As Sete Igrejas - Parte 2
EXPOSIÇÃO DE APOCALIPSE • Sermon • Submitted • Presented
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Série: Exposição de Apocalipse
Autor: Ricardo Moreira
Local: 18ª Igreja Presbiteriana Renovada de Goiânia
Data: 18/05/2025
Texto chave: Apocalipse 3
1 Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. 2 Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
1. INTRODUÇÃO GERAL
1. INTRODUÇÃO GERAL
Hoje vamos continuar nossa série da exposição de Apocalipse.
Vimos no último encontro que o objetivo central de Apocalipse transcende a simples descrição de eventos futuros: ele busca incutir nos leitores uma viva esperança e uma atitude de adoração constante, independentemente das circunstâncias vividas.
A mensagem de João, portanto, não é apenas um convite à contemplação, mas um imperativo de adoração que desafia os crentes a reconhecerem a glória de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e à incerteza.
Hoje, iremos continuar com o tema das Sete Igrejas.
2. ÀS AS SETE IGREJAS (AP 1:20)
2. ÀS AS SETE IGREJAS (AP 1:20)
20 Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.
2.1. Sete Períodos da História da Igreja
2.1. Sete Períodos da História da Igreja
Estudiosos têm identificado um paralelo entre as características das igrejas e os períodos históricos do cristianismo. A seguir, um resumo dessa interpretação:
2.2. Aplicações Contemporâneas
2.2. Aplicações Contemporâneas
Assim, as igrejas não são apenas um retrato histórico, mas também um espelho das condições espirituais da Igreja em todas as épocas. Cada cristão é chamado a examinar sua própria vida à luz dessas mensagens, buscando a renovação e o fervor espiritual.
3. Primeira Igreja de Éfeso(Ap. 2:1-7)
3. Primeira Igreja de Éfeso(Ap. 2:1-7)
3.1. Aplicação
3.1. Aplicação
A carta à igreja de Éfeso oferece lições valiosas para a Igreja de todas as épocas. Embora a diligência e a perseverança sejam virtudes essenciais, a exortação à renovação do primeiro amor é central.
A fidelidade à doutrina e a rejeição de heresias são fundamentais, mas o amor genuíno a Cristo deve ser o motor que impulsiona todas as ações. A promessa da árvore da vida é um lembrete da esperança futura para aqueles que perseveram na fé até o fim.
4. Segunda igreja de Esmirna
4. Segunda igreja de Esmirna
4.1. Aplicação
4.1. Aplicação
Embora dirigida à igreja de Esmirna, essa mensagem é universal. Cada igreja e crente é chamado a ouvir o que o Espírito diz. A vitória sobre a segunda morte é garantida a todos os que permanecem fiéis em meio à perseguição, lembrando que "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada"(Rm 8.18).
5. Terceira igreja de Pérgamo
5. Terceira igreja de Pérgamo
5.1. Aplicação para nossa igreja
5.1. Aplicação para nossa igreja
Fidelidade em Meio à Hostilidade: Assim como os crentes de Pérgamo foram fiéis diante da perseguição, os cristãos hoje são chamados a manter sua confiança em Cristo, mesmo sob pressão cultural e oposição.
Vigilância Contra a Transigência: A tolerância ao pecado e às falsas doutrinas pode comprometer a pureza espiritual e o testemunho cristão. É essencial que os crentes permaneçam firmes na verdade bíblica, rejeitando qualquer ensino que contradiga a Palavra de Deus.
Arrependimento Contínuo: O chamado ao arrependimento é uma oportunidade para restaurar a comunhão com Deus. Assim como Cristo exortou a igreja de Pérgamo, ele continua a chamar sua igreja hoje a se arrepender e buscar a santidade.
Esperança nas Promessas Eternas: As promessas do maná escondido e da pedra branca lembram os crentes de que a fidelidade a Cristo será recompensada. Essa esperança deve motivar os cristãos a perseverarem em meio às dificuldades, sabendo que sua recompensa é garantida em Cristo.
6. Quarta igreja de Tiatira (Ap. 2.18–29)
6. Quarta igreja de Tiatira (Ap. 2.18–29)
6.1. Aplicação para nossos dias
6.1. Aplicação para nossos dias
A situação em Tiatira reflete um padrão recorrente na história da igreja: o perigo de comprometer a verdade em nome da conveniência social ou econômica.
A mensagem de Cristo à igreja é clara: a fidelidade a Ele exige separação do pecado e compromisso com a santidade. Como Paulo adverte em 1 Coríntios 10:21, "Não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios."
A promessa de autoridade sobre as nações ecoa o conceito bíblico de aliança pactual. Assim como Deus prometeu a Abraão que sua descendência herdaria a terra (Gênesis 17:8), Cristo promete aos Seus seguidores que participarão de Seu reino eterno.
Essa herança não é baseada em méritos humanos, mas na graça de Deus e na fidelidade de Cristo como mediador da nova aliança.
7. Quinta igreja de Sardes
7. Quinta igreja de Sardes
7.1. A Cidade de Sardes: Contexto Histórico e Religioso
7.1. A Cidade de Sardes: Contexto Histórico e Religioso
Sardes, situada na atual Turquia, era uma cidade de grande relevância histórica e estratégica. Localizada em um platô de difícil acesso, a cidade era considerada quase impenetrável, mas sua história revelou o contrário: foi capturada duas vezes devido à negligência das sentinelas. Esse detalhe histórico ecoa de forma poderosa na mensagem de Cristo à igreja local, que também se encontrava espiritualmente adormecida.
Religiosamente, Sardes era dominada pelo culto a Ártemis, uma divindade associada à fertilidade, morte e renascimento. Esse pano de fundo religioso pagão contrastava com o chamado cristão à verdadeira regeneração espiritual, não baseada em ciclos naturais, mas na obra redentora de Cristo. Além disso, a cidade era conhecida pela produção de vestes de lã, um aspecto que Cristo utiliza simbolicamente em sua mensagem.
7.2. A Mensagem de Cristo à Igreja em Sardes (Ap. 3:1)
7.2. A Mensagem de Cristo à Igreja em Sardes (Ap. 3:1)
A mensagem começa com uma introdução que destaca a soberania e a onisciência de Cristo:
1 Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
Os "sete Espíritos de Deus"simbolizam a plenitude do Espírito Santo, cuja obra é perfeita e abrange toda a Igreja universal (cf. Ap 1:4). Já a expressão “as sete estrelas"representar os anjos das igrejas, conforme mencionado (Ap 1:20). Essa introdução estabelece a autoridade de Cristo como o único capaz de avaliar a verdadeira condição espiritual da igreja.
Mas o texto continua com a seguinte declaração: "Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3:1). A acusação contra Sardes é particularmente severa, pois ela reflete uma hipocrisia profunda: uma reputação de vitalidade espiritual que, na verdade, encobre a morte interior.
7.3. O Diagnóstico: Uma Igreja Adormecida (Ap. 3:2)
7.3. O Diagnóstico: Uma Igreja Adormecida (Ap. 3:2)
2 Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
A igreja de Sardes era como a própria cidade: confiava em seu passado glorioso, mas negligenciava a vigilância presente. Por isso Cristo exorta-os dizendo: "Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer" (Ap 3:2). É um verdadeiro chamado à vigilância, nos mesmos termos da advertência de Paulo em Romanos 13:11: "Despertem, porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando cremos."
A história de Sardes serve como uma metáfora poderosa. Em ambas as ocasiões em que foi capturada, a cidade sucumbiu porque suas sentinelas negligenciaram seu dever, dever de vigilância. De maneira similar, a igreja havia se acomodado, perdendo sua vitalidade espiritual e deixando de vigiar.
7.4. O Chamado ao Arrependimento (Ap. 3:3)
7.4. O Chamado ao Arrependimento (Ap. 3:3)
3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.
Diante da constatação do problema que a igreja de Sardes apresentou, o da negligência, Cristo apresenta um remédio para a condição da igreja:
LEMBRAR – GUARDAR - ARREPENDER
23 Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.
28 Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!
Esse chamado à lembrança, obediência e ao arrependimentoé central na teologia reformada, que enfatiza o retorno às Escrituras como a fonte da renovação espiritual. Não por outro motivo que o lema central da reforma foi o “Sola Scriptura”.
Também no verso três podemos ver a metáfora do ladrão que vem de forma inesperada e reforça a urgência do arrependimento. Esse tema escatológico da vinda do Senhor como ladrão está presente em Mateus 24:43 e 1 Tessalonicenses 5:2.
Tal advertência destaca a imprevisibilidade da intervenção divina, seja em juízo ou em redenção. A advertência do Senhor “vir como ladrão” não quer dizer que vem repentinamente, mas que vem quando não se espera. Esse foi o problema da cidade de Sardes, que foi invadida pela negligência das sentinelas.
Devemos estar sempre vigilantes, mesmo porque, o Senhor pode vir individualmente para cada crente.
7.5. O Remanescente Fiel e a Promessa das Vestes Brancas (Ap. 3:4)
7.5. O Remanescente Fiel e a Promessa das Vestes Brancas (Ap. 3:4)
Apesar da severidade da mensagem, Cristo reconhece alguns remanescentes fiéis:
4 Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
As "vestes brancas" possuem um rico significado teológico. Elas simbolizam:
Pureza Moral: Representam uma vida separada do pecado (cf. Isaías 1:18).
Vitória Espiritual: São um emblema de triunfo sobre o mal (cf. Ap 7:14).
Glória Celestial: Apontam para a glorificação final dos santos na presença de Deus (cf. Ap 19:8).
Importante destacar que essas vestes também são um reflexo da justificação imputada por Cristo. Assim, a promessa das vestes brancas também serve de lembrete de que nossa aceitação diante de Deus é baseada na justiça de Cristo, não em nossos méritos.
7.6. A perseverança dos santos (Ap. 3:5)
7.6. A perseverança dos santos (Ap. 3:5)
5 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Ao final da carta à igreja de Sardes, Cristo nos traz uma promessa extremamente importante. A promessa de que o nome do vencedor não será apagado do Livro da Vida (Ap 3:5). Essa é uma das doutrinas mais importantes dentro da teologia reformada, que nos garante que a salvação pertence ao Senhor.
A segurança da salvação não está em nossa capacidade de perseverar, mas na fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas aos eleitos.
7.7. Aplicação
7.7. Aplicação
A mensagem à igreja de Sardes é um alerta contra a negligência e complacência espiritual e um chamado à vigilância. Igrejas e crentes devem buscar continuamente a renovação pela obra do Espírito Santo, num processo de santificação progressiva, lembrando-se de que a verdadeira vitalidade espiritual não está em atividades externas, mas em uma vida transformada pela graça de Deus.
8. Sexta igreja de Filadélfia
8. Sexta igreja de Filadélfia
8.1. Contexto histórico
8.1. Contexto histórico
Filadélfia foi fundada por Atalo II Filadelfo, rei de Pérgamo (159–138 a.C.), que a nomeou em homenagem à sua lealdade ao irmão Eumenes II. Localizada a cerca de 50 quilômetros de Sardes, a cidade situava-se em uma região de atividade sísmica intensa, sendo frequentemente abalada por terremotos, como o grande tremor de 17 d.C., que também destruiu Sardes. Essa instabilidade geológica levou muitos habitantes a viverem fora dos muros da cidade, com medo de desabamentos.
Religiosamente, Filadélfia era um centro de adoração a Dionísio (Baco), o deus grego do vinho e da fertilidade. Contudo, a oposição mais significativa enfrentada pela igreja local não veio dos pagãos, mas dos judeus, como fica evidente na carta.
8.2. Aquele que tem a chave de Davi (Ap. 3:7)
8.2. Aquele que tem a chave de Davi (Ap. 3:7)
7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:
Jesus se apresenta como "o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi". A referência à chave de Davi é uma citação direta de Isaías 22:22, onde Eliaquim, servo fiel do rei Ezequias, é investido de autoridade sobre o palácio real. No contexto da carta, essa chave simboliza o poder soberano de Cristo sobre o Reino de Deus, com autoridade para abrir e fechar portas espirituais (cf. Mt 16:19).
Ao descrever-se como "o santo" (hagios) e "o verdadeiro" (alēthinos), Cristo reafirma sua divindade e confiabilidade, suas palavras jamais passarão. Ele é separado de todo pecado e perfeitamente digno de confiança, características que contrastam com a oposição que a igreja enfrentava.
8.3. Uma porta aberta (Ap. 3:8)
8.3. Uma porta aberta (Ap. 3:8)
8 Conheço as tuas obras —eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar —que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.
Aqui encontramos uma expressão bastante intrigante. A expressão "eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta" parece apontar para oportunidades missionárias e acesso ao Reino de Deus. Essa porta aberta também simboliza a soberania de Cristo em permitir que a igreja cumpra sua missão, mesmo sendo pequena e aparentemente frágil ("tens pouca força").
Se considerarmos a teoria de que cada igreja representa uma época da história da igreja, como já dissemos em linhas retro, faz todo sentido essa expressão para esta igreja. A igreja de Filadélfia se refere ao período da igreja pós-reforma (sec. XVI -XVIII).
Este período pós-reforma foi marcado por grande expansão da igreja, impulsionado pelos movimentos missionários dessa época. A imagem da porta aberta é frequentemente associada ao trabalho missionário (cf. 1 Co 16:9; 2 Co 2:12; Cl 4:3).
1Co 16:9 (16:9) porque uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos adversários.
2Co 2:12 (2:12) Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor,
No contexto histórico, pode-se ver a Filadélfia como um ponto estratégico para a propagação do evangelho na Ásia Menor.
Mas as coincidências não param por aqui não, vejamos a próxima sentença desse verso 8. A fidelidade da igreja é destacada com a seguinte sentença: "guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome". É sabido de todos que um dos lemas da reforma foi o “sola scriptura”, que é uma das cinco solas[1] da reforma protestante. Este lema “sola scriptura”, é símbolo distintivo de uma igreja que propunha a volta às escrituras como única fonte de fé e prática.
8.4. A Sinagoga de Satanás (Ap. 3:9)
8.4. A Sinagoga de Satanás (Ap. 3:9)
9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.
Jesus não deixa de mencionar a "sinagoga de Satanás", uma referência aos judeus que rejeitaram o evangelho e perseguiram os cristãos. Apesar de serem descendentes físicos de Abraão, esses judeus não eram o verdadeiro Israel de Deus, conforme explicado por Paulo em Romanos 2:28-29.
A promessa de que esses opositores "virão e prostrar-se-ão aos teus pés" ecoa o vaticínio de Isaías 60:14, onde os inimigos de Israel reconhecem a supremacia do povo de Deus. Aqui, a promessa aponta para o reconhecimento final da igreja como amada de Cristo.
8.5. Guardados na hora da provação (Ap. 3:10)
8.5. Guardados na hora da provação (Ap. 3:10)
10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.
Outra promessa também é dada à está igreja "também eu te guardarei da hora da provação". Tal promessa gerou debates teológicos significativos. O termo grego ek (fora de) pode ser interpretado como proteção durante a provação ou isenção dela. À luz de outras passagens bíblicas (Jo 17:15; 1 Co 10:13), parece mais provável que a promessa se refira à preservação em meio às tribulações, em vez de uma remoção literal.
Ao nosso ver, e, considerando a teoria de que cada igreja representa um período da igreja, creio que esta promessa se refira ao seu momento histórico. Ou seja, essa igreja que foi extremamente operosa no tempo da reforma, não passará pela grande tribulação, que está reservada para uma época mais adiante, propriamente dita a época a igreja de Laodiceia.
8.6. Conserva o que tens (Ap. 3:11)
8.6. Conserva o que tens (Ap. 3:11)
11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
A exortação "conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa" aponta para a necessidade de perseverança. A "coroa" aqui não é uma coroa real (diadema), mas uma coroa de vitória (stéphanos), como a recebida por atletas vencedores nos jogos gregos (cf. 1 Co 9:25; 2 Tm 4:8).
8.7. Coluna no santuário de Deus (Ap. 3:12-13)
8.7. Coluna no santuário de Deus (Ap. 3:12-13)
12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. 13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Outra promessa feita ao vencedor é que ele será feito "coluna no santuário do meu Deus". No contexto cultural, colunas eram símbolos de estabilidade e honra. Essa imagem sugere segurança eterna e posição de destaque no Reino de Deus.
Além disso, o vencedor terá gravado sobre si o nome de Deus, o nome da Nova Jerusalém e o novo nome de Cristo. Isso simboliza pertencimento, cidadania celestial e a plena revelação de Cristo na eternidade(cf. Ap 21:2-3). Conforme nos ensina a carta de Pedro, somos propriedade exclusiva de Deus (1 Pe 2:9).
8.8. Aplicações Teológicas para a igreja moderna
8.8. Aplicações Teológicas para a igreja moderna
· Fidelidade em Meio à Fraqueza: A igreja de Filadélfia nos ensina que a fidelidade é mais importante do que a força ou o tamanho. Mesmo com "pouca força", a igreja permaneceu fiel à Palavra de Deus e ao nome de Cristo. Sola Scriptura: Solus Christus.
· Missões e Evangelismo: A porta aberta por Cristo é um convite para a igreja participar ativamente na obra missionária. Isso reflete o mandato de Mateus 28:19-20.
· Promessa de Perseverança: Cristo promete preservar sua igreja, seja em tempos de provação ou na eternidade. Isso reforça a doutrina da perseverança dos santos, um dos cinco pontos da teologia reformada.
A carta à igreja de Filadélfia é uma das mais encorajadoras das sete. Ela destaca o valor da fidelidade, mesmo em meio à fraqueza e oposição. A igreja é chamada a perseverar, confiando nas promessas de Cristo, que é santo, verdadeiro e soberano.
9. Sétima igreja de Laodiceia
9. Sétima igreja de Laodiceia
A mensagem à igreja de Laodiceia apresenta uma das mais severas repreensões entre as sete cartas às igrejas do Apocalipse. É uma advertência contundente contra a mornidão espiritual e a autossuficiência, que são incompatíveis com o verdadeiro discipulado cristão.
9.1. A Cidade de Laodiceia – Contextualização histórica
9.1. A Cidade de Laodiceia – Contextualização histórica
Laodiceia era uma cidade estrategicamente localizada no vale do rio Lico, cerca de 60 quilômetros a sudeste de Filadélfia. Fundada por Antíoco II, que a nomeou em homenagem à sua esposa Laodice, a cidade era famosa por sua riqueza, sua indústria têxtil de tecidos de lã negra e seu colírio medicinal, conhecido como pó frígio.
A prosperidade material de Laodiceia era tão marcante que, após um terremoto devastador em 60 d.C., a cidade recusou ajuda financeira do Império Romano e reconstruiu-se com seus próprios recursos. Essa autossuficiência é crucial para entender a repreensão espiritual dirigida à igreja local.
Laodiceia também possuía um sistema de aquedutos que trazia água de fontes termais próximas. No entanto, ao chegar à cidade, a água era morna, um fato que Jesus usou como metáfora para a condição espiritual da igreja.
9.2. A apresentação de Jesus (Ap. 3:14)
9.2. A apresentação de Jesus (Ap. 3:14)
14 Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Jesus se apresenta como "o Amém", um título que enfatiza sua fidelidade e autoridade divina. O termo, que significa "assim seja" ou "verdade", é usado aqui para destacar que Cristo é a confirmação final das promessas de Deus (2Co 1:20).
Ele é também "a testemunha fiel e verdadeira", em contraste com a igreja, que havia falhado em seu testemunho.
9.3. Jesus odeia os mornos (Ap. 3:15-16)
9.3. Jesus odeia os mornos (Ap. 3:15-16)
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! 16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
A mornidão espiritual da igreja é condenada com veemência. A metáfora das águas mornas refere-se à inutilidade: a água quente de Hierápolis tinha propriedades terapêuticas, enquanto a água fria de Colossos era refrescante. Em contraste, a mornidão de Laodiceia não tinha propósito ou eficácia.
A água morna não é boa para o banho, nem refrescante para matar a sede. Neste sentido, o crente morno é a condição, o estado mais trágico de todos, pois combina a ausência de zelo com a ilusão de que tudo está bem.
9.4. Aparente riqueza reflete a verdadeira nudez (Ap. 3:17)
9.4. Aparente riqueza reflete a verdadeira nudez (Ap. 3:17)
17 pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
A autossuficiência material levou à cegueira espiritual. A igreja havia confundido riqueza física com bênção espiritual, ignorando sua verdadeira condição diante de Deus. A igreja de Laodiceia confundiu riqueza material com riqueza espiritual.
O principal problema dos laodicenses era a falsa sensação de segurança e independência espiritual. A igreja dizia: "Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma". Isso revela uma atitude de orgulho e complacência, típica de uma comunidade que confiava mais em seus recursos materiais do que em Deus. Aqui, vemos um reflexo do ensino de Jesus em Mateus 6:24, onde Ele alerta que não se pode servir a Deus e às riquezas ao mesmo tempo.
Cristo responde a está atitude denunciando essa autossuficiência enganosa: "Nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu."
A igreja pensava estar bem espiritualmente, mas na realidade estava espiritualmente falida. Essa falsa percepção é uma característica marcante de uma fé superficial, onde a prosperidade material é confundida com a bênção espiritual.
Aqui podemos destacar Cinco Características da Miséria Espiritual. Cristo usa cinco descrições para demonstrar a verdadeira condição da igreja:
· Infeliz (talaipōros) – Significa uma pessoa digna de pena, alguém que sofre profundamente, mas não reconhece sua miséria.
· Miserável (eleeinos) – Descreve uma situação deplorável, um estado de ruína espiritual.
· Pobre (ptōchos) – Indica extrema pobreza, uma dependência total, sem recursos para suprir a própria necessidade.
· Cego (typhlos) – Representa a incapacidade de enxergar a verdade espiritual. Irônico, pois Laodiceia era famosa por seu colírio medicinal.
· Nu (gymnos) – Símbolo de vergonha e humilhação. Apesar de ser um centro da indústria têxtil, a igreja estava espiritualmente despida.
Eles confiavam na sua riqueza, mas Cristo os via como espiritualmente falidos. Eles se orgulhavam de sua medicina, mas estavam cegos. Eles se vestiam com os melhores tecidos, mas estavam nus diante de Deus.
9.4.1. Aplicação Contemporânea: O Perigo do Materialismo e da Indiferença Espiritual
9.4.1. Aplicação Contemporânea: O Perigo do Materialismo e da Indiferença Espiritual
A mensagem à igreja de Laodiceia é extremamente relevante para a igreja atual, especialmente em um mundo onde o materialismo e o conforto frequentemente substituem a dependência de Deus.
Diante disso podemos elencar três advertências para a igreja moderna:
· Riqueza não significa bênção espiritual – Muitos cristãos e igrejas hoje confundem sucesso financeiro com aprovação divina. A prosperidade pode ser uma bênção, mas também pode enganar o coração (Mt 19:24).
· A complacência espiritual é perigosa – Laodiceia não era perseguida como Esmirna, nem enfrentava heresias como Pérgamo, mas sua apatia a tornou espiritualmente inútil. O maior perigo para muitos cristãos não é a perseguição, mas a indiferença.
· O engano da autossuficiência – Laodiceia pensava que tinha tudo, mas não tinha Cristo. A igreja se tornou independente de Deus, o que é uma contradição fatal para qualquer comunidade cristã.
9.5. O Chamado ao Arrependimento (Ap. 3:18)
9.5. O Chamado ao Arrependimento (Ap. 3:18)
18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
A repreensão de Cristo não é para destruição, mas para restauração. O "ouro refinado pelo fogo" simboliza a verdadeira riqueza espiritual adquirida pela fé e pela purificação através das provações (1Pe 1:7).
As "vestiduras brancas" representam a justiça imputada por Cristo, em contraste com a vergonha da nudez espiritual (Is 61:10).
O "colírio" refere-se à iluminação espiritual, que permite discernir a verdade e reconhecer o próprio estado diante de Deus
Então, a partir do versículo (Ap 3:18), Jesus Cristo oferece três soluções para a condição da igreja:
· Ouro refinado – Uma fé autêntica, purificada pelo fogo da provação.
· Vestiduras brancas – A justiça de Cristo, que cobre a vergonha do pecado.
· Colírio para os olhos – A iluminação espiritual que vem do Espírito Santo.
Esse chamado não é apenas para Laodiceia, mas para todos os crentes que se tornaram espiritualmente mornos. Cristo deseja restaurar a igreja, não condená-la.
9.6. O Amor na Disciplina de Deus (Ap 3:19)
9.6. O Amor na Disciplina de Deus (Ap 3:19)
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
Nos versículos anteriores, Cristo já havia denunciado a mornidão espiritual e a falsa segurança da igreja (Ap 3:15-18). Agora, Ele faz um chamado ao arrependimento e à restauração, demonstrando sua disciplina amorosa e seu desejo de comunhão com os crentes.
Na frase: "Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te." Podemos ver claramente o amor Divino. A disciplina divina é expressão do amor de Deus. Este versículo ensina um princípio fundamental: a disciplina de Deus não é sinal de rejeição, mas de amor. Cristo deixa claro que aqueles que Ele corrige e disciplina são, na verdade, os que Ele ama.
Esse princípio está presente em toda a Escritura:
· Provérbios 3:11-12: "Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem."
· Hebreus 12:6: "Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe."
Assim como um pai amoroso disciplina seus filhos para o bem deles, Deus corrige seus filhos para restaurá-los e levá-los ao arrependimento.
Mas Cristo vai adiante e exorta: "Sê, pois, zeloso e arrepende-te." A palavra "zeloso" (zēloō no grego) significa ser fervoroso, ardente, comprometido. É o oposto da mornidão espiritual que caracterizava Laodiceia. O verbo "arrepender" (metanoeō) significa mudar de mente, converter-se, voltar-se para Deus.
Cristo está chamando Laodiceia a abandonar sua complacência e a retornar ao fervor espiritual e à verdadeira comunhão com Ele.
Muitos crentes hoje vivem como Laodiceia: confortáveis, acomodados e sem zelo por Deus. Mas Cristo nos chama a um arrependimento genuíno e a um amor renovado por Ele. A repreensão de Cristo é um ato de amor, um chamado ao arrependimento e ao zelo renovado.
9.7. O Convite de Cristo à Comunhão (Ap 3:20)
9.7. O Convite de Cristo à Comunhão (Ap 3:20)
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
Essa é uma das passagens mais conhecidas do Apocalipse e carrega um convite poderoso à intimidade com Cristo. Note que aqui Cristo se coloca do lado de fora da porta, batendo e chamando.
Há aqui uma triste situação: Cristo, o Senhor da igreja, está do lado de fora. A igreja não tem comunhão com Ele.
Cristo aqui revela Seu amor. Diz Ele: “Estou à porta e bato” (Ap 3:20). Jesus Cristo bate através das Escrituras, de um sermão, de um hino, ou até mesmo de situações trágicas em nossa vida, como um acidente, de uma doença. É preciso ouvir a voz de Jesus. "Eis que estou à porta e bato" – O verbo bater no grego (krouō) indica uma ação contínua. Ou seja, Cristo não bate uma única vez e vai embora, mas persiste em chamar.
Quantas igrejas e quantos crentes vivem sem perceber que Cristo já não está no centro de suas vidas? Ele não arromba a porta; Ele espera ser convidado para entrar.
9.7.1. Qual deve ser nossa resposta? Ouvir e Abrir (Ap 3:20)
9.7.1. Qual deve ser nossa resposta? Ouvir e Abrir (Ap 3:20)
Cristo diz: "Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta...". Ouvir a voz de Cristo significa estar atento à Sua Palavra, reconhecendo a necessidade de sua presença. Abrir a porta representa um ato de fé e submissão, um convite consciente para que Cristo tome controle da vida.
9.7.2. A Ceia: Símbolo de Intimidade e Comunhão
9.7.2. A Ceia: Símbolo de Intimidade e Comunhão
Diante da resposta positiva, existe uma linda promessa. "entrarei em sua casa e cearei com ele".
No contexto judaico, a ceia era a principal refeição do dia, um momento de comunhão, amizade e intimidade. Cristo promete não apenas uma visita, mas uma relação profunda e contínua com aqueles que o recebem.
📌 Três Significados da Ceia:
· Comunhão Presente – Quem abre a porta experimenta uma relação pessoal com Cristo.
· Satisfação Espiritual – Cristo sacia a alma e preenche o vazio que nada mais pode preencher.
· A Grande Ceia do Reino – Essa ceia antecipa as Bodas do Cordeiro (Ap 19:9), quando Cristo celebrará com sua igreja na glória.
9.8. 📖 Aplicação para nossos dias
9.8. 📖 Aplicação para nossos dias
Você tem aberto a porta do seu coração para Cristo? Ele não quer apenas um relacionamento formal, mas uma intimidade real e transformadora.
O convite para abrir a porta é profundamente pessoal, sugerindo que a comunhão com Cristo depende de uma resposta individual. Sendo assim, a imagem de Cristo à porta é uma oferta de restauração, não apenas de julgamento.
9.9. Promessa ao vencedor (Ap 3:21)
9.9. Promessa ao vencedor (Ap 3:21)
21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. 22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
A promessa ao vencedor é de uma participação no reinado de Cristo, uma honra que reflete a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Essa promessa ecoa a teologia do domínio restaurado em Cristo, descrita em passagens como 2Timóteo 2:12 e Apocalipse 20:4.
A mensagem à igreja de Laodiceia nos ensina que:
· A autossuficiência é espiritualmente perigosa. A dependência de riquezas materiais pode levar à cegueira espiritual.
· Cristo exige fervor espiritual. A mornidão é intolerável para Deus, pois reflete indiferença em relação à sua obra e ao evangelho.
· A comunhão com Cristo é essencial. Ele está sempre disposto a entrar e restaurar aqueles que se arrependem e o buscam com sinceridade.
9.10. 📖Aplicação para nossos dias
9.10. 📖Aplicação para nossos dias
A carta à igreja de Laodiceia é um alerta solene contra a complacência e a apatia espiritual. É também uma demonstração da graça divina, que repreende e corrige para restaurar. Que possamos abrir a porta do nosso coração para Cristo e buscar nele a verdadeira riqueza, justiça e visão espiritual.
10. Resumo das 7 igrejas
10. Resumo das 7 igrejas
Podemos montar o seguinte quadro para resumirmos as 7 cartas às 7 igrejas:
[1] Sola Scriptura: Somente a Escritura; Sola Fide: Somente a Fé; Sola Gratia: Somente a Graça; Solus Christus: Somente Cristo; Soli Deo Gloria: Glória Somente a Deus
