A FÉ LÁ DE CASA

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INTRODUÇÃO
O que influencia a nossa sociedade hoje?
Estamos no século XXI, o que significa dizer que já se passaram pelos menos vinte séculos desde o nascimento de Jesus e outros tantos séculos desde a criação do mundo. Já se passou tanto tempo que é difícil citar as principais contribuições de todas as épocas da humanidade sem se esquecer de alguma coisa.
O comportamento da nossa sociedade hoje é fruto daquilo que as sociedades anteriores inventaram e que nós estamos aperfeiçoando.
E esse mesmo fenômeno acontece dentro da família. O comportamento de uma pessoa é fruto daquilo as gerações anteriores fizeram. Nossos gostos, escolhas e preferências são comportamentos aprendidos dos nossos pais, que aprenderam dos nossos avós, que aprenderam dos nossos bisavós e assim vai.
Todo ser humano é influenciado. Não há ninguém tão original que não imite alguém ou algum comportamento. A pergunta que nós precisamos nos fazer é: quais são os pensamentos que estão por detrás da sociedade e que impactam as famílias hoje?
E em meio a tudo isso, conectando com o tema da família no mês de maio, surge outra pergunta: é possível construir um lar em que a fé habita e se desenvolve de maneira saudável? Paulo nos oferece uma resposta poderosa em uma saudação pessoal e pastoral a Timóteo — um jovem líder que carrega um tesouro herdado em casa.
CONVITE À LEITURA – 2 Timóteo 1.3-5
³ Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência limpa, como o serviram os meus antepassados, ao lembrar-me constantemente de você noite e dia em minhas orações.
⁴ Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo, para que a minha alegria seja completa.
⁵ Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice, e estou convencido de que também habita em você.
ORAÇÃO
CONTEXTUALIZAÇÃO
Atos 16.1: “Chegou a Derbe e depois a Listra, onde vivia um discípulo chamado Timóteo. Sua mãe era uma judia convertida e seu pai era grego”.
Lucas, o historiador que descreve sobre a vida da igreja depois da ressureição de Jesus e que escreve o Evangelho de Lucas, escreve muito pouco sobre quem foi o pai de Timóteo.
Quando Lucas descreve a mãe de Timóteo como “judia convertida” e o pai como “grego”, tudo leva a crer que o pai daquele jovem era um não convertido. E aqui o texto de 2 Timóteo afirma claramente que a fé de Timóteo habitou em sua mãe Eunice e em sua avó Lóide. As responsáveis pelo ensino religioso daquela família eram duas mulheres. O pai, aparentemente, ficou de fora dessa responsabilidade.
Ainda no texto de Atos 16, versículo 3, Lucas escreve que na viagem que Paulo fazia junto de seu amigo Silas, quando aqueles dois chegaram à cidade de Listra, o apóstolo Paulo queria levar aquele jovem junto deles. Paulo enxergava naquele rapaz um potencial e queria capacitá-lo para ser um líder da igreja.
E o detalhe que Lucas menciona aqui em Atos é que, Paulo teve que circuncidar aquele menino para que eles pudessem viajar juntos. O capítulo anterior, Atos 15, fala sobre uma importante reunião que tinha acabado de acontecer, chamada de Concílio de Jerusalém.
Todos os ministros do evangelho e os líderes das igrejas estavam presentes para discutirem sobre o que eles fariam com o grande número de gregos recém-convertidos. Aqueles que anteriormente eram judeus e foram circuncidados entendiam que, para que um homem de origem grega, a circuncisão era necessária. E a decisão do concílio foi que, a circuncisão não seria obrigatória já que a salvação é pela graça de Deus através da obra de Jesus Cristo.
Mas então, por que Paulo circuncida Timóteo? Paulo tomou uma decisão baseada não em teologia ou ética, mas em estratégia. Era estratégico circuncidar Timóteo, porque o levava consigo para uma região de muitos judeus que conheciam muito bem as origens de Timóteo.
Outra questão importante, é que alguns estudiosos rabínicos afirmam que, a descendência religiosa seguia, majoritariamente, a linha paterna. Então, a circuncisão de Timóteo mostrava para as pessoas que aquele jovem não seguia a tradição pagã do pai, mas que vivia conforme à Lei de Deus.
Timóteo era filho de um pagão, e por isso ele não fora circuncidado em sua juventude, mas agora Paulo adota Timóteo como seu filho espiritual e lhe aplica a circuncisão de modo a impedir qualquer escândalo entre os judeus sobre a possibilidade de Timóteo ser digno de ser ouvido.
Olhe para o perfil da família de Timóteo; um lar que, aos nossos olhos, parece estar longe do perfil da família do comercial de margarina Doriana.
Pessoas de olhos azuis, cabelos castanhos claros ou loiros, mesa posta com presunto, queijo, margaria Doriana, suco de laranja; dois filhos, um cachorro golden retriever, sorrisos brancos e perfeitamente alinhados num café da manhã de um dia qualquer. O perfil da família de Timóteo é bem diferente daquele apresentado como uma “família ideal”.

1. O PROBLEMA NO TEXTO: UM JOVEM CRIADO NUM AMBIENTE CULTURAL CAÓTICO

Se fossemos comparar o ambiente cultural do Antigo e do Novo Testamento, logo de cara perceberíamos que há uma diferença muito significativa. O AT tem histórias desde a criação do mundo, a monarquia em Israel, o exílio Assírio e Babilônico e último dos profetas antes do nascimento de João Batista.
Já o NT acontece dentro de um período muito menor. Todas as histórias estão dentro do primeiro século: o nascimento de Jesus, a igreja em Atos, a morte dos discípulos, o ministério do apóstolo Paulo e a destruição do Templo de Jerusalém.
É muito mais fácil saber quais eram as correntes de pensamento por detrás do NT do que do AT. Todo o contexto do NT está dentro de um período de cem anos enquanto o período do AT é de milhares de anos. Nesse período em que Paulo escreve à Timóteo, a Igreja era uma ilha num mar de paganismo. As mais perigosas ondas ameaçavam o cristianismo por todos os lados.
A sociedade greco-romana era profundamente politeísta. Havia deuses para praticamente tudo: guerra (Ares/Marte), amor (Afrodite/Vênus), comércio (Hermes/Mercúrio), agricultura (Deméter/Ceres), etc.
A cultura greco-romana normalizava práticas sexuais que a fé cristã condenava: 1) Prostituição cultual (inclusive dentro de templos); 2) Adultério tolerado (para homens); 3) Relações sexuais com escravos e prostitutos (inclusive meninos); 4) Homossexualidade, especialmente na forma de pederastia (relações entre homens mais velhos e adolescentes).
Do lado da filosofia, havia o estoicismo, epicurismo e o platonismo.
Estoicismo: Valorizava a razão, a autossuficiência, o desprezo pelas emoções e uma vida sem paixões. A graça, a dependência de Deus e a fraqueza humana eram vistas como fraquezas, não virtudes.
Epicurismo: Buscava o prazer moderado e a ausência de dor como bem supremo. A ressurreição dos mortos e o juízo final eram absurdos para eles (cf. Atos 17.32).
Platonismo e Dualismo: Desvalorizava o corpo e a matéria, exaltando o mundo espiritual. Isso dificultava a aceitação da encarnação de Cristo (Deus no corpo humano) e, especialmente, da ressurreição do corpo.
Mas uma corrente de pensamento em específico confrontava diretamente o ensino de Jesus e influenciava a sociedade, que caminhava rumo à primeira grande heresia. Essas pessoas dividiam o que elas chamavam de mundo espiritual (bom) do mundo material (ruim). Ou seja, as duas esferas não se conversam. A vida religiosa não influenciava em nada na vida civil e cotidiana.
Outra característica importante dessa corrente de pensamento que influenciava as pessoas na época de Paulo aqui, é a salvação da alma através de um conhecimento secreto. Ou seja, Jesus vem e mostra o caminho que liberta. Porém, apenas as pessoas que passaram por experiências místicas e pessoais é que alcançariam a salvação plena e perfeita.
Existem outros grandes problemas que vale a pena citar: a rejeição da divindade de Cristo e a negação da ressureição do corpo pós morte.
Essa doutrina, apesar de ter seu ápice no século II e III, começava a reunir alguns simpatizantes aqui no final do primeiro século. Os primeiros cristãos precisaram combater não tanto uma seita organizada, mas uma corrente de pensamento em estágio de formação. O nome dessa correte de pensamento que é um problema durante todo o NT é o gnosticismo.
A família de Timóteo certamente enfrentou esses desafios na criação daquele rapaz. E Paulo menciona a vida de Eunice e Lóide de maneira honrosa. Duas mulheres que permaneceram firmes diante dos desafios e que ensinaram Timóteo a viver em meios a esse caos cultural.
Mais importante é ensinar os filhos a viverem em sociedade e lidarem com as dificuldades do que isolá-los do mundo ao redor.

2. O PROBLEMA HOJE: COMO CRIAR FILHOS NUM AMBIENTE CULTURAL CAÓTICO?

Precisamos pensar em quais são as correntes de pensamento que influenciam a nossa sociedade hoje. Talvez três grandes correntes de pensamento podem ser citadas aqui, mas é claro que existem muitas outras. Essas, eu considero, são as principais.
Marxismo: A sociedade é vista como um palco de conflito entre classes sociais, principalmente entre a burguesia (donos dos meios de produção) e o proletariado (trabalhadores). Propõe a superação do capitalismo através da revolução e a criação de uma sociedade comunista, onde os meios de produção são coletivos e não existe exploração.
Existencialismo: O ser humano é livre para escolher seu próprio caminho e criar o seu próprio significado. A consciência da liberdade e da responsabilidade pode gerar uma sensação de angústia, pois a escolha é sempre finita e não há garantia de um resultado positivo. O ser humano não nasce com uma natureza ou propósito predefinido, mas sim, a sua essência é construída a partir das suas escolhas e ações.
Feminismo: O feminismo se opõe às estruturas e ideologias patriarcais que impõem hierarquias e desigualdades de gênero. Algumas feministas radicais criticam a ideia de gênero, que consideram uma construção social que pode mascarar a realidade da opressão das mulheres. O feminismo e a questão de gênero estão intimamente ligados, com o feminismo analisando e buscando mudar as desigualdades de gênero na sociedade.
Esse é o ambiente cultural em que vivemos hoje, início do século XXI, que os pais enfrentam na criação dos seus filhos. 

3. A SOLUÇÃO NO TEXTO: UM JOVEM QUE TEVE BONS EXEMPLOS DENTRO DE CASA

Olhando para o nosso texto, qual foi a solução daquela família para criar Timóteo?
Como nós vimos, os problemas da época de Timóteo são comuns a todo o período do Novo Testamento. Mas e a solução? Como foi que Eunice e Lóide criaram aquele rapaz numa sociedade tão difícil? O que elas fizeram? Quais foram os métodos usados?
Em 2 Timóteo, capítulo 3 verso 15, Paulo escreve as seguintes palavras: “Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus”.
Eu sei que talvez você estivesse esperando por mais detalhes. A resposta aqui pode parecer decepcionante num certo sentido. A nossa vontade era encontrar uma descrição detalhada, passo a passo de como fazer do lar um lugar saudável, onde os pais são a primeira porta para o mundo e o diálogo com a cultura.
E de fato, a solução é bem mais simples do que parece. A influência que Eunice e Lóide tiveram na vida de Timóteo se baseava nas Sagradas Escrituras. As palavras-chave desse versículo 15 são: “torná-lo sábio”, “salvação” e “fé em Cristo Jesus”.
Ser “sábio” não é só possuir grande conhecimento, mas é demonstrá-lo na prática. Por isso, o ensino de Eunice e Lóide era intelectual, mas que se preocupava com a aplicação daquele ensino no dia a dia.
“Salvação” é vontade de Deus para a humanidade por meio de Jesus Cristo e que traz implicações verdadeiras; a alegria da salvação eterna modifica a vida no presente e dá para ser humano uma nova perspectiva de se viver.
E essa perspectiva começa com a fé em Cristo Jesus. Ou seja, a fé não é mero conhecimento intelectual, a fé é a teologia na prática. E, na verdade, teologia sem prática não é teologia. Se afirmamos que conhecemos a Deus e não vivemos isso, então nós não conhecemos a Deus verdadeiramente.
O ensino de Timóteo não acontecia somente quando eles paravam para estudar a Bíblia juntos. O ensino também acontece em situações indiretas. É no dia a dia, vendo como nossos pais reagem diante as situações que nós aprendemos o que é viver. É observando o comportamento dos pais que os filhos aprendem as maiores lições.
Mais importante do que a forma na hora de ensinar, é o conteúdo. E para aquelas duas mulheres, as Sagradas Escrituras eram o conteúdo que elas usavam na instrução de Timóteo.
Porém, tão importante quanto essa forma de ensino direto (sentar e estudar junto), a própria rotina dentro de casa já ensina muita coisa. O maior exemplo daquele rapaz estava nas coisas simples do dia a dia, nas tomadas de decisões, na hora de explicar para o filho uma pergunta, vendo a mãe e a avó indo à igreja, vivendo num ambiente social com pessoas que professam a mesma fé.

4. A SOLUÇÃO HOJE: FILHOS QUE TÊM BONS EXEMPLOS DENTRO DE CASA

Olhando para esse texto, o que fica de lição para nós?
Gênesis 1:26-28
²⁶ Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão".
²⁷ Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
²⁸ Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra".
Existem três coisas importantes nesse texto, três áreas de relacionamento do homem, chamados de mandatos. O mandato cultural, o mandado social e o mandato espiritual. Todo ser humano se relaciona com essas três áreas, e aqui cabe uma explicação...
Por isso, o ser humano exerce o seu chamado de maneira completa quando ele entende que é impossível viver sem se relacionar com essas três áreas. Então, a educação dentro de casa passa por essas três esferas. Não é saudável e nem bíblico criar filhos que não se relacionem com uma dessas áreas...
E para isso, todos esses três relacionamentos são vividos de maneira plena apenas quando há o relacionamento com Deus em primeiro lugar, ou seja, o mandato espiritual...
A família precisa mostrar como deve ser um contato saudável com o mundo à luz daquilo que a Palavra de Deus ensina. E isso implica que em muitos momentos você terá que dizer não para: um filme, um livro, uma festa, uma amizade. E tudo isso levando em conta, em primeiro lugar, que “as sagradas letras são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus”.
A Bíblia não é um manual chato de regras chatas que impedem a vontade do ser humano. A Palavra de Deus, em última instância, é uma pessoa que se encarnou e o seu nome é Jesus Cristo.
Ler a Bíblia, AT e NT, é procurar entender qual é a vontade de Deus em Jesus Cristo; é entender como todas as coisas encontram o seu auge na pessoa do Filho de Deus, o nosso irmão mais velho, e que foi enviado ao mundo para nos salvar e para nos dar um novo estilo de vida!
De fato, nós cremos de todo coração que a vontade de Deus é boa, perfeita a agradável? Porque se a resposta for sim, então os pais precisam ensinar que, nem sempre a vontade dos seus filhos está alinhada com aquilo que Deus espera por meio da sua palavra.
A Palavra de Deus é viva e condena sim alguns comportamentos do ser humano, mas não é para que ele viva de maneira infeliz. Mesmo quando as Escrituras proíbem algum comportamento esse é um sinal da graça de Deus impedindo que o ser humano faça coisas das quais trazem morte à sua própria vida. Honra teu pai e tua mãe...
Por isso, leia a Bíblia junto com os seus filhos, mas também, assista filmes com eles. Ensine o que é uma boa música, um bom filme, um bom livro. Mesmo quando o ensino não é direto, ainda sim os filhos estão aprendendo o tempo todo.
Os avós também têm um papel importante na criação dos netos. Minha avó, bolinho de chuva, os hinos cantados com perfeição... Meu avô, tabuada e pastel de cana...
E por fim, Paulo escreve sua primeira carta à Timóteo chamando-o de “filho na fé”. Como alguns comentaristas sugerem que o pai de Timóteo não era vivo e que, mesmo vivo ele não era convertido, Paulo aqui nos mostra uma realidade muito importante.
Se dentro de casa a nossa família é de sangue, dentro da igreja a nossa família é da fé. Paulo tratava Timóteo como se fosse um filho, então, a consideração mais óbvia que podemos fazer é que, para Timóteo, Paulo era como se fosse o seu “pai espiritual”, o seu “pai na fé”.
1 Tm 5.1-2: ¹ Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; ² as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza.
Dentro da igreja, nós somos todos juntos uma família. Somos responsáveis uns pelos outros. O que faz com que, mesmo frequentando o culto de uma outra igreja, você ainda se sinta em casa? O que faz com que pessoas que moram em lugares diferentes, que trabalham em contextos diferentes, se reúnam aos domingos e se cumprimentem como “irmãos”? O amor de Jesus que nos faz uma família.
Família essa de pessoas que vive num relacionamento com a sociedade, com a criação e com Deus. Família essa que cresce junto, que chora junto. Igreja, família essa em que eu tenho como exemplo a fé do meu irmão. Família em que todos aqui somos irmãos mais novos do nosso verdadeiro irmão mais velho: Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
A fé que habita em casa tem poder para sustentar famílias em meio ao caos da cultura. Deus usa pessoas comuns, como Lóide e Eunice, para formar líderes espirituais. A pergunta que fica é: sua casa é um lugar onde a fé habita ou apenas visita aos domingos?
"A fé que habita em nós hoje será o legado que sustentará as gerações de amanhã."
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