Preparação da Casa
Notes
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Toda vez que eu termino o culto, eu ou Paula encontramos boletins perdidos com algumas anotações interessantes, principalmente das crianças. Em uma delas, na parte relacionada ao local do culto que está escrito: “Teremos apenas o culto dominical matutino até que se complete a construção do telhado”.
Um alguém, que não vou dizer que foi Enzo, filho de Thyara, escreve por cima do texto: “ou até a conveniência dos anfitriões”. Ele escreveu isso não porque não quer a igreja, mas sim, porque assim como os pais, ele gosta de receber as pessoas em casa.
Uma das coisas que Thyara sempre me falou é que o sonho dela era ter um lugar onde pudesse receber a todos, e parece que isso se espalhou também para os seus filhos que nos recebe todo domingo.
Mas perceba que isso não é comum, principalmente a nós conquistenses, que receber em casa é sempre algo que beira ao traumático. Quando um marido aparece de surpresa em casa, a esposa normalmente entra em pânico. Os pratos estão na pia, o pano de prato na mesa com alguns grãos de arroz ainda do almoço, a toalha jogada no box do banheiro.
O homem normalmente não liga em receber a visita assim, não tem a mesma preocupação e zelo que a mulher tem. Enquanto a mulher não tanta energia para gastar deixando tudo nos mínimos detalhes e, por vezes, prefere até não receber ninguém para não ter o trabalho.
Há uma tese interessante do Pr. Douglas Gonçalves que diz: ter sofá branco é pecado. Essa tese exemplifica o fato de que se você não tiver a disposição de oferecer a sua casa para uma visita, você está longe de ter um espírito verdadeiramente cristão.
Faz sentido para mim quando eu penso na quantidade de boas conversas que eu poderia ter perdido se eu e Paulinha ficássemos loucos por causa disso.
Mas ao mesmo tempo, zelar por sua casa, preparar com o melhor que você pode, sabendo que aquela pessoa está para chegar em determinado momento é diferente. Não esqueço de uma vez que Pr. Altair, junto com Ilana, foram nos visitar pela primeira vez. Compramos os melhores biscoitos, arrumamos a casa, deixamos tudo o que podíamos arrumados, pois queríamos demonstrar nosso carinho com eles.
Da mesma forma, a promessa é que o Senhor irá preparar uma casa para nós, por conta da aliança dEle conosco.
Em nossa última exposição, falamos sobre a crise de Moisés, tudo o que envolvia entrar naquelas densas nuvens para ouvir o que o Senhor tem a dizer.
Mas o que surpreende, (pelo menos me deixaria bastante surpreso) é que o Senhor começa a instruir Moisés sobre a construção de um tabernáculo, um lugar de onde Ele habitaria no meio do povo.
Pela primeira vez, vamos lidar com o texto de forma paralela, para entendermos toda a história.
A partir do capítulo 25 vamos lidar com a construção do tabernáculo e minha missão hoje é ensinar a vocês da razão na qual passar batido por este texto com a “leitura dinâmica” pode te fazer perder preciosas lições acerca do todo das Escrituras.
De todas as coisas maravilhosas que há na Bíblia, a promessa de uma redenção é muito esperada por nós. Mas além da redenção de nossa natureza, há também há a promessa de um lugar para habitarmos e, o tabernáculo representa o microcosmo[1] do céu e da terra como um todo, onde é o indicativo da grande promessa da habitação com o Senhor.
O tabernáculo é exatamente isso. De toda escatologia que você poderia esperar em Apocalipse, aqui, no livro de Êxodo já podemos começar a enxergar isso.
Toda a construção de linguagem de Moisés apontava para isto, como na tabela de Victor Hamilton:[2]:
Criação (Gênesis)
Tabernáculo (Êxodo)
“E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que era muito bom” (Gn 1:31).
“E Moisés viu toda a obra, e eis que a tinham feito; como o SENHOR havia ordenado, assim a fizeram” (Êx 39:43).
“Assim foram acabados os céus e a terra” (Gn 2:1).
“Assim se acabou toda a obra do tabernáculo…” (Êx 39:42).
“Deus acabou a obra que fizera” (Gn 2:2).
“Assim Moisés acabou a obra” (Êx 40:33).
“E Deus abençoou o sétimo dia” (Gn 2:3).
“E Moisés os abençoou” (Êx 39:43).
O tabernáculo foi a primeira construção do Senhor, sendo a segunda o Templo de Israel (o de Salomão e posteriormente reconstruída após o exílio) e, por fim, o terceiro e último templo será construída. Entenda que toda essa construção é uma clara alusão para a realidade passada, atual e futura. Como defende Beale (2021)[3]:
A tese que defendemos aqui é que o Templo de Israel era formado por três partes principais, cada uma delas simbolizando uma parte importante do cosmo: (1) o Pátio Externo representava o mundo habitável, onde vivia a humanidade; (2) o Lugar Santo simbolizava os céus visíveis e suas fontes de luz; (3) o Santo dos Santos simbolizava a dimensão invisível do cosmo, onde Deus e suas hostes celestes habitavam.
Vs. 1-2 - O Senhor tinha em mente construir algo maravilhoso que representasse a sua beleza e, para isso, o povo deveria utilizar dos bens que lhe foram dados na saída do Egito. Entretanto, não foi algo imposto, mas sim, de acordo com a disposição de cada um para a construção daquele tabernáculo. O verbo nādab (mover) significa dispor-se voluntariamente.
Vs. 3-7 - Todos estes itens vão desde o maior valor, do que estaria na parte do santo dos santos, até o pátio do tabernáculo. Aqui há a separação do que seria para a o azeite de queima para a luz, o óleo que haveria de ungir os profetas, reis e sacerdotes posteriormente.
Vs. 8-9 - Mais do que a beleza de qualquer bem, o que há de mais precioso aqui é o fato de que o Senhor habitaria no meio do povo. Imagine uma nação em que o Senhor guiaria através de uma presença física, que seria o tabernáculo, um lugar onde o sacerdote daquele povo pudesse oferecer o melhor que poderia para Ele.
Imagino o que aquilo poderia representar para Moisés. O mesmo Senhor que está falando comigo hoje, é o que estará comigo para lidar com o povo ali embaixo. Era como a promessa de receberia alguém para fazer morada no meio do povo e tudo deveria estar de acordo com a grandiosidade dAquele que haveria de vir.
Quando penso nisso hoje, me maravilho na ideia de que Ele está conosco hoje, através do seu Santo Espírito que traz consolação ao coração aflito e guia todas as coisas de acordo com seu Santo propósito.
Irmãos, a habitação do Espírito entre nós deve ser motivo de grande confiança! Algo que eu demorei a entender em minha lida cristã foi sobre as minhas inconstâncias na espiritualidade. Demorei a entender pois pensava que dependia do meu esforço e de julgar a mim mesmo digno ou não de adorá-lo, até que entendi que eu, definitivamente, não sou capaz de fazê-lo, e nunca fui!
Por mais arrepiante pudesse ter sido qualquer experiência “avivada” que eu pudesse ter, nada se compara com o fato de você se deleitar no fato que Deus está conosco, fazendo morada em nossos corações, como Paulo diz em sua carta ao povo de Éfeso:
14 Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, 15 de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, 16 para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; 17 e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé […] (Efésios 3.14–17, ARA)
Ao pensar no futuro, então, meu coração se exulta de alegria! Pois poderei vê-lo e abraçá-lo na morada eterna, redimido do meu corpo, há o terceiro templo que está sendo preparado onde O encontrarei face a face.
O livro de Apocalipse nada mais é do que um consolo que o Senhor nos dá ao lembrar que isso acontecerá! Muitas pessoas se apegam a detalhes de alegorias trazidas por João, quando o que há de mais valioso é a presença dEle e se sentar aos seus pés como filhos curiosos para conhecê-lo mais.
Nesse período de plantação da igreja, há tarefas que tenho que designar para outras pessoas para que as coisas andem. Por exemplo, eu como pastor, não lido diretamente como nada no que tange à parte administrativa da igreja para que eu fique livre para pastorear. Mas pode haver uma distância do que às vezes solicito para o que é entregue, o que é natural em qualquer relação de diálogo.
Fico a imaginar Moisés sabendo que deveria cumprir a ordem do Senhor, e entre o período de planejamento e execução, há distância de certos capítulos, como vemos a seguir. A mesma ordem do Senhor sendo cumprida nos capítulos seguintes.
Como dito no começo do estudo lá em casa, a intenção aqui não é de religiosamente ensinar capítulo a capítulo, até porque isso aconteceu apenas no século VIII, mas sim, de que vocês entendam toda a narrativa das Escrituras, por isto que está a divisão com a comparação dos dois textos, do planejamento e da execução, para ficar claro.
Êxodo 25 – Ordem do Senhor
Êxodo 37 – Execução da ordem
10 Farão também uma arca de madeira de acácia; de dois côvados e meio será o seu comprimento, de um côvado e meio a largura e de um côvado e meio a altura.
1 Fez também Bezalel a arca de madeira de acácia; de dois côvados e meio era o seu comprimento, de um côvado e meio a largura, e de um côvado e meio a altura.
11–15 De ouro puro a cobrirás, por dentro e por fora, e farás uma bordadura de ouro ao redor. Fundirás para ela quatro argolas de ouro e as porás nos quatro cantos: duas argolas de um lado e duas do outro. Farás também varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro. Meterás os varais nas argolas para se levar por meio deles a arca. Os varais ficarão nas argolas e não serão retirados dela.
2–5 De ouro puro a cobriu, por dentro e por fora, e fez uma bordadura de ouro ao redor. Fundiu para ela quatro argolas de ouro e as colocou nos seus quatro cantos: duas de um lado e duas do outro. Fez também varais de madeira de acácia e os cobriu de ouro. Meteu os varais nas argolas, para se levar por meio deles a arca.
O responsável por construir a pequenina arca, que media 1,15m de comprimento e 68cm de largura e altura, foi o primeiro homem cheio do Espírito Santo para lidar com algo tão importante, que seria a parte mais valiosa de todo o tabernáculo. Como descrito em Êxodo 31:
1 Disse mais o Senhor a Moisés: 2 Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3 e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, 4 para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, 5 para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores. 6 Eis que lhe dei por companheiro Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei habilidade a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o que tenho ordenado: 7 a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e o propiciatório que está por cima dela, e todos os pertences da tenda; 8 e a mesa com os seus utensílios, e o candelabro de ouro puro com todos os seus utensílios, e o altar do incenso; 9 e o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a bacia com seu suporte; 10 e as vestes finamente tecidas, e as vestes sagradas do sacerdote Arão, e as vestes de seus filhos, para oficiarem como sacerdotes; 11 e o óleo da unção e o incenso aromático para o santuário; eles farão tudo segundo tenho ordenado.
Vs. 16 - Nessa pequena arca havia algo interessante: as Leis do Senhor que Ele haveria de dar a Moisés, que são as tábuas escritas que vemos também no capítulo 31:
12 Disse mais o Senhor a Moisés: 13 Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. 14 Portanto, guardareis o sábado, porque é santo para vós outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo. 15 Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer alguma obra morrerá. 16 Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. 17 Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento. 18 E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
Neste texto vimos algumas coisas interessantes: a formação da aliança de Deus com o povo. Moisés lavra a pedra e Deus escreve com o seu dedo, o mesmo citado quando Ele traz piolhos sobre o Egito (Gn. 18:19). É emblemática a forma que essa aliança é formada.
Deus demonstra o seu caráter claramente nos textos que estudamos anteriormente e, antes de descer, Ele faz questão de deixar escrito e dentro da arca, por isso chamada de arca da Aliança.
Entretanto, no capítulo 32, enquanto Moisés desce do monte alegre por ter firmado uma aliança com Deus, encontra o povo fazendo um bezerro de ouro que falaremos sobre ele em outro momento.
Imagino o que Moisés pensa nesse momento senão o que está descrito no Salmo 121: Elevo os olhos para o monte; de onde me virá o socorro?
Irmão, o socorro vem do Senhor, a saber, o seu caráter! Entenda de uma vez por todas, todos esses episódios são demonstrações claras e manifestas de que não somos merecedores de habitar com o Senhor, mas, mesmo assim, Ele deixa o seu caráter para que a gente aja de acordo com ela.
Queridos, nessa última semana fui testado até o fim nessa questão. A lei do Senhor nos ensina a olhar para todos àqueles em situações de vulnerabilidade. Na faculdade, então, uma aluna me conta de episódios de assédio sexual vindo de um professor.
Segundo o meu caráter, o que eu faria? Falaria para ela denunciar à coordenação e, no máximo, oraria para que isso passasse. Mas a lei do Senhor traz fortes alertas àqueles que veem a situação de vulnerabilidade e nada fazem, já estudamos:
[…] Se de algum modo os afligires e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor; e a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos, órfãos.
Êxodo 22:21-24
Assim como aquele que tem o coração movido para ofertar ao Senhor, o meu coração se moveu por agir a respeito disso. Coletei depoimentos, testemunhas e conversava com a coordenação que, também irmã em Cristo, ficava horrorizada a cada episódio narrado.
Eu sabia que mexeria em um vespeiro extremamente perigoso, mas lembrei, o Senhor está comigo. O que não significa que seria fácil. Enquanto colhia os depoimentos e buscava as vítimas, alguém alertou o professor do que eu estava fazendo. Ele convoca uma reunião com a coordenação, direção da rede da faculdade, uma das testemunhas que ele mantinha um relacionamento e durante 2h fui assediado moralmente, processualmente, e intimidado de todas as formas, mas meu coração estava tranquilo.
O único momento que me senti sozinho foi quando a diretora olhou em meus olhos e questionou se eu não estava fazendo aquilo para justificar ou anular uma possível nota ruim que eu havia tirado. Ela ofendeu meu caráter. Me rebaixei em minha cadeira, minha honra foi ofendida. Mas quando olhei para a frente, a coordenadora, irmã em Cristo, e olhou em meus olhos, e eu lembrei: não é sobre o meu caráter, mas sim o dEle.
No apagar das luzes, depois de muito estresse e argumentação e afirmações de que viria um processo à minha porta, uma das vítimas que eu havia coletado o relato apareceu. Houve um acidente na estrada que causou o atraso dela. Quando ela chegou, relatou o que aconteceu com bravura e muita firmeza, sem medo. Houve uma tentativa de acusá-la, de humilhá-la, e então ela chora e diz: a sensação que eu tenho é que eu sofri, falo com quem tenho que falar, e nada vai acontecer.
A coordenadora então diz que seria aberto um procedimento administrativo enquanto o ofensor, mesmo após pedir desculpas pelo assédio, se compromete a fazer uma denúncia contra nós (!). Eu estava em uma paz que não consigo explicar aqui. O exercício da fé é suprarracional e nem com o melhor dos vocábulos posso descrever a tranquilidade que Ele me deu.
O professor foi afastado, a vítima acolhida e Deus glorificado.
Quando voltei outro dia, algumas vítimas estavam ainda revoltadas com a atitude de algumas pessoas que agiram com injustiça e eu tive que agir segundo o caráter de Deus da mesma forma ao dizer: todos nós somos pecadores e não merecemos absolutamente nada. Há dias que você pode ser o herói de uma história e em outro o vilão. Aja como alguém que, quando vilão, queira a misericórdia.
Irmãos, quando vejo a aliança de Deus com o seu povo, tudo o que vejo em mim é a vilania. Falhei com o Senhor e falhamos com Ele. Nossa carne O detesta e tenta nos afastar dEle continuamente.
Mesmo assim, Ele constrói o tabernáculo, o povo dEle trabalha em construir enquanto ele habita, é um trabalho conjunto. No entanto, o que nos aguarda no futuro não será construído por nossas mãos humanas.
“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.”
João 14:2–3
Quanta misericórdia! O valor da casa que está preparada não está em quem será o que chegará, mas sim na misericórdia de quem a prepara. Nós não somos merecedores de tamanha graça, mesmo assim Ele nos constrange dia após dia.
Queridos, hoje é Thyara e Marcelo quem nos recebe, mas o Senhor está preparando o terceiro templo, em que habitaremos com Ele eternamente e, enquanto ele não vem, seguimos esperando e agindo conforme o seu caráter, confiantes que o Espírito que está em nós vai nos capacitar para viver uma vida santa conforme o desejo dEle.
Oh, que grande amor! Quanto favor imerecido. Ele é bom apesar deste mundo vil, e está preparando o nosso lugar para nos receber em sua casa.
[1] BEALE, G. K. O templo e a missão da igreja: uma teologia bíblica sobre o lugar da habitação de Deus. Tradução de Lucília Marques. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2021. p. 31.
[2] HAMILTON, Victor P. Exodus: An exegetical commentary. Grand Rapids: Baker Academic, 2011. p. 549.
[3] Ibid p. 31.
