Cultivando o Bem
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 11 viewsNotes
Transcript
Cl 3.13-17
Cl 3.13-17
Introdução:
Seguindo com nosso estudo no livro de Colossenses, vemos a continuação das virtudes que devem ser cultivadas em nós. Como povo escolhido, amado pelo Senhor, somos chamados à ação: retirar aquilo que desagrada a Deus para colocar em seu lugar aquilo que provém dele.
Devemos vestir essa nova natureza, como uma roupa que nos foi dada por Cristo — uma veste lavada pelo seu sangue, que removeu nossas impurezas e perdoou os nossos pecados.
Com isso em mente, o comportamento já apontado no verso 12 — indicando um tipo de amor que remete ao Senhor — torna-se natural, pois dele aprendemos e por ele somos constantemente ensinados.
Seguindo nesta noite, notaremos mais algumas virtudes nos versos restantes. Observemos Colossenses 3.13-17.
Desenvolvimento:
Verso 13
Uma das coisas que mais pedimos — e, infelizmente, mais seremos trabalhados nisso — é a questão da paciência. Ela retorna aqui no texto.
Note que Paulo indica o grau dessa virtude: devemos suportar uns aos outros, pois o convívio na comunidade do Reino não é perfeito.
Muitas vezes temos essa ilusão; gostaríamos que já fosse tudo perfeito, mas ainda não é! Somos falhos e convivemos com pessoas igualmente falhas.
No entanto, tanto a paciência quanto o perdão são os caminhos propostos aqui, pois seremos magoados, seremos chateados pelas pessoas.
E, se formos seguir uma vida com a tendência de guardar mágoas, não obedeceremos ao mandamento do perdão — como, inclusive, foi enfatizado na conferência.
Assim, se temos alguma queixa contra alguém, devemos perdoá-la.
A base para esse perdão, como recordada no texto, é profunda e, se pensarmos bem, infinita: Deus perdoou a multidão dos nossos pecados. Logo, qual deve ser nossa ação diante disso?
Obedecer ao conteúdo do verso 12 está totalmente ligado ao que os próximos versos apresentam.
Se partilhamos de um amor sincero com os outros, ainda que eles nos magoem, estaremos dispostos a perdoar — e a renovar esse perdão sempre que a lembrança vier à nossa mente.
O perdão é a nossa certeza da vida eterna e, assim como recebemos, também somos convidados a concedê-lo aos demais.
Verso 14
Sabendo da necessidade do amor para que as ações aconteçam, Paulo afirma, no verso 14, que ele deve ser o ponto de partida em nosso coração.
Devemos nos unir em amor com os irmãos; ele é a ligação que pode aproximar pessoas tão diferentes — tal como acontece no casamento.
É a nossa decisão de amar que nos faz olhar com misericórdia quando começamos a realmente conhecer a outra pessoa — e o mesmo recebemos dela.
O amor nos conecta, permanece desejando o bem mesmo quando o outro nos magoa.
O amor tem essa força: de seguir adiante mesmo conhecendo, e até mesmo sendo ferido pelo outro.
Tanto é assim que, quando somos advertidos por quem nos ama, isso é muito melhor do que os beijos do inimigo, como nos diz Provérbios 27.6.
O amor move o outro a tentar abrir os olhos de quem está no erro, e o amor também compreende e aceita a repreensão quando ela é necessária.
O amor é esse elo perfeito que une pessoas diferentes umas às outras, pois esse amor, gerado pelo Senhor, foi nos dado por Ele mesmo para que o exerçamos com toda a paciência e graça que tanto damos quanto recebemos.
Verso 15
Pensando ainda no amor, o autor coloca um ponto essencial para a vida em comunidade: a paz de Cristo deve reinar em nossos corações.
Ela deve ser o determinante das nossas ações, funcionando como um juiz que governa e orienta nossa conduta.
Isso é fundamental porque, como povo de Deus, somos chamados a viver em um só corpo, mas, como já vimos, os relacionamentos nem sempre são fáceis.
Então, qual é o caminho para que as relações não se rompam de forma permanente? A paz de Cristo!
Como pessoas que vivem unidas, formando um só corpo, precisamos tê-la como nosso guia.
Se vivermos em guerra e lutando contra os outros, não teremos unidade, mas isolamento e frieza relacional.
É necessário cultivar essa paz e adotar uma atitude branda, mesmo quando o outro estiver "alterado" — e, principalmente, quando formos nós.
Para fortalecer ainda mais esse princípio, lembre-se: agora, em Cristo, temos paz com Deus; somos amados e participantes do Seu Reino.
Logo, como embaixadores da nação celestial, devemos ser exemplo em nosso comportamento.
Por isso, Paulo lamenta quando os irmãos levavam uns aos outros aos tribunais do mundo, pois, entre eles, já havia o necessário para resolver as questões com justiça e amor.
Que nossas emoções sejam guiadas por essa paz que nos une aos irmãos, enfraquecendo a ira e o desejo de romper comunhão.
Por fim, o verso nos chama a uma atitude de gratidão ao nos reunirmos para adorar ao Senhor.
Temos vitória contra o mal — isso deve nos conduzir a uma constante gratidão por tudo o que Cristo fez na cruz, aquilo que, como diz a canção, "é nosso direito e nossa herança"!
Verso 16
Seguindo, o texto nos ensina que a palavra de Cristo deve habitar ricamente em nós.
Isso significa que o evangelho, ou a própria Escritura, deve ter presença abundante e constante em nossas vidas.
Como crentes, que temos a Bíblia como nosso livro de fé, precisamos desejar que ela nos direcione e, mais do que isso, que sejamos bem familiarizados com o seu conteúdo.
Já falei bastante sobre a importância da Palavra na sexta-feira, mas vale lembrar: ela nos guarda e transforma quem éramos.
Por isso Paulo insiste que ela deve estar bem guardada em nossa existência. Se seguimos esse caminho, os demais conselhos do verso acontecerão naturalmente: como podemos ensinar e aconselhar uns aos outros? Da nossa cabeça? Não!
É pela Escritura que orientamos os irmãos corretamente. Por isso Paulo acrescenta: “em toda a sabedoria”.
Ele já havia criticado os falsos mestres, que baseavam seu ensino em fundamentos mundanos, ineficazes para a vida da igreja e inúteis na luta contra o pecado.
O caminho seguro, então, é sermos banhados pela Palavra, pois é nela que aprendemos como abençoar e direcionar bem os irmãos.
Paulo também fala sobre o louvor, destacando os Salmos. Nos primeiros tempos da igreja, os irmãos usavam os Salmos como seu hinário — era o "Cantor Cristão" deles.
Mas não apenas eles: hinos e cânticos espirituais também faziam parte da adoração.
Hinos que exaltam o Senhor e músicas inspiradas pelo Espírito são bem-vindos na nossa adoração.
Não podemos restringir a adoração apenas aos Salmos, mas devemos escolher bem as canções que cantamos.
Algumas músicas fazem tudo, menos louvar ao Senhor; exaltam o homem e colocam Deus em segundo plano.
Canções assim devem estar longe dos nossos lábios, pois não cumprem o propósito estabelecido aqui.
Mais uma vez, Paulo reforça: o louvor deve acontecer com gratidão, não de forma morna ou indiferente, mas com alegria, reconhecendo todos os benefícios que Deus nos concede.
Verso 17
Por fim, dando uma visão abrangente da nossa vida, Paulo nos orienta que tudo o que fazemos — em palavras ou ações — deve ser feito em nome de Jesus.
Isso significa que tudo precisa estar em conformidade com a vontade dele. E tem sido assim a nossa vida?
Perceba a abrangência que Paulo coloca: nossas ações, não apenas as que realizamos na igreja, mas em todo lugar, devem ser feitas em nome do Senhor.
Não podemos dividir nossa vida em “áreas” — uma para Deus e outra para nós mesmos. Onde quer que andemos, tudo o que fazemos deve ser para agradar ao Senhor.
Não há espaço, irmãos, para levar uma vida dupla. Ainda que alguns julguem ser possível, um dia essa ilusão cairá.
Tudo o que somos e fazemos deve ser direcionado pelo mesmo nome: Cristo. Não podemos pedir licença para pecar ou adotar comportamentos contrários ao que o nosso Senhor nos ordena.
Se nossa vida pertence a Ele, por que haveria alguma parte onde isso não fosse verdade? Não é possível! Esse é um grande engano.
Não somos agentes secretos, mas um corpo que pertence ao Senhor. E, como tal, nossa vida é dele e existe para glorificá-Lo.
Ao fim do verso, mais uma vez Paulo fala sobre a gratidão. A repetição reforça a urgência e a importância disso: como pessoas que pertencem ao Senhor, nossa vida deve ser voltada ao louvor dele, com alegria — não com murmuração ou ingratidão, esquecendo tudo o que já recebemos.
Reconhecer o favor de Deus nos leva a oferecer um louvor ainda mais sincero, completo e grato — não algo feito de qualquer jeito, como se fosse para qualquer um.
Salmos, hinos e cânticos espirituais… Em outras palavras, o que há de melhor deve ser entregue ao Senhor. Esse é o nosso chamado, o convite para uma vida unida a Cristo.
Como cidadãos do Reino eterno, é desde agora que nossa vida deve mostrar que fomos alcançados pelo Senhor.
E só podemos agir assim quando nossas ações têm como objetivo exaltar Aquele que nos resgatou das trevas para a Sua maravilhosa luz!
Conclusão
Fechando, percebemos que todas as virtudes que devemos cultivar se resumem bem quando entendemos que nossas ações devem ter como objetivo agradar ao Senhor. Assim, naturalmente, as virtudes da Sua Palavra serão vistas em nós.
Seguindo o texto, Paulo passará a falar sobre os relacionamentos familiares — mas deixaremos esse tema para refletirmos numa próxima oportunidade, com a permissão do Senhor!
