O Paraíso Perdido

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Gênesis 3.22-24

O que significa o banimento do Éden?

22 Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente.

23 O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado.

24 E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.

O PARAÍSO PERDIDO
Gênesis 3.22-24
                No último sermão, concluímos o capítulo 3 de Gênesis, foram dois sermões e meio abordando esse capítulo. Hoje retomarei o capítulo 3, nos seus três últimos versículos para falar sobre o banimento dos primeiros pais (Adão e Eva) do Jardim, em consequência ao pecado.
O que significa o banimento do Éden?
Acredito que há duas questões que precisamos compreender, e que muitas vezes podem passar despercebidas por nós, que estão relacionadas. A primeira delas é: O que significa o Éden? A segunda questão derivada desta é: O que significou o banimento do Éden?
São essas duas perguntas que buscaremos responder no sermão de hoje. Primeiramente, compreendendo o significado, ou a simbologia em torno do Jardim de Deus, tanto em sua aquisição, quando em sua perda.
Pois vamos ao texto!
22Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. 23O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. 24E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.
A princípio, vou me ater ao versículo 23, em que diz: “...por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado”. Esse é o perfeito contraste daquilo que Deus fez em Gn.2.15 quando disse: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar”. [1]
- Vou destacar exegeticamente os textos para que possamos compreender o que estava acontecendo. Em Gn.2.15, Deus “tomou” Adão e o “colocou no Jardim do Éden para cultivar e guardar”.
- “Tomou” (Lagach) significa segurar, estabelecer. É o mesmo sentido de “casar” ou “tomar por esposa”. A ideia de trazer par a si.
- Para que fim Adão foi estabelecido?
- O texto responde: “para cultivar e guardar”.
- Aqui começa nossa jornada de compreensão do que é o Éden e simbolismo por trás dele.
- Deus estabeleceu o homem para “cultivar” (Abad), significa trabalhar, servir. Essa é raiz da palavra Culto (latreou no grego) que significa “servir, serviço”.
- Onde quero chegar?
- Adão não foi colocado no Jardim, com fins de desempenhar serviço ou trabalho à criação ou a ele mesmo. Ele foi posto para cultivar (cultuar) para Deus, servir a Deus, refletir a imagem de seu criador sobre toda a criação.
- Então, o que é o Éden?
O Éden é como um templo!
- Deixe-me te fazer enxergar isso!
- Somos criaturas de anseios. Quando diagnosticamos mal o objeto desse anseio, ficamos frustrados e decepcionados.
- Com muita frequência nossos anseios por relacionamentos frustram-se em conflito. Nossos anseios por satisfação frustram-se em descontentamento.
Nossos anseios por significância frustram-se por nossas próprias inadequações. Tolkien diagnosticou as raízes de nosso anseio dizendo: “Todos nós ansiamos (pelo Éden) e estamos constantemente tendo vislumbre dele: Toda a nossa natureza em sua forma melhor e menos corrompida, mais gentil, mais humana, ainda está embebida por uma sensação de exílio”.
- Os anseios do nosso coração são frustrados por esse Exílio, mas esses anseios são adequadamente satisfeitos na morada de Deus originalmente situada no Éden.
- A presença de Deus em sua morada sacia nossos anseios por relacionamento, satisfação, significância.
- Deus ao criar o ser humano, pretendia que seus anseios fossem adequadamente satisfeitos no Éden.
- O Éden, portanto, é o lugar que Deus nos fez e nos plantou para si. Aquele é o “Jardim-Templo”.
- Não é a terra, as árvores lindas e belas e boas para comer que dão sentido ao Éden. É a presença de Deus que dá vida e propósito àquilo tudo.
“Nossos corações estão desassossegados até encontrarem seu repouso Nele” (Agostinho)
O que é o Éden?
1 – O Éden é a morada de Deus.
O Éden é apresentado como um santuário e lugar onde Deus mora, conforme visto nos dois primeiros capítulos de Gênesis.
- A menção casual de que Deus “passeava” no Jardim do Éden (Gn.3.8) é rica em conotações que sugerem a presença de Deus no templo.
- Em Levítico 26.11-12 Deus disse: “Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos aborrecerá. 12Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo. [2]
- Em Deuteronômio 23.14 diz: “Porquanto o Senhor, teu Deus, anda no meio do teu acampamento”[3]
- E quando Davi planeja construir um templo em 2 Samuel 7, o Senhor lembra: “Andei perambulando sob uma tenda (o tabernáculo) como minha morada” (2Sm.7.6). De maneira similar, o Senhor está “passeando” no Éden (Gn.3.8) porque o próprio Éden era o templo e morada de Deus.
- Esse não é um entendimento aleatório sobre o Éden. O profeta Ezequiel, chama o Éden de um templo, referindo-se a ele como “jardim de Deus... o monte santo de Deus”, que contém “santuários” (Ez. 28.12-14. 16-18).
- Monte e santuário, são referências em outras partes ao templo. Ezequiel também fala de uma pessoa como Adão no Éden usando roupas revestidas de joias como um sacerdote, cujo pecado, profana os santuários e o faz ser expulso.
- O pecado de Adão é uma profanação do cultivo (culto) das funções elementares e relacionais que deveriam ser desenvolvidas.
- Existem várias outras evidências que nos ajudam a ver o Éden como o primeiro templo.
- Por exemplo, a arca no Santo dos Santos, que continha a Lei (que levava a sabedoria), ecoa a árvore do conhecimento do bem e do mal (que também levava a sabedoria). Tanto tocar a arca como comer o fruto da árvore resultam em morte.
- A entrada para o Éden era pelo lado oriental (Gn.3.24). A entrada para o templo era pelo oriente (Ez. 40.6)
- Tanto o Éden como o templo são caracterizados pela presença de Deus que traz sabedoria.
- A presença de Deus no Éden está ligada a imagem de vida e propósito encontrados no Jardim. O homem não está desorientado, ele tem seus anseios ali saciados.
- Por exemplo, o desejo de vida é satisfeito pelas águas do rio da vida e pelo fruto da árvore da vida.
- A necessidade de propósito é preenchida no chamado sacerdotal de Adão cultivar e manter o “Jardim-Templo”
2 – O Éden é lugar de satisfação (A árvore da vida e o rio da vida).
- A imagem verdejante do Éden, especialmente suas árvores e rios, reflete a vida abundante na presença de Deus, e essa imagem verdejante é refletida no tabernáculo e templo posteriormente.
Gn. 2.9 diz: “Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal”.[4]
- A “árvore da vida” ficava no meio do Jardim, e o fruto dessa árvore daria vida para sempre (Gn.3.22). Por quê? Em Provérbios 3 nos ensina que a sabedoria de Deus é comparada a “árvore da vida” e que sua sabedoria lança luz sobre os caminhos da vida e paz para o povo de Deus.
- A árvore da vida, similarmente, serviu como modelo no tabernáculo e no templo, servindo como modelo para o candelabro, que significa luz sobre o caminho da vida para o povo de Deus.
- O Candelabro parecia um pequeno tronco com sete ramos, que projetavam pequenos botões de flores de amêndoas. Uma imagem da fecundidade vivificante encontrada na presença de Deus.
3 – O Éden como o lugar de contínuo culto.
- Acredito que essa ideia de lugar de culto, esteve presente desde o início deste sermão.
- O Éden é um lugar de presença de Deus, e o lugar de presença de Deus é um local de Culto.
- Aqui está um ponto importante na nossa compreensão sobre o Éden e a relação do homem com Deus.
- O que foi perdido ali, não foi o privilégio dos frutos, ou do rio, ou da brisa, ou da paisagem. O que foi profanado foi o culto, o que foi perdido, foi o lugar do culto.
- Eu te lembrarei disso mais à frente, quando falarmos sobre Sete, o filho de Adão, que volta a invocar a Deus.
- Adão e Eva, estão estabelecidos no “Jardim-Templo” com o fim do cultivo e guarda daquele lugar.
- Nesse caso, me cabe falar sobre a expansão do Éden.
- O culto, é aquilo que alimenta a missão do Éden – os portadores da imagem de Deus refletem sua presença no culto e são propelidos à frente em sua missão de “encher a terra” com reflexos da glória de Deus (Gn.1.28).
- O Culto é, de fato, a meta da missão do Éden, enchendo toda a terra pela multiplicação dos portadores da imagem no templo da presença de Deus para venerar e refletir a glória de Deus até os confins da terra.
- John Piper diz que: “O culto é o combustível e a meta das missões”.
3.1 – O culto a missão: O significado da imagem de Deus no homem.
- Nós nos parecemos com aquilo que olhamos. Animais de estimação podem se parecer com o seu dono. Pessoas casadas às vezes tem uma semelhança impressionante com o seu cônjuge.
- Contudo, o homem não foi criado para parecer com seus bichinhos, nem tão pouco sermos semelhantes a outros seres humanos.
- Nós, fomos criados para nos assemelhar e representar espiritualmente o Deus trino, por isso criados à sua imagem.
- Observação: Quando evangelizamos, oramos para que nossos filhos se achegam para Cristo. O que realmente queremos? Queremos que eles tenham uma vida melhor, estamos pensando sobre a vida eterna? Ou estamos pensando que nossos filhos devam ser adoradores do único e verdadeiro Deus?
- Por que a missão do Evangelho qual é? Se não transformar inimigos de Deus em filhos de Deus, adoradores do diabo, em Adoradores do Deus Vivo.
- O culto a Deus, a adoração a Deus é o fim da salvação. Nós somos salvos para cultuar! Por isso que, a ideia de um cristão desigrejado é um sério problema.
- O que significa ser a imagem de Deus?
- Imagens refletem uma realidade maior. Por quatro vezes Gn.1.26-27 diz que Deus fez Adão à sua “imagem”, em Gn. 2, diz que Deus o colou em um santuário com um Jardim.
- No santuário do Éden, Adão e Eva, refletem e representam Deus como sua imagem.
- Observe com atenção o primeiro capítulo de Gênesis, Deus cria, organiza, governa e nomeia a criação. O homem estabelecido no Jardim, foi dado a ele a tarefa de imitar a Deus governando e nomeando a criação de Deus.
O que significa ser a imagem de Deus? Na tradução grega a palavra “imagem” é “ícone”.
- Deixe-me usar uma linguagem computacional para ilustrar mesmo isso.
- Seja na tela do computador, ou mesmo na tela do seu celular. Um ícone, é uma pequena imagem que, quando clicada, abre os megabytes do programa de computador que ele representa.
- Metaforicamente falando, a humanidade é uma pequena imagem dos “terabytes” da glória de Deus na criação.
- Ainda que nos sintamos pequenos, falhos e esmagados pelo mundo, Deus nos criou para si, para sermos ícones de sua presença gloriosa.
- Ícones não apontam para si mesmos, mas abrem uma realidade muito maior. Similarmente, nós representamos Deus de modo que nossa presença abra a presença do Deus Todo-Poderoso onde quer que estejamos.
- Bem, mas aqui nos cabe ressaltar que a imagem de Deus foi distorcida, manchada, corrompida com a entrada do pecado no mundo, e assim, nós, não representamos a autoridade da Glória de Deus como deveríamos.
Aqui começa a segunda parte do sermão, quando tratamos sobre o banimento do Paraíso.
- A queda tem sérias consequências. Quando Adão não subjuga a serpente, perdendo o anseio pelo culto que só a Deus deve ser prestado, ele se entrega a si, buscando projetar-se, mas, os ícones, não são nada em si mesmo, nada mais são que imagens de algo muito maior.
- A imagem de Deus em nós, só pode ser restaurada por meio de Jesus Cristo, a imagem perfeita de Deus (Cl.1.15). Que nos reconduz ao Jardim-Templo, ao culto a Deus. Colocando em nós a sua imagem.
- O culto, nos transforma para refletir e representar cada vez mais a presença de Deus mais claramente como sua imagem e ícone.
- Nesse caso, o banimento do Éden, é também Deus fechando as portas do Jardim-Templo para Adão e Eva. É Deus, conforme Malaquias 1.10, que Deus desejava que as portas do Templo fossem fechadas para que a profanação parasse.
- Os versículos finais de Gênesis 3 são assustadores, mais que todo juízo aplicado sobre o homem.
                “22Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. 23O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. 24E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida.”[5]
- Como no início, fiz a análise exegética do texto que diz que Deus “tomou para cultivar” e aqui Deus “lançou fora para lavrar”.
- “Cultivar” e “lavrar” tem a mesma raiz hebraica “עבד  ̀abad” . Nesse caso, o significado está no contexto em que as palavras são utilizadas. A ideia de cultivo, de onde se origina a palavra culto, é diferente da ideia de lavrar, que no contexto indica labutar, fazer trabalhos, servir como subordinado.
- O homem, não mais cultivará o Jardim de Deus, agora deverá lavrar a terra, subordinado aos espinhos e abrolhos que crescem sobre ela.
- “Do suor do rosto comerás...”
- Veja que todos os anseios que foram supridos no jardim, já não serão agora fora dele. Esse homem que era ícone da Glória de Deus, escolheu ter a glória para si mesmo.
- O banimento do jardim, é literalmente o afastamento de Deus, a interrupção do culto.
Conclusão.
[1]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn 2.15.
[2]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lv 26.11–12.
[3]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Dt 23.14.
[4]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn 2.9.
[5]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn 3.22–24.
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