qual é a vontade de Deus. O Senhor quer que vocês parem de pecar.
Adolescente, seja qual for o seu pecado, Deus quer que você o abandone. Se o seu controle de ansiedade tem sido a masturbação, Deus quer que você abandone. Se o seu desejo por se enturmar passa por se drogar (consumindo bebida, vape, cigarro), Deus quer que você abandone.
Se você é filho de Deus, nenhuma dessas práticas convém a você.
Reavalie o seu interior e pare com elas. Aquilo que deturpa ou joga na lata do lixo tudo aquilo que aprendeu a partir da Bíblia deve ser abandonado. Se não for, talvez você não conheça, de fato, a Deus e não seja por ele conhecido. É o que Paulo fala.
Pais, invistam tempo de oração por e com os seus filhos. Se interesse pela vida escolar, social e digital dele. Monitore o que ele consome de conteúdo.
A adolescência para Cristo só é possível se os adolescentes observarem, nos pais, que eles têm um estilo de vida de adoração a Deus. O exemplo é sempre o que fala mais alto.
Observamos isso em 2Timóteo 1.5
5 Lembro-me de sua fé sincera, como era a de sua avó, Loide, e de sua mãe, Eunice, e sei que em você essa mesma fé continua firme.
Paulo fala a Timóteo que vê nele a mesma fé sincera que via em sua avó, Loide, e em sua mãe, Eunice. Foram mulheres piedosas que ensinaram a Timóteo nas escrituras, mas também com seu exemplo de vida piedosa.
Conclusão
Até aqui, vimos que o mundo quer levantar dúvidas na mente dos adolescentes, mas os pais devem ser sábios no trato com eles; as más companhias e as circunstâncias podem corromper caráter, mas Deus restaura histórias e Deus quer que paremos de pecar e tenhamos um estilo de vida baseado na adoração a ele.
O que fazer?
Pais, sejam intencionais em seus relacionamentos com os filhos;
Filhos, sejam abertos e pacientes em conversar com seus pais;
Famílias, promovam cultos domésticos;
Líderes, estimulem o discipulado com adolescentes
Famílias, tenham o estudo bíblico / momento devocional diário
Pais, ensinem sobre responsabilidade, dever e graça aos filhos
Filhos, peçam ajuda a seus pais
Oração final
