O DOLOROSO PREÇO DA DESOBEDIÊNCIA (Parte 1)1 Samuel 13

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Grande ideia: Quando o homem ou a mulher se afasta de Deus, está assumindo sozinho todos os custos de sua desobediência.
Estrutura: um ambiente nada favorável para Saul e o povo de Deus (vv. 1-7), Saul toma a decisão errada: ele não gostava de seguir regras (vv. 8-23).
A escolha de Saul como rei é difícil de entender. Como Deus podia escolher para ser rei alguém que estava predestinado ao fracasso? O seu chamado é tão incompreensível para a mente humana quanto o de Judas Iscariotes.
Veremos o caminho de “descida” e como Saul cruzou o “ponto de não retorno” (1 Sm 13-29). Veremos como, a partir de algumas decisões tomadas, Saul entrou em uma espiral destrutiva que levou à sua rejeição como instrumento de Deus e a passos cada vez mais distantes do coração de Deus. Medo. Inveja. Homicídio. Falso juramento. Profanação do sagrado. Necromancia. Suicídio.
Reproduzo abaixo um trecho da autobiografia de Charles Spurgeon. Ele comenta sobre um homem que durante toda a sua vida zombou do cristianismo e de Spurgeon, frequentemente chamando-o de hipócrita. Em seu leito de morte, esse homem pediu a Spurgeon que fosse visita-lo. Acompanhe o comentário de Spurgeon: Ele tinha, quando saudável, recusado a Cristo de forma perversa, embora no leito de morte, ele tenha me chamado supersticiosamente. Muito tarde, ele suspirou pelo ministério da reconciliação, e solicitou passar por uma porta fechada, mas não foi capaz. Não havia espaço para arrependimento, porque ele havia desperdiçado as oportunidades que Deus concedeu por muito tempo a ele” (Charles Spurgeon – Autobiography)
Oséias 8.4 NAA
“Eles estabeleceram reis, mas não da minha parte; constituíram príncipes, mas eu não o soube. Com a sua prata e com o seu ouro fizeram ídolos para si, para a sua própria destruição.
Atos dos Apóstolos 13.21 NAA
Então eles pediram um rei, e Deus lhes deu Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, e isto durante quarenta anos.
1Samuel 14.47–48 NAA
Quando assumiu o reinado de Israel, Saul lutou contra todos os seus inimigos ao redor: contra Moabe, os filhos de Amom e Edom; contra os reis de Zobá e os filisteus; e, para onde quer que se voltava, era vitorioso. Lutou com coragem, derrotando os amalequitas e libertando Israel das mãos dos que o saqueavam.
Ambiente nada favorável. (vv. 1-7)
Durante todo o reinado de Saul (40 anos) o povo de Israel esteve às voltas com conflitos com os filisteus.
v.1 – O texto hebraico aqui é problemático: muitos manuscritos antigos estão corrompidos, resultando em dificuldades para traduzir a idade e o tempo do reinado de Saul. Algumas versões dizem “Saul tinha [x] anos quando começou a reinar e reinou dois anos”. A Septuaginta omite esse versículo.
1Samuel 13.1 (NVI)
1Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou sobre Israel quarenta e dois anos.
1Samuel 14.52 NAA
Durante todo o reinado de Saul, houve forte guerra contra os filisteus. Por isso, sempre que via um homem forte e valente, Saul o agregava a si.
Temos aqui um lugar que sempre foi protagonista na história de Israel: Gilgal.
Gilgal é um nome que se refere a vários locais importantes mencionados no Antigo Testamento. O Gilgal mais conhecido e significativo estava localizado entre Jericó e o rio Jordão, servindo como o primeiro acampamento dos israelitas após cruzarem o Jordão. Este local tornou-se uma base importante para Josué durante a conquista de Canaã e, posteriormente, um centro político, religioso e militar relevante, especialmente para a tribo de Benjamim. Gilgal foi palco de eventos cruciais na história de Israel, incluindo a circuncisão da geração mais jovem, a primeira celebração nacional da Páscoa na Terra Prometida, e a cessação do maná. Durante o período de Samuel e Saul, Gilgal ganhou ainda mais proeminência como um centro religioso, sendo o local da confirmação de Saul como rei e, mais tarde, de sua rejeição. Embora a localização exata deste Gilgal permaneça incerta, alguns estudiosos sugerem possíveis sítios arqueológicos nas proximidades de Jericó. Além deste, outros locais chamados Gilgal são mencionados na Bíblia, incluindo um na região montanhosa ao sul de Samaria, associado às histórias de Elias e Eliseu.
O quadro que temos aqui é desolador:
1Samuel 13.5 (NVI)
5Os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, com três mil carros de guerra, seis mil condutores de carros e tantos soldados quanto a areia da praia. Eles foram a Micmás, a leste de Bete-Áven e lá acamparam.
1Samuel 13.6–7 NAA
Quando os homens de Israel viram que estavam em apuros (porque o povo estava angustiado), se esconderam em cavernas e em buracos, entre rochas, em túmulos e cisternas. Também alguns dos hebreus passaram o Jordão e foram para a terra de Gade e Gileade. E o povo que permaneceu com Saul, estando este ainda em Gilgal, se encheu de temor.
Isaías 42.21–22 NAA
Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e torná-la gloriosa. Mas este é um povo roubado e saqueado. Todos estão trancados em cavernas e escondidos em cárceres; foram feitos prisioneiros, e não há ninguém que os livre; foram levados como despojo, e ninguém diz: “Devolva!”
2. O custo de uma decisão errada. (vv. 8-23)
Samuel determinou um prazo para se encontrar com Saul (7 dias). E o ansioso Saul não sabia esperar.
1Samuel 10.8 NAA
Vá na minha frente para Gilgal. Eis que eu descerei para junto de você, a fim de oferecer holocaustos e apresentar ofertas pacíficas. Espere sete dias, até que eu venha para junto de você e diga o que você deve fazer.
Que equívoco! Saul agindo como Saul.
v.9 – A palavra usada para “oferecer” (וַיַּעַל, vayya‘al) indica uma ação intencional de subir ou apresentar uma oferta, apontando que Saul não apenas tomou iniciativa, mas se colocou no lugar do sacerdote.
Isso nos lembra de um outro episódio, envolvendo Saul e Davi.
1Samuel 18.9–11 NAA
Daquele dia em diante, Saul não via Davi com bons olhos. No dia seguinte, um espírito mau, vindo da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em sua casa. Davi, como nos outros dias, dedilhava a harpa. Saul, porém, tinha na mão uma lança, que ele atirou, pensando assim: — Encravarei Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes.
Gene Edwards:
O monarca insano percebeu que Davi era uma ameaça ao seu reinado. O rei, ao que parece, não percebia que era a Deus que se devia deixar a decisão acerca de quais eram os reinos que haveriam de sobreviver a que ameaças. Ignorando isso, Saul fez o que todos os reis loucos fazem. Os reis arrogam a si o direito de atirar lanças. Todo mundo sabe muito bem disso. Mas como sabem? Porque o rei lhes disse muitas, muitas vezes.
Será possível que esse rei louco fosse o verdadeiro rei, o ungido do Senhor?
É o rei do leitor? É ele o ungido do Senhor? Talvez seja. Talvez não. Só Deus sabe.
Se o seu rei é verdadeiramente ungido do Senhor, e se ele também arremessa lanças, então há algumas coisas que você pode saber, e saber com segurança: O seu rei está completamente louco. É um rei segundo a ordem de Saul.
Samuel repreende a Saul por sua precipitação. E sua resposta me parece ser evasiva e mentirosa.
1Samuel 13.11–12 NAA
Samuel perguntou: — O que foi que você fez? Saul respondeu: — Vendo que o povo ia se espalhando daqui, e que você não vinha no prazo combinado, e que os filisteus já tinham se ajuntado em Micmás, eu disse comigo: “Agora os filisteus virão contra mim em Gilgal, e ainda não busquei a face do Senhor.” Assim, forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos.
v.13 – Samuel diz: “Agiste loucamente” (נִסְכַּלְתָּ, niskalta) – termo que significa insensatez moral, não apenas erro estratégico.
Joyce Baldwin:
Saul condena a si mesmo com sua resposta à pergunta de Samuel. É verdade que ele estava num dilema para o qual não conseguia enxergar uma saída, de maneira que resolveu o assunto de seu jeito e, ironicamente, diz que ainda não havia obtido a benevolência do Senhor; claro, ele poderia tê-lo feito particularmente, como Ana fizera, sem se intrometer nas prerrogativas de Samuel. Sem dúvida, teria encontrado alívio para sua ansiedade e crescimento na fé, mas para ele o ritual correto era importante.
Hebreus 6.12 NAA
para que não se tornem preguiçosos, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.
O problema de Saul (e de tantos outros) é que não se pode fazer “jeitinho” com as ordens de Deus. Mandamento de Deus se obedece, e ponto final.
Salmo 14.1 NAA
Diz o insensato no seu coração: “Não há Deus.” São corruptos e praticam abominação; já não há quem faça o bem.
Deus já tinha buscado “para si um homem segundo o seu coração”, era o que o rei que estava por vir: Davi.
v.14 – Deus busca “um homem segundo o Seu coração” (אִישׁ כִּלְבָבוֹ, ish kilvavo) – expressão que não significa um homem perfeito, mas alguém alinhado à vontade de Deus.
Atos dos Apóstolos 13.22 NAA
E, tendo tirado Saul, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade.”
1Reis 15.5 NAA
Porque Davi fez o que era reto aos olhos do Senhor e não se desviou em nada daquilo que o Senhor lhe havia ordenado, em todos os dias da sua vida, a não ser no caso de Urias, o heteu.
Joyce Baldwin:
O que Samuel está lutando para deixar claro de uma vez por todas é a diferença essencial entre a monarquia de Israel e a das nações. Em Israel, o Senhor é rei, e a obediência a Ele deve ser suprema. Consequentemente, qualquer sinal de desejo de independência para agir torna-se uma desqualificação: equivale à rebelião contra o Senhor. O Senhor já havia escolhido o sucessor de Saul; seria “um homem segundo o seu coração” (IBB; um homem que lhe agrada, ARA), preparado para deixar que a vontade do Senhor, exposta por Seu profeta, dirija sua vida.
1Samuel 15.28–29 NAA
Então Samuel lhe disse: — Hoje o Senhor rasgou das suas mãos o reino de Israel e o deu a alguém que é melhor do que você. Também a Glória de Israel não mente, nem muda de ideia, porque não é homem, para que mude de ideia.
Jesus, “filho de Davi”: 15 ocorrências.
Mateus 1.1 NAA
Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
Mateus 9.27 NAA
Saindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: — Tenha compaixão de nós, Filho de Davi!
Mateus 15.22 NAA
E eis que uma mulher cananeia, que tinha vindo daqueles lados, clamava: — Senhor, Filho de Davi, tenha compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoniada.
Mateus 21.9 NAA
E as multidões, tanto as que iam adiante dele como as que o seguiam, clamavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!”
Saul não se apercebeu da seriedade dessa fala de Samuel. A obstinação do coração deixa os homens endurecidos como pedras (“dureza de coração”).
Hebreus 12.15 NAA
Cuidem para que ninguém fique afastado da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, cause perturbação, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.
A Superioridade de Cristo: Para Quem Está Preso em Coisas Menores Um Caminho a Evitar: Maldade, Incredulidade e Afastamento

Um coração mau é um coração descrente. Temos de guerrear contra a nossa descrença. A falta de fé é um leão selvagem que precisa ficar dentro de uma jaula. A descrença é um inimigo, um intruso, um invasor, e não um colega que chamamos para nos visitar. Quando a descrença surge, a guerra a ser travada contra ela não deve ser feita de forma solitária, é preciso da ajuda dos irmãos e de respostas intelectuais à fé.

O autor de Hebreus diz, ainda, que devemos evitar nos afastarmos do Deus vivo, para que nenhum de nós venha a ter um coração mau, descrente e que se afaste dele. O coração incrédulo, endurecido e que está negociando com a maldade é o que mais necessita da presença do Senhor. Essa é a hora em que você mais deve correr para Deus. É momento de orar, se humilhar e contar para o Senhor toda a sua miséria.

Os versos 15 a 23 são uma “ponte” para entendermos o que vai acontecer no capítulo 14, quando Jonatas com fé em Deus, consegue vitória contra os filisteus.
1Samuel 14.6 NAA
Jônatas disse ao seu escudeiro: — Venha, vamos até a guarnição desses incircuncisos. Talvez o Senhor nos ajude, porque nada pode impedir o Senhor de livrar, seja com muitos ou com poucos.
1Samuel 14.23 NAA
Assim o Senhor livrou Israel naquele dia. E a batalha passou além de Bete-Áven.
3. Outras aplicações:
(a) Há batalhas que travamos em nossa vida que não estão debaixo do favor do Senhor: nessas, a derrota é sempre certa. Temos de aprender a lutar do lado de Deus.
✅ No Antigo Testamento, as vitórias de Israel eram vistas como um sinal direto da bênção de Deus — por exemplo, Davi vencendo Golias (1 Samuel 17), as campanhas de Josué (Josué 8–10), e as vitórias de Gideão e outros juízes (Juízes 7). Essas vitórias não eram apenas militares, mas espirituais, mostrando que Deus lutava por seu povo (cf. Êxodo 15.3; 2 Crônicas 13.12; Salmo 24.8).
Êxodo 15.3 NAA
O Senhor é homem de guerra; Senhor é o seu nome.
2Crônicas 13.12 NAA
Eis que Deus está conosco, à nossa frente, e também os seus sacerdotes, tocando com as trombetas, para darem o grito de guerra contra vocês, ó filhos de Israel. Não lutem contra o Senhor, o Deus de seus pais, porque vocês não serão bem-sucedidos.
Salmo 24.8 NAA
Quem é o Rei da glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas.
(b) A precipitação faz com que os valores se curvem diante das necessidades. É claro que queremos satisfação imediata. Mas a pergunta é: “é isso que Deus quer?”.
1Samuel 15.22–23 NAA
Porém Samuel disse: — Será que o Senhor tem mais prazer em holocaustos e sacrifícios do que no obedecer à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o ouvir é melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e o culto a ídolos do lar. Por você ter rejeitado a palavra do Senhor, também ele o rejeitou como rei.
Nós precisamos de um rei:
...que não somente nos resgatará de nossos inimigos, mas também de nós mesmos.
… que pode tomar nosso pecado e nos libertar de nossa escravidão aos desejos pecaminosos.
… que obedeça a Deus em todas as circunstâncias, até mesmo quando posto sob a pressão de circunstâncias desfavoráveis.
John Woodhouse: O homem segundo o coração de Deus: “significa o lugar que o homem tem no coração de Deus e não o lugar que Deus tem no coração do homem”.
Ilustr.:
Esse capítulo é um retrato poderoso sobre como a desobediência por medo ou impaciência pode custar caro, mesmo quando a intenção parece boa.
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