QUANDO O DÍZIMO SE TORNA PECADO

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QUANDO O DÍZIMO SE TORNA PECADO

Texto Base:
Malaquias 3.8–10 BSAS21
Pode um homem roubar a Deus? Todavia vós me roubais, e ainda perguntais: Como te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Estais debaixo de grande maldição, pois me roubais; a nação toda me rouba. Trazei todos os dízimos ao tesouro do templo, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, e vede se não abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós tantas bênçãos, que não conseguireis guardá-las.
Marcos 12.41–44 BSAS21
Jesus sentou-se em frente ao cofre das ofertas e observava como a multidão colocava dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam ali muito dinheiro. Veio, porém, uma viúva pobre e colocou no cofre duas moedinhas, que valiam um quadrante. Chamando ele os discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos os que colocaram ofertas no cofre, porque todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía, todo o seu sustento.
Introdução
Muitos cristãos conhecem a prática do dízimo. Sabem que representa 10% de sua renda e que é mencionado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Porém, poucos compreendem sua verdadeira dimensão espiritual.
O dízimo não é apenas uma questão de finanças — é uma questão de fé, amor e fidelidade. É menos sobre o bolso e mais sobre o coração.
O evangelista Billy Graham afirmou:
“Dê-me cinco minutos com o livro de cheques de um homem, e eu lhe direi onde está o seu coração.”
Essa frase nos confronta. Porque o modo como lidamos com o dinheiro revela o que realmente valorizamos. Onde está o nosso tesouro, ali está o nosso coração (Mateus 6:21).
Hoje não vamos apenas falar sobre dar o dízimo — vamos olhar para o pecado por trás dele:
O pecado de não dar...
Mas também o pecado de dar com o coração errado.
Porque Deus não está apenas observando o valor no envelope. Ele está sondando o espírito com que entregamos. Você tem dado por fé? Por amor? Por gratidão? Ou apenas por hábito, medo ou pressão?
Vamos juntos examinar à luz da Palavra o que Deus realmente espera de nós — e como podemos alinhar o nosso coração com o Dele, inclusive nas nossas finanças.

1. O DÍZIMO É MAIS DO QUE UMA OBRIGAÇÃO FINANCEIRA, É UM TERMÔMETRO ESPIRITUAL

Malaquias 3.8–9 BSAS21
Pode um homem roubar a Deus? Todavia vós me roubais, e ainda perguntais: Como te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Estais debaixo de grande maldição, pois me roubais; a nação toda me rouba.
“Pode um homem roubar a Deus?”
O dízimo revela nossa fé, gratidão e submissão
Mais do que dinheiro, Deus quer o coração. O Senhor sempre buscou adoradores que o honrem em espírito e em verdade -João 4.23Mas virá a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses os adoradores que o Pai procura.” ), e o dízimo é uma das formas de demonstrarmos isso na prática.
Muitos dão por medo, pressão religiosa ou simples hábito, mas Deus se agrada de quem dá com alegria e fé - 2Coríntios 9.7 “Cada um contribua de acordo com o que decidiu no coração; não com tristeza nem por constrangimento, pois Deus ama a quem contribui com alegria.”
A fidelidade nos dízimos mostra que confiamos em Deus como provedor, não nas riquezas como fonte de segurança.
O problema não está apenas no valor dado, mas na motivação do coração
Jesus denunciou a hipocrisia dos fariseus, que eram rigorosos no dízimo mas negligenciavam o amor, a justiça e a misericórdia (Mateus 23:23).
Ilustração bíblica: O fariseu e o publicano (Lucas 18:9–14)
Não projetei nos slides mais abra a sua bíblia.
Lucas 18.9–14 undefined
Contou também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, achando-se justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, de pé, orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, em pé e de longe, nem mesmo levantava os olhos ao céu, mas lamentava-se profundamente, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador! Digo-vos que este desceu justificado para casa, e não o outro; pois todo o que se exaltar será humilhado; mas o que se humilhar será exaltado.
O fariseu se orgulhava da sua religiosidade, inclusive da fidelidade nos dízimos, mas foi o publicano, quebrantado e humilde, quem saiu justificado. Isso nos mostra que Deus vê o coração, não só a quantia.
O dízimo é um espelho da nossa espiritualidade
Quando o povo de Israel retinha os dízimos, Deus considerou isso como roubo, pois revelava um coração distante, ingrato e autossuficiente.
O dízimo nos disciplina a reconhecer que tudo vem de Deus (Deuteronômio 8:18) e que somos apenas mordomos dos bens que Ele nos confiou. Olha o que diz Deuteronômio 8.18 “Pelo contrário, tu te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque ele é quem te dá força para adquirires riquezas, a fim de confirmar sua aliança, que jurou a teus pais, como acontece hoje.”
Aplicação prática
Pergunte a si mesmo: “Como está minha motivação ao dizimar?”
O dízimo que agrada a Deus é aquele dado com amor, fé e reconhecimento de que Ele é digno do primeiro e do melhor.

2. O PECADO OCULTO: DÍZIMO SEM CORAÇÃO É HIPOCRISIA

Isaías 1.11–17 BSAS21
O Senhor pergunta: Para que me trazeis tantos sacrifícios? Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais de engorda. Não me agrado do sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes. Quando vindes comparecer diante de mim, quem vos pediu que pisásseis nos meus átrios? Não continueis a trazer oferta inútil; para mim é incenso abominável. Luas novas, sábados e convocações de assembleias; não suporto maldade com solenidade! A minha alma aborrece as vossas luas novas e as vossas festas fixas. Já me são pesadas! Estou cansado de suportá-las! Quando estenderdes as mãos, esconderei os olhos de vós; e ainda que multipliqueis as orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos e purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos as vossas obras más; parai de praticar o mal; aprendei a praticar o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
Isaías denuncia com força a prática religiosa sem transformação de vida. O povo oferecia sacrifícios com rigor e frequência, mas seus corações estavam longe de Deus. Suas mãos estavam cheias de sangue, símbolo de injustiça, opressão e pecado não confessado.
A aparência de santidade esconde um coração corrompido
O dízimo sem arrependimento é uma tentativa de "comprar" o favor divino.
Deus vê o interior, e não se agrada de uma oferta feita por obrigação, orgulho ou religiosidade vazia.
Práticas externas podem até enganar os homens, mas diante de Deus, hipocrisia é pecado grave - Mateus 23:27-28
Mateus 23.27–28 BSAS21
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia. Assim sois vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade.
Deus rejeita ofertas corretas com motivações erradas
Em Isaías, Deus diz que não suporta solenidade misturada com maldade. Reuniões religiosas, festas e até orações se tornam repulsivas quando divorciadas da obediência e justiça.
O que Deus quer não é o ritual, mas um coração quebrantado (Salmo 51:17) e mãos limpas, uma vida íntegra e justa. Salmo 51.17 “Sacrifício aceitável para Deus é o espírito quebrantado; ó Deus, tu não desprezarás o coração quebrantado e arrependido.”
A viúva pobre: um exemplo aprovado por Jesus
Marcos 12:41–44 — Enquanto muitos ricos ofertavam grandes quantias, a viúva depositou apenas duas pequenas moedas. Mas Jesus destacou que ela deu tudo o que tinha, com sinceridade e fé.
O texto de Marcos 12.42 diz: “Veio, porém, uma viúva pobre e colocou no cofre duas moedinhas, que valiam um quadrante.”

Mas quanto valia um quadrante?

Na época de Jesus, o quadrante (do latim quadrans) era a menor moeda de cobre do Império Romano em circulação na Judeia. Seu valor pode ser estimado assim:
1 denário = pagamento por um dia de trabalho
1 denário = 16 assários
1 assário = 4 quadrantes
Logo: 1 denário (um dia de serviço) era igual a = 64 quadrantes
Em valores modernos:
Se considerarmos, por exemplo, um salário diário atual de R$ 120 (em valores arredondados), então:
1 quadrante = R$ 120 ÷ 64 quadrantes = R$ 1,88
Portanto, a oferta da viúva (dois leptos = um quadrante) valeria cerca de R$ 1,88 em termos comparativos modernos, embora o valor real de compra e o contexto econômico sejam muito diferentes hoje.
Porém o ponto do relato bíblico não era o valor monetário, mas o sacrifício: ela deu tudo o que tinha, enquanto os ricos deram do que lhes sobrava.
Isso mostra que não é o valor financeiro, mas a qualidade espiritual da oferta, que Deus observa.
Tem gente que tem muito e não dá nada, e tem gente que tem pouco e dá tudo.
Aplicações práticas
Avalie seu coração: “Tenho ofertado com sinceridade ou apenas para manter uma aparência?”
O dízimo sem arrependimento, gratidão ou justiça não passa de um ritual vazio, e pior: pode ser uma forma sutil de hipocrisia.
Antes de entregar algo no altar, pergunte: "Minha vida está sendo também uma oferta viva?" (Romanos 12.1 “Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”

3. DEUS NÃO PRECISA DO NOSSO DINHEIRO - ELE QUER NOSSO CORAÇÃO

2Coríntios 9.7 BSAS21
Cada um contribua de acordo com o que decidiu no coração; não com tristeza nem por constrangimento, pois Deus ama a quem contribui com alegria.
O apóstolo Paulo deixa claro que a motivação da oferta é mais importante do que o valor dado. Deus não precisa de nossos bens, Ele é o Criador de tudo (Salmo 24:1). O que Ele deseja é um coração que responde ao Seu amor com gratidão e fé.
O dízimo deve ser uma expressão de graça, não uma transação religiosa
Não damos para "comprar bênçãos", mas como resposta ao que já recebemos em Cristo: vida, perdão, provisão e salvação.
A contribuição verdadeira nasce do coração transformado pela graça, não da obrigação legalista nem da pressão emocional.

“O que Deus quer de nós não é a quantia da oferta, mas a qualidade da devoção.” — Princípio bíblico

Contribuir com alegria é sinal de maturidade espiritual
Deus ama quem dá com alegria, isso significa que há prazer em honrá-lo, e não pesar.
Tristeza ou constrangimento mostram que o coração ainda não entendeu a generosidade de Deus.
Ofertar com alegria revela que confiamos em Deus como fonte de provisão e sustentação, e que nos libertamos do apego ao material (Mateus 6:24).
O maior retorno não é material, é espiritual
Deus pode abençoar financeiramente, mas o maior resultado de uma vida generosa é crescimento espiritual, contentamento e fé fortalecida.
O dízimo e as ofertas nos ajudam a cultivar desprendimento, dependência e adoração verdadeira.
Como Jesus ensinou: "Há mais alegria em dar do que em receber." (Atos 20:35)
Aplicações práticas
Ao ofertar, pergunte-se: “Estou dando por amor ou por interesse?”
Substitua a lógica do "dar para receber" pela lógica do "dar porque recebi".
Veja o dízimo como parte da sua adoração, não como parte de uma negociação com Deus.

4. O CONVITE AO ARREPENDIMENTO E RESTAUÇÃO

Malaquias 3.10 BSAS21
Trazei todos os dízimos ao tesouro do templo, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, e vede se não abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós tantas bênçãos, que não conseguireis guardá-las.
Deus, através do profeta Malaquias, não apenas denuncia o pecado do povo, mas também oferece um caminho de restauração. Ele não é um juiz impessoal — é um Pai que chama de volta os filhos à fidelidade e à confiança.
“Trazei todos os dízimos...”
O chamado não é apenas financeiro, é um convite a colocar Deus de volta no centro da vida.
"Todos os dízimos" indicam totalidade, integridade e obediência completa, não parcial ou condicional, e muito menos algo incompatível a minha renda.
Deus deseja o coração inteiro, não apenas uma parte.
“Fazei prova de mim...”
Este é um convite único nas Escrituras. Deus, que normalmente proíbe que o testemos (Deuteronômio 6:16), aqui se oferece para ser provado.
Não é um desafio para manipular a bênção, mas um apelo para restaurar a confiança n’Ele como provedor fiel.
Esse “teste” é um chamado a exercitar fé prática: “Confie em mim – e veja como cuido de você.”
Billy Graham: “A entrega verdadeira começa quando reconhecemos que tudo pertence a Deus.” Isso inclui nosso tempo, talentos e tesouros.
A bênção não é só material, é espiritual e relacional
“Abrirei as janelas do céu”
Não é apenas uma promessa de prosperidade financeira, mas de provisão plena, paz, contentamento, direção, favor e cuidado de Deus.
A maior bênção de um coração restaurado é andar em comunhão com o Pai.
Aplicações práticas
Este é um chamado ao arrependimento: se você tem negligenciado essa área, não é tarde para voltar.
Deus está pronto para restaurar, renovar e abençoar — mas o retorno começa no coração, com obediência, fé e humildade.
Examine-se: “Tenho confiado no Senhor ou nos meus próprios recursos?”

CONCLUSÃO

O QUE DEUS REALMENTE QUER
O pecado relacionado ao dízimo não está apenas em reter o que é devido, mas também em entregar sem fé, sem amor, sem entrega de vida. É possível colocar dinheiro no altar, mas manter o coração longe de Deus.
Deus não precisa do nosso dinheiro — Ele é dono de tudo. O que Ele deseja é nossa obediência, nosso amor e nossa confiança.
Você pode dizimar todos os meses e, ainda assim, estar distante de Deus se o fizer apenas por costume, medo ou aparência.

“Deus quer mais do que sua carteira. Ele quer sua vida.”

Assim como Jesus viu o coração da viúva pobre e o aprovou, Ele também olha para a motivação por trás da nossa generosidade. Ele vê se há gratidão, fé e entrega.
Chamado à reflexão:
Você tem dado com alegria e fé?
Ou apenas tem cumprido um ritual vazio?
O que suas ofertas revelam sobre seu relacionamento com Deus?
Não se trata de dinheiro, mas de devoção. Não é sobre quantia, é sobre qualidade espiritual.
Hoje, Deus te convida a restaurar seu coração e sua fidelidade. Não por pressão, mas por amor. Não para ser abençoado, mas porque você já foi abençoado em Cristo.
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