O PAPEL DA ESPOSA CRISTÃ NO LAR

Sermões Temáticos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 179 views
Notes
Transcript

Introdução

Texto Base:
Gênesis 2.18 RC95
18 E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.
Vivemos numa época de grandes mudanças sociais, nas quais os papéis familiares vêm sendo questionados, ressignificados e, não raras vezes, desprezados diante dos padrões bíblicos. A cultura contemporânea desafia a todo instante os fundamentos do casamento cristão, especialmente quanto ao papel e aos deveres da esposa. Entretanto, a Palavra de Deus permanece como o guia seguro para estabelecermos famílias sólidas e lares que glorificam ao Senhor. Hoje meditaremos sobre o chamado bíblico da esposa cristã: sua missão, seus desafios e, principalmente, a grandeza de seu papel na edificação do lar para a glória de Deus.

I - Dever de Submissão

Quando abordei os homens sobre seus deveres com as esposas, comecei pelo dever do amor sacrificial, pois é a base para o relacionamento deles com as mulheres. Além disso, amar sacrificialmente é, sem dúvida, o maior e mais difícil desafio. Para as mulheres, especialmente do mundo moderno, o mais difícil dever é o da submissão. Vejamos os textos bíblico:  
Efésios 5.22–24 RC95
22 Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; 23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. 24 De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.
Colossenses 3.18 RC95
18 Vós, mulheres, estai sujeitas a vosso próprio marido, como convém no Senhor.

1.1 - Definição

Atualmente, muito se tem dito sobre a palavra “submissão”. Alguns querem amenizá-la dizendo que “submissão é estar debaixo de uma mesma missão”, mas precisamos entender que a palavra não vem da língua portuguesa, mas do grego. Portanto, precisamos analisá-la à luz do idioma original.
A palavra “submissão” é a tradução do termo grego “υποτασσω” (hupotasso). Essa palavra é formada pela união de outras duas: “hupo” e “tasso”.
“Hupo” é uma preposição que significa “por ou sob”;
“tasso” é um verbo que significa “determinar, estabelecer”.
Assim, a submissão dentro do contexto é estar debaixo do estabelecimento ou da autoridade do marido.

1.2 - Submissão

O mandamento
Os dois textos contém o mesmo mandamento: “sujeitai-vos a vosso marido” (Ef 5.22) e “estai sujeitas a vosso próprio marido” (Cl 3.18). Assim, submeter-se à liderança do marido é mais que uma opinião de um pastor ou da igreja, é um mandamento bíblico.
O fundamento
Por que a mulher deve se sujeitar ao seu marido? Paulo explica que “o marido é a cabeça da mulher” e, ao que parece, na mente de Paulo, este é o propósito na criação divina. Vejamos:
Ordem na criação. Na ordem da criação divina, o homem foi criado primeiro que a mulher (1Tm 2.13);
A forma como cada um foi feito. A mulher foi tirada do homem e não o homem da mulher (1Co 11.8; Gn 2.21-22);
O nome “varão” e “varoa”. Podemos perceber uma ideia de autoridade masculina na criação através do nome “varão” e “varoa”, embora isso não esteja nos escritos paulinos. O termo hebraico “Ishá” (varoa) deriva do termo hebraico “Ish” (varão).
A sujeição da mulher ao marido é comparada à sujeição da Igreja a Cristo
porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja” (Ef 5.23)
Nenhuma instituição se sustenta sem uma liderança. Assim como a cabeça da igreja é Cristo, a cabeça da mulher é o marido. Werner Boor diz algo interessante a respeito disso:
Embora em um navio haja dois oficiais da marinha de igual capacidade e escalão – somente um deles pode ser “capitão”! Homem e mulher em casa – alguém precisa se submeter.
Na mesma esteira, William Hendrix diz que
Um lar sem cabeça é um convite ao caos. A desordem e desastre de que é causador [de um lar sem liderança] é muito pior do que quando uma nação está sem governo ou quando um exército está sem comando
Diante do exposto, reitero que o marido é o líder do seu lar, mas um líder nos moldes de Cristo, ou seja, um líder que se interessa pelo bem da sua esposa.
A razão da submissão
A razão da submissão é clara em Colossenses 3.18: “como convém no Senhor.” O que Paulo está dizendo é que submeter-se ao marido é um testemunho para o mundo de uma mulher que obedece ao Senhor. Poderíamos parafrasear: “Mulheres, sujeitem-se aos maridos de vocês como é próprio das mulheres cristãs que pertencem ao Senhor.”
A natureza da liderança masculina
De tudo o que foi dito, fica evidente que Deus criou homens e mulheres com naturezas diferentes. Homens naturalmente lideram e assim deve ser, pois foi estabelecido pelo Criador. Contudo, essa liderança jamais deve ser exercida de modo autoritário ou insensível.
O que não é submissão feminina?
Ser submissa não implica inferioridade. Ao escrever aos Gálatas, Paulo, que muitas vezes é taxado de machista, coloca a mulher em pé de igualdade aos homens. Ele explica que diante de Deus não há grego ou judeu, escravo ou livre, homem ou mulher porque nós todos somos um em Cristo (Gl 3.28). Além disso, o cristianismo mostra Jesus fazendo algumas de suas mais surpreendentes revelações a mulheres (Jo 4.13,14,21–26; 11.25,26; 20.11–18).
Ser submissa não implica submissão absoluta. Se um marido pedir a sua esposa para fazer alguma coisa que na sua consciência (iluminada pelas Escrituras) sabe ser errada, ela tem o direito e o dever de desobedecer a seu marido (At 5.29).

1.3 - Aplicação

Cultive uma atitude de respeito. A submissão da mulher é também vista no contexto paulino como uma atitude de respeito (Ef 5.33). Portanto, não chame a atenção do marido rispidamente; e nunca em público ou perto dos filhos.
Participe das decisões de maneira sábia. Submeter-se não é omitir-se; a esposa sábia compartilha suas opiniões.
Testemunhe com atitudes. Como vimos, submeter-se é testemunhar de Cristo. Dê bom testemunho, principalmente aos seus vizinhos.
Exerça submissão somente “no Senhor”. Submissão não é obediência cega. Se o marido propõe algo que contraria as Escrituras ou a consciência cristã, é correto resistir gentilmente, colocando Deus sempre em primeiro lugar.

II - Dever de Amar

Tito 2.4 RC95
4 para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos,

2.1 Explicação

Este texto é uma instrução para as mulheres idosas ensinarem as mais novas muitas coisas, entre as quais está a de amarem seus maridos. Não é meu propósito aprofundar este tema, mas destaco que cabe às mais maduras instruírem as mais jovens. Muitos problemas seriam evitados se isso fosse praticado mais frequentemente.
O amor no contexto bíblico é mais que sentimento, é um mandamento. Amar não é opcional nem ao crente em geral, quanto mais entre cônjuges. Um dos deveres da esposa é o amor. Aqui, contudo, não é o amor sacrificial (αγαπη = ágape), mas sim o termo grego “φιλανδρος” (philandros), um adjetivo derivado de “φιλος” (philos) = “amigo, amado, amante” mais “ανερ” (aner) = “homem, marido”. Portanto, há uma associação com outro termo grego “φιλεω” (phileo) = “amor”; utilizado entre cônjuges, pais e filhos, amigos, etc.No Novo Testamento, sempre que o marido é instruído a amar a esposa, usa-se“αγαπαω” (agapao), o amor-sacrifício; já a esposa deve cultivar o amor-amizade. Curiosamente, este é o único lugar no NT ensinando a mulher a amar o marido, enquanto ao homem tal dever é reiterado várias vezes (Ef 5.25,28,33; Cl 3.19).

2.2 - Aplicação

Valorize e nutra a amizade no casamento. O termo grego “philandros” enfatiza o aspecto relacional, de proximidade e amizade entre a esposa e o marido. Assim, a mulher cristã é chamada a cultivar não apenas o respeito ou a formalidade, mas uma relação sincera de amizade, companheirismo e carinho pelo esposo. Este amor se expressa no interesse genuíno pelo bem-estar do outro, na partilha de alegrias e lutas, no diálogo aberto e confiante, e na celebração do tempo à dois.
Reconheça que o casamento cristão é construído na reciprocidade do amor. Embora o marido seja chamado ao amor sacrificial (agapao), o amor da esposa mantém aspectos essenciais de cumplicidade, alegria compartilhada, lealdade e afeição. O equilíbrio entre o amor-amizade da esposa e o amor-sacrifício do marido simula a dinâmica do relacionamento de Cristo e a igreja, promovendo um casamento saudável e íntegro.

III - Dever de Fidelidade e Pureza

3.1 - Dever de fidelidade

Provérbios 31.10–11 RC95
10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubins. 11 O coração do seu marido está nela confiado, e a ela nenhuma fazenda faltará.
A mulher de Provérbios trinta e um é admirável em vários sentidos, entre eles a fidelidade. Veja que o sábio diz que “o coração do seu marido está nela confiado”.

3.2 - Aplicações

Viva com transparência e integridade no relacionamento. O texto realça uma confiança plena: “O coração do seu marido está nela confiado.” Isso implica viver de modo que não haja segredos nocivos nem áreas escondidas. Transparência nas ações, nas decisões, nas conversas e até no uso do tempo demonstra respeito, evita desconfianças, fortalece o vínculo conjugal e honra a Deus.
Cultive hábitos que preservem a confiança mútua. A fidelidade não se limita à ausência de traição sexual; significa também honrar a confiança do marido em todos os aspectos da vida — financeiro, emocional, familiar e espiritual. Busque agir de modo coerente com os valores do casamento, cumprindo promessas, evitando mentiras e protegendo a reputação do esposo.
Fuja de situações que possam gerar suspeita ou tentação. Ser fiel é também ser prudente ao evitar amizades, conversas, interações virtuais ou presenciais que possam abrir brechas para dúvida, tentação ou interpretações negativas. Isso inclui zelo nas redes sociais, na comunicação com pessoas do sexo oposto e no cuidado com ambientes e escolhas que possam expor o casamento a riscos desnecessários.
Não exponha ou denigra a imagem do seu marido com terceiros. Falar mal do marido na igreja, com amigas ou nas redes sociais, compartilhando detalhes íntimos, defeitos ou insatisfações do relacionamento, desonra o marido e fere a lealdade, minando o respeito e a confiança necessários à intimidade conjugal.

3.3 - Dever de Pureza

1Pedro 3.1–2 RC95
1 Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra, 2 considerando a vossa vida casta, em temor.
Pedro orienta a pureza, honestidade e submissão como forma de ganhar até maridos descrentes. “Vida casta” é vida pura e honesta.

3.4 - Aplicações

Fuja com sabedoria dos ambientes, conversas e conteúdos impróprios. Pureza envolve escolhas conscientes sobre amizades, rodas de conversa, redes sociais e consumo de mídia. Evite se expor ou expor seu lar a conteúdos eróticos, conversas de duplo sentido, séries ou músicas que banalizem a moral cristã e possam influenciar negativamente os pensamentos e atitudes.
Seja honesta e ética em pequenas e grandes atitudes. Pureza também concerne não enganar, não mentir, não agir com malícia ou esconder erros do marido ou da família. Isso inclui transparência em finanças, compromissos e decisões cotidianas. Omitir dívidas ou compras do marido, mentir sobre motivo de ausências (“é só um detalhe bobo...”), ou manipular situações para obter vantagens são deslizes de pureza e desonestidade.
Preserve recato e respeito na forma de se vestir e se apresentar. A pureza da vida cristã se expressa também na maneira como a esposa se veste e se porta, evitando roupas sensuais, posturas ou gestos provocativos que possam causar escândalo ou tentação (especialmente em ambientes de comunhão cristã).

IV - Dever de Construir e Encorajar

4.1 - Dever de Construir

Provérbios 14.1 RC95
1 Toda mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola derriba-a com as suas mãos.
Em nenhum lugar na Bíblia está escrito que cabe ao homem edificar o seu lar. A ideia de “edificar” é “construir”. Assim, cabe à mulher a construção do seu lar.

4.2 - Aplicações

Construa o lar com sabedoria. Edificar o lar não é obra do acaso, mas resultado de decisões diárias, atitudes maduras e dependência de Deus. A mulher sábia busca entendimento, investe em conhecimento bíblico e emocional, e utiliza a sua influência para trazer equilíbrio, amor e direcionamento à família.
Crie um ambiente de paz, acolhimento e unidade. O lar deve ser refúgio. Isso implica cultivar diálogo respeitoso, ouvir os membros da família, evitar gritos, sarcasmo ou hostilidade, e promover reconciliação após desentendimentos. Uma casa edificada é marcada por atmosfera de respeito e segurança emocional.
Evite reclamações desnecessárias. Algumas mulheres reclamam com o marido de tudo quando ele chega do trabalho — acabou o gás; os meninos fizeram isso e aquilo outro; tem trocar a lâmpada queimada, etc. Espere ele se acalmar um pouco, depois fale.

4.3 - Dever de Encorajar

Provérbios 31.12 RC95
12 Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida.
Além de construir o seu lar, edificando-o na submissão, no amor e no respeito, a mulher também tem o dever de encorajar o seu marido. Ora, se ele é o líder do lar, a mulher é a “coach” da casa, no sentido daquela que lhe fornece ajuda para elevar a sua autoestima.

4.4 - Aplicações

Pratique elogios sinceros e reconheça os esforços do marido. A mulher virtuosa “lhe faz bem e não mal”, ou seja, ela destaca o que o marido faz certo, elogia suas conquistas, demonstra gratidão pelas atitudes, mesmo as pequenas. Palavras de afirmação funcionam como combustível para a liderança e a coragem do marido nas lutas do dia a dia.
Ajude o seu marido a enxergar a vida pelo lado positivo. Há pessoas que são negativas e acabam paradas no tempo, porque pensam que tudo quanto vão fazer não irá dar certo. Assim, mulheres, animem os seus maridos. Eles precisam tomar decisões que poderão mudar a vida de todas vocês. Só diminuí-lo dizendo “não vai dar certo!” não ajuda na construção de um lar.
Cuidado com as brincadeiras que ridicularizam. Às vezes, podemos diante de nossos amigos em comum humilharmos o outro, ainda que sem essa intenção. Então, cuidado com as brincadeiras, pois elas podem diminuí-lo.

V - Dever da Comunicação Respeitosa

Provérbios 31.26 RC95
26 Abre a boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua.
Provérbios 25.24 RC95
24 Melhor é morar num canto de umas águas-furtadas do que com a mulher rixosa numa casa ampla.
Provérbios 27.15–16 RC95
15 O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa, um e outro são semelhantes. 16 Aquele que a contivesse, conteria o vento; e a sua destra acomete o óleo.
O que estes textos têm em comum? O dever de haver comunicação respeitosa entre o casal. O texto de Pv 31.26 diz que a mulher virtuosa abre a boca com sabedoria e tudo o que ela fala são coisas boas. Pelo contrário, Pv 25.24 diz que é melhor morar “num canto de umas águas-furtadas do que com a mulher rixosa numa casa ampla”, pois, para o marido vale mais ter paz que ter luxo. Por fim, o texto de Pv 27.15-116 explica que conter uma mulher briguenta é como tentar conter o vento ou tentar segurar o óleo com as mãos — é impossível.

5.1 - Aplicações

Evite murmuração, discussões constantes e vozes elevadas. Provérbios 25.24 e 27.15–16 condenam a mulher rixosa, comparando a briga constante ao gotejar incômodo. O tom de voz, a insistência e a queixa contínua drenam a paz do lar e tornam a convivência pesada.
Pratique o ouvir ativamente antes de responder. A comunicação respeitosa pressupõe escutar sem interromper, buscando entender o ponto de vista do cônjuge. Muitas rupturas se iniciam pela falta de escuta verdadeira.
Repreenda e corrija em particular, nunca em público. A sabedoria bíblica orienta reservar correção para momentos privados, preservando a honra do marido e fortalecendo a confiança no relacionamento.
Não use o silêncio como arma. A comunicação respeitosa exige disposição para dialogar. O silêncio hostil (deixar de falar para punir ou manipular) é destrutivo e anti-bíblico.

VI - O Dever de Cuidado com o Lar

Provérbios 31.27 RC95
27 Olha pelo governo de sua casa e não come o pão da preguiça.
A mulher virtuosa cuida ativamente do lar, zela pelo bom andamento do ambiente doméstico e foge da preguiça ou da negligência.

6.1 - Aplicações

Zelar pela ordem, limpeza e organização como prioridade. A mulher virtuosa “olha pelo governo de sua casa”, priorizando o ambiente limpo, acolhedor e funcional, onde cada membro se sinta cuidado. Desordem e sujeira constantes sinalizam negligência, não só do espaço físico, mas das pessoas. A mulher não deve priorizar a igreja em detrimento da sua casa.
Administrar bem o tempo e as tarefas do lar. Cuidar do lar demanda disciplina: planejar refeições, mediar horários dos filhos, coordenar compras, pequenas manutenções e finanças. A gestão do lar não deve ser negligenciada em nome de compromissos externos.
Envolver os filhos e marido no cuidado com o lar. O cuidado doméstico é uma lição de mordomia para toda a família. Ensinar filhos a guardar brinquedos, dobrar roupas ou ajudar a arrumar a mesa é parte do discipulado prático, e não deve ser visto como escravidão ou apenas “coisa de mulher”.
Não permitir que a preguiça e a passividade ditem o ritmo do lar. A preguiça é combatida com ação planejada, metas simples e constância. Pequenos hábitos diários evitam acúmulo de tarefas e ajudam a manter o lar sob controle.

VII - O Dever Sexual

1Coríntios 7.3 RC95
3 O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido.
O apóstolo Paulo, ao tratar do casamento na igreja de Corinto, ensina que o relacionamento sexual no casamento é um dever mútuo. A palavra “benevolência” (ou “coabitação”, “dever conjugal”) refere-se à obrigação de ambos — marido e esposa — atentarem às necessidades íntimas um do outro com amor, respeito e generosidade. A vida sexual não pertence só ao indivíduo (v.4), mas é parte da aliança, cuidado e entrega recíproca.
Diante disso, o dever sexual da esposa não é um fardo, mas uma expressão de amor, comprometimento e serviço ao seu marido, assim como é para o marido em relação à esposa.

7.1 - Aplicações

Reconheça a sexualidade como dom de Deus dentro do casamento. A Bíblia ensina que o sexo é também para o deleite do casal (Pv 5.18). Assim, a sexualidade conjugal deve ser celebrada, não vista como tabu ou apenas um “dever penoso”. A intimidade no matrimônio é bênção divina, instrumento de unidade, consolo, proteção e prazer mútuo.
Pratique disponibilidade e generosidade, evitando recusa habitual. Paulo afirma que a mulher não deve recusar-se frequentemente ao marido, a não ser por mútuo acordo e por tempo determinado (1Co 7.5). Apesar disso, muitas vezes um dos cônjuges nega o próprio corpo como forma de manipulação, punição ou demonstração de rancor, o que não condiz com o amor cristão.
Dialoguem abertamente sobre expectativas e necessidades íntimas. Conversar respeitosamente sobre desejos, gostos, dificuldades ou desconfortos é fundamental para crescer em intimidade saudável. A vergonha de dialogar sobre sexo pode criar barreiras, distanciamento e mitos prejudiciais ao vínculo conjugal.
Cuidado com o uso de desculpas recorrentes. Claro que há situações legítimas em que o relacionamento sexual pode ser adiado (doença, exaustão extrema, questões emocionais). Porém, o hábito de dar desculpas constantes — sem buscar solução real — pode gerar mágoa, ressentimento e esfriamento conjugal.
Busque cura para feridas e traumas. Caso haja traumas passados, histórico de abuso ou bloqueios emocionais, buscar ajuda pastoral, aconselhamento e tratamento é atitude madura, visando a saúde e o crescimento do relacionamento íntimo.

Conclusão

A Palavra de Deus oferece um retrato profundo e equilibrado dos deveres e privilégios da esposa cristã. Longe de reduzir ou submeter a mulher a um papel menor, a Bíblia exalta seu valor, sua influência e sua importância na edificação do lar e na glorificação do Senhor Jesus Cristo. À luz das Escrituras, vemos que submissão, amor, fidelidade, pureza, edificação, encorajamento, comunicação respeitosa, zelo pelo lar e vida sexual saudável não são apenas mandamentos isolados, mas manifestam o caráter de Cristo no ambiente mais precioso: a família. Que cada esposa se reconheça como instrumento de Deus, dedicada a construir um lar sólido, um testemunho vivo e uma bênção perpétua à sua família e à igreja. Que Deus nos conceda graça para vivermos esse modelo, debaixo do amor e da sabedoria do alto, para Sua glória, hoje e sempre.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.