Rm 9. 1-5 - Rejeitação Prevista

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Neste trecho, Paulo não fala de uma rejeição que ele próprio sofreu, mas da rejeição sofrida pelo próprio Deus. Ele não é vítima, nem autor dessa dor, mas um expectador que sente profundamente o que aconteceu. Assim como nós, que por vezes testemunhamos o afastamento daqueles que preferem outros caminhos, Paulo sofre ao ver Israel voltar as costas para o seu Criador.

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REJEIÇÃO PREVISTA
Romanos 9. 1-5
Você já escutou esses versos?
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...
Os versos de Tom Jobim ecoam uma dor que muitos conhecem bem: a de ser rejeitado, abandonado, ignorado por quem se ama profundamente. É uma ferida que não cicatriza facilmente, uma dor que toca o mais íntimo da alma. Quem nunca sentiu o peso da indiferença? Quem nunca se entregou por completo a alguém que o deixou de lado? A rejeição dói. É um golpe que pode ser duro para quem recebe.
Paulo, no capítulo 8, mostrou a grandiosidade do amor de Deus pelos seus. Mas agora, ele revela uma realidade dolorosa: esse amor não foi acolhido por todos. Em especial, os israelitas, um povo que recebeu as primícias desse amor, mas escolheu seguir outro caminho.
Neste trecho, Paulo não fala de uma rejeição que ele próprio sofreu, mas da rejeição sofrida pelo próprio Deus. Ele não é vítima, nem autor dessa dor, mas um expectador que sente profundamente o que aconteceu. Assim como nós, que por vezes testemunhamos o afastamento daqueles que preferem outros caminhos, Paulo sofre ao ver Israel voltar as costas para o seu Criador.
(9.1-2) Digo a verdade em Cristo, não minto, e a minha consciência confirma isso por meio do Espírito Santo: 2sinto grande tristeza e tenho incessante dor no coração.
Paulo inicia o texto, mudando o tom da conversa, saindo da extrema alegria do cuidado de Deus para a tristeza por causa da rejeição por parte de alguns. William Greathouse diz que “o grito de alegria de Paulo se tornou um soluço de compaixão.”
Por causa dessa rejeição Paulo afirma que está sofrendo profundamente, uma dor incomum, enorme, a maior das dores, ao mesmo tempo essa terrível dor é incessante, ou seja, não para, não acaba, é ininterrupta. Como bem disse o pastor Hernandes Dias Lopes “Seu coração está rasgado, seus olhos estão molhados e sua alma está gemendo
Medir a dor é um desafio, mas em uma breve pesquisa, descobri que cinco das mais intensas dores são: cólica renal, neuralgia do trigêmeo, parto natural, queimaduras de segundo grau e infarto.
A verdadeira dimensão dessas dores só é compreendida por quem as viveu; aqueles que nunca as experimentaram fazem de tudo para evitá-las. Agora, imagine suportá-las sem trégua, sem alívio, sem qualquer remédio. É exatamente essa angústia que Paulo tenta descrever sentir.
Paulo declarou anteriormente que o sofrimento é uma parte da escola divina, porém isso não muda o fato de que ele continua sendo algo difícil de suportar. Afinal, ninguém aprecia a dor, a menos que encontre prazer nela, como os masoquistas.
Infelizmente, todos nós sofremos, mas nem sempre sabemos direcionar nosso sofrimento ao que realmente importa. Choramos pela opinião alheia, lamentamos a perda de bens materiais, nos entristecemos por um time ou um fim de filme dramático, quando, na verdade, deveríamos sofrer pela alma dos que se perdem, na despedida dos que amamos, pela verdade omitida e pela justiça negligenciada.
O sofrimento de Paulo, como ele próprio declara, é uma dor autêntica e incontestável. Uma ferida que não cessa, profunda como um abismo insondável, sempre presente como a luz e a sombra. Contudo, é um fardo legítimo, carregado com dignidade, uma dor nobre e valiosa, pois se transforma em testemunho e redenção.
Mas pelo o que Paulo tanto sofre? Isso é respondido a partir do verso 3.
(9. 3) Porque eu mesmo desejaria ser amaldiçoado, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne.
Paulo revela a profundidade de seu sofrimento. Seu lamento é absolutamente legítimo, pois brota de um coração que anseia pela salvação de seu próprio povo, os judeus, que ainda estão distantes de Cristo. Sua dor é tão intensa que ele chega a desejar ser amaldiçoado, se isso significasse a salvação deles.
Não é a primeira vez que Paulo demonstra sua disposição em renunciar privilégios, colocando o bem dos outros acima do seu próprio. Em Filipenses 1.21-26, vemos o mesmo Paulo adiando, por amor, seu encontro com Cristo, para que mais almas possam conhecê-Lo.
Seu sofrimento por Israel não é um sentimento isolado, mas ecoa o próprio coração de Cristo, que também chorou e lamentou por Seu povo. Como está escrito em Lucas 19.41: “Quando Jesus ia chegando a Jerusalém, vendo a cidade, chorou por ela”.
Meus irmãos, que expressão sublime de empatia cristã e dedicação à obra de Deus! Paulo revela um coração genuíno, que não almeja a glória celestial apenas para si. Longe de qualquer egoísmo ou egocentrismo, ele anseia pela salvação de muitos. Sua visão não se limita ao próprio bem-estar; ele deseja que outros experimentem a imensurável alegria da redenção.
Às vezes, nosso comportamento se distancia do exemplo de Paulo e de Jesus. Podemos não demonstrar tanta preocupação com a salvação dos outros, o que se reflete na falta de iniciativa em compartilhar nossa fé. Em algumas ocasiões, buscamos aliviar essa postura focando apenas na salvação de nossos parentes e amigos. No entanto, isso pode nos levar a uma visão mais limitada, quando na verdade somos chamados a olhar para todos com amor e compaixão.
Embora testemunhemos o sofrimento de Paulo por seus conterrâneos, é evidente que sua missão se voltou primordialmente aos gentios, refletindo um coração que abraça a todos, sem distinção. Sua preocupação não se limitava a um povo, mas se estendia a todos aqueles que buscavam a verdade e a salvação.
(9. 4-5) São israelitas. A eles pertence a adoção, assim como a glória, as alianças, a promulgação da Lei, o culto e as promessas. 5Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém!
Entretanto, neste trecho, o sofrimento de Paulo revela-se pontual, pois os israelitas receberam privilégios únicos, sendo alvo de demonstrações especiais do cuidado divino. Mais do que outros povos, mais do que os gentios, mais do que os próprios romanos, foram eles os destinatários de graças singulares, tornando seu pesar ainda mais profundo e significativo.
Para Paulo, o amor de Deus por Israel sempre resplandeceu como um fio dourado entrelaçado na história. Desde a aliança com Abraão, quando resguardou Isaque, o filho da Promessa, Deus demonstrou Sua fidelidade. Ele foi bondoso, protegendo Israel da fome por meio de José, e poderoso ao libertá-los da escravidão pelo braço forte de Moisés.
Com mãos generosas, Deus entregou a eles a terra prometida, expulsando inimigos e moldando-os como nação. Sua graça os sustentou, mesmo diante de cada afastamento, pois Seu amor não se quebranta. Foi benigno, providenciando alimento, curas, livramentos e celebrações. E, acima de tudo, foi o Redentor, trazendo-lhes a salvação através de Cristo.
Jesus foi a mais sublime manifestação do amor e do cuidado de Deus por Seu povo. Nós, brasileiros, ousamos dizer: “Deus é brasileiro”, mas não é. Deus, na pessoa de Cristo, veio como judeu, caminhou por aquela terra, respirou sua história, amou Seu povo com um amor eterno.
Desde os dias de Abraão, Deus esteve presente—velando, guiando, sustentando. Israel nunca esteve só; sempre foi envolto no abraço divino, protegido e descansando a sombra do Onipotente.
O amor de Deus nunca se escondeu, jamais foi velado ou distante. Ele permaneceu fiel, constante, imutável. Mas, em sua indiferença, foram eles que escolheram ignorá-Lo, afastando-se do brilho da graça que sempre os envolveu.
O que realmente precisa ser levado a sério é que a rejeição de Israel não ocorreu por palavras explícitas, como um grito de afastamento—"Não queremos Deus!"—mas sim por suas atitudes diárias, silenciosas e constantes. Foi uma rejeição vivida, manifestada na idolatria do coração, na afeição desmedida pelos filhos, pelo conforto, pelos títulos e status, pelos bens materiais—tudo colocado acima de Deus. Foi uma rejeição evidente no desprezo pela Palavra, na escolha seletiva do que lhes convinha, na adulteração da verdade que os confrontava. E foi também marcada pela ausência de oração genuína, onde as palavras buscavam persuadir homens, em vez de humilhar-se diante do Senhor.
E essa mesma rejeição ainda ocorre hoje, quando muitos escolhem amar mais as coisas e as pessoas do que amar a Deus. Quando deixam de buscar e obedecer às Escrituras, quando suas orações se resumem a pedidos interesseiros e egoístas, sem entrega verdadeira. Quando ignoram a Igreja e a comunhão, como se fossem meros detalhes descartáveis. Tudo isso, no fim, é uma forma de dizer a Deus, sem palavras, que Ele não é prioridade, é uma forma de rejeitá-Lo.
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Por isso...
Deixe de lamentar por coisas triviais e volte seu coração para o que realmente importa: a alma e a eternidade das pessoas.
Reconheça o cuidado de Deus em sua vida e responda com gratidão, serviço e adoração constantes.
Apegue-se e alegre-se nas promessas do Senhor, sabendo que Ele vela por você em todo tempo.
Exalte e bendiga o nome de Deus onde quer que esteja, pois Ele é fiel, bondoso e provedor para Seus filhos.
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