O FILHO FERIDO PELO PECADO ESCONDIDO
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Introdução
Introdução
Setembro de 2024, uma notícia repercutiu nas redes sociais no meio cristão. Steven Lawson que até então era pastor da Trinity Bible Church, foi afastado pela igreja após a descoberta de um caso extraconjugal. Steven que é um renomado teólogo, por iniciativa própria comunicou os presbíteros da Igreja sobre um relacionamento inapropriado que teve com uma mulher.
Também pelas redes sociais, há menos de 2 meses circulou a notícia sobre um vídeo publicado pelo Pastor Paulo Junior, onde ele comunicava o seu afastamento do ministério pastoral, por uma decisão dos presbíteros, pois ele estava em pecado contra membros da igreja praticando abuso moral.
Quantas vezes, nós estamos tão envolvidos na rotina do dia a dia que deixamos de vigiar contra o pecado? Até mesmo pastores ao serviço do Reino de Deus, por uma infelicidade, baixam a guarda e o pecado nasce em seus corações. Infelizmente o pecado é uma realidade no mundo; ninguém está isento e as suas consequências são gravíssimas.
Oração pela palavra
Oração pela palavra
2 Samuel 12.1–19 e 24 - NAA
2 Samuel 12.1–19 e 24 - NAA
Contexto
Contexto
Chegou o tempo em que os reis saiam para guerrear. Joabe, o capitão do exército de Israel é enviado pelo rei Davi, para sitiar a cidade de Rabá, capital de Amom. O exército de Israel está ali para impor autoridade sobre a região, Davi ao contrário dos demais reis que estavam com seus exércitos, ficou em Jerusalém. Numa certa tarde, ele levantou-se da sua cama e foi passear pelo terraço do palácio, então ele avista uma linda mulher se banhando. Ele descobre que ela é Bate-Seba, mulher de Urias o heteu. Ignorando o fato dela ser casada e consumido pelo seu desejo, ele manda trazê-la até seu palácio, então ele se deita com ela. Passado algum tempo, Bate-Seba descobre que esta grávida, ela corre até Davi e diz: “Estou Grávida!”
Davi precisa resolver esse problema, ninguém pode saber que ele engravidou a mulher de Urias, então ele ordena ao seus servos: “chamem Urias do campo de batalha!”.
Para não dar sinais da sua motivação, quando Urias chega, Davi pergunta: “Como está Joabe e a batalha?”. E logo após ele ordena que Urias vá para sua casa descansar. Na cabeça de Davi agora tudo está resolvido, Urias vai se deitar com Bate-Seba e assumirá a criança. Davi só não esperava que Urias faria tudo diferente, Urias não se sentiu à vontade de ir até a sua casa e deitar-se com sua esposa, enquanto a Arca do Senhor e seus companheiros estavam no campo de batalha. Então ele dormiu na porta do palácio com os demais servos. Davi novamente tenta se safar com um novo plano, ao servir um banquete com muita comida e bebida, ele quer embriagar Urias para se deitar com Bate-Seba, mas Urias ao voltar do banquete, dorme novamente com os servos do palácio.
Os planos de Davi foram frustrados, agora só resta resolver este problema de forma cruel. Davi envia uma carta através do próprio Urias à Joabe, instruindo a colocar Urias na linha de frente da batalha, onde certamente seria ferido e morto. Mal sabia Urias que estava levando sua sentença de morte. Joabe através de um mensageiro relata a Davi que seu plano deu certo, alguns servos do exército de Israel morreram e Urias, estava entre eles; Urias era um servo fiel do reino e do Senhor, seu nome significa “O Senhor é a minha luz”. Apesar disso, Davi escolheu assassinar Urias para esconder o seu pecado.
Bate-Seba recebe a notícia que seu marido estava morto e lamenta por ele. Passados os dias de luto, Davi manda buscá-la e a toma como sua mulher, algum tempo depois Bate-Seba dá à luz a uma criança.
Davi esconde seu pecado, mas é condenado.
Davi esconde seu pecado, mas é condenado.
Para Davi, em cerca de um ano ele conseguiu desenrolar tudo e agora poderia ficar tranquilo, tudo estava escondido. Os poucos que sabiam estavam com ele: Joabe é seu amigo, não iria traí-lo; Bate-Seba se falasse alguma coisa, seria morta junto com Davi, perante a lei de Moises por adultério. Davi não precisava se preocupar. No entanto, ele se esqueceu que os olhos do Senhor estão em todo lugar e tudo o que Davi fez foi mal aos olhos do Senhor.
O Senhor não poderia deixar isso impune, Davi pecou gravemente. Em todo esse desenrolar, Davi transgrediu pelo menos quatro, dos Dez Mandamentos: Ele cobiçou, adulterou, mentiu e matou.
O Senhor envia até Davi o profeta Natã, porta-voz da palavra de Deus. Natã precisou ter coragem para confrontar e acusar o rei dos seus pecados escondidos. Natã conta para ele uma história injusta. Um homem rico não queria perder os seus bens, então rouba a única cordeirinha de um homem pobre, mata a cordeirinha e a serve como refeição ao visitante.
Essa cordeirinha era cuidada com muito amor e apego emocional pelo homem pobre; Davi ao ouvir essa história, fica enfurecido, cheio de raiva, ele não suporta mais e interrompe Natã com grande furor e solta uma sentença severa contra homem rico: “Tão certo quanto vive O Senhor, este homem deve morrer e restituir quatro vezes pela cordeirinha que ele matou”.
O rei que deveria conhecer toda a lei do Senhor, fez juízo conforme estipulado por ela e condenou o homem a pagar quatro vezes mais pelo animal roubado e morto. No entanto Davi foi além e condenou aquele homem à morte, algo que não estava na lei para aquele crime. Sentindo todo o peso emocional do homem pobre, ele julga severamente o homem rico. Foi fácil para Davi reconhecer e julgar o pecado do outro, mas o seu próprio pecado continuava escondido.
O profeta no mesmo instante, sem pensar duas vezes diz em alto e bom som: “Davi, este homem é você!”. Davi fica em choque, seu semblante muda, a ira agora dá lugar ao medo. O pecado até então escondido, agora está exposto e condenado.
A sentença da acusação estava proferida, o próprio rei se autocondenou severamente. A acusação contra Davi era muito mais grave. O que Davi pensou estar escondido veio à tona. O Senhor conhece seu pecado e agora ele estava condenado.
Hoje, escondemos pecados internos que serão condenados.
Hoje, escondemos pecados internos que serão condenados.
Quantas vezes não somos como Davi? Não que em um desenrolar iremos transgredir quatro dos Dez mandamentos, quanto mais três destes que até certo ponto conseguimos evitar. No entanto, há um mandamento que Davi transgrediu que podemos esconder facilmente. Este mandamento não é uma ação externa contra Deus ou contra as pessoas em nossa volta; ele nasce no coração e podemos escondê-lo de todos. O próprio apostolo Paulo diz que não saberia o que é a cobiça, se a lei não tivesse dito: “não cobice”.
Mas será que existe somente esse pecado, que está lá no final dos Dez Mandamentos que podemos tentar esconder das pessoas?
Jesus, no início do sermão do monte, no capítulo 5 do evangelho de Mateus, está ensinando sobre a lei de Deus. Os fariseus achavam que Jesus queria abolir a lei que eles tanto presavam, mas Jesus ensina algo além; ele diz que veio para cumprir a lei e que se a nossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entraremos no Reino dos Céus. Isso pode até soar um pouco estranho; como assim? devemos ser legalistas?
Jhon Stott em seu livro, A Mensagem do Sermão do Monte – Contracultura Cristã nos diz: “[...] a preocupação de Jesus era pela ‘moralidade profunda’. Os fariseus contentavam-se com uma obediência externa e formal, uma conformidade rígida à letra da lei; Jesus ensina-nos que as exigências de Deus são muito mais radicais do que isto. A justiça que lhe agrada é uma justiça interna, de mente e de motivação, pois ‘o Senhor (vê) o coração.’”. Ao dizer que o Senhor vê com o coração, Stott faz um link direto com o texto em que Samuel vai até Davi para ungi-lo rei. O Senhor diz que não vê o exterior, mas o coração do homem. Olha que ironia temos aqui.
Jesus, ao continuar o sermão, aponta duas transgressões da Lei: “não mate” e “não adultere” - ironicamente, dois dos pecados cometidos por Davi. Jesus não se limita à ação externa desses pecados, ele quer nos ensinar algo além.
Ao falar sobre o mandamento “não mate”, ele compara a ira e os insultos como formas de violência graves, mostrando que essas atitudes nos levarão a julgamento e à condenação. Da mesma forma, ao tratar do adultério, ele ensina que o olhar com desejo impuro, já é por si só, uma transgressão e adulteramos no coração.
Isso nos leva a refletir: quantas vezes não insultamos ou nos iramos contra nossos irmãos e achamos que isso é normal? Quantas vezes, nós não desviamos o nosso olhar e deixamos que o desejo impuro entre em nosso coração?
Esses exemplos são utilizados para demonstrar que as intenções do coração são tão importantes quanto as ações externas. Podemos até esconder das pessoas, mas não de Deus. Somente a Palavra de Deus sobre as nossas vidas pode trazer à tona o que está escondido em nossos corações. A Palavra de Deus continua a nos confrontar, da mesma forma que confrontou Davi através do profeta Natã.
Assim como Davi reconheceu a sua condenação pelo pecado que seria a morte, podemos saber por Romanos 6 que os nossos pecados nos leva a um único fim: a morte, esse é salário cobrado pelo pecado. Que pecados temos escondidos em nosso coração que estão nos levando à morte eterna?
Deus perdoa o pecado de Davi, mas fere o filho inocente.
Deus perdoa o pecado de Davi, mas fere o filho inocente.
Davi sentiu o peso da condenação do seu pecado. Quando o profeta Natã começou a falar a mensagem do Senhor, Davi vê um filme da sua vida diante de seus olhos, lembrando de todos os grandes feitos que o Senhor realizou por ele. Natã, sendo a boca do Senhor naquele momento, enfatiza cada um desses feitos. O Senhor havia dado de tudo à Davi, livrou-o da morte, deu-lhe mulheres, sobre seu reinado unificou o reino de Israel e Judá. O Senhor enfatiza: “se isso tudo fosse pouco, eu te daria mais”. E mesmo assim, Davi ainda fez o que era mal diante dos olhos do Senhor.
Ali, naquele momento, Davi poderia mandar prender ou até matar Natã, afinal ele era o rei; Davi até mesmo poderia fugir da sua culpa, igual Adão fez no Éden, jogando-a na mulher, dizendo: “não, eu não tive intenção nenhuma, Bate-Seba que estava tomando banho em um lugar visível e se oferecendo a mim”. Mas não, ele reconhece seu pecado ao ser confrontado e com uma voz trêmula, confessa: “eu pequei contra O Senhor”. Davi sabia que a morte o esperaria, essa era a condenação que ele mesmo havia aplicado e exigida pela lei.
Então Natã proferiu a sentença do Senhor: “Davi, o Senhor te perdoou, você não morrerá”. O Senhor já tinha feito uma aliança com Davi; seu reino seria estabelecido para sempre, seu descendente edificará um templo ao Senhor e o Senhor seria por seu pai e este por seu filho.
A misericórdia e a graça do Senhor o alcançam, a morte que era iminente não o atingiu. Mas ainda assim o salário do pecado é a morte, o Senhor não poderia ser blasfemado diante dos seus inimigos, uma vida inocente paga pelo preço do pecado de Davi, o Senhor feriu o seu filho que havia nascido.
Davi ainda suplicou e jejuou para o Senhor se compadecer dele, mas não resolveu, o juízo do Senhor veio à casa de Davi e a criança morre. Davi vai até Bate-Seba, agora sua esposa, ele a consola, estando ao lado da mãe que perdeu o filho e chora pela sua morte. Depois em um momento mais íntimo, agora os dois como marido e mulher, eles têm relações, Bate-Seba engravida, dá à luz a um filho, Salomão. E este, é o filho a quem Deus amou.
Deus perdoa os nossos pecados, pois feriu o Seu Filho inocente como oferta pelos nossos pecados.
Deus perdoa os nossos pecados, pois feriu o Seu Filho inocente como oferta pelos nossos pecados.
Não temos como esconder os nossos pecados de Deus, até mesmo os mais íntimos que vem do coração. Quantas vezes pecamos como Davi e tentamos esconder achando que está tudo bem?
O Pecado sempre cobrará o seu salário, que é a morte. A nossa Confissão de Fé, interpretando a Palavra de Deus diz: “Todo pecado [...] sendo transgressão da justa lei de Deus[...] torna culpado o pecador, em sua própria natureza, que, por essa culpa, está sujeito à ira de Deus e à maldição da lei, e, portanto, sujeito à morte[...]” CFW Capítulo VI.VI.
Somente pela Palavra de Deus somos confrontados pelo pecado e levados ao arrependimento, assim como aconteceu com Davi.
Davi sentiu a dor pelo seu filho que foi ferido e morto. Mas a aliança de Deus estava firmada com a sua casa, Salomão foi o filho que Deus amou. O trono de Davi foi estabelecido, sua dinastia permaneceu, mesmo após o reino de Israel se dividir, a casa de Davi ocupava o trono do reino de Judá. Passaram pelo trono reis que fizeram o que era reto aos olhos do Senhor, assim como Davi, mas houve reis que fizeram ao contrário, o que não era reto aos olhos do Senhor, mas em nenhum momento a aliança do Senhor foi quebrada.
Então, do tronco de Jessé brota um renovo: a aliança do Senhor com Davi se cumpre em Jesus. A declaração do cego Bartimeu revela o verdadeiro Filho de Davi – aquele que tem compaixão dos pecadores, que dá a própria vida para pagar o preço cobrado pelo pecado, perdoar os culpados e dar nova vida aos que estavam mortos em suas transgressões.
Jesus é o Filho de Deus, que veio ao mundo na linhagem de Davi. O Senhor cumpriu sua promessa: seu próprio Filho nasceu e ocupou o trono estabelecido para sempre. Jesus é o verdadeiro Filho de Davi, aquele sobre quem está escrito: “ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. [...] como oferta pelo pecado” Isaias 53.10.
Deus continua perdoando os pecados, ele entregou o Seu Filho inocente como oferta por nós.
Jesus escolheu pagar o preço cobrado pelo pecado, esvaziou-se, assumiu forma de servo, entregou-se por nossas transgressões, morreu a morte mais brutal e humilhante - a morte que estava destinado a nós - para nos afastarmos da ira de Deus, nos limpar com seu sangue, purificar-nos e pagar dívida que jamais poderíamos pagar. Naquela Cruz, Jesus declara: “Está consumado. Eu paguei o preço que eles não poderiam pagar”.
A morte não o venceu. O preço foi pago com sua vida, mas ao terceiro dia, Jesus ressuscitou. Ele venceu a morte, e hoje podemos ter uma esperança de vida eterna, porque Cristo está vivo, assentado em um trono à direita de Deus Pai - e com Ele reinaremos na eternidade. Que nossa fé esteja sempre no Filho de Davi, no Filho de Deus.
Conclusão
Conclusão
Tanto Steve Lawson quanto Paulo Junior reconheceram o seu pecado. Afastaram-se do ministério pastoral e estão sendo cuidados pela igreja de Cristo. O confronto dos seus pecados os levou a reconhecer o estado de morte espiritual em que estavam. A graça e o perdão de Deus manifestaram em suas vidas por meio do cuidado da igreja.
Infelizmente, o pecado ainda é uma realidade neste mundo. Por isso, devemos buscar em Cristo o perdão por um preço que não podemos pagar.
Se pecarmos, que em nossos corações haja o mesmo arrependimento que houve em Davi ao escrever o Salmo 51. Que possamos orar a Deus dizendo: “Reconheço minhas transgressões; pequei contra Ti. Esta mancha que o pecado causou em minha vida, só o Sangue de Jesus pode purificar. E assim serei mais alvo do que a neve. Em Cristo, terei um coração puro e um espírito inabalável. Estarei diante da presença do Senhor e o teu Santo Espírito não será retirado de mim. A alegria da Salvação será restaurada em minha vida.
Que essa nova vida, que temos por meio do sangue de Jesus, não se limite a nós, mas que anunciemos aos transgressores os caminhos do Senhor, para que os pecadores se convertam a Cristo. E junto conosco, abram os seus lábios para louvar ao único Deus e Senhor que nos livra da morte e do pecado — até que Jesus venha, e então não haverá mais pecado, nem morte. Porque Ele vive, e com Ele viveremos.”
