O Cordeiro de Deus
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Introdução
Introdução
Em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, um jovem inglês chamado Nicholas Winton fez algo extraordinário. Ele organizou secretamente o resgate de 669 crianças, em sua maioria judias, de campos na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas. Arriscando sua própria segurança, Winton providenciou documentos falsos, passagens de trem e lares adotivos na Inglaterra para essas crianças. E por mais de cinquenta anos, ele nunca contou a ninguém — nem mesmo à própria esposa. Somente em 1988, quando ela encontrou um velho caderno com os nomes das crianças salvas, o mundo veio a saber de seu ato heróico. Um homem, sozinho, arriscou tudo para tirar da morte aqueles que nem o conheciam.
Irmãos, em João 1.29, encontramos uma declaração ainda mais grandiosa: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João Batista aponta para alguém que não apenas salva da morte física, mas da condenação eterna. Alguém que não apenas arriscou a vida, mas a entregou voluntariamente.
Narrativa:
Narrativa:
O evangelho segundo João tem um início diferente dos demais. Ele não começa com genealogias, sonhos ou visitas de anjos, mas com uma afirmação grandiosa e eterna:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1).
João quer que desde a primeira linha o leitor compreenda: Jesus é o Verbo eterno, o Filho de Deus, aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas. Esse Verbo, surpreendentemente, se fez carne (v.14) e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.
Em contraste com a glória do Verbo encarnado, João apresenta o humilde papel de João Batista, o último profeta do Antigo Testamento, como a voz que prepara o caminho do Senhor (v.23). Ele não é a luz, mas veio para dar testemunho dela (v.7-8). O seu ministério não gira em torno de si, mas daquele que viria após ele.
Em João 1.19–28, uma delegação de sacerdotes e levitas é enviada de Jerusalém para interrogar João Batista. Eles estão confusos com a sua crescente influência. Eles perguntam:
— És tu o Cristo?
— És Elias?
— És o Profeta?
João responde com clareza e humildade:
“Eu não sou o Cristo.”
“Eu sou a voz do que clama no deserto.”
“No meio de vós está alguém que vós não conheceis.”
João não busca glória para si. Ele sabe quem ele é: um mensageiro, não o Messias. Ele batiza com água, mas o que virá após ele é infinitamente maior.
Então, no dia seguinte, acontece algo decisivo. João vê Jesus se aproximando e, sem hesitação, faz uma declaração que resume o coração do evangelho:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29)
Essa é a primeira identificação pública de Jesus no evangelho de João. Ele ainda não fez milagres, não ensinou multidões, nem confrontou autoridades. Mas João Batista já sabe quem Ele é. E com palavras breves, mas profundas, ele nos convida a olhar para Cristo — e compreender a razão de sua vinda.
GRANDE IDEIA:
GRANDE IDEIA:
O Cordeiro de Deus veio remover o pecado e redimir o mundo.
Veremos essa verdade em três partes:
1. “Eis” – Contemple o Cordeiro
1. “Eis” – Contemple o Cordeiro
João começa o texto com uma expressão que remete à exclamação: “Eis” (ide). O batizador está chamando chamando a atenção de sua audiência. João não está apenas identificando Jesus; ele está nos chamando a olhar com reverência.
A exclamação de João é: “Vejam! Observem! Aqui está Aquele que o mundo tanto necessita!”
É como se João dissesse: “Não olhem para mim, olhem para Ele!”
João tira todo foco de si ou das pessoas envolta para direcionar essa atenção para Jesus. O que importava não era o batizador que chamava todo aquele povo ao arrependimento, usando muitas vezes palavras duras. A pessoa mais importante naquele momento era quem estava se aproximando. Eis! Olhem! Prestem atenção!
A atitude de Joao contrasta muito com o que vemos atulamente. O que mais vemos são pessoas que querem aparecer, chamar a atenção para si. No Brasil, em tempo de redes sociais há uma busca desenfreada por aparecer. Há até um ditado muito famoso que diz que quem não é visto, não é lembrado. Há uma necessidade de olofotes. Isso não é apenas no meio secular. Quantos cristãos fazem de tudo para aparecer. Inventam profecias, criam polemicas nas suas redes, tudo na tentativa de desfrutra de um minuto de fama. Mas João, o batizador nos ensina a apontar para Cristo. A remover o nosso eu do centro para Cristo, o cordeiro de Deus, reine. João está nos chamando para hoje deixarmos de olhar um pouco para nós mesmos, as nossas ambições, ansiedades, desejos, e conteplarmos o cordeiro de Deus. Eis o Cordeiro de Deus. Contemple-o. Veja-o. Ele é maior e mais importante do que todos nós.
Como Igreja, meus irmãos, fomos chamados para fazer o mesmo que João fez: apontar para o Cordeiro. Chamar atenção para o cordeiro que foi morto mas ressucitou. Esta é nossa missão neste mundo mal: proclamar com coragem, Eis o cordeiro de Deus.
2. “O Cordeiro de Deus” – A identidade de Jesus
2. “O Cordeiro de Deus” – A identidade de Jesus
Essa expressão é carregada de significado. O “Cordeiro” era figura central no culto de Israel:
Em Êxodo fala sobre o cordeiro pascal (Êx 12) cujo sangue livrou os lares do juízo de Deus no Egito. Lá nos é ensinado que o sangue do cordeiro aspergido nos umbrais das portas livrou os lares dos israelitas do juízo divino que sobreveio ao Egito. O cordeiro, portanto, tornou-se símbolo de redenção e livramento, marcando o início da libertação do povo de Deus da escravidão. Esta figura sacrificial estabeleceu a base para a compreensão de que, mediante a morte de um substituto, o povo era poupado da ira divina.
Um pouco mais para frente as Escrituras falam sobre os sacrifícios diários (Êx 29.38-42), que mantinham o povo em comunhão com Deus. Esses sacrificios envolviam a oferta contínua de cordeiros, pela manhã e à tarde, como expressão da manutenção da comunhão entre Israel e o Senhor. Eles, os sacrificios, tinham caráter expiatório e lembravam constantemente ao povo sua necessidade de purificação, apontando para a provisão divina de perdão através da morte vicária de uma vítima inocente.
Um pouco mais para frente encontramos o profeta Isaías, em sua descrição do Servo Sofredor (Isaías 53), empregando a figura do cordeiro de maneira profundamente messiânica: "como cordeiro foi levado ao matadouro" (v.7). Este Servo não apenas sofre de forma submissa, mas também "levou sobre si o pecado de muitos" (v.12). Aqui, a imagem do cordeiro ultrapassa o sistema levítico e projeta-se escatologicamente no Messias, que se entrega voluntariamente em sacrifício, cumprindo de modo perfeito e definitivo aquilo que os sacrifícios do Antigo Testamento apenas prefiguravam.
João está dizendo: Jesus é o verdadeiro Cordeiro — não apenas símbolo, mas realidade. Ele é o sacrifício que Deus oferece e aceita, e portanto, o único sacrifício capaz de tratar definitivamente do pecado. Jesus é o cordeiro que toma o lugar do pecador para que pecador seja perdoado e, portanto, livre da ira de Deus.
Ele é “de Deus” — ou seja, designado por Deus, oferecido por Deus, aceito por Deus. Ele não é apenas um cordeiro, mas o Cordeiro. É por isso, meus irmãos, que não precisamos mais nos prender nos rituais de sacrificios da antiga aliança. Por isso, quando clamamos por socorro, ele vem nos socorrer. Por isso quando clamamos por perdão, somo de fato perdoados. E hoje podemos entrar com ousadia diante de Deus. O cordeiro de Deus, enviado e aceito por ele morreu em nosso lugar. É esse cordeiro identificado e anunciado por João. É nesse coirdeiro, que morreu em nosso lugar, que devemos depositar inteiramente a nossa confiança.
3. “Que tira o pecado do mundo” – A missão redentora de Cristo
3. “Que tira o pecado do mundo” – A missão redentora de Cristo
Como já dito, João olha, vê e chama atenção da sua audiencia para Jesus. Depois identifica quem ele, João, tinha visto: o cordeiro de Deus. Qual é então a missão desse cordeiro? João é claro ao dizer: “tira o pecado do mundo.
a) “Tira” (airō):
A ideia da expressão “tira” é mais do que simplesmente carregar um fardo; envolve a ideia de carregar com a finalidade de remover. É uma linguagem clássica da expiação, na qual Jesus, como o Cordeiro de Deus, assume sobre si a culpa e as consequências do pecado, não para mantê-las, mas para eliminá-las completamente da presença de Deus. Assim, Ele efetivamente remove pecado, garantindo ao pecador o perdão e a reconciliação com Deus..
b) “O pecado” (singular):
O texto não diz “pecados” (plural), mas “o pecado” (singular). João Batista está se referindo não apenas aos atos pecaminosos isolados, mas ao pecado como uma realidade abrangente e dominadora, que corrompe a natureza humana e separa o homem de Deus. Não se trata meramente de falhas individuais, mas de uma condição espiritual que governa e escraviza toda a humanidade. Assim, o Cordeiro de Deus, Jesus, veio para tratar da raiz do problema, não apenas perdoando atos específicos, mas rompendo o poder do pecado e oferecendo uma restauração completa à comunhão com Deus.
c) “Do mundo”:
Não apenas dos judeus, nem apenas dos justos, mas de todas as nações, línguas e povos.
Isso não significa salvação universal mas que ninguém está fora do alcance da graça, desde que olhe para o Cordeiro.
“ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Is. 1.18).
Isaías 1:18
Aplicação:
O maior problema do mundo não é político, econômico ou emocional — é o pecado.
Jesus não veio oferecer alívio temporário, mas redenção completa.
A missão da igreja continua sendo anunciar que há um Cordeiro que tira o pecado — e Ele é suficiente.
Conclusão – Três Convites Diante do Cordeiro
Conclusão – Três Convites Diante do Cordeiro
Ao ouvirmos João Batista declarar: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”, somos confrontados com a centralidade de Cristo e sua obra redentora. Três convites surgem do texto:
1. Contemple o Cordeiro com fé
Não olhe apenas como um observador externo. Olhe com fé, com entrega, com confiança. João nos convida a ver com os olhos da alma.
“Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra” (Is 45.22).
2. Confie no Cordeiro como seu substituto
Ele não veio apenas tirar o pecado do mundo, mas o seu pecado.
Você pode estar cansado, envergonhado, preso. Mas há um Cordeiro que já carregou sua culpa. Confie Nele.
“Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36).
3. Proclame o Cordeiro com coragem
João Batista apontou para Jesus sem medo. E nós? Somos chamados a proclamar que há um Cordeiro que tira o pecado.
Nos púlpitos, nas casas, nas ruas — mostremos o Cordeiro.
