(Lv 19)
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 16 viewsNotes
Transcript
A bíblia nos dá uma relação clara e preciosa entre religião e ética - adoração e santidade - Relação com Deus e relação com o próximo. Só a bíblia nos ensina dessa forma: que a causa da verdadeira honestidade, do verdadeiro amor, da verdadeira moralidade, é a íntima relação com Deus o Salvador.
Mateus 22.37–40 “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”
Isso quer dizer que só podemos amar ao nosso próximo quando amamos a Deus.
Isso quer dizer também irmãos, de maneira ainda mais prática, que só podemos ser honestos e justos durante a semana nas várias áreas de nossa vida, quando honramos a Deus no início da semana, honrando seu santo dia, seu santo culto, e seu povo santo - a igreja. Despreze isso, tropece nisso, e tudo vai mal.
O resto é moralismo, falsa piedade, falsa humildade, culto de si mesmo, vaidade.
Então nós temos aqui os dois grandes relacionamentos de nossa vida - vertical e horizontal - Deus e o próximo - uma vida santa e uma vida honesta.
Kenneth Matthews: O capítulo forma o vínculo entre as exortações que nos ensinam que devemos amar o Senhor e obedecer a ele e as exortações que nos ensinam a amar o próximo. Há uma importante ligação entre a santidade e o amor.
Em outras palavras “você se torna aquilo que você adora” - ou “você é aquilo que você mais ama”.
Levítico 19.1–2 “Disse o Senhor a Moisés: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.”
É interessante observar que o capítulo começa com uma ordem de Deus para que Moisés fale a toda comunidade: cada homem, mulher e criança. Isso quer dizer que santidade não é exigida apenas dos sacerdotes. Na verdade, a nação toda devia ser uma nação de sacerdotes, porque o caráter de Deus devia se manifestar na vida de toda congregação.
Kenneth Matthews: Como o Senhor era santo, foi ordenado ao povo de Deus que imitasse a sua santidade. As nossas escolhas diárias deveriam refletir a essência de quem o Senhor é e sua reivindicação sobre nós como sua posse exclusiva e especial. Ao demonstrar a santidade de Deus por meio da conduta de Israel, a nação operava como uma testemunha às outras nações. A conduta cristã serve ao mesmo propósito em relação ao mundo incrédulo.
As frases “Eu sou o SENHOR” e “Eu sou o SENHOR, vosso Deus” aparecem dezesseis vezes ao longo desse capítulo. Esse título identifica Deus como o Senhor da aliança com o seu povo, Israel. A expressão toda é um lembrete contínuo de que o motivo é a santidade. É o apelo dos apelos. O Senhor Deus é santo. A santidade é uma característica essencial da natureza de Deus.
Kenneth Matthews: O início e o fim do capítulo refletem o acontecimento principal do passado de Israel – a formação do povo de Deus junto ao Sinai depois da libertação deles do cativeiro egípcio. Êxodo 20.2 inicia a aliança, os Dez Mandamentos, revelados no monte Sinai: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. A primeira parte desse versículo ocorre em Levítico 19.2b: “eu, o SENHOR, vosso Deus”. A porção conclusiva do versículo, referente à saída do Egito, está no versículo 36b do nosso capítulo: “que vos tirei da terra do Egito”. Esses dois ecos da aliança no Sinai formam os “limites” de Levítico 19. Essa disposição das alusões à aliança (ou pacto) do Sinai, colocadas no início e no fim do capítulo, enfatiza a base sobre a qual as ordens catalogadas nesse capítulo estão apoiadas. As bases para as exigências de uma vida santa e honesta, detalhadas em Levítico 19, são a redenção histórica e a formação do povo de Deus. Em outras palavras, o Senhor e Israel tinham uma história, um relacionamento baseado na salvação graciosa de Deus da nação. Juntos, o Senhor e o povo entraram num acordo de compromisso mútuo. O Senhor era o Salvador, e o povo aceitou as obrigações de lealdade em ações de graça ao Soberano Senhor. Além disso, nesse capítulo de Levítico encontramos diversas referências aos Dez Mandamentos.
Levítico 19.3 “Cada um respeitará a sua mãe e o seu pai e guardará os meus sábados. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
É interessante o fato das exortações começarem pelo quinto e pelo quarto mandamento, nessa ordem. Esses dois mandamentos tem algo em comum, não sei se vocês mas. Mas esses são os únicos mandamentos que não começam com a partícula “não”. Van Til explica que esses mandamentos são a base moral da ética na sociedade. A honra às autoridades e a religião. Uma sociedade não existe sem isso.
Aqueles que não honram seus pais, não honrarão a Deus. E os que não honram seus, não honram as demais autoridades. A sociedade entra em declínio. Assim, não só os filhos, mas principalmente os pais precisam estar atentos a isso. Sejam exemplo pra seus filhos, especialmente exemplo de espiritualidade, amando o dia do Senhor, ensinando seus filhos na prática do culto doméstico, e especialmente no amor ao culto público, à Palavra de Deus e à oração.
Sábados. O uso do plural “meus sábados” em “guardareis os meus sábados” abrange mais do que apenas o sétimo dia da semana. Toda cerimônia em que se ordena a Israel que não trabalhe é um sábado. Isso inclui as festas anuais e os anos sabáticos. O quarto mandamento recebeu mais atenção do que qualquer outro dos Dez Mandamentos. Ele é um sinal da aliança que perpetua a identidade de Israel como povo de Deus na terra (Êx 31.13; Ez 20.12).
Levítico 19.9–10 “Quando também segares a messe da tua terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua messe. Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
Moisés fornece leis em favor dos pobres e estrangeiros. Os proprietários de terra não devem ceifar o “canto do teu campo”, ou passar de novo em campos ceifados para colher o que foi deixado ou omitido. Isto dá aos desfavorecidos a oportunidade de arranjar sua própria comida sem depender de donativos e, assim, de manter sua dignidade pessoal.
Foi isso que aconteceu no livro de Rute, que trata de uma mulher que era tanto uma viúva quanto uma estrangeira: “Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele que mo favorecer” (Rt 2.2).
Robert Voshloz: Deixar algo para os pobres ilustra um princípio que Paulo endossa em Romanos 15.1: “Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos…”.
Levítico 19.11–12 “Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor.”
Levítico 19.15–16 “Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo. Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.”
Prejudicar o outro era uma ofensa contra Deus.
O fofoqueiro é alguém que subverte a justiça. Levítico 19.16 é uma referência ao nono mandamento: “Não atentarás contra a vida do teu próximo”. O sentido da expressão “atentar contra a vida” não é claro. Porém, se também está vinculada ao versículo precedente e ao nono mandamento, a expressão usada na LXX – “conspirar contra teu próximo”, capta seu significado.
Levítico 19.17–18 “Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado. Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.”
Vosholz: O verbo para reprovar (ykḥ) era frequentemente usado em um sentido judicial, e sugere um vínculo com 19.15–16. A pessoa ofendida pode ter seu dia no tribunal. Não se garante uma solução à questão, mas ajuda conseguir uma audiência justa. O benefício é para o lado ofendido, embora nem sempre assim inteiramente: “Repreende o sábio, e ele te amará” (Pv 9.8b). “Ame teu próximo como a ti mesmo” é uma das declarações do Antigo Testamento mais citadas no Novo Testamento e uma motivação para a reconciliação (Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31; Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.14). Nesse contexto, refere-se a resolver conflitos amigavelmente, de maneira que a ira não se agrave. A harmonia interna é necessária para se manter uma comunidade santa. A citação frequente desse versículo no Novo Testamento ensina que este mandamento só fica em segundo lugar para o amor a Deus. É digno de nota que ele apareça em uma obra que lida tão extensivamente com o lado cúltico da religião de Israel. A compaixão pelo outro é um aspecto que sempre deve ser mantido ao lado dos rituais celebrados por Deus.
K. Matthew: E Jesus respondeu à pergunta “quem é o meu próximo?” mostrando na parábola do bom samaritano que o próximo é qualquer pessoa que estiver necessitado, e isso não é limitado a questões étnicas ou econômicas (Lc 10.29–37). “Aborrecer” um irmão significa “guardar ira” e agir com base nisso por meio da “vingança”. Observe também que a passagem refere-se a uma atitude interior, “no teu íntimo” e “nem guardarás ira”. A palavra traduzida por “guardarás” significa “manter, reservar” (natar); a ideia aqui é que a pessoa nutre a sua ira. A impressão que a passagem traz é de que a ira vai se inflamando, resultando em vingança, talvez assassinato.
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” é precedido pela ordem paralela, “repreenderás o teu próximo”. Amar o seu próximo também significa, ou pelo menos inclui, corrigi-lo. O termo traduzido como “repreenderás” reflete um termo hebraico que significa “julgar, corrigir, convencer” outra pessoa. A motivação para corrigir o irmão era livrar-se do risco de cometer um pecado. A ideia da passagem é que, ao discutir sobre a ofensa, o malfeitor viria a reconhecer seu pecado e se arrependeria. Essa atitude, por sua vez, apaziguaria a ira da parte ofendida. Obviamente, a pessoa que confrontar seu inimigo precisa fazê-lo de maneira justificada e com a melhor das intenções. A confrontação não tem o objetivo de humilhar ou infligir vingança por meio da ridicularização, mas de resolver o conflito sem deixar ressentimentos prolongados. O exemplo de Abraão e um rei vizinho chamado Abimeleque nos mostra como mal-entendidos podem ser resolvidos por meio de uma conversa franca. Os servos de Abimeleque tomaram um poço que pertencia a Abraão, que levou o fato ao conhecimento do rei. Como ambos desejavam resolver a disputa e fazer uma aliança de amizade, o rei e Abraão chegaram a um acordo mútuo de devolver a posse do poço ao patriarca (Gn 21.25–27). Deixamos que ressentimentos fiquem guardados dentro de nós com frequência demais, como se fosse lixo acumulado dentro de um cesto. A não ser que lidemos com isso de maneira honesta e humilde, esse lixo uma hora vai acabar causando problemas na nossa vida.
19-32.
Essa seção une duas linhas de admoestações – as leis que governam o sacrifício de animais na adoração e as leis que se referem à conduta pessoal.
A vida do cristão deve ser diferenciada da conduta dos incrédulos, daqueles que praticam a adoração pagã. A passagem faz uso dessa linguagem da diferença: “espécie diversa”, “duas espécies”, “distinção” (v. 19–20).
(1) A falsa religião comumente se utilizava de mágica para entender a vontade dos deuses. Isso envolvia diferentes métodos, como adivinhação e consulta a médiuns. O israelita deveria confiar exclusivamente na palavra de Deus conforme fora revelada a Moisés. (2) Os povos vizinhos praticavam atos de automutilação, cortando seus cabelos e corpos para demonstrar aos deuses a sua dedicação, ou participando em rituais em favor dos mortos. Os israelitas eram proibidos de exercer esses tipos de práticas.
Robert Vasholz: Israel não deve imitar seus vizinhos pagãos que se identificam com seus deuses destas maneiras. Estas práticas estão associadas a rituais de luto. A expressão traduzida como “marcas/tatuagens” (ketōvet qa‘aqa‘), usada apenas aqui, é problemática. Pode se referir à pintura em si mesmo ou ao ato de fazer inscrições sobre o corpo. Pintar o corpo era uma prática pagã.
(3) Como os cultos de fertilidade dominavam a religião cananeia, a prostituição era uma característica comum da sua adoração.
E também, o povo demonstrava o princípio da distinção de maneira implícita. O gado, as roupas, as colheitas e o tratamento dado aos criminosos sexuais, tudo deveria ser tratado de modo diferente. (1) A recusa a misturar raças de animais, sementes distintas e tecidos diversos ilustrava a adoração exclusiva do povo de Deus.
Robert Vosholz: A proibição de misturar substâncias diferentes visa ensinar o que predomina em Levítico: não misturar o sagrado com o secular. Sua aplicação tem a ver com o sincretismo religioso. Esta é uma prática a que Moisés e os profetas se opõem severamente. A prática de não misturar rebanhos, campos e roupas era um forte lembrete de não se harmonizar as religiões vizinhas com a adoração do Deus do Sinai, integrando suas odiosas práticas com a religião de Israel (cf. Lv 18.3).
(2) As pessoas também reconheciam as distinções quanto ao comportamento sexual. (3) Depois que o povo entrou na terra de Canaã havia uma diferença quanto às colheitas. Os primeiros anos funcionavam como um período de purificação, pois as colheitas não eram consideradas comestíveis. Esse procedimento mostrava que a colheita dada ao povo de Deus vinha do Senhor da aliança e não por meio de rituais de fertilidade oferecidos a Baal e suas consortes. (4) Por fim, a exortação, “honrarás a presença do ancião” (v. 32) implicava a dedicação exclusiva a Deus. O reconhecimento de que os idosos receberiam maior respeito que os jovens reflete a teologia bíblica da liderança.
Aplicação
Irmãos, isso tudo deve nos ensinar que a santidade não está limitada à adoração. Esse é um grande mal que temos visto nas igrejas. Pessoas que expressão santidade no culto, mas não em suas casas ou nos seus trabalhos. Vejam como a santidade permeia a vida: relações, colheita, generosidade, descanso, trabalho, animais etc. Em resumo, devemos amar a Deus com toda nossa força, e alma, e entendimento, pra que possamos amar nosso próximo como a nós mesmos.
Santidade não apenas evitar fazer o mal, mas buscar praticar a justiça. Viver com integridade em nossos pensamentos, palavras e ações, pra o bem do nosso próximo, pra glória de Deus. Não devemos apenas fazer o bem, devemos buscar fazer o bem. Devemos ser ativos na prática da justiça. Se esforçar pelo melhor, pra espalhar o amor e a justiça do nosso Deus onde estivermos. Por isso agora Deus diz a Moisés: fala a toda congregação. Todos nós devemos fazer isso, irmãos.
E não devemos esquecer jamais que o fundamento da prática da justiça é a justiça de Cristo, manifestada na cruz. A redenção é o que nos capacita e nos motiva a viver assim. Cristo é a nossa justiça, ele é nossa força e redenção. Não simplesmente vivemos, mas vivemos para ele, por ele, pois somos dele. Ele nos comprou. Por isso guardamos seus mandamentos:
MH: Não devemos escolher nosso dever, mas devemos ter como objetivo estar completos em toda a vontade de Deus. E quanto mais nossa vida e nosso temperamento se aproximarem dos preceitos da lei de Deus, mais felizes seremos, e mais felizes faremos todos ao nosso redor, e melhor adornaremos o evangelho.
