(1 Co 7:17-31)

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Notes
Transcript
Em meio a esse discurso sobre casamento, Paulo meio que dá uma parada pra falar de um princípio que ele considera importante aqui, e ele o enfatiza por três vezes. O princípio é: “permaneça no lugar onde Deus te colocou” (17,20,24). Para dar apoio a essa regra ele usa duas ilustrações, uma sobre circuncisão e incircuncisão, e outra sobre o escravo e o livre.
Essa regra que Paulo trabalha aqui dos versos 17 à 24, é uma preparação pra como ele vai continuar o assunto em seguida, sobre a o casamento e responsabilidade do crente diante de Deus.
1Coríntios 7.17 “Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. É assim que ordeno em todas as igrejas.”
O texto anterior termina falando sobre a possibilidade do cônjuge crente salvar o cônjuge incrédulo. Por isso Paulo diz que se você é crente, casado com uma pessoa que não, não se divorcie, a não ser que ela mesma busque o divórcio. Caso chegue a essa condição, Paulo está dizendo: “a vida continua”.
Paulo está ensinando como lidar com a vida nos seus contrastes: se está casado ou não, se trabalha ou não, se é escravo ou livre, se é rico ou pobre, se está saudável ou doente, seja qual for a condição da sua vida, você aprender a viver exatamente nessa condição para o Senhor.
Paulo mostra como o Evangelho alcança qualquer status, e como ele entra no relacionamento entre marido e mulher, e também entre judeu e gentio, entre escravo e livre. Qualquer que for a situação que você esteja quando se converte, você pode permanecer ali. É claro que ele não está falando de uma situação de pecado. Não podemos permanecer no pecado, mas está falando de um estado social, civil. Certa vez um sapateiro havia se convertido e abordou Lutero, e disse: agora que me converti, o que devo fazer; e Lutero respondeu: faça o melhor sapato e o venda a um preço justo.
Isso pode parecer tolo irmãos, mas em nossos dias muita gente acha que quando se converte, pra demonstrar gratidão a Deus pela salvação, tem que se tornar pastor, missionário etc. Mas não é bem assim. O Senhor chama seu povo em todas as áreas da vida pra segui-lo. Ele quer que nós sejamos pais cristãos, maridos e esposas, empregadores e empregados cristãos. Que sejamos profissionais cristãos. Cada um desempenhando seu papel no lugar em que Deus o chamou.
Isso não que Deus está proibindo você de mudar de status, de mudar de profissão, mas ele quer que você tenha contentamento, que descanse nele, e que saiba glorificá-lo onde você está.
1Coríntios 7.18–19 “Foi alguém chamado, estando circunciso? Não desfaça a circuncisão. Foi alguém chamado, estando incircunciso? Não se faça circuncidar. A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus.”
Essa é a primeira ilustração pra ajudar a entender o que Paulo quer ensinar. Algo como a circuncisão ou incircuncisão é indiferente pra Deus. O que nos faz diferentes uns dos outros essencialmente é a fé. Se cremos ou não em Deus. Então perceba que Paulo não está impondo circuncisão a ninguém, nem dizendo que quem se torno cristão deveria se tornar incircunciso de novo. A nova vida a que Deus nos chamou torna as diferenças entre judeus e gentios irrelevantes.
Pra nós parece pouca coisa, mas Paulo está falando a uma igreja composta de judeus e gentios, de pessoas que tinham dificuldade em abandonar certas práticas, que queriam impor elas a outros, que transformavam pequenas coisas em motivo de divisão na igreja. Precisamos o que de fato é relevante, o que deve ser o motivo de nossas batalhas, e o que deve ser ignorado, talvez por um momento, talvez pra sempre. Precisamos saber o que é uma causa de primeira, de segunda e de terceira ordem.
1Coríntios 7.20–24 “Cada um permaneça na vocação em que foi chamado. Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens. Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado.”
Já aprendemos como Paulo usa a palavra “vocação” ou “chamado” pra falar de duas categorias: ele está falando ou da salvação ou da situação da vida da pessoa, o lugar onde ela está. Mas ele fala de modo que acaba unindo essas duas coisas - Deus nos chamou por seu Espírito em determinado lugar, em determinada condição.
Outra forma de entender essa relação entre o chamado de Deus - a salvação - e esse chamado social, é entender que Deus nos chamou pra viver aqui nessa vida para ele, seja qual for o lugar onde você estiver, (a não ser que você esteja pecando, então você deve abandonar esse lugar imediatamente).
Calvino: ele apenas deseja corrigir a irrefletida avidez que impele alguns a mudar sua condição sem qualquer razão plausível, quer sejam impelidos por alguma superstição ou por algum outro motivo.
Então Paulo usa mais uma ilustração, uma situação difícil, de escravidão. E abordagem de Paulo aqui é muito intrigante, porque Paulo não escreve uma tese sobre a abolição da escravidão, a Bíblia na faz isso, mas ele ensina como o escravo deve servir ao Senhor mesmo sendo escravo. Paulo não diz como as igrejas modernas, coachs: “não aceite a sua condição, determina uma nova vida pra você etc”.
Kistemaker: Ele diz ao escravo que se tornou um cristão que não se preocupe com a escravidão. Paulo não está interessado em perturbar a estrutura existente da sociedade. O evangelho de Cristo há de permear a sociedade aos poucos como o levedo permeia a massa de uma fornada de pão. Ele está ciente do anseio do escravo por liberdade, mas ele sabe que Deus reina supremo. Por meio do evangelho, “uma ordenança divina superior está se efetivando, pela qual o mundo é mantido”. A mudança final na sociedade, Paulo a deixa com o Senhor. No momento ele exorta o escravo cristão a não se preocupar com sua condição.
Paulo está ensinado uma das coisas mais preciosas, e que em situação diferentes, pode ser a mais difícil pra nós - ele está ensinado a “permanência”. Que a gente saiba permanecer no lugar onde estamos. Mas ele diz que se o escravo é liberto, isso é bom, Deus nos criou pra sermos livres, mas se isso não acontecer, como foi o caso de muitos, como é o caso de muitos crentes em países comunistas, descanse no Senhor, espere nele.
MH: As regras do cristianismo alcançam todas as condições; e em todo estado um homem pode viver de modo a ser um crédito para ele. É dever de todo cristão estar contente com sua sorte e comportar-se em sua posição e lugar como convém a um cristão. Nosso conforto e felicidade dependem do que somos para Cristo, não do que somos no mundo. Nenhum homem deve pensar em fazer de sua fé ou religião um argumento para romper com quaisquer obrigações naturais ou civis. Ele deve permanecer quieto e contente na condição em que foi colocado pela Providência Divina.
Vocês percebem como esse é um ensino básico da prática do cristianismo, que serviria pra curar uma geração se as pessoas entendessem o que é o cristianismo. Nessa geração descontente, em jovens se desesperam no seu teste vocacional, por não saber o que querem, ou por não conseguirem o que sonhavam; pessoas que não alcança o sucesso profissional, que na verdade nunca tem fim. Uma geração de jovens ansiosos pelo futuro, mulheres insatisfeitas com seus lares, homens deprimidos com seu trabalho, porque sua satisfação e alegria não está no Senhor. Precisam conquistar esse mundo.
Então Paulo diz algo maravilhoso: o que é livre, na verdade é escravo de Cristo; e o que é escravo na verdade está livre em Cristo. Não há condição em que não podemos estar unidos a Jesus.
Frederic Louis Godet escreve o seguinte: “Se em Cristo os escravos se tornam livres, e os libertos escravos, então nem a escravidão nem a liberdade devem ser temidos pelo crente!”
Vocês foram comprados por um preço. Paulo coloca a nossa salvação, nossa vocação espiritual, como a base pra o contentamento, porque é lembrados que somos livre em Cristo, que podemos ser até mesmo escravos nessa vida.
Mas ele fala - não sejam escravos dos homens - quer dizer não significa que não podemos buscar uma condição melhor, e se tiver ao nosso alcance, devemos buscar. Paulo não ensinando a preguiça, a falta de esforço, a buscar por uma vida melhor. O cristianismo foi o que trouxe de fato verdadeira mudança pra nossa sociedade, mas o que ele está ensinando é que nossa esperança não está na mudança, e que a mudança muitas vezes não é possível, ou pode não acontecer, então qual será nossa alegria?! O Senhor será, e sua vontade. Então ele diz novamente, mais uma vez:
1Coríntios 7.24 “Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado.”
Kistemaker: Isso significa que quaisquer que possam ser as circunstâncias de um crente, o cristão deverá saber que Deus está sempre com ele e nunca o abandonará (comparar com Dt 31.6; Js 1.5; Hb 1.5). Mas também significa que cada crente deve viver dignamente na presença de Deus, porque os olhos de Deus estão sobre ele em todos os momentos. O cristão é um membro da família da fé, um cidadão no reino de Deus e um soldado no exército do Senhor. [...] Para Paulo, a vocação do crente individual é viver diante de Deus em qualquer circunstância. Ele percebe que com a entrada do evangelho no mundo, a sociedade e a cultura devem mudar. No entanto, ele chama à estabilidade, e não à revolução. O próprio evangelho deve efetuar uma mudança.
Diante de Deus. Os reformadores usavam essa expressão Coram Deo, Diante da face de Deus, pra falar dessa vida vivida sempre com o Senhor, na presença dele, seja qual for a circunstância. Nós vivemos na esperança da volta de Cristo, não devemos colocar nosso coração nas coisas terrenas. Fiquem alertas irmãos, quando vocês começaram a ficar ansiosos demais, tristes demais, por não conquistarem certas nessa vida. Sua vida não está aqui!
1Coríntios 7.25–26 “Com respeito às virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém dou minha opinião, como tendo recebido do Senhor a misericórdia de ser fiel. Considero, por causa da angustiosa situação presente, ser bom para o homem permanecer assim como está.”
Depois de um breve parêntese onde Paulo ilustrou a permanência e o contentamento nas diversas circunstâncias da vida, ele retoma o assunto do casamento. Ele já falou até aqui sobre os direitos conjugais, os solteiros, o divórcio, casamentos mistos, e agora ele falar sobre a virgindade, até o final do capítulo. Vamos entrar na primeira parte desse assunto porque ela parece estar ligada a essa regra que estudamos agora.
As virgens em idade de casar estavam hesitantes quanto a entrar num casamento por no mínimo duas razões: primeiro, a “presente crise” (v. 26) dessa época tornava o casamento pouco aconselhável e, ainda, alguns cristãos de Corinto aconselhavam-nas a não casar. Paulo discute esses assuntos nos versículos subsequentes.
Não tenho mandamento do Senhor. Isso é muito interessante. O que está escrito aqui, irmãos, é a Palavra. Paulo foi inspirado por Deus quando deu a opinião dele. Mas ele diz: não tenho mandamento do Senhor, mas dou minha opinião. Ele está dizendo que não existe nenhuma orientação explícita com as palavra de Jesus, ou nenhuma passagem do AT sobre o assunto, mas como Apóstolo, inspirado por Deus, Paulo fala sobre a situação com toda autoridade. Mas ele também está falando de uma situação muito específica, que requer cautela, então ele dá sua opinião. Ele não vai legislar em cima disso, um assunto muito sensível e pessoal, difícil de estabelecer uma regra fixa.
Qual era a situação? Parecia que naquele tempo a igreja estava enfrenta uma calamidade, talvez uma grande fome que assolava o mundo da época, e Paulo aconselhava a não casar naquela situação, porque constituído as coisas ficariam mais difíceis de enfrentar. Os pais tinham que prover diariamente pra seus filhos.
1Coríntios 7.27–28 “Estás casado? Não procures separar-te. Estás livre de mulher? Não procures casamento. Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca. Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu quisera poupar-vos.”
Ele explica que a situação ruim não deve levar à dissolução do casamento. Os votos do casamento devem sobressair sobre a crise. Mas também, se alguém está solteiro, que busque se casar. Aqui irmãos, devemos pensar em duas coisas importantes: primeiro que Paulo não está falando do casamento de forma negativa, mas ele está tratando de uma circunstância específica que aqueles irmãos enfrentavam. Mas também aprendemos que como outras coisas, o casamento não é essencial à felicidade - nada nesse mundo, por mais nobre que seja, tomar o lugar de Cristo. Há aqueles que enfrentam lutas estando solteiros desejariam se casar; outros que enfrentam intensas lutas no casamento, e desejariam estar sozinhos. Cristo deve estar conosco em cada situação. Então Paulo diz algo intrigante e maravilhoso...
1Coríntios 7.29–31 “Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.”
A Bíblia nos ensina que devemos casar e ter filhos; ela fala sobre a beleza e importância da família; a bíblia fala de muitos prazeres e contextos que provamos na nossa vida, mas ela tem ensina que tudo isso vai desaparecer um dia, e nem o casamento existirá, e de alguma, hoje aqui nesse mundo, devemos aprender a viver sabendo disso, devemos viver para a eternidade. É maravilho quando a igreja fala sobre família, como nós falamos aqui todos os anos, mas é perigoso quando nos refugiamos em qualquer condição dessa vida. Não situação aqui que podemos desfrutar que nos assegure a vida eterna. A salvação não está em constituir família, ou em ser celibatário. Aqui irmãos, nessas palavras de Paulo, aprendemos que a melhor de viver o presente aqui nesse mundo, é vivendo para a eternidade. Nós vivemos nesse mundo, mas nos movemos na eternidade. Nossos status, circunstância e conquistas estão limitados à essa vida aqui. Devemos viver bem essa vida pra o Senhor, em cada coisa que fazemos devemos dar o nosso melhor, mas devemos como se fôssemos morrer amanhã, como homens moribundos.
Lutero: Se temos de perder família, bens, prazer, Se tudo se acabar e a morte enfim chegar, Com ele reinaremos!
MH: Com relação às relações, não devem colocar seu coração nos confortos do estado. Quanto às aflições, não devem se entregar à tristeza do mundo: mesmo na tristeza, o coração pode estar alegre. Quanto aos prazeres mundanos, aqui não é o seu descanso. Quanto ao trabalho mundano, aqueles que prosperam no comércio e aumentam a riqueza devem manter suas posses como se não as tivessem. Quanto a todos os assuntos mundanos, devem manter o mundo fora de seu coração, para que não abusem dele quando o tiverem em suas mãos. Todas as coisas do mundo são passageiras; nada é sólido. Tudo desaparecerá rapidamente. A preocupação sábia com os interesses mundanos é um dever; mas estar cheio de cuidados, ter cuidados ansiosos e perplexos, é pecado… E, sejam quais forem as preocupações que pressionem a mente, que ainda se reserve tempo para as coisas do Senhor.
Lembrem-se em tudo irmãos, de nosso Senhor Jesus, que foi o melhor profissional e o melhor marido, que esteve solteiro, mas veio salvar sua noiva; em tudo viver para o Senhor e amou seu próximo como a si mesmo. Foi um carpinteiro, e foi também um pastor; foi um rei e foi um servo; foi um profeta e um sacerdote; ele é tudo em todos; é nossa satisfação para sempre; por ele nós respiramos e nos movemos e existimos; pra ele é toda nossa vida, vivendo ou morrendo, cada condição nossa deve ser para o Senhor que por nós morreu e ressuscitou!
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