João 3.1-15
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DO VAZIO À VIDA: A JORNADA ESPIRITUAL COM CRISTO
DO VAZIO À VIDA: A JORNADA ESPIRITUAL COM CRISTO
(Alvo da pregação: Igreja - adultos, jovens e adolescentes - Crentes e alguns descrentes)
Hoje nós vamos conhecer de perto a história de um homem que, de certa forma, já foi a minha e talvez também a sua história: Nicodemos.
Quem foi Nicodemos? Nicodemos era um fariseu, alguém muito importante em sua geração e um dos principais líderes. Era comum que os fariseus se orgulhassem de serem os únicos intérpretes da Lei, como se tivessem acesso exclusivo à essência e ao verdadeiro significado das Escrituras.
O que nos chama a atenção foi que Nicodemos foi encontrar com Jesus de noite. Provavelmente foi porque ele não queria ser visto com Jesus em plena luz do dia, talvez conseguiria se esconder das pessoas.
D.A. Carson diz que Nicodemos se aproximou de Jesus à noite, mas que a noite de Nicodemos era mais escura do que ele pensava.
A verdade é que a Escuridão do nosso coração só pode ser iluminada com a Luz de Cristo. Jesus termina a sua conversa com Nicodemos assim:
João 3.19–21 “A condenação é esta: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal detesta a luz e não se aproxima da luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.”
Nicodemos queria algo para preencher o seu coração em trevas e vazio. Ele precisava de uma resposta que trouxesse esperança para o seu coração. Nicodemos já tinha estudado tanto, mas talvez estivesse como o jovem rico “Só uma coisa te falta…” que era conhecer a Jesus verdadeiramente. Ele precisava preencher o seu coração com a verdadeira esperança.
Proposição: A história de Nicodemos é mais do que um diálogo — é uma jornada espiritual. E ela começa com um encontro, passa por um confronto e termina com a salvação.
Nessa jornada espiritual temos 3 etapas.
a Primeira etapa é:
I) JESUS ENCONTRA O CORAÇÃO VAZIO (v.1-2)
(Ilustração) Irmãos, imagina comigo… A gente tá em pleno verão aqui no Japão — aquele calor de 42 graus que parece que vai derreter a alma. Você tá na correria, com pressa, porque tem compromisso depois do almoço, está na rua… e nem conseguiu almoçar ainda. A única coisa que você pensa é: 'Preciso comer, estou ficando fraco'.
Aí você entra num restaurante, senta à mesa, e antes de qualquer prato chegar, colocam na sua frente uma garrafa de água bem gelada, com gelo até suando por fora… Na hora você nem pensa duas vezes. Pega o copo, enche e bebe com vontade.
De repente, aquela agonia toda, aquele mal-estar… passam. E você percebe: o que você precisava mesmo… não era comida. Era água. Era sede. Só que você nem tinha percebido.
(contexto) Talvez os amigos de Nicodemos diria que ele tinha tudo, que sabia de tudo, mas Nicodemos sabia que isso não era verdade. O seu coração estava vazio, faltava o principal. Vemos que Nicodemos estava procurando respostas. Ele reconhece que Jesus vinha da parte de Deus, por causa dos milagres que estava fazendo. Muito dos fariseus iam contra Jesus, muitos desses não queriam o ouvir e ainda buscavam algo para incriminar Jesus. Porém com Nicodemos é diferente, ele quer conhecer quem é esse Mestre que estavam falando por aí.
Em Eclesiastes 3.11 diz assim: “Deus fez tudo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.”
O que ele realmente tinha era um coração vazio, e a resposta para um coração assim, vazio e sem esperança não está nas graduações, no status, no dinheiro ou na fama. Ela está no Filho de Deus — que desceu até nós, se fez homem, entregou-se na cruz e nos oferece hoje a salvação. Só Ele pode preencher o profundo anseio do nosso coração por esperança verdadeira.
(aplicação) E você? Tem buscado preencher o seu coração com o quê? em que você tem tentado preencher o vazio do seu coração? No trabalho? Com jogos e amizades? Em relacionamentos? No reconhecimento dos outros? Entenda, nada neste mundo pode ocupar o lugar daquele que nos criou à sua imagem. Só Ele pode ser o verdadeiro dono do seu coração — e é isso que Ele deseja ser.
(transição) a segunda etapa da nossa jornada espiritual é:
II) JESUS CONFRONTA O CORAÇÃO (v.3-8)
(contexto) Vimos que Nicodemos estava procurando respostas, mas antes mesmo de fazer uma pergunta, ele recebe um confronto de Jesus que foi
João 3.3 “Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”
Talvez Nicodemos tenha pensado, “como assim Jesus, nem comecei a perguntar e o senhor já veio com uma verdade difícil de entender”? E, para que ficasse mais claro a Nicodemos, Jesus falou a mesma verdade com outras palavras:
João 3.5 “Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”
A dúvida de Nicodemos é real, não tem como nascer de novo. E ainda tem um sentido de nascer do alto, de cima. J.C. Ryle comentando esse texto diz:
Jesus usou a figura do novo nascimento para mostrar a Nicodemos que ninguém pode ser seu discípulo sem uma transformação interior completa, operada pelo Espírito Santo. Enquanto o nascimento físico dava acesso ao judaísmo, somente o novo nascimento espiritual concede entrada no reino de Cristo.
E Jesus aprofunda ao dizer:
João 3.6 “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”
Aqui podemos ter algumas interpretações, uma delas é que:
O ser humano apenas reproduzem vida humana, mas o Espírito Santo dá à luz espiritual.
A outra interpretação e é a que acho mais profunda é:
O que nasce da carne — nossa velha natureza caída — continua sendo carne, limitada, manchada pelo pecado, incapaz de produzir vida espiritual. Mas o que nasce do Espírito — nasce com nova identidade, nova direção, e um novo coração.
Jesus está indo à raiz do problema humano: um coração perdido, dominado pela carne, incapaz de buscar a Deus por si mesmo..
Esse novo nascimento não é uma reforma (como fazemos em casa), é uma transformação radical (quase como rapar o cabelo), uma nova vida, onde o velho homem morre e o novo homem nasce.
(ilustração) É como num jogo de video-game, quando o personagem fracassa em sua missão, morre e nasce de novo; é porque algo não deu certo, e será preciso recomeçar. Porém, em nossa vida espiritual, não é apenas um erro tático - é uma condição de fracasso profundo da velha natureza.
Em Romanos 3.10–12 “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se desviaram e juntamente se tornaram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”
(aplicação) Para entendermos a graça de Deus precisamos reconhecer o quão pecadores somos. Olhe para o seu coração, veja se não fosse a graça de Deus, o quão perdidos estaríamos? Precisamos confessar os nossos pecados, nos quebrantar na presença de Jesus e receber a maravilhosa graça de Deus, através de Cristo Jesus.
(transição) E assim, nós iremos para a terceira e última etapa da nossa jornada espiritual que é:
III) JESUS SALVA O CORAÇÃO VAZIO (v.9-15)
(contexto) A partir do versículo 9, Jesus está mostrando para Nicodemos que os fariseus não conseguiam crer em Jesus. Sabiam tanto sobre as profecias, mas não reconheciam que Jesus era o Messias prometido.
João 3.12 “Se vocês não creem quando falo sobre coisas terrenas, como crerão se eu lhes falar sobre as celestiais?”
Se nem os milagres terrenos de Jesus eram fáceis de compreender, como entenderiam se explicasse sobre as coisas celestiais?
Aqui temos um texto um pouco complexo que é está no versículo:
João 3.13 “Ora, ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que de lá desceu, o Filho do Homem.”
(contexto) Jesus não está dizendo que Enoque não foi arrebatado, ou que Elias não foi levado numa carruagem de fogo. Grant R. Osborne traz a explicação que o sentido do versículo é “Ninguém jamais foi para o céu e voltou”. Enoque e Elias foram levados ao céu, não voltaram mais, ficarão por toda a eternidade. Jesus é Deus, conhece todas as coisas e tem toda autoridade no céu e na terra. Por isso, podia fazer e falar sobre as coisas celestiais.
No fim, no versículos 14, temos um tipo de Cristo (tipologia de Cristo), que foi o episódio da serpente de bronze no deserto em Numeros 21.
(contexto) Os israelitas estavam murmurando e com isso, Deus colocou entre eles no acampamento cobras venenosas. Essas cobras mataram alguns, feriram outros e o povo reconhece o seu pecado e pede misericórdia de Deus. Deus fala para moises levantar uma serpente de bronze e colocar numa espécie de poste, e todos que olhassem para ela ficaria curado. E da mesma forma que a cobra foi levantada no deserto, Jesus foi levantado, no sentido de morte e ressurreição, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Jesus estava conduzindo Nicodemos a entender que o problema do ser humano não é apenas ignorância ou falta de religião — é um coração envenenado pelo pecado. Assim como os israelitas estavam morrendo por causa das mordidas das serpentes, nós estamos espiritualmente mortos por causa da nossa natureza pecadora. E assim como olhar para a serpente levantada trazia cura imediata, crer em Jesus, levantado na cruz, traz vida eterna.
O que curava o povo não era o bronze, mas a fé obediente ao que Deus disse. E o que salva hoje não é o esforço humano, a religião ou o conhecimento — é a fé no Filho de Deus crucificado e ressurreto.
Nicodemos precisava entender isso. E nós também.
(aplicação) Você crê em Jesus? Você crê que somente Ele é capaz de transformar a vida de um homem? Nesta jornada espiritual, Ele é a resposta para o seu coração. João 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” A morte de Jesus na cruz foi o meio para que tivéssemos a vida eterna.
CONCLUSÃO
A jornada de Nicodemos é a jornada de todos nós:
começa com o vazio,
passa pelo confronto da verdade,
e encontra salvação em Cristo.
Jesus não veio apenas responder perguntas — Ele veio transformar corações.
Ele foi levantado na cruz para te dar vida — e vida em abundância.
