Provérbios 16. 1-3

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            A soberania do Senhor e a responsabilidade do homem (16.1–4a)
O homem propõe seus desejos; mas Deus responde como lhe parece apropriado. O primeiro é a livre sucessão do coração do homem; o último, a livre vontade de Deus. O homem pode pensar como quiser e pedir como desejar; mas Deus dará, ou não dará , conforme lhe parecer apropriado.
O texto faz uma distinção clara entre a capacidade do homem de planejar e o poder soberano de Deus sobre os resultados. Esse versículo reflete uma das doutrinas centrais da fé: A soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas, incluindo os pensamentos e ações humanas.
Pergunta:
 Você já confiou plenamente em um plano seu — e viu Deus direcioná-lo para algo completamente diferente? Quem realmente está no controle?
O texto mostra que o homem faz planos com o coração, ou seja, com a mente, os desejos e intenções. Isso é parte da nossa responsabilidade como criaturas morais feitas à imagem de Deus. Mas, no fim, Deus governa a execução desses planos, moldando os caminhos conforme o Seu propósito.
Nem sempre o que planejamos acontece. Somos limitados e não conseguimos discernir todos os fatos que se escondem nas dobras do futuro. Alguns pensam que nossa vida segue um curso inflexível. Acreditam num determinismo cego e radical. Outros pensam que a história está dando voltas sem jamais avançar para uma consumação. Nós, porém, cremos que Deus está no controle do universo. Ele é o Senhor da história e tem nas mãos as rédeas dos acontecimentos. Nosso coração faz muitos planos, porém não é a nossa vontade que prevalece, mas o propósito de Deus. Não é a nossa palavra que permanece de pé, mas a resposta certa que vem dos lábios do Senhor. Deus conhece o futuro em seu eterno agora. Deus vê o que se esconde nos corredores escuros do porvir. Para ele, luz e trevas são a mesma coisa. Nada escapa ao seu conhecimento. Ele domina sobre tudo e sobre todos. O controle remoto do universo está em suas onipotentes mãos. É Deus quem tem a última palavra.
José disse:
“Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem...” (Gênesis 50:20) Os irmãos de José tinham um plano, mas a resposta certa — a gloriosa redenção de uma família e preservação de um povo — veio do Senhor.
Lembremos as palavras de Caifás, cuja mensagem estava muito além de sua capacidade de compreensão (Jo 11:49–52). Herodes e Pilatos conspiraram para fazer a Jesus aquilo que Deus havia determinado (At 4:27–28).
Diante dessa verdade de Deus sobre nossos planos e sua santa vontade, a coisa que precisamos aprender é sempre descansar na soberana vontade de Deus, pois sempre ela será melhor que os nossos projetos, nossos planos. Precisamos aprender!
Verso 2
“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito.”
Este versículo dá continuidade ao tema do governo do Senhor sobre a iniciativa humana.
O que eu penso de mim e o que Deus pensa de mim.
Esse verso no lembra que temos um estranho poder de nos cegar quanto ao que está errado em nós mesmos e em nossas ações.
I. Nosso estranho poder de nos cegar. “Todos os caminhos do homem são retos aos seus olhos”
Certa vez, Deus deu ordem a Saul para exterminar todo o povo amalequita junto com seus rebanhos (1Sm 15). Como os rebanhos e as riquezas do povo derrotado eram divididos entre os vitoriosos, com uma parte bem recheada para o rei, Saul achou por bem agradar o povo e trazer consigo muitos bois e ovelhas, dizendo que eles deveriam ser sacrificados ao Senhor. É óbvio que, depois de sacrificados e assados, o povo podia comer e se deleitar. A ideia de Saul era que se Deus se beneficiasse com aquele rebanho, recebendo grandes ofertas, ele se esqueceria da desobediência do rei e do povo. Tudo estava indo bem até que o profeta Samuel surgiu, repreendeu o rei e alertou: “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22).
O fato é que as pessoas estão tão acostumadas com as aparências externas que acham que Deus segue o mesmo costume ou que tem olhos limitados como os homens. Se muita gente tem uma visão pequena de Deus nesse sentido, compensam tendo uma visão muito elevada de si mesmos. Por isso, quando o homem olha para si, “todos os caminhos” que marcam sua vida e suas escolhas “lhe parecem puros”. Enquanto costuma ser rigoroso com os erros dos outros, ele desenvolve uma autoindulgência, que não somente perdoa os próprios erros como acaba nem sequer vendo-os. Aos seus olhos, tudo que faz é bom, nada precisa ser mudado ou corrigido e seu modo de fazer as coisas serve, em sua mente, de padrão para todos os demais. Bem, entre os que agem desse modo, muitos fingem que acreditam nisso e outros, de tanto mentir para si mesmos, acabam acreditando estar muito perto da perfeição.
Uma vez que as pessoas justificam “todos os seus atos” e o Senhor avalia de acordo com a verdade, surgirão conflitos de avaliação. Porém, quando uma pessoa se conscientiza de sua impureza, deve confessá-la e obter misericórdia (28.13).
O discípulo deve analisar seus motivos e conduta segundo os padrões de Deus revelados e não tornar absolutas as suas próprias avaliações deles (cp. 12.15a; cp. 14.12 [=16.25]). Não obstante, uma vez que o veredicto final quanto à pureza dos atos não pertence ao seu agente, mas sim ao Senhor, o discípulo não deve louvar a si mesmo nem decidir sua recompensa de antemão. O melhor que ele pode fazer é entregar tudo o que faz ao Senhor e depender de Deus para tornar seus motivos e caminhos agradáveis a Deus (16.3, 7; cp. Sl 19.12[13]; 139.23, 24; 1Co 4.5, 6; Hb 4.12, 13).
Podemos pensar que tudo o que fazemos é certo, mas o Senhor julga nossas intenções. O que tem valor aos olhos de Deus não é o que julgamos puro, mas o que Deus considera puro.
Deus não somente vê atrás das cortinas desse teatro que é a vida de muita gente, como também lhes vê o coração, ou seja, suas intenções mais secretas. Com isso, ele pode avaliar perfeitamente a qualidade de cada pessoa e de cada ação praticada e propagandeada como perfeita. E não há como enganá-lo. Agora, me diga: até quando você ainda vai fingir ser o que não é enquanto Deus vê tudo que está por trás da cortina do seu coração? Parafraseando Samuel: acaso o Senhor tem tanto prazer na aparência externa quanto no coração que o teme e o serve de verdade?
Veja como Davi orou
(Sl 19:12).
Verso 3
“Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.”
Cumprir o nosso dever é entregar o nosso caminho a Deus
Nós somos seres contingentes e limitados. Não enxergamos o que se esconde nas linhas do futuro. Não sabemos o que é melhor para nós. Não sabemos nem mesmo orar como convém. Por essa razão, precisamos submeter a Deus nossos planos e nossos desígnios. Não administramos os acontecimentos; nem mesmo temos a garantia de que estaremos vivos daqui a cinco minutos. Dependemos totalmente de Deus. Não podemos ficar de pé escorados no bordão da autoconfiança. Precisamos rogar a direção divina para tudo o que fazemos, a fim de ser bem-sucedidos. Precisamos confiar ao Senhor as nossas obras, para que nossos desejos sejam estabelecidos. Não é a nossa vontade que deve prevalecer no céu, mas a vontade de Deus que deve ser feita na terra. Não é sensato fazermos nossos planos para depois pedir a Deus que os aprove. Precisamos orar para que os planos de Deus sejam os nossos planos. Os caminhos de Deus são melhores do que os nossos, e os desígnios de Deus são mais elevados do que os nossos. Os planos bem-sucedidos são aqueles que descem do céu para a terra, e não aqueles que sobem da terra para o céu.
Entregue seu trabalho ao Senhor: Esse verso diz literalmente: "lance suas obras sobre o Senhor", uma expressão usada também em Sl 37:5. O sentido é "confiar", "confiar em" ou "depender de". Obra é plural em hebraico e se refere a ações, atos ou empreendimentos. A frase inteira é equivalente a "Confie tudo o que você faz ao Senhor". Um exemplo de como isso é expresso na tradução é "Tudo o que você quiser fazer, coloque-o nas mãos do Senhor".
Quando fazemos assim "e o que você planeja será alcançado".
Provérbios 16:1–3 resume, de forma poderosa, a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana.
O versículo 1 mostra que o ser humano pode fazer planos, mas o resultado final — a resposta certa — vem de Deus. Isso ensina que, embora sejamos responsáveis por pensar e agir, é Deus quem determina o desfecho conforme Sua vontade soberana.
O versículo 2 revela que, mesmo quando achamos que nossas intenções são boas, só o Senhor conhece e julga corretamente o coração. Isso aponta para a necessidade de vivermos com humildade e dependência da avaliação de Deus, não da nossa própria.
O versículo 3 nos exorta a entregar nossos planos e ações a Deus. Quando confiamos nEle, nossos propósitos são firmados — não por nossa força, mas porque Ele dirige nossos caminhos conforme Seus desígnios eternos.
Aplicações :
1. Planeje com humildade: Faça planos, mas sempre com o coração submisso à vontade de Deus (Tg 4.13–15).
2. Examine-se à luz da Palavra: Não confie em sua própria avaliação; busque o discernimento espiritual pela Escritura.
3. Consagre seus caminhos a Deus: Trabalhe, estude, viva — mas com fé e entrega, reconhecendo que o sucesso verdadeiro é o que está de acordo com o propósito de Deus.
Em resumo, esses versos ensinam que devemos planejar com sabedoria, examinar nossos motivos com humildade e confiar nossos caminhos ao Senhor, reconhecendo que Ele é soberano sobre todas as coisas.
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