APLAUSOS SEM HONRA

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Introdução.

Nossa sociedade é a sociedade do espetáculo. Da noite para o dia uma pessoa se torna famosa nas redes sociais e para manter sua fama, ela é capaz de promover qualquer coisa, inclusive coisas que podem beirar a loucura e insensatez. Basta um click para percebermos o que as pessoas são capazes de fazer para serem aplaudidas. Há uma necessidade muito grande de reconhecimento social, de autoafirmação, em fim, mesmo pessoas sem conteúdo deseja ter seus 15 minutos de fama e viralizar . A internet virou um selva com seus algorítimos. Entretanto, essas pessoas são aplaudidas, mas não honradas. Porque se aplaude o ridículo, o esdruxulo, aquilo que do ponto de vista da normalidade é esquizofrênico, e assim convivemos em um mundo onde pessoas são aplaudidas sem honra, sem serem merecedoras.
Por outro lado, a sociedade do espetáculo aplaude, já acostumada com o cinismo e com a hipocrisia, aqueles que ela deveria honra, mas não honra. São aplausos sem honra, são elogios da boca para fora. O texto que nós lemos, quando bem interpretado, fala exatamente sobre isto. Estes três versículos constituem uma cruz para os comentaristas do quarto Evangelho e para nós pregadores. Uma leitura superficial do texto pode parecer que as pessoas mencionadas no texto, no caso os galileus, não verdadeiras em sua recepção a Cristo e ao Evangelho, mas, eu vou mostrar que não.
Por ser um texto pequeno e com muitas dificuldades de interpretação, poderíamos pular esse texto e ir direto para a próxima perícope, para falarmos da cura do filho de um Oficial do rei ( 43-54). Porém, esse texto é importante. Ele é um texto de transição entre o primeiro milagre de Jesus, a transformação de água em vinho e o seu desdobramento, para o segundo milagre que é a cura de jovem de Cafarnaum que estava morrendo. Este texto é uma janela, e janelas são importantes em uma casa, não vivemos sem janelas. Se a ilustração da janela for exagerada, poderíamos pensar neste texto como uma dobradiça, fazendo uma ligação importante para nós no Evangelho de João.
Primeiro vamos falar da dificuldade de interpretação. Jesus estava na cidade samaritana de Sicar, onde ficou hospedado por 2 dias. Ele “ partiu dali para a Galileia” ( v. 3). A Galileia é uma região de destaque no Ministério de Jesus, porque ele era de Nazaré, uma cidade da Galileia. O problema de interpretação do texto surge quando João afirma que Jesus testemunhou que um profeta não tem honras em sua própria terra. Naturalmente ele está falando da Nazaré, O problema se centra no vs. 44, uma interrupção que parece contradizer o 45. Em 44, Jesus compara sua situação à de um profeta que não tem honra em seu próprio país; todavia, em 45 sua Galileia nativa lhe dá entusiásticas boas-vindas. Como resolver isto? Para solucionar isto, há quem sugira que "seu próprio país", no v. 44, é uma alusão, não a Galileia, mas a Judeia, porém isto não encontra sustentação à luz do contexto.
Precisamos interpretar o verso 45 à luz do verso 44. Os Galileus receberam Jesus por conta dos seus milagres, aplaudiram o Filho de Deus por conta dos grandes Milagres que ele fizera em Jerusalém ( Jo 2. 23). O grande problema é que os milagres que Jesus fez não foi suficiente para converte o coração dele. A chave intepretativa de João 4.43- 45 é João 2. 23- 25. “Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana”. Para a nossa surpresa, a recepção dos galileus a Cristo não autêntica, não é verdadeira. Inclusive o verbo usado aqui para recepção significa recepção de seus milagres e não conversão verdadeira e genuína. Aplaudiram a Cristo por conta dos seus milagrs mas,nao o honraram como Senhor da salvação.
Feitas essas devidas explicações, eu quero trazer algumas lições preciosas nesse texto:
Familiaridade com o sagrado pode nos privar de grandes bênçãos.
Jesus era da pacata cidade de Nazaré, todos ali estavam acostumados com ele e sua família. Os galileus estavam tão familiarizados com Jesus, que se esqueceram de que ele era o Filho de Deus! Estavam tão familiarizados com Jesus que se esqueceram de que alí estava o Filho de Deus ( Mt 13. 53- 58). Alguns viam Jesus apenas como o filho de Maria e José. Então Jesus se tornou como um que não tem honra na sua própria casa.
Aplicação: Nós corremos um risco muito grande. O de nos acostumarmos com o sagrado. Estamos tão acostumados a falar sobre Jesus, que parece que não há mais novidade nisso. Assim, para muitos não há mais novidade viva no Cristianismo. O Cristianismo se torna apenas mais uma religião moral. Nós presbiterianos corremos um sério risco. O que cristalizarmos nossa relação com o sagrado e nos tornarmos engessados. Para muitos, a vida com Jesus se tornou rotina, é mais do mesmo. Não há novidades. Você pode se acostumar a ir a igreja, a ouvir domingo após domingo sermões como este e achar que tudo isso é normal, de que é mais uma reunião, é mais um culto, e mais um encontro qualquer. significado religioso ou espiritual, passa a ser tratado de forma mais mundana, secular, menos ligada à religião e ao transcendente. E estamos passando por este processo de secularização do sagrado. Basta ver o que estão postando nas redes sociais. Cuidado para que você não veja sua fé em Jesus como mais um compromisso da sua agenda, como mais uma rotina para ser feita aos domingos. Não permita que sua vida espiritual caia na rotina, porque é fácil nos acostumarmo. Parece que as vezes estamos tão familiarizados com Jesus, que obscurecemos nosso conhecimento de quem verdadeiramente ele é. Aí nos tornamos com a a Igreja de Èfeso, temos doutrina, mas não temos amor, temos ortodoxia sem praticarmos o amor ( Ef. 2. 2- 4).
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