O Verbo Eterno e Criador
Conhecendo o Cristo das Escrituras • Sermon • Submitted • Presented
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Série: Conhecendo o Cristo das Escrituras
Texto base: João 1:1–3; Colossenses 1:15–17; Hebreus 1:1–3; Gênesis 1:1–3
A eterna divindade de Cristo como Logos de Deus e fundamento de toda a criação
Jesus Cristo é o Deus eterno, ativo desde antes da criação, por meio de quem todas as coisas foram feitas, e por quem subsistem.
I. O Verbo Eterno: A Segunda Pessoa da Trindade antes da Criação
I. O Verbo Eterno: A Segunda Pessoa da Trindade antes da Criação
“No princípio era o Verbo...” (João 1:1)
1.1 – A frase “No princípio” e sua conexão com Gênesis
1.1 – A frase “No princípio” e sua conexão com Gênesis
No contexto judaico, remete ao דָּבָר (davar) – Palavra ativa de Deus na criação e revelação (cf. Sl 33:6; Is 55:11).
Em hebraico: בְּרֵאשִׁית (bereshit) – indica não apenas o início cronológico, mas um ponto de partida absoluto e ontológico.
João usa ἐν ἀρχῇ (en archē), indicando que o Λόγος (Logos) já existia antes de tudo — ou seja, Ele não veio a ser, mas sempre foi.
Verbo “era” (ἦν – ēn) no imperfeito indica existência contínua e eterna, não iniciada no tempo.
1.2 – O Logos em sua relação eterna com o Pai
1.2 – O Logos em sua relação eterna com o Pai
“O Verbo estava com Deus” = πρὸς τὸν Θεόν (pros ton Theón) – indica relacionalidade eterna e intimidade intratrinitária.
Isso aponta para a distinção pessoal dentro da divindade: o Verbo não é o Pai, mas está com Ele eternamente.
O Verbo é Deus – καὶ Θεὸς ἦν ὁ Λόγος: não um deus entre outros, mas de natureza divina, co-igual ao Pai.
“A expressão pros ton Theon implica um relacionamento dinâmico, um eterno movimento de amor e comunhão.” – (Leon Morris, The Gospel According to John, p. 66)
1.3 – O Logos é Deus
1.3 – O Logos é Deus
“O Verbo era Deus” = καὶ Θεὸς ἦν ὁ Λόγος (kai Theos ēn ho Logos)
A ausência do artigo definido antes de Theos enfatiza a natureza, não a identidade com o Pai. O Logos é da mesma essência (ousia).
Cf. Niceno-Constantinopolitano (381):
“Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, consubstancial (ὁμοούσιος) com o Pai...”
1.4 – Implicações teológicas
1.4 – Implicações teológicas
Cristo é eternamente Deus e distinto do Pai – base da doutrina da Trindade.
Ele não começou a existir na encarnação (cf. Jo 8:58 – “Antes que Abraão existisse, eu sou [ἐγώ εἰμι]”).
II. O Logos Criador: Agente Eterno e Soberano de Toda a Criação
II. O Logos Criador: Agente Eterno e Soberano de Toda a Criação
“Todas as coisas foram feitas por Ele...” (João 1:3)
“Pois nele foram criadas todas as coisas...” (Colossenses 1:16–17)
2.1 – O Logos como Palavra ativa em Gênesis 1
2.1 – O Logos como Palavra ativa em Gênesis 1
“Disse Deus: Haja luz...” = וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים (vayomer Elohim)
O meio da criação é a palavra falada de Deus, identificada por João como o Logos.
A Palavra que ordenou o cosmos é o próprio Cristo pré-encarnado.
2.2 – Cristo como agente, meio e fim da criação (Cl 1:16–17)
2.2 – Cristo como agente, meio e fim da criação (Cl 1:16–17)
“Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.”
δι’ αὐτοῦ (di’ autou) – por meio Dele: Cristo é o agente instrumental da criação
εἰς αὐτόν (eis auton) – para Ele: Cristo é o propósito final da criação
Ele sustenta todas as coisas:
“E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele.” (συνέστηκε – synestēken) = coesão, manutenção do universo
“O Cristo cósmico do Novo Testamento não é um adendo ao Jesus histórico. Ele é o fundamento da existência de tudo.” – (Herman Bavinck, Reformed Dogmatics, Vol. 3, p. 263)
2.3 – Sustentador soberano (Hb 1:3)
2.3 – Sustentador soberano (Hb 1:3)
“Sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” – φέρων (pherōn) – levando, mantendo, carregando.
Não é um Criador ausente, mas um Senhor presente.
Tudo foi feito por Ele (Cl 1:16)
Tudo foi feito por Ele (Cl 1:16)
“Pois nele foram criadas todas as coisas... visíveis e invisíveis.”
Ele criou anjos, matéria, tempo, leis naturais.
Termos importantes:
δι’ αὐτοῦ (por meio dele) – Cristo como mediador da criação.
εἰς αὐτόν (para Ele) – finalidade da criação é glorificar a Cristo.
III. O Logos como Revelação Plena e Final de Deus
III. O Logos como Revelação Plena e Final de Deus
“Nestes últimos dias nos falou pelo Filho...” (Hebreus 1:2)
3.1 – Da revelação progressiva à revelação plena
3.1 – Da revelação progressiva à revelação plena
Deus falou por profetas, mas agora fala pelo Filho.
O Filho é:
“resplendor da glória” – ἀπαύγασμα (apaugasma) = emanação visível da luz divina
“expressa imagem do seu ser” – χαρακτήρ (charaktēr) = impressão exata, selo fiel da essência divina
3.2 – Cristo como intérprete supremo de Deus
3.2 – Cristo como intérprete supremo de Deus
“Ninguém jamais viu a Deus; o Deus Unigênito que está no seio do Pai, este o revelou.” (Jo 1:18)
O termo “revelou” = ἐξηγήσατο (exēgēsato) – dar a conhecer plenamente, origem da palavra “exegese”.
Jesus é o exegeta definitivo do Pai.
“Cristo não apenas revela a glória de Deus — Ele é a glória de Deus em forma visível.” – (John Owen, The Glory of Christ, p. 45)
Aplicações Práticas
Aplicações Práticas
1. Adoração Cristocêntrica
1. Adoração Cristocêntrica
A igreja que contempla o Logos eterno cresce em adoração reverente e apaixonada.
Pentecostalismo maduro é centrado em Cristo, não em experiências isoladas.
2. Confiança no Cristo Soberano
2. Confiança no Cristo Soberano
O Cristo que criou e sustenta o universo é poderoso para sustentar o crente em tribulações (Rm 8:28; Jo 10:28).
3. Cristo como Palavra Final
3. Cristo como Palavra Final
Não precisamos de “novas revelações” fora das Escrituras. O Logos encarnado é a revelação final e suficiente de Deus.
