ACHANDO O QUE SE PERDEU (2)
Evangelho de Lucas • Sermon • Submitted • Presented
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Lucas 15
Quando lemos e analisamos essa parábola, que por muitos é tida como a joia da coroa das parábolas proferidas por Jesus, observamos que há diferentes estágios do pecador (o filho) que merecem ser considerados na experiência do pródigo.
- A mentalidade do filho jovem, descontente e revoltado com a vida que tem;
- Que vai ao pai, arrogante, requerer a sua parte da herança.
- Que uma vez recebido, junta o que tem, e parte para longe do pai.
Com que essa atitude se parece, com o que se assemelha?
- Isso é tipicamente visto nas rebeliões contra Deus. Onde os cultos são frequentados, o Deus Pai é tipo em “reverência”, mas, em seu coração, há desejos por suposta liberdade; aspiração por uma vida livre de impedimentos.
- Isso se assemelha aos que acreditam que podem encontrar alguns deleites alheios que jamais aproveitou-se, aquela curiosidade típica de Eva (para os que estão acompanhando as exposições em Gênesis). Eva acreditou que provar do fruto daquela árvore que era boa para se comer e agradável aos olhos, também desejável para trazer sabedoria era o ápice da liberdade e maturidade.
- Aquele jovem, como muitos hoje, acreditava que a liberdade consistia em desfrutar de deleites e prazeres que as normas e regras (a casa de seu pai) lhe proibiam, inibiam de fazer.
- Aqui, está um elemento importante sobre você e sua relação com a Igreja. Há pecados que você superará em sua vida, por meio de realocação de sua vida, ou seja, quando você se apega as virtudes sagradas rejeitando os vícios. Então, há mudanças em sua vida, que foram frutos de sua decisão consciente (Graça de Deus), você reconheceu que o vício era nocivo, você estava escravizado, isso estava te matando.
- Mas, também há vícios e pecados que, você luta com eles, e que o peso da “Casa do Pai” é de vital importância para que você se mantenha de pé. O culto, as exortações recebidas. As proibições expressamente impostas, o constrangimento, a inibição causada pela comunhão.
- Isso é parte do tratamento espiritual causado imposto por Deus sobre nós.
- Aqui, o jovem apresenta um comportamento que não tão incomum. Na casa de seu pai, seu coração quer, deseja, almeja. Mas, está impedido pela casa de seu Pai, pela autoridade de seu Pai, pelo Amor de Pai. A decisão de partir, não é para outra coisa, senão, para executar loucamente, aquilo que seu coração ímpio deseja.
- Permanecer na casa do Pai, significava supervisão sobre si, influência direta do pai, de alguma maneira aquilo poda-lhe as asas. Retirar-se para um lugar distante, dava-lhe a oportunidade de desenvolver seus desejos, realizar suas luxurias, desfrutar de tudo o que a casa do pai lhe impedia.
- Alguns fogem da comunhão, da vida em comunidade, da submissão ao corpo de Cristo para entregarem-se a devaneio emocionais, sentimentais e sexuais como esse jovem. Acreditando, que tem o direito de ter os seus desejos mais infames satisfeitos.
- Antes de fazer um apelo a você, deixe-me da um curto testemunho. Há alguns anos em conversa com uma pessoa que fez parte da minha adolescência. Me vendo casado, marido de uma só esposa por muitos anos, olha pra mim e diz: Conserve-se assim, ame a sua família, graças a Deus você não teve tempo de provar das desgraças do mundo. Eu provei, e agora não tenho como voltar, o tempo passou, e agora o estrago está realizado. – (Jesus é poderoso para perdoar pecados)
- Irmãos, talvez haja alguns a quem falo que estão neste estado mental; se sim, que a graça de Deus o interrompa antes que se distancie mais do Senhor! Que você sinta que estar fora de sintonia com Deus; desejar estar separado dele e ter outros interesses diferentes daqueles de quem o criou é perigoso e, provavelmente, será fatal! Portanto, agora, agora mesmo, que você caia em si nesse estágio inicial de sua história e venha a amar e a regozijar-se em Deus da mesma forma que o pródigo quando retornou a seu pai!
Vamos ao texto!
v.11-12 – “11 Continuou: Certo homem tinha dois filhos; 12 o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres”.[1]
- No sermão anterior, falamos sobre a questão da herança exigida pelo filho, que não fazia nenhum sentido, haja visto que o Pai ainda estava com vida.
- Uma outra questão que trabalhamos nestes versículos foi sobre a honra, o modo como o mundo tem trabalhado com ideia de destruir o vínculo familiar e a honra que deveria ser prestada a ele.
Nos voltemos para a questão do texto!
- Ele era feliz inconscientemente na casa do Pai. O filho vivia na casa do Pai, tinha comunhão e conforto. Nada lhe faltava: ele tinha abrigo, pão, roupa, calçado e anel no dedo. Tudo o que pai possuía também lhe pertencia. Ele vivia cercado de bênçãos.
- Todavia, um dia aquele jovem cavou um poço de insatisfação dentro do seu próprio coraçãoe começou a sentir-se infeliz dentro da casa do Pai. – Isso é aquele exato fruto da queda, aquela mesma atitude que encontramos em Eva quando dá ouvido a serpente e depois em Adão, quando escuta Eva.
- Aquele menino, esticou o pescoço, olhou pela janela da cobiça, e viu, além do muro, um mundo colorido, atraente, cheio de emoções. Desejou ardentemente conhecer o outro lado. Então, pediu ao pai a sua herança e partiu para grandes e intensas aventuras.[2]
- O desfecho dessa história, que já conhecemos, nos ensina que a felicidade nem sempre é consciente, e que, em muitas ocasiões, só reconhecemos a tal felicidade quando a infelicidade nos bate a porta. Quando somos tomados da verdadeira infelicidade, descobrimos que aquilo que tínhamos, inconscientemente era a felicidade.
- A terrível e velha mania de não nos contentarmos com o que temos, acreditando que a grama do vizinho é mais verde. A velha e má síndrome de vira-lata que quase todo brasileiro tem.
v.13 – “Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente”.
- É importante destacar esse versículo, que ressalta a verdadeira intensão do filho jovem. Ele não desejava tomar a sua parte para abrir um novo empreendimento, não pensa em ser o próprio chefe de uma família.
- O interesse dele era mesquinho, dissoluto. O ressentimento tinha como essência a volúpia, o desejo diabólico do seu coração, que buscava prazer.
Charles Spurgeon disse certa vez, comentando esse texto que: O Pecador está em estado de perturbação.
-Enquanto o homem vive em seu pecado, ele está fora de si, está em perturbação. Tenho certeza de que assim o é. Não há nada mais semelhante à loucura do que o pecado, e há controvérsia, entre aqueles que estudam os problemas mais profundos, sobre o quanto a insanidade e a tendência a pecar andam lado a lado.
- Por que é chamar de insano aquele que comete pecado?
- Ele é insano, primeiramente, porque seu juízo está totalmente fora de operação. Comete erros fatais sobre todas as questões cruciais. ]
- Acredita que o curto tempo de sua vida mortal valha toda sua atenção e coloca a eternidade em segundo plano.
- Considera possível a criatura estar em inimizade contra o Criador, ou indiferente a Ele, e ainda assim ser feliz!
- Pensa que sabe mais sobre o que é o certo para si próprio do que aquilo que a lei de Deus declara.
- Sonha que o evangelho eterno, que custou a Deus a vida de Seu Filho, seja pouco digno de qualquer atenção de sua parte, e passa por ele com desprezo.
- Descartou o leme de seu julgamento e vira-se em direção às rochas deliberadamente. Parece querer saber o local mais acertado para cometer seu naufrágio eterno! Perdeu totalmente o juízo.[3]
Prossegue: e ali esbanjou sua riqueza vivendo extravagantemente. Que conduta mais estulta foi a sua! Primeiro juntou “tudo o que tinha”, sem deixar nada para o caso de seu plano não ter bom resultado e ter de voltar para casa; e agora, além disso, ele gastou o dinheiro a torto e a direito, até que em pouco tempo nada lhe restou.[4]
- Além disso, suas ações são as de um louco. Esse filho pródigo, antes de tudo, tinha interesses alheios ao seu pai.
- Devia ser louco para conceber uma ideia como essa! Se tenho interesses alheios Àquele que me criou e me mantém vivo, se eu, a efêmera criatura, acho que posso ter vontade em oposição à de Deus e assim viver e prosperar, ora, devo ser um tolo!
- Devo ser doido, se desejar qualquer coisa semelhante, pois é consistente com o raciocínio mais elevado crer que aquele que se dobra à bondade onipotente deve estar na trilha da felicidade, mas aquele que se opõe à poderosa graça divina deve, certamente, estar dando murro em ponta de faca ferindo e agredindo a si próprio. Contudo, esse pecador não vê dessa forma, e a razão para isso é que está em estado de perturbação.[5]
v.14-16 - “Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. 15 Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. 16 Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.
- Parece que ouve um acordo entre o resto do dinheiro e o tempo de fome. Pois no momento em que riqueza tirada de seu Pai findou, a fome assolou a região, não apenas onde o jovem estava, mas o pais inteiro foi atingido.
- Não há para onde correr, não há quem possa socorrer.
- O orgulho, ainda não destruído, impede que o rapaz se humilhe, e volte imediatamente arrependendo de seu pecado.
- Talvez, aquela mentalidade, de que as coisas vão dar certo, mesmo fazendo errado, e que voltar, é ter que reconhecer que estava errado.
- O louco frequentemente disfarçará sua loucura daqueles que o cercam; do mesmo modo o pecador esconde seu pecado.
- Você pode falar com esse homem sobre a moral e observá-lo bem de perto. No entanto, pode levar tempo até que você o entenda e possa dizer-lhe: “Só uma coisa te falta”.
- Talvez, ele esteja correto em outras coisas, mas, com relação à sua alma, não há sensatez! Os enlouquecidos não sabem que estão loucos até que sejam curados; acham que, por si só, são sábios e todo o resto é tolo. Aqui está outro ponto de semelhança a pecadores, pois eles também pensam que todo mundo está errado, com exceção deles mesmos[6]
- Um judeu alimentando porcos, animais imundos (Lv 11.7), quão degradante era! Quão humilhante era!
- Os judeus usavam comumente uma expressão de ofensa e insulto dizendo: “Que a maldição caia sobre o homem que cuida de porcos” – Ou “que você seja levado a cuidar de porcos”.
- À humilhação acrescentou-se a fome. Ele tinha fome o tempo todo, como o original sugere, tanta fome que o estômago reclamava algo para comer, qualquer coisa. Os porcos devoravam as alfarrobas. E ele mesmo desejava ardentemente comer algo disso.
- Perguntamos: “Ora, e por que ele não comia?” Não sabemos. Tem sido sugerido que, embora ele mesmo apascentasse os animais enquanto estavam no campo (veja v. 15), eram alimentados por outros depois de voltarem do campo. Seja como for, somos informados definidamente que ninguém lhe dava nada.
- Olha em que estado esse homem se encontra, aquele que era amado, cuidado, supervisionado, suprido. Agora se encontra falido, destituído de alegria, de honra.
- O que é interessante aqui, é que esse estado, a calamidade que vem sobre ele, é o ponto de partida para um novo estágio em sua vida.
v.17 - “Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome![7]
- As péssimas condições de trabalho, a fome, junto com a humilhação, lhe conduz a um novo estágio. No primeiro momento, há um pequeno raio de lucidez brotando em seu coração.
- Spurgeon dizia que “É uma grande bênção quando o pecador cai em si”.
- Esse “caindo em si” é a primeira marca da graça em ação no coração do pecador. Um sinal da esperança.
- Para alguns a mudança é rápida e imediata, para outros gradual. Nos dois casos, a mudança sempre é dolorosa.
A dor de mudar!
A dor da mudança, pode envolver dores físicas, mas a principal dor proporcionada pela mudança são as dores do ego. Dores emocionais, psicológicas.
- Naturalmente, você não quer mudar, o pecado, como um parasita, se aloja em sua mente, em seu coração. E lutará contra todos os remédios vindos da graça de Deus para sair de você.
- Esse rapaz, enfrentava a dor do orgulho. O orgulho é mais que um sentimento, é um estado mental, comportamental. O orgulho não é, simplesmente, alguém que se sente capaz, e não quer, por exemplo depender do outros. O orgulhoso é alguém que se sente autossuficiente. E esse orgulho é ancorado em falsas certezas, baseado em falsas justificativas.
- Como eu disse é difícil de definir. Porque o orgulho, que veja bem, é um pecado mortal, o orgulho conduziu Adão a queda, o orgulho conduziu Eva a queda. O orgulho foi o que conduziu Lúcifer a queda.
- Em todos os três casos, um estado de autoregência é encontrado. Os três personagens, acreditam que não precisam de gerência, governo externo. Eles se tornaram como Deus, ou no caso de Lúcifer, sentar-se no trono de Deus.
- O orgulho, é o que te faz errar, e errar de novo, e novamente, e daqui a um tempo, de novo, e fazer a mesma coisa por longo tempo. E mesmo confrontado, exortado, você consegue se manter do mesmo jeito, agindo, da mesma forma. O que acontece, é que quando duramente confrontado, você coloca esse orgulho em “stand by”, não o sacrifica, apenas finge deixa-lo. O tempo virá, e mostrará que esse orgulho nunca foi abandonado.
- O que impede aquele rapaz de romper com tudo e voltar imediatamente para a casa do pai dele. É o maldito orgulho, que escraviza o pecado, que o impede de arrepender imediatamente frente ao pecado cometido.
- Eu imagino, aquilo que naturalmente acontece com todo ser humano. Que nos primeiros momentos, aquele rapaz deva ter se entregue a devassidão sem reservas, com a mente completamente vazia de preocupações. No primeiro momento, não há uma ação da confrontadora da consciência, talvez, uma comparação que justifique a escolha. “Na casa do meu pai eu estaria cumprindo tarefas, orando, me alimentando da palavra, tendo comunhão com meu Pai e meus irmãos” – “Aqui, não há obrigações, só prazeres”. Mas, acredito, que bem antes do porcos, e do estado miserável que se encontra agora, ele deva ter tido flashs de sua vida, e enxergado algum vazio em tudo o que estava vivendo.
- O que o manteve ali, foi o orgulho, que age como um ditador da vontade, submetendo tudo a seu imperativo.
- O orgulho começa a desmoronar quando tudo o que o sustenta começa a ceder.
- O rapaz está faminto, em grande tristeza e solitário. Sua amizade se resume aos porcos. Não que os anteriores não fossem, mas ele não se incomoda com isso. Ele agora está sozinho, ninguém para o ouvir, ninguém para rir, nem para chorar. O som que escuta é de seu próprio estomago faminto e os porcos com seus grunhindo.
- Ficar sozinho. É bom para um pecador vez ou outra ficar sozinho.
- Mas, sozinho com a própria consciência. Que toda diversão cesse, toda as amizades desapareçam, tudo o que o sustenta ou justifique sua conduta desmorone.
- Daí, o que restará é você e sua consciência que grita, que diz, volte, se arrependa.
- Isso não significa que o orgulho estará completamente abatido.
- O rapaz toma consciência de que: “quantos trabalhadores do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome”.
- Bem, se os trabalhadores do pai, são fartos de pão, o que ele desfrutava como filho?
- Aqui temos o homem só, e sua consciência caindo em si, como fruto da graça, é claro.
v.18-19 “18 Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores”.[8]
- Há nesse momento uma completa destruição do orgulho. O termo “levantar-me-ei” trás a ideia de sair do repouso, ou levantar-se dos mortos.
- O que levanta aquele rapaz do estado que ele está?
- Sua força, sua garra, sua motivação?
- Nenhuma dessas coisas. O que o levanta é testemunho do seu Pai, o amor do seu Pai. Que trata com amor e generosidade até mesmo os trabalhadores mais singelos.
- Quando reconhece o trato do Pai para com os trabalhadores, ele está, é claro, reconhecendo o que deixou para trás, o que foi perdido. E reconhece que perdeu tudo.
- Agora, o que lhe resta, é ser um servo, um escravo do seu Pai.
- Imagine a luta no coração desse rapaz, que um dia foi rebelde e altivo com Pai, exigindo o que não tinha direito. Agora volta, reconhecendo a bondade do Pai, e seu vergonhoso fracasso, e pedindo ao pai, que é misericordioso, que lhe faça seu servo.
- Irmãos, o que esse rapaz passa a enxergar, é que, é melhor ser escravo de um Pai amoroso, do que escravo de um mundo tenebroso.
- O Pai amoroso proporcionará fartura de Pão, o mundo tenebroso, fartura de dores.
v.20-21 “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. 21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”.
- O filho então foi, se levantou e começou a jornada de volta para o lar.
- Ainda longe, o pai o avistou! (Debruçado sobre o portão, como diz o poeta)
- O Pai se compadece dele, corre em direção ao pecador obstinado, abraça e beija.
- Um amor incomensurável!
- O rapaz declara que não sua culpa, seu pecado e que não é digno de ser chamado “teu filho”.
- Aqui já não há orgulho, não há altivez, não há mais o que se apegar.
- A amor se mostrará em sua plenitude nos versículos a seguir.
v.22-24 “O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;23 trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, 24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.”
- O pai não discute com o filho, não considera suas palavras, não lhe esfrega em rosto sua atitude, não apresenta as marcas deixadas por seu péssimo testemunho.
- Ele reveste o menino daquilo que lhe sobra, cobrindo o menino daquilo que lhe faltava. E não é capa ou anel ou chinelo. É amor, manifestado por sua maravilhosa graça.
v.25 – “Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26 Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. 27 E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde”
- Como eu disse no sermão anterior, o filho mais velho simboliza na parábola os religiosos de Israel. Os fariseus, saduceus e escribas. Que tendo a lei, a palavra do Senhor, se viam insatisfeito com o fato do amor e misericórdia do Deus eterno para com pecadores.
- Isso pode ser compreendido pela atitude de Jonas com os ninivitas.
v. 28 – “Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo”.
- O pai não o despreza, não o ignora, ao contrário, busca reconcilia-lo.
V.29-32 “Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; 30 vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado”
- Ele apresenta sua indignação, se sente injustiçado com fato do irmão ter feito o que fez, e ser recebido como está.
- Isso é muito comum no comportamento humano. Talvez o irmão mais velho, até aceitaria o irmão mais novo, se ele fosse pisado e humilhado por sua soberba, por sua atitude.
- Se ele voltasse como um dos servos, cuidou de porcos para o mundo, depois de difamar o nosso Pai.
- Vai limpar latrina, limpar as sandalhas de lama dos trabalhadores.
- Servir a mesa, puxa a cadeira para eu sentar.
- Talvez, um dia, você consiga ser chefe do almoxarifado.
- A ideia de mérito! Esse é o modo do irmão que simboliza os religiosos, enxergar. Mas não é assim que o Pai vê.
- Não é pelo que o filho fez, ou pode fazer. Não é por nada que ele tenha apresentado. É simplesmente pelo que o Pai é.
v.31-32 “Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. 32 Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”.
- O desfecho final é maravilhoso. Ele mostra ao filho mais velho, que está perdido também. Insatisfeito, que não carrega qualquer sentimento de pertencimento local.
- Tudo o que está aqui, te pertence, mas esse teu irmão, estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
Conclusão
Balada do Pródigo (Elomar)
- Deus nos criou para o topo do mundo, para brilhar na criação. Nós, em Adão, pedimos a nossa parte, tomamos as nossas coisas e demos as costas para Deus e o Culto (jardim).
- Perdemos tudo, acreditando que ganharíamos tudo, que seriamos tudo, que nos tornaríamos deuses, igual a Deus.
- Miséria, morte, fome, guerra, perdição de todos os modos e tipo, foi o que encontramos.
- O Pai, em seu amor, enviou resgate, seu Filho, seu único Filho. Enviou para resgatar os pecadores. Pagando a dívida que contraímos com os agiotas do inferno, que cobravam a nossa alma.
- Ele nos amou, simplesmente nos amou. Inexplicavelmente nos amou. Quando nós, nos achegamos a ele, declaramos: “Pequei contra o céu e contra ti, e não sou digno de seu chamado criatura”. E ele, com seu olhar de ternura e amor, nos limpou por meio do lavar regenerador da Palavra, nos vestiu, com o seu Espírito Santo. E nos colocou ao lado do seu filho, nos recebeu como Coerdeiros de um trono que nós não fizemos absolutamente nada para possuir.
Antes de pecar, antes de tomar suas decisões, antes de entregar-se ao seu coração. Considere amor do Pai, você não precisa provar do mundo para saber que ele é ruim.
SDG.
[1] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.11–12.
[2]Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 461–462.
[3]C. H. Spurgeon, Sermões de Spurgeon sobre as Parábolas, trad. Dayse Fontoura, 1.a edição, Série de Sermões—C. H. Spurgeon (Curitiba, PR: Publicações Pão Diário, 2020), 174–175.
[4]William Hendriksen, Lucas, trad. Valter Graciano Martins, 2a edição, vol. 2, Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 278.
[5]C. H. Spurgeon, Sermões de Spurgeon sobre as Parábolas, trad. Dayse Fontoura, 1.a edição, Série de Sermões—C. H. Spurgeon (Curitiba, PR: Publicações Pão Diário, 2020), 175.
[6]C. H. Spurgeon, Sermões de Spurgeon sobre as Parábolas, trad. Dayse Fontoura, 1.a edição, Série de Sermões—C. H. Spurgeon (Curitiba, PR: Publicações Pão Diário, 2020), 177–178.
[7]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.13–17.
[8]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 15.18–19.
