A Voz do Mestre: ‘As bem-aventuranças’
Pr. Max Ferreira
A Voz do Mestre: As bem-aventuranças • Sermon • Submitted • Presented
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A Voz do Mestre: ‘As Bem-Aventuranças”
Texto-Base: Mateus 5:1-5
1 Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Ele se assentou e os seus discípulos se aproximaram dele. 2 Então ele passou a ensiná-los. Jesus disse: 3 — Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 — Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 5 — Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
INTRO
INTRO
Esta semana vamos dar início a uma série de mensagens com o tema: A VOZ DO MESTRE.
Será uma série de mensagens baseada no Sermão do Monte, ou a pregação de Jesus.
Nesta série, para quem deseja se aprofundar, irei usar como suporte os livros:
O Sermão do Monte – John Wesley (Ed. Vida)
O Sermão do Monte – D.A. Carson (Ed. Vida Nova)
Estudos no Sermão do Monte – D. Martyn Lloyd-Jones (Ed. Fiel)
E também alguns comentários do Pastor Hernandes Dias Lopes (Ed. Hagnos)
“O Sermão do Monte é o coração do Reino de Deus, um Reino de ponta-cabeça, onde os valores do mundo são invertidos e convertidos na linguagem do céu. Assim, ao ouvirmos o sermão do monte entendemos que ‘A verdadeira felicidade não está nas coisas visíveis, mas é uma atitude do coração, um presente da graça de Deus recebido pela fé’.
Prepare-se para ouvir a voz do Mestre!”
O QUE ESTAVA ACONTECENDO?
O QUE ESTAVA ACONTECENDO?
Nosso Senhor tinha “percorrido quase toda a Galiléia” (Mateus 4:23), começando no tempo “em que João havia sido lançado na prisão” (Mateus 4:12), não apenas “ensinando em suas sinagogas, e pregando o Evangelho do reino”, mas igualmente, “curando toda forma de enfermidade, e todas os tipos de doenças entre o povo”.
Foi como consequência natural disto, que “o seguiu uma grande multidão: da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, e da região além do Jordão” (Mateus 4:25). “E vendo a multidão”, que nenhuma sinagoga poderia conter, mesmo que houvesse alguma à mão, “ele foi para as montanhas”, onde havia um lugar para todos que vieram até ele, de todos os cantos.
“E, quando ele se assentou”, como era costume dos judeus, “seus discípulos vieram até ele. E ele abriu sua boca” (uma expressão denotando o começo de um discurso solene), “e ensinou a eles, dizendo:”
QUEM ESTAVA FALANDO?
QUEM ESTAVA FALANDO?
Sabermos quem estava falando faz diferença para podermos dar atenção ao que ouvimos: Trata-se do Senhor dos céus e terra; o Criador de tudo; que, como tal, tem o direito de dispor de todas suas criaturas; o Senhor, nosso Governador, cujo reino é para sempre, e reina sobre tudo; o grande Legislador; quem pode bem impingir todas as suas leis, sendo “capaz de salvar e de destruir”, sim, punir com a “destruição eterna, de sua presença e da glória de seu poder”.
Trata-se da Sabedoria eterna do Pai, que sabe para o que fomos feitos, e entende nossa mais íntima estrutura: que conhece como nos posicionamos com relação a Deus; ao outro; a todas as criaturas que Deus tem feito, e, consequentemente, como adaptar cada lei que ele prescreve, para todas as circunstâncias nas quais ele tem nos colocado.
E O QUE JESUS ESTAVA ENSINANDO?
E O QUE JESUS ESTAVA ENSINANDO?
John Wesley nos respondeu a essa forma: “O Filho de Deus, que veio dos céus, está aqui mostrando-nos o caminho para o céu; para o lugar que Ele tem preparado para nós; a glória que Ele tem, mesmo antes da fundação do mundo. Ele nos está ensinando o verdadeiro caminho para a vida eterna; o caminho real que nos conduz ao reino; e o único caminho verdadeiro, - já que não existe outro além; todos os demais conduzem à destruição” (Wesley).
Do caráter do orador, nós estamos bem seguros de que ele tem declarado a perfeita e completa vontade de Deus. Ele não tem afirmado coisa alguma mais – nada mais do que ele recebeu do Pai; nem muito menos – Ele não tem evitado declarar toda a deliberação de Deus; muito menos, ele tem afirmado alguma coisa errada; alguma coisa contrária à vontade daquele que o enviou. Todas as suas palavras são verdadeiras e corretas, concernentes a todas as coisas, e deverão permanecer para sempre e sempre.
PARA QUEM ERA A MENSAGEM?
PARA QUEM ERA A MENSAGEM?
Novamente, John Wesley nos respondeu: “Nós somos naturalmente conduzidos a observar, quem eram aqueles que Ele está ensinando. Não apenas aos Apóstolos; se assim fosse, ele não precisaria ter ido até as montanhas. Uma sala na casa de Mateus, ou algum de seus discípulos poderia conter todos os Doze. Nem, de forma alguma, parece que os discípulos que vieram até ele eram apenas os Doze. [...] E não apenas para aquela multidão que estava com Ele no monte, aos quais Jesus agora ensinava o caminho da salvação; mas a todos os filhos dos homens; toda a raça da humanidade; os filhos que já nasceram; e todas as gerações que estavam por vir; mesmo para o fim do mundo, e aos que nunca ouviram palavras como esta na vida” (Wesley).
Para colocar isto fora de toda questão, e tornar inegavelmente claro que, onde é dito, “Ele abriu sua boca e ensinou a eles”, a palavra eles inclui toda aquela multidão que seguiu com Jesus até a montanha, nós precisamos observar os versos conclusivos do Capítulo sétimo: “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas” (Mateus 7:28-29).
POR FIM, VEMOS QUE JESUS COMEÇA COM A EXPRESSÃO: "BEM-AVENTURADOS"
POR FIM, VEMOS QUE JESUS COMEÇA COM A EXPRESSÃO: "BEM-AVENTURADOS"
“E você pode estar se perguntando... E o que significa isso pastor? Ou porque isso é importante?”
D.A. Carson, sobre as bem-aventuranças (Mateus 5:3-11), nos ensina:
“Em primeiro lugar, a palavra ‘bem aventurança’ encontra-se traduzida nas versões mais antigas por ‘beatitude’, derivada do latim beatus.
Alguns cristãos chamam essas beatitudes de ‘macarismos’, termo derivado da palavra grega makarios. Tanto ‘beatitude’ quanto ‘macarismo’ são termos oriundos de palavras estrangeiras cuja melhor tradução é ‘bênção’.
Embora algumas traduções modernas prefiram ‘feliz’ a ‘abençoado’, essa troca deixa a desejar. Os abençoados em geral são profundamente felizes, mas bênção não pode se reduzir a felicidade. Finalmente, é preciso notar que duas bem-aventuranças prometem a mesma recompensa. [...] ‘É por isso que podemos chamar ‘as bem-aventuranças’, coletivamente, de ‘As normas do Reino’” (Carson).
DITO ISSO... VOLTEMOS AO TEXTO BASE DE HOJE:
DITO ISSO... VOLTEMOS AO TEXTO BASE DE HOJE:
Lemos que:
“Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Ele se assentou e os seus discípulos se aproximaram dele. Então ele passou a ensiná-los. Jesus disse: — Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. — Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. — Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:1-5).
E O QUE JESUS ESTÁ FALANDO PARA NÓS?
Primeiro: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino do céu” (5:3)
Primeiro: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino do céu” (5:3)
POBREZA DE ESPÍRITO ≠ POBREZA MATERIAL
Num primeiro momento, a palavra pobreza em qualquer idioma pode nos induzir a um erro de vincularmos o que Jesus estava nos ensinando de fato sobre o Seu Reino e o reino em que vivemos.
O QUE NÃO É POBREZA DE ESPÍRITO:
Não é privação financeira nem necessidade material.
Não é pobreza de consciência espiritual, muito menos pusilanimidade, isto é, falta de coragem ou vigor.
Não denota carência do Espírito Santo.
Não pode ser induzida artificialmente pelo autodesprezo, nem tem em comum com a ostentação de humildade.
Tampouco os de espírito arrogante, que cobiçam suas qualidades, conseguem imitá-la com êxito.
Essas tentativas podem ter algum sucesso simbólico diante dos homens, mas jamais conseguem enganar a Deus. Na verdade, quase todos nós sentimos repulsa pela humildade fingida, seja a nossa própria, seja a dos outros.
“O que seria então a pobreza de espírito que Jesus estava falando?”
A pobreza de espírito é o reconhecimento pessoal da falência espiritual humana.
“É a confissão consciente da própria indignidade diante de Deus. Portanto, é a mais profunda forma de arrependimento. Ela é exemplificada pelo publicano que reconhece sua culpa, num canto do Templo: ‘Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador!’” (Carson).
O que está retratado aqui não é um homem confessando que é ontologicamente insignificante ou sem nenhum valor pessoal, pois isso não seria verdade.
Trata-se antes de uma confissão de que ele SEM DEUS é apenas um pecador, rebelde e totalmente destituído de virtudes morais que o reconecte a Deus.
Dentro desse quadro, pobreza de espírito vem a ser uma confissão geral da necessidade que uma pessoa tem de Deus, o humilde reconhecimento de impotência sem ele.
Hernandes Dias Lopes reforça:
“Feliz é aquele que nada ostenta diante de Deus, que confessa sua total carência e dependência do Salvador”.
É o coração que se humilha, como o publicano, sabendo que só em Cristo encontra força (Lucas 18:9-14).
9 Jesus também contou esta parábola para alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10 — Dois homens foram ao templo para orar: um era fariseu e o outro era publicano. 11 O fariseu ficou em pé e orava de si para si mesmo, desta forma: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. 12 Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que ganho.” 13 O publicano, estando em pé, longe, nem mesmo ousava levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: “Ó Deus, tem pena de mim, que sou pecador!” 14 Digo a vocês que este desceu justificado para a sua casa, e não aquele. Porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
É a resposta de Pedro, o apóstolo respondendo a Jesus:
68 — Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, 69 e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus.
Dr. Martyn Lloyd-Jones assim escreveu:
“O aniquilamento vem antes da elevação. Portanto, faz parte essencial do Evangelho o fato que a convicção de pecado sempre deve anteceder a conversão; o Evangelho de Cristo condena ao pecador antes de libertá-lo. [...] Não existe mais perfeita declaração da doutrina da justificação exclusivamente pela fé do que essa primeira bem-aventurança, que assevera: ‘Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus’” (Lloyd-Jones).
EM NOSSOS DIAS, SOMOS ENSINADOS QUE NÃO DEVEMOS ADMITIR NOSSAS FRAQUEZAS, AFINAL O MUNDO PERTENCE AOS FORTES... E ISSO É VERDADE, MAS JESUS ESTAVA INAUGURANDO SEU SERMÃO NOS DIZENDO: “O REINO É DOS FRACOS OU POBRES DE ESPÍRITO” POIS ELES ADMITEM QUE NO FUNDO NÃO TEM NADA QUE OS TORNEM VERDADEIRAMENTE RICOS, A MENOS QUE UMA BENÇÃO VENHA SOBRE ELE - ESSA BENÇÃO É O PRÓPRIO JESUS - E É NESTE MOMENTO QUE ENTRAM NO REINO E POR ISSO COMO JÁ NOS DISSE O APÓSTOLO PAULO EM 2 Coríntios 12:10, EM SUAS FRAQUEZAS SE TORNARÃO FORTES.
➡️ Aplicação: Se você quer ser “Bem-Aventurado”, OUÇA A VOZ DO MESTRE. Admita uma fraqueza em lidar com o pecado. Confesse-os à Deus. Clame por Sua força e entre pelas portas do Reino!
Segundo: “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (5:4)
Segundo: “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (5:4)
Esse versículo decorre naturalmente do anterior. O choro pode ser entendido como o complemento emocional da pobreza de espírito.
“O mundo em que vivemos gosta de rir.
Os agentes do prazer vendem alegria e risadas, tudo em troca de lucro. O summum bonum (o bem supremo do qual todos os outros são derivados) da vida torna-se a diversão, e o objetivo imediato é chegar ao próximo pico de euforia. Afinal dizemos: ‘Todo mundo tem o direito de ser feliz!’”
O mundo não gosta de pessoas chorosas; elas são desmancha-prazeres. Contudo, o Filho de Deus insiste: “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados”.
* OBS: O CRENTE NÃO PRECISA SER CHATO...CHORÃO…RECLAMÃO…
D. A. Carson escreveu que:
“Esse texto não significa dizer que o cristão deva ser sempre triste, como se estivesse em luto constante. O cristão não deve corresponder ao estereótipo gravado na mente daquela garotinha que exclamou: ‘Papai, aquele cavalo deve ser cristão; olha só que cara triste ele tem!’ Tampouco o versículo é uma desculpa para aquela tristeza que vem da autopiedade subserviente” (Carson).
“O que seria esse choro, então Pastor?”
A. Para o indivíduo:
Esse choro é o pesar que ele sente por seu próprio pecado. É a tristeza de alguém que começa a reconhecer o negrume de seu pecado quanto mais toma conhecimento da pureza de Deus. Isso aconteceu com Isaías quando lhe foi concedida uma visão da Divindade, em que até os próprios anjos do céu cobriam o rosto e clamavam em solene adoração: “Santo, santo, santo”. A reação de Isaías foi de total devastação (Isaías 6:5).
Esse é o pranto de um homem que tenta alcançar a pureza por seus próprios esforços e descobre que não consegue atingi-la, por isso lamenta: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24).
B. Para o OUTRO: O CHORO DE QUEM REALMENTE SE IMPORTA E DESEJA VER O OUTRO RESTAURADO.
Sobre isso, D.A. Carson escreveu:
“Contudo, pode haver também um choro estimulado por considerações mais gerais. Às vezes o pecado deste mundo, a falta de integridade, a injustiça, a crueldade, a mesquinhez, o egoísmo, tudo isso se acumula na consciência de uma pessoa sensível e a faz chorar. A maioria de nós prefere simplesmente condenar. Estamos preparados para andar com Jesus através de Mateus 23 e repetir seus pronunciamentos de juízo; mas paramos antes de chegar ao fim do capítulo e não nos juntamos a ele quando chora pela cidade. Os grandes luminares da história da igreja aprenderam a chorar — homens do calibre como Calvino, Whitefield, Wesley, Wilberforce, Billy Graham… aprenderam a chorar”.
É o choro daquele que, como Jesus, lamenta por uma cidade em ruínas, mas enquanto chora trabalha arduamente por sua restauração. Esse é o coração que não apenas vê a dor do mundo, mas se levanta para transformá-lo, guiado pela esperança do Reino.
Hernandes Dias Lopes chama isso de “o maior paradoxo do Cristianismo: felizes os infelizes”. Ele explica que o termo grego usado por Jesus (panthoutes) significa um lamento profundo, como o pranto por um ente querido que está morto, mas apesar de seus pecados está salvo.
“Esse choro, quando temos consciencia do pecado que habita desde o Éden em todos nós, deságua em alegria eterna, pois Deus no meio da dor nos consola com a certeza do perdão e restauração”.
Novamente Carson diz que:
“O homem que tem consciência delas e avalia a si mesmo e ao seu mundo tendo-as como padrão não pode fazer outra coisa senão chorar. Ele chora pelos pecados e blasfêmias de sua nação. Chora pela erosão do conceito da verdade. Chora pela avareza, pelo ceticismo (incredulidade dos homens), pela falta de integridade. Chora por haver tão poucos que choram” (Carson).
Mas ele será consolado! E que consolo!
Não há consolo ou alegria que se compare com o que Deus dá aos que choram.
Eles trocam o pano de saco do lamento por vestes de louvor, as cinzas do luto pelo óleo da alegria.
No nível individual, aquele que chora lamenta o seu próprio pecado porque vê como é grande sua transgressão diante de Deus; mas aprende a confiar em Jesus como aquele que pagou o resgate pelo pecado (Marcos 10:45).
Ele exulta de alegria ao descobrir por experiência própria que Jesus veio salvar seu povo de seus pecados (Mateus 1:21). E, enquanto chora por outras pessoas, ele descobre maravilhado que Deus está respondendo a suas orações — muitas vezes até agindo por intermédio dele para desatar os nós do pecado e proporcionar a outros a experiência do novo nascimento, da nova justiça.
Todavia, até esse grande consolo será superado: um dia, em novo céu e nova terra, o próprio Deus enxugará toda lágrima dos olhos dos que antes choravam. Não haverá mais morte, nem lamento, nem choro, nem dor, porque a antiga ordem das coisas terá passado (Apocalipse 21:4).
🔥 JESUS ESTÁ NOS DIZENDO EM SUA PREGAÇÃO QUE “SÃO ABENÇOADOS AQUELES QUE APRENDERAM A CHORAR. E ELES SERÃO CONSOLADOS.”
➡️ Aplicação: Esta semana, chore diante de Deus por um pecado ou uma injustiça. Confie no Seu consolo.
Terceiro: “Bem-aventurados os mansos (ou humildes), porque eles herdarão a terra” (5:5)
Terceiro: “Bem-aventurados os mansos (ou humildes), porque eles herdarão a terra” (5:5)
“Qual é a diferença entre mansidão (ou humildade) e pobreza de espírito?”
A diferença, creio, é esta: pobreza de espírito diz respeito à opinião que uma pessoa tem a respeito de si, sobretudo em relação a Deus, enquanto que mansidão diz respeito a seu comportamento para com Deus e com os outros.
ATENÇÃO:
“Não se deve confundir ser manso (ou humilde) com falta ter personalidade (se deixar levar pelos outros), indecisão ou medo.
Mansidão também não deve ser confundida com mera amabilidade.
Algumas pessoas são naturalmente agradáveis, de fala tranquila ou de trato fácil, mas isso também se aplica a alguns cachorros.
Mansidão é muito mais que isso. Mansidão é o desejo consciente de pôr os interesses do Reino de Deus (e muitas vezes do outro) na frente dos nossos.
Pense na consideração de Abraão por Ló: isso é mansidão” (Carson) ou nas Palavras de Jesus em Mateus 20.27: "Mas quem quiser ser o maior entre vós, que o seja o vosso servo".
Sobre isso, Dr. Martyn Lloyd-Jones explica:
“Mansidão não é preguiça, complacência, gentileza natural, fraqueza ou ‘paz a qualquer preço’. Não é algo biológico, como um cão mais calmo que outro.
Que Deus nos livre de confundir essa virtude com algo meramente humano! Mansidão é força com humildade. É defender a verdade, como os mártires, até a morte, se preciso. O manso não vive na defensiva, não se autocomisera, nem se preocupa com o que dizem dele. Ele sabe que não merece nada.
Como John Bunyan escreveu: ‘Aquele que já está caído, não precisa temer a queda’. O manso se admira que Deus e os homens o tratem tão bem, apesar de sua indignidade” (Lloyd-Jones, pg. 62).
Hernandes Dias Lopes acrescenta: “Feliz é aquele que abre mão dos seus direitos em vez de oprimir o fraco para reivindicar até direitos que não tem” ()). “A mansidão é a força que escolhe servir, confiando na justiça de Deus”.
VEJAMOS O EXEMPLO DE UM HOMEM MANSO EM NÚMEROS 12:1-12:
1 Miriã e Arão falaram contra Moisés, por causa da mulher cuxita que este havia tomado; pois ele tinha tomado uma mulher cuxita. 2 E disseram: — Será que o Senhor falou somente por meio de Moisés? Será que não falou também por meio de nós? E o Senhor ouviu o que eles disseram. 3 Moisés era um homem muito manso, mais do que qualquer outro sobre a terra. 4 Imediatamente o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: — Vocês três, dirijam-se à tenda do encontro. E os três foram até lá. 5 Então o Senhor desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda. Depois, chamou Arão e Miriã, e eles se apresentaram. 6 Então o Senhor disse: — Ouçam, agora, as minhas palavras: se entre vocês há um profeta, eu, o Senhor, em visão me faço conhecer a ele ou falo com ele em sonhos. 7 Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. 8 Falo com ele face a face, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do Senhor. Como, pois, vocês não tiveram medo de falar contra o meu servo, contra Moisés? 9 E a ira do Senhor se acendeu contra eles; e ele se retirou. 10 Quando a nuvem se afastou de sobre a tenda, eis que Miriã estava leprosa, branca como a neve. Arão olhou para Miriã, e eis que ela estava coberta de lepra. 11 E Arão disse a Moisés: — Ah! Meu senhor, não ponha sobre nós este pecado, porque agimos de forma tola e pecamos. 12 Não permita que Miriã seja como um aborto, que, saindo do ventre de sua mãe, tenha metade de sua carne já consumida.
A MANSIDÃO DE MOISÉS APARECE LOGO DEPOIS:
13 Moisés clamou ao Senhor, dizendo: — Ó Deus, peço-te que a cures. 14 O Senhor respondeu a Moisés: — Se o pai de Miriã tivesse cuspido no rosto dela, não seria envergonhada por sete dias? Que ela seja encerrada sete dias fora do arraial e, depois, trazida de volta. 15 Assim, Miriã foi detida fora do arraial durante sete dias; e o povo não partiu enquanto Miriã não foi trazida de volta. 16 Porém, depois, o povo partiu de Hazerote e acampou no deserto de Parã.
Moisés não estava demonstrando aqui que não iria deixar de cumprir a lei, mas sua mansidão era um equilíbrio para que ele “se importasse com Miriã, ainda que diante de uma ofensa pessoal” e se importasse tanto que rogasse a Deus para restaurá-la e, se ela desejasse, seguisse com eles rumo à Terra Prometida, ela poderia seguir. E Deus restaurou aquele relacionamento.
TEMOS AQUI MAIS 2 ENSINOS:
I. Um momento de erro de alguém que amamos não anula todos os outros momentos de acertos vividos com ela - Miriã estava errada, mas ainda era a mesma que o seguia naquele cestinho lançado sobre o rio Nilo.
II. Assim como sua bondade anterior não poderia ser anulada, de igual forma, esse passado não poderia anular ou retirar a autoridade de seu irmão mais novo Moisés, quanto ao futuro e a vontade de Deus para o povo.
A MANSIDÃO DE MOISÉS fez com que Deus desse a ela um novo começo, quem sabe melhor que o primeiro?
Ser manso é usar da paciência e da longanimidade, mesmo quando sofremos injustamente. MOISÉS SE IMPORTOU.
E NAS PALAVRAS DE JESUS: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:5).
5 — Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
“E porquê os mansos herdarão a terra?”
Essa afirmação, citada de Salmos 37:11, contraria drasticamente o materialismo filosófico tão predominante em nossa época. Mas essa bênção de herança é verdadeira em pelo menos dois aspectos.
Em primeiro lugar, falando desta terra aqui, só alguém genuinamente manso se sente satisfeito; seu ego não é inflado a ponto de achar que tem de ter sempre mais. Além disso, ele já se vê “possuindo tudo” em Cristo (2 Coríntios 6:10; cf. 1 Coríntios 3:21-23) Isso porque, quem de fato encontrou em Deus uma razão para não se apegar aos bens deste mundo, se encontra apto para, sem restrição, administrar os recursos do Senhor com os outros. E por isso, Deus o coloca em lugares impensáveis, inimagináveis, incompreensíveis, pois o manso glorifica a Deus e promove a sua fé, lealdade e amor a Deus e à sua igreja por onde quer que ele vá e por isso ele acaba por possuir a maior das virtudes, enxergar pessoas e levá-las a JESUS.
Em segundo lugar, quando pensamos na ETERNIDADE, temos a esperança de que um dia o MANSO citado por Jesus, sabe que entrará na plenitude de sua herança, quando verá a bem-aventurança cumprida de fato.
Em um novo céu e uma nova terra, essas pessoas serão gratas porque pela graça aprenderam a ser mansas durante seus primeiros cinquenta, setenta, quem sabe noventa anos e por isso na eternidade esse ‘povo de Deus’ estará para sempre se regozijando por essa bem-aventurança absolutamente verdadeira e permanente.
Conclusão: “Como eu posso me tornar manso?”
Conclusão: “Como eu posso me tornar manso?”
Talvez essa seja a sua pergunta hoje. Deixe que JESUS mesmo te responda:
28 — Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. 29 Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma.
➡️ Aplicação: Alguém que te ofendeu? Te injustiçou? Assim como Moisés, OUÇA A VOZ DO MESTRE: Seja manso e Humilde de Coração. Aponte para Cristo!
🔥 ORAÇÃO
🔥 ORAÇÃO
“Senhor Jesus, eu confesso os meus pecados e minha fraqueza diante de Ti, por isso entendo hoje que sou de fato um “Pobre de espírito”. Eu declaro a minha total dependência de Ti e te peço: Por favor, me deixe entrar no Teu Reino. Ensina-me a chorar pelo pecado, os meus e os do nosso mundo, trabalhando por sua restauração através do Teu Santo Nome. Molda-me para ser manso e humilde como Tu és, renunciando a mim mesmo e servindo a Ti e aos outros por amor a Ti. E assim que a minha vida reflita as bem-aventuranças (a felicidade que vem da Tua graça) e glorifique o Teu nome Jesus. Amém.”
Referências:
O Sermão do Monte – John Wesley (Ed. Vida)
O Sermão do Monte – D.A. Carson (Ed. Vida Nova)
Estudos no Sermão do Monte – D. Martyn Lloyd-Jones (Ed. Fiel)
Publicações de Hernandes Dias Lopes (Ed. Hagnos, 2019).
