Devocional em 2Coríntios 8.15 - Um povo rico e generoso
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Texto base
Texto base
Como dizem as Escrituras:
“Para aqueles que muito recolheram
nada sobrou,
e para aqueles que pouco recolheram
nada faltou”.
Introdução
Introdução
Irmãos, quando falamos sobre riqueza, logo surgem algumas pessoas como referências em nossas mentes e talvez surjam até comparações entre as quantidade de dígitos nas contas bancárias dessas pessoas. Na verdade, a nossa percepção de riqueza parece estar muito associada ao ajuntar, ao acumular; parece tratar-se de uma constante perseguição por mais dígitos em nossa conta bancária ou mais cédulas em nosso colchão (se é que ainda há os que preferem isso).
Em suma, essa é uma visão distorcida acerca da verdadeira riqueza, distorcida pela obssessão em acumular. Mas por que trata-se de uma visão distorcida? Porque verdadeira riqueza está muito mais associada ao gozo, ao usufruto daquilo que o dinheiro pode proporcionar do que efetivamente sobre o acumulo de dinheiro. Tire o gozo do dinheiro e tudo se torna um podre refugo. Pense por exemplo em dois exemplos, um hipotético e outro bíblico:
Imagine que você possui a conta bancária do homem mais rico do mundo, mas, por algum motivo, você foi parar em uma ilha deserta ou no meio de uma floresta. Você acumulou o dinheiro e perdeu o gozo; dessa forma, tornou-se tão pobre quanto o mais pobre dentre os homens.
Veja o exemplo do rico insensato, ele acumulou bens desenfreadamente, mas por fim, foi tirado dele o gozo, de modo que tornou-se tão pobre quanto qualquer outro:
Em seguida, disse: “Cuidado! Guardem-se de todo tipo de ganância. A vida de uma pessoa não é definida pela quantidade de seus bens”.
Então lhes contou uma parábola: “Um homem rico tinha uma propriedade fértil que produziu boas colheitas. Pensou consigo: ‘O que devo fazer? Não tenho espaço para toda a minha colheita’. Por fim, disse: ‘Já sei! Vou derrubar os celeiros e construir outros maiores. Assim terei espaço suficiente para todo o meu trigo e meus outros bens. Então direi a mim mesmo: Amigo, você guardou o suficiente para muitos anos. Agora descanse! Coma, beba e alegre-se!’.
“Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Você morrerá esta noite. E, então, quem ficará com o fruto do seu trabalho?’.
“Sim, é loucura acumular riquezas terrenas e não ser rico para com Deus”.
No final das contas, o dinheiro não é riqueza, mas uma forma de medir aquilo que poderemos gozar nessa vida. Tire o gozo dessa equação e você não tem riqueza, tem apenas um amontoado de dígitos ou cédulas sem propósito. Então, a verdadeira riqueza não trata-se de amontoar as dádivas divinas, mas de gozar delas de forma grata e alegre.
O pano de fundo do nosso texto devocional é o evento que Deus abençoa o povo de Israel com o maná do céu:
Então o Senhor disse a Moisés: “Vejam, farei chover comida do céu para vocês. Diariamente o povo sairá e recolherá a quantidade de alimento que precisar para aquele dia. Com isso, eu os provarei para ver se seguirão ou não minhas instruções. No sexto dia, quando recolherem o alimento e o prepararem, haverá o dobro do normal”.
Deus estava abençoando o seu povo com riqueza, como quem diz: “todo dia, sim, todo dia vocês não precisarão se preocupar com alimento, ele está garantido, só gozem dessa riqueza com a qual estou abençoando vocês”. Entretanto, ainda assim, o povo perdeu a percepção do gozo e se direcionou para o acúmulo; mesmo recebendo a instrução de que não deveriam acumular e tendo a certeza de que todos os dias teriam aquilo necessário para gozar alegremente da dádiva divina, optaram pelo acúmulo sem propósito (sem propósito porque, já possuíam o maná indiscriminadamente garantido todos os dias):
Moisés lhes disse: “Não guardem coisa alguma para o dia seguinte”. Alguns deles, porém, não deram ouvidos e guardaram um pouco de alimento até a manhã seguinte. A essa altura, a comida estava cheia de vermes e cheirava muito mal. Moisés ficou furioso com eles.
A riqueza é uma dádiva boa, mas perigosa
A riqueza é uma dádiva boa, mas perigosa
A pergunta que podemos fazer é: por que em vão acumular ao invés de gozar daquilo que lhes era garantido?
Bem, para entendermos isso, precisamos ter a certeza de que a riqueza não é ruim, pelo contrário, como já nos referimos a ela, trata-se de uma dádiva, uma benção de Deus. A palavra de Deus nos traz alguns textos que deixam isso muito claro, por exemplo:
“O Senhor lhes dará prosperidade na terra que ele jurou a seus antepassados que daria a vocês, e os abençoará com muitos filhos, rebanhos numerosos e colheitas fartas. No tempo certo, o Senhor enviará chuvas de seu rico tesouro no céu e abençoará todo o trabalho que realizarem. Vocês emprestarão a muitas nações, mas jamais precisarão tomar emprestado delas.
Louvado seja o Senhor!
Como é feliz aquele que teme o Senhor
e tem prazer em obedecer a seus mandamentos!
Seus filhos serão bem-sucedidos em toda a terra;
uma geração inteira de justos será abençoada.
Em sua casa, haverá riqueza e prosperidade,
e suas boas ações permanecerão para sempre.
A riqueza é maravilhosa dádiva de Deus. Podermos usufruir das bençãos de Deus nessa terra é algo que sim, deve alegrar o nosso coração. Por exemplo, termos um bom carro para podermos nos locomover de forma confortável, uma boa casa para descansarmos, realizarmos viagens para conhecermos novos lugares, tudo isso é bom. Entretanto, tudo isso é tão bom que se torna perigoso, afinal, pode tornar-se um rival de Deus.
Quando perdemos a percepção de descansarmos no alegre gozo das dádivas que Deus graciosamente nos dá, direcionamos nossa percepção para o acúmulo sem propósito exatamente porque passamos a descansar nas dádivas ao invés de descansar no Deus das dádivas. Fazer isso é o mesmo que trocar o conforto seguro de uma casa bem alicerçada por uma boia em meio a um mar tempestuoso. Passamos a colocar nossa esperança no acúmulo que facilmente apodrece e se perde, do que no Deus que garante a provisão certa e graciosa de todos os dias.
Por isso, Paulo orienta Timóteo a exortar os irmãos ricos a não colocarem suas esperanças na instável riqueza, que hoje amontoamos e amanhã apodrece, mas no Deus que provê rica e graciosamente para nossa alegria:
Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento;
De fato, a riqueza é perigosa, mas isso não a torna ruim; ao invés disso, por ser tão boa é que ela se torna perigosa quando usufruida por um coração primariamente ingrato, afinal, usufruir das bençãos divinas com um coração primariamente ingrato, como o dos israelitas no deserto, nos conduzirá a usufruir delas de forma desenfreadamente ingrata.
A riqueza é uma dádiva natural e sobrenatural
A riqueza é uma dádiva natural e sobrenatural
Quando olhamos para o nosso texto devocional e para o seu pano de fundo, percebemos que a riqueza não é apenas uma dádiva boa, mas uma dádiva com dupla natureza: natural e sobrenatural. Quando lemos o texto em êxodo, percebemos uma série de relatos naturais que ocorrem até que o maná seja disponibilizado ao povo:
À tarde, subiram codornizes e cobriram o arraial; pela manhã, jazia o orvalho ao redor do arraial. E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra.
Esse evento natural, descrito como uma série de eventos físicos, provavelmente já tivesse sido percebido inclusive por outros povos. Entretanto, o que vemos para com o povo de Deus é o sobrenatural tocando o natural através da graciosa provisão divina. Os meios são naturais, mas a provisão garantida é sobrenatural:
Perceba que os eventos naturais, rigorosamente, não cessam nos seis primeiros dias da semana e sempre cessam no sétimo;
Perceba, também, que no sexto dia eles não recolhem em dobro para garantir o sétimo; eles continuam recolhendo como nos ses primeiros dias, mas, após o preparo, percebem que há o dobro do normal:
No sexto dia, quando recolherem o alimento e o prepararem, haverá o dobro do normal”.
A provisão de Deus sempre supre a sua vontade na vida de seus servos (Êxodo 16.5). Os israelitas não deveriam colher o dobro no sexto dia para garantir o sétimo, mas Deus garante que o preparo renderia os dois dias. Essa parece a festa surpresa que Deus, graciosamente, confere ao seu povo de forma recorrente em sua provisão, o aparente pouco que é recolhido continua sendo suficiente para prover o necessário para o povo de Deus. Por exemplo:
Quando faz com que os cinco pães e dois peixes de um rapaz alimente mais de cinco mil pessoas;
Quando, no contexto do nosso texto devocional, as igrejas da Macedônia, em suas muitas aflições e extrema pobreza, ainda sim, transbordaram em rica generosidade.
A mensagem é que o gozo da dádiva não está relacionado à quantidade que recolhemos ou acumulamos, mas à ação sobrenatural de Deus naquilo que é natural de forma a garantir que o Seu povo goze alegremente pela provisão de tudo o que for necessário.
Quando Deus mostra que a fartura provida ao seu povo tem caráter natural e sobrenatural, Ele está abrindo nossos olhos e direcionando-os do dinheiro que desejamos acumular para todo o gozo que Ele, de forma garantida, nos provê nas coisas ordinárias do nosso dia a dia. Ele está mostrando que o gozo da provisão diária, nas coisas ordinárias, são provenientes da ação miraculosa dEle em nossas vidas; Ele está mostrando que a Sua miraculosa providência não está apenas naquela causa ganha, ou naquele benefício conquistado, ou naquela promoção efetivada, mas em todo o gozo que usufruimos através do sustento diário.
Perdermos a percepção que a riqueza com a qual Deus nos abençoa é oriunda da ação sobrenatural dEle naquilo que é natural em nossas vidas quando nutrimos um coração ingrato para com todo o gozo usufruído debaixo do sol. Isso resulta em progressiva baixa percepção da presença divina em nossas vidas diárias.
A riqueza é uma dádiva com propósito
A riqueza é uma dádiva com propósito
Mas, talvez, a característica mais esquecida e negligenciada da riqueza é que ela é uma dádiva que possui propósito. Mas que propósito é esse? Nos dá o alegre e grato gozo através da provisão do que for necessário para a nossa missão de generosidade. É exatamente esse o propósito que vemos sendo retratado em nosso texto devocional: aqueles a quem Deus confere recolher mais, não o fazem para acumular, mas para gozar da alegria do sustento necessário, enquanto suprem generosamente a necessidade dos que recolhem menos. Por isso:
Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos. Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer.
Aqueles que recolhem mais e não atentam para o propósito disso, para o propósito da riqueza, negam a missão de generosidade que lhes foi proposta por Deus e tentam profanar a promessa de provisão garantida para com os que recolhem menos. Isso só denota um coração primariamente ingrato que caiu mediante o perigo da riqueza e que progride para o acúmulo desenfreado, ao invés do gozo alegre.
Fato é que é impossível ser grato e alegre pela provisão divina se eu não supro as necessidades do meu irmão; mas fato é, também, que se eu não sou grato e alegre pela provisão divina, eu jamais vou desejar compartilhar isso com meu irmão. Somente supre as necessidades aqueles que recebem com gratidão e elegria a provisão divina, independentemente de maior ou menor recolhimento.
Quando entendemos que Deus garante de forma graciosamente natural e sobrenatural o nosso sustento, entendemos que somos um povo rico e que ninguém é eximido da missão de generosidade. Afinal, se eu dou generosamente, isso jamais me faltará porque Deus supre o que for necessário para essa misão e para a nossa provisão.
Um coração ingrato leva sempre a nos reconhecermos como os necessitados a serem ajudados, seja em receber dos outros, seja por nos omitirmos da responsabilidade de doar aos outros. Nos reconhecemos sempre como os que recolhem menos e que não podem contribuir e que, na verdade, precisam ser supridos. Um coração grato transborda em alegria pelas riquezas que Deus provê graciosamente, mesmo que nas aflições e na extrema pobreza, como as igrejas da Macedônia.
Observação, nossa missão é uma missão de generosidade que requer gratidão, não de culpa. Nós não recebemos a missão de nos sentirmos culpados por termos recolhido mais do que outros; isso só nos levaria a doar uma pequena parcela daquilo que recolhemos a mais, visando tornar a culpa suportável, o que ajuda pouco na necessidade dos nossos irmãos. Isso é o que o evangelho da prosperidade trabalha: coagir pela culpa, se você não der, você não vai recolher. Mas quando somos verdadeiramente gratos, nós explodimos em alegria e desejamos doar por generosidade exatamente aquilo que nosso próximo precisa, vivendo assim o verdadeiro evangelho, o evangelho da graça, que proclama a graça recebida e que nos impele a compartilhar as dádivas que pela graça recebemos.
Conclusão
Conclusão
“Ganhe tudo que puder. Guarde tudo que puder. Invista tudo que puder. Dê tudo que puder.” — John Wesley.
Independenmente da sua classe social, não olhe para sua conta bancária, olhe para todo o gozo do sustento que Deus diariamente de dá e te garante por promessa. Somos o verdadeiro povo rico, porque a nossa riqueza é certa e totalmente estável porque está fundamentada, não no instável acúmulo das bençãos, mas na promessa divina de nos dar diariamente tudo aquilo que precisamos.
Não deixe de perceber a ação sobrenatural de Deus em garantir, com rigor e sem falta, a provisão pelos fatos mais ordinários do nosso dia a dia. Ele está presente! Ele é conosco!
Olhe, intencionalmente, para as necessidades dos irmãos e irmãs que compõem o corpo de Cristo, especialmente daqueles que trabalham integralmente na obra do reino de Cristo; certamente estamos na posição dos que recolhem mais aquilo que Deus nos provê sobrenaturalmente pelos nossos trabalhos naturais e eles na posição dos que recolhem menos. Negar a missão de generosidade que nos foi posta é tentar impedir a promessa provedora de Deus para com esses irmãos.
