Divórcio 3

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Dentro desse tema temos estudado o ideal de Deus. É nesse ideal que devemos nos concentrar e nos mover. Um homem e uma mulher para vida toda.
Entretando sabemos que por conta da dureza de coração, nem sempre o ideal de Deus é vivido.
Estamos presenciando uma enxurrada de quebra do ideal de Deus e varia situações diferente do ideal tem surgido. Então diante dessas situações várias questões se levantam, várias circunstâncias surgem, várias perguntas aparecem...
Um dos questionamentos mais presente quando lidamos com esse assunto é: É possível alguém que já foi casado(a) casar-se novamente depois de passar por um divórcio? A Bíblia apoia um segundo casamento para pessoas que estão divorciadas?  
Para tentar responder alguma dessas questões vamos para o livro de Mateus capitulo 19.
Vimos que eles apenas distorciam o texto de Deuteronômio 24:1-4, onde Moisés não ordenou o divórcio, ele apenas o tolerou por causa da dureza de seus corações e proibiu o casamento com um adúltero contaminado. Não há nenhuma ordem para se divorciar. Eles inventaram uma mentira para respaldar seus divórcios e adultérios. Jesus lhes respondeu: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio” (Mateus 19:8).
É esse o significado. Não foi uma ordem. Por causa da dureza de seu coração, Moisés permitiu, tolerou. Mas, posso apressar-me a acrescentar que essa tolerância não se referia aos casos de divórcio por causa de indecência ou por um comportamento sem pudor ou por outros motivos que os fariseus despediam suas mulheres. O Antigo Testamento não nos dá um texto sequer que permita que você se divorcie com base nisso. O ponto do Antigo Testamento é: o divórcio, por qualquer coisa que não seja o adultério, leva ao adultério. E, é claro, quando havia adultério, Deus tratava com a morte.
Mas, em Sua graça, e aqui chegamos a Mateus 19:8, na graça de Deus houve uma transição no Antigo Testamento da morte para o divórcio, no caso de adultério. Temos que entender isso.
Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério].
Esta é a cláusula: “exceto por causa de fornicação”.
A única exceção que o Senhor faz para o divórcio é onde há fornicação [porneia]. Qualquer outro motivo de divórcio leva ao adultério, exceto a fornicação.
Fornicação vem da palavra grega “porneia”, da qual derivou a palavra pornografia. “Porneia” significa, de acordo com os mais precisos estudos do grego, todo tipo de relações sexuais ilícitas ou imoralidades sexuais. É o que isso significa: todo tipo. E aí está incluso também o adultério.
Agora, alguns dizem que se refere apenas ao período de noivado, pois, se não fosse assim, teria sido usado a palavra para adultério, que é “moicheia”. Mas esse é um raciocínio errado, pois a palavra “porneia” significa todos os tipos de relações sexuais depravadas e pecaminosas, que, obviamente, inclui o adultério. E neste contexto, claramente tem-se em mente o adultério, porque toda a passagem é sobre o casamento.
Você diz: “Bem, por que foi usado ‘porneia’?” Simplesmente porque “porneia” é uma palavra mais abrangente. O adultério significa uma relação sexual com uma pessoa fora do seu casamento. Já “porneia” significa uma relação sexual com alguém, uma mulher, um homem ou um animal. Ou seja, inclui também a bestialidade, o incesto, a sodomia ou homossexualidade, a pedofilia, a prostituição. É um termo amplo que abrange tudo.
A propósito, os judeus em Israel foram condenados à morte por atos de fornicação antes e depois do casamento. A pena de morte foi aplicada ao casamento usado para incesto, sodomia, bestialidade, todo ato sexual proibido. Tudo o que você precisa fazer é ler o capítulo 20 do Levítico, está tudo lá. Foram todas aquelas coisas que trouxeram a pena de morte.
As pessoas sempre perguntam sobre o direito de casar novamente e eu só quero que você saiba que a Bíblia afirma que o novo casamento é possível [de acordo a exceção declarada por Jesus e a morte]. Você diz: “Onde está escrito isto?” Bem, olhe comigo Romanos 7:3, que diz:
De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.
Você não pode casar com outro homem enquanto seu marido ainda está vivo. Não pode ter dois maridos. Isso é bigamia. Mas, morto o marido, estará livre para casar novamente. Esse versículo diz que o novo casamento, neste caso, está correto. Mas, tudo o que estou tentando apontar é que ele diz que o novo casamento está correto, sob certas circunstâncias, uma das quais é a morte de um dos cônjuges. E a outra seria o caso de exceção.
(Fazer considerações sobre esse assunto da exceção).
Agora, tenha tudo que vimos nos sermões anteriores em mente. Você pode estar pensando: “bem, Mateus 19:1-12 não responde muitos problemas que acontecem. Não trata do que acontece quando você vem para o Senhor e seu passado está todo bagunçado, nem do que acontece quando você vive com alguém ou se você já se casou cinco vezes e agora não sabe dizer quem é sua esposa, e tudo o mais. Não lida com nada disso”.
E eu diria que você está certo. Você deve observar que Jesus está apenas estabelecendo o ideal divino e que não está lidando com as exceções, você entende?
Nesse momento Ele não precisava lidar com outras questões. Jesus está afirmando Sua messianidade e Ele o faz alinhando-se com a Palavra clara do Deus vivo. Ele estava afirmando: ‘Eu falo por Deus’. Assim, Ele não lida com muitas outras questões, mas permanece fiel à revelação de Deus. Jesus disse, em Mateus 5, que veio cumprir a lei, não alterá-la, não eliminar a lei, não destruir a lei, mas cumpri-la, e assim, afirma o ideal divino. E não lida com todos os tipos de questões que envolvem esse assunto do casamento e divórcio.
Agora, também tenha em mente que Ele está falando com um grupo de judeus que viveram toda sua vida sob a economia de Moisés. Ou seja, eles estavam presos, em um grau ou outro, à sua própria interpretação da lei mosaica. E assim, eles estão em um ambiente mosaico e Jesus está simplesmente lhes afirmando o ideal pretendido por Deus, dado ao povo de Israel.
Você pode estar pensando, então: “como lidamos com todas as questões que derivam do assunto casamento, divórcio?” E isso é o que eu sei que esteve em sua mente nas últimas quatro ou cinco semanas. Sei que você está ansioso para saber o padrão bíblico para quando o padrão ideal do casamento é quebrado.
Jesus não entrou nessas questões, mas, Paulo o fez. E, se você abrir sua Bíblia no capítulo 7 de 1 Coríntios, examinaremos o ensino dado por Paulo. Jesus deu o ideal divino e Paulo teve que lidar com a bagunça que estava acontecendo no mundo e tentar fazer a aplicação desse ideal divino ao caos da vida.
Agora, tenha isso em mente: Paulo estava ministrando, nessa Carta, a uma comunidade gentia, que não vivia debaixo da lei de Moisés. Os coríntios não tinham sido criados para guardar a lei de Moisés. Logo, sua vida era literalmente uma bagunça do começo ao fim.
Havia muito menos caos na comunidade judaica, por causa da legislação mosaica, do que no meio dos gentios, onde não havia lei mosaica. E eu creio que 1 Coríntios 7 é o comentário de Paulo sobre o ensinamento de Jesus sobre casamento e divórcio. Perceba que Paulo interage com o ensinamento do Senhor, por exemplo, no versículo 10: “Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor…”. Em outras palavras, ele estava dizendo: ‘olha, eu vou te dizer algo sobre se casar que não é apenas de mim, pois o Senhor já disse isso’. Então, ele está fazendo menção, reafirmando o que o Senhor já tinha ensinado.
Mas, então, no versículo 12, Paulo afirma: “Mas aos outros digo eu, não o Senhor…”. Em outras palavras: ‘isso é algo novo, o Senhor não disse isso, eu não estou citando as palavras que o Senhor pronunciou a esse respeito’.
E, no final do capítulo, no versículo 40, ele diz: “Eu sei que tenho o Espírito de Deus”. Ou seja: ‘Não estou apenas a dar-lhe as minhas opiniões. Eu sei que tenho o Espírito de Deus. Mesmo que eu não tenha nenhum comando direto do Senhor (v.25), eu estou lhes dando o meu juízo sobre o assunto e eu sei que vem do Espírito de Deus’. Assim, Paulo está usando o que o Senhor ensinou sobre o assunto e comunicando um pouco mais para resolver alguns dos problemas, algumas das lutas que aqueles irmãos enfrentavam.
Agora, deixe-me apenas dar uma boa ideia do contexto em que Paulo escreve aos coríntios, para que você tenha uma ideia mais clara acerca do que o apóstolo estava lidando na prática. E é muito parecido com a nossa própria sociedade.
Paulo estava lidando literalmente com uma ‘situação coríntia’. Explico: o sentido da palavra que correspondente a ‘corintianizar’, na língua grega, é ‘destinado a cometer pecado sexual’. Então, você tem de cara uma pequena ideia do que Corinto era, certo? Era um lugar podre, miserável, pecaminoso e vil. Naquela época, quando se queria falar sobre alguém como sendo uma pessoa lasciva, má, vil, fornicária e adúltera, era só chamá-la de ‘coríntio’. Então, esse era o tipo de sociedade na qual aquela pequena igreja nasceu. Era uma sociedade de vida imoral, vil e perversa.
Assim, uma igreja nasceu naquele lugar pelo maravilhoso ministério do Espírito de Deus através do apóstolo Paulo, como você sabe, e agora, aquelas pessoas estavam vindo a Cristo, mas elas não provinham de uma cultura que tinha a correta compreensão do que é moral e do que é ético. Elas estavam chegando a Cristo em um estado civil absolutamente caótico.
Grande número da população daquela parte do mundo romano era escrava. A maioria da população era formada por escravos. No império romano havia muitos, muitos escravos e muitos deles se tornaram cristãos. Alguns estudiosos creem que a maioria da igreja naquela época era formada por escravos. O casamento, no sentido estrito, ou seja, civil, reconhecido por lei, nem sequer existia para os escravos. Eles não tinham direito, então, a se casar.
Os escravos eram como animais. Um fazendeiro não casa as suas vacas, nem seus cavalos. Ele os põe para acasalar. E, assim, os senhores não casavam os escravos, eles os colocavam para acasalar. Havia uma união chamada de contiburnium, que basicamente significava companheirismo de tenda e funcionava assim: o senhor ou dono dos escravos os inspecionava e os colocava para acasalar, a fim de que eles produzissem mais escravos. E os donos juntavam os escravos que consideravam os melhores, a fim de que estes lhes gerassem bons escravos.
Não havia qualquer cerimônia. Os escravos apenas entravam em um relacionamento. Muito parecido com a sociedade contemporânea. Mas agem assim por vontade própria, não por que não tenham oportunidade de agir diferente.
Agora, vamos presumir que um escravo tivesse diferentes donos e tenha tido diferentes relacionamentos contriburnium. E, de repente, ele vem a Cristo. Agora ele é um cristão e ouve o ensino do Senhor sobre ‘um homem para uma mulher, para a vida toda, nenhum divórcio, nenhuma fornicação’. E ele olha para si mesmo e olha para trás e pensa sobre todas aquelas várias mulheres com as quais ele pode ter gerado filhos, e pensa com quem ele agora está morando e sua pergunta é: ‘E agora, o que eu faço? Quem é minha esposa? Onde estou?’ E esse era um problema muito real.
Havia ainda o usus, que era o modo de casamento para as pessoas comuns na sociedade romana, que não eram escravas. O usus funcionava assim: se um homem morasse com uma mulher por um ano, eles eram considerados legalmente casados. Logo, as pessoas não se casavam. Elas apenas passavam a viver juntas, como para experimentar, e depois de um ano, aquela união tornava-se legal.
Então, esse tipo de união estável existia. E, o que aconteceria se a pessoa que se uniu a outra dessa forma se tornasse um cristão? Alguém tinha uma mulher, viveu com ela por três anos, mas nunca se casou com ela. Como ficaria essa pessoa quando se tornava um cristão? A mulher seria sua esposa ou não? E se esse homem tivesse tido outras três mulheres através do usus antes da que tinha quando se converteu? Ou, ainda, se ele tivesse uma mulher numa cidade e três em outra cidade?
É como um missionário que vai para um país estrangeiro, traduz a Bíblia, ganha as pessoas da tribo para Cristo apenas para descobrir, é claro, no processo, que todas elas têm 8 ou 10 esposas! Agora, esse é o tipo de situação com que Paulo estava lidando em Corinto. E ainda havia um terceiro tipo de casamento nas abordagens conjugais inconsistentes dos romanos que se chamava coemptio em manum. Por esse tipo de casamento, o homem comprava a esposa posta à venda por seu pai. A antiga tradição do casamento por venda. Esse tipo de casamento era muito comum.
E então, para as famílias nobres, havia o que se chamava de confarreatio. Esse era o termo para o tipo nobre e sofisticado de cerimônia de casamento, que envolvia a troca de anéis. A propósito, foi daí que herdamos o costume da troca das alianças na celebração do casamento. Na celebração da confarreatio, o anel era colocado no terceiro dedo da mão esquerda, porque um dos supostos sábios romanos ensinou que há um nervo que corre desse dedo para o coração. Na cerimônia, eram feitas orações para Júpiter e Juno. Havia um bolo, eles usavam véus e havia música. Os nubentes também seguravam as mãos.
Você vê que a cerimônia religiosa de casamento que temos em nossa cultura foi herdada do sistema marital católico romano, que permaneceu mesmo após a Reforma. Então, no contexto da Carta de Paulo aos Coríntios havia todo esse tipo de estranhas situações matrimoniais, sendo que apenas a quarta delas, o confarreatio, constituía um casamento como o entendemos, isto é, uma aliança verbal e escrita, perante testemunhas.
E assim, a questão que veio a Paulo, ou aos coríntios, foi: o que fazemos diante de tudo isso? Como tratar biblicamente essa bagunça de relacionamentos dessas pessoas que vêm a Cristo? A quem elas realmente estão vinculadas? Elas têm o direito de se casar novamente, se agora estiverem solteiras? Elas devem permanecer vivendo com quem estão vivendo, em uma relação de contubernium? O que fazemos com essa confusão de casamentos e assim por diante?
Então, essas pessoas vêm a Cristo. O que você faz com elas? Bem, os coríntios não sabiam o que fazer. Então, você sabe o que eles fizeram? Escreveram uma carta para Paulo. E essa carta é aludida no versículo 1 do capítulo 7, quando Paulo diz: “Ora, quanto às coisas que me escrevestes…”. Esse é o assunto do capítulo 7. Paulo vai responder as perguntas que os coríntios fizeram, certo? Mas, ele não nos conta as perguntas. Ele apenas dá as respostas.
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