O MINISTERIO FINAL DO REI EM JERUSALÉM - Marcos 11.1-26

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INTRODUÇAO

O livro de Marcos tem o duplo propósito de apresentar Jesus como “o Messias” (identificando Jesus com o Rei dos judeus) e também de apresentar Jesus como “o Filho de Deus (identificando Jesus como o Rei universal, já que os reis romanos eram identificados por esse título). Ver Mc 1.1
Marcos 1.1 ARA
Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
O livro de Marcos apresenta duas divisões clássicas:
O MINISTERIO DO SERVO (1.1-8.26) — O ministério de curas e pregação do evangelho autenticam a autoridade messiânica do servo.
A MISSÃO DO SERVO (8.27-16:20) — A morte e ressurreição autenticam o cumprimento da missão do servo.
Caminhando por essa segunda parte do livro de Marcos, aprendemos que Jesus passou a ensinar aos discípulos sobre a importância da sua morte e ressurreição (8:31; 9:31; 10:33). Enquanto subia para Jerusalém, Jesus aproveitou varias oportunidades para ensinar também as atitudes requeridas daqueles que almejavam ser cidadãos do seu Reino: Humildade, Unidade, Desprendimento das riquezas, Serviço aos outros e sobre a importância da fé.
Aqui no capitulo 11, é o inicio do clímax do evangelho: A chegada do Rei, conforme anunciado em 1.1. O povo aguardava o Messias, o seu libertador para prestar honras a ele!

I - A ENTRADA TRIUNFAL DE JESUS EM JERUSALÉM (V. 1-11)

A recepção do Messias como o Rei de Israel como cumprimento das profecias do Antigo Testamento revela as diferentes expectativas em relação a Ele.
Jesus chegou em Jerusalém, na ocasião do chamado “Domingo de Ramos”. Estava começando a semana do feriado da Pascoa (14 de nisã).
Jesus foi recebido com honras pelo povo, esse ato de colocar as vestes e ramos na chegada era uma tradição usada para receber os novos reis! Montado em seu jumentinho, o Messias era homenageado pelo povo que gritava “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!”.
Os judeus esperavam que Jesus fosse manifestar o seu poder como Messias para livrar o povo do jugo dos gentios (Romanos).
Aqui nesse ponto podemos destacar algumas importantes lições.

1. O plano de Jesus para cumprir as profecias do Antigo Testamento.

Jesus estava cumprindo pelo menos duas profecias de Zacarias 9.9 e outra de Salmos 118.26
Zacarias 9.9 ARA
Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.
Salmo 118.26 ARA
Bendito o que vem em nome do Senhor. A vós outros da Casa do Senhor, nós vos abençoamos.
Um pouco diferente das outras profecias, que naturalmente se cumpriram, nessa Jesus pessoalmente dá instruções para que tudo saia conforme o esperado, ele estava determinado em cumprir tudo o que Deus já havia revelado. A Palavra de Deus é fiel e podemos confiar nela!

2. Os diferentes tipos de pessoas que participaram do plano de Jesus.

Há aqueles que participam mais ativamente do plano de Jesus: Os dois discípulos.
Esses que já haviam acompanhado Jesus durante todo seu ministério, ja tinham visto muitos milagres, e conforme a declaração de Pedro em Mc 8.29 eles sabiam que Jesus era realmente o Messias.
Jesus faz dá uma ordem estranha para eles, mas eles sem questionar obedecem e tudo acontece exatamente como Jesus havia dito (v. 2-6).
Para participar ativamente da obra de Jesus é necessário fé e obediência. Algumas vezes não entendemos os planos de Deus para nós, mas é preciso fé para obedecer sem questionar, Jesus garante o resultado!
Há os que participam do plano, mas não tem um compromisso real com Jesus: A multidão.
Eles acreditavam de alguma forma que Jesus era o Messias, muitos deles acompanharam as curas, multiplicações de comida, os ensinos… Eles até citaram os Salmos identificando Jesus com o Messias prometido no AT, mas eles parece que eles não creram realmente em Cristo.
Lá na frente quando Jesus foi preso e eles perceberam que Jesus não estava libertando os judeus do jugo do Império Romano, eles facilmente foram dissuadidos pelos lideres dos judeus para pedirem a morte de Jesus.
Esse é o resultado de uma fé rasa de quem conhece Jesus superficialmente. As igrejas hoje estão cheias desse tipo de pessoas. Quando vem a dificuldade, muitos abandonam a fé.
Há os que estão indiferentes a Jesus, eles se recusam a crer nele: Os judeus no Templo.
Naquele mesmo dia Jesus foi ao Templo, observou tudo e depois se retirou para Betânia. Perceba aqui um contraste entre a recepção do povo na entrada da cidade e a recepção no Templo, parece que no último as pessoas não estavam esperando Jesus com tanta empolgação.
Jesus apenas os observa, faz as suas avaliações e se retira. Vejamos o que Jesus tem para eles nos versículos seguintes.
Lição: Jesus está cumprindo seu plano nessa terra e somente aqueles que entram num relacionamento genuíno de fé e obediência podem participar ativamente desse plano.

II — A FIGUEIRA AMALDIÇOADA E A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO (V. 12-19)

A falsa religiosidade é condenada por Jesus, pois não apresenta os frutos esperados e é motivada pela ganância dos homens.

1. JESUS AMALDIÇOA UMA FIGUEIRA (V.12-14):

V.12 - Já no dia seguinte, Jesus saiu de Betânia e retornou para Jerusalém. Betânia era a cidade de Lázaro, Maria e Marta, amigos de Jesus.
V.13 - Um fato interessante: Jesus estava com fome e avistou uma figueira com folhas, e foi ver se achava algum fruto para aliviar sua fome. Chegando perto da árvore não encontrou frutos, pois não era a época (estação) dos figos. Vamos pensar um pouco:
1. Será que Jesus não sabia que aquela não era a estação dos figos? Eu creio que Ele sabia! 
2. Se Jesus sabia, por que foi procurar mesmo assim? Jesus buscava os chamados frutos temporão, que se trata do fruto que vem antes da estação apropriada (Na 3:12) “Todas as tuas fortalezas são como figueiras com figos temporãos; se os sacodem, caem na boca do que os há de comer.”
Concluímos então eu Jesus sabia o que estava fazendo, ele não foi à toa até a figueira.
V.14 - Decepcionado, Jesus amaldiçoou aquela figueira, dizendo que nunca mais alguém comeria fruto dela, mesmo na época correta dos figos. Há uma ênfase do autor mostrando que seus discípulos ouviram aquelas palavras sobre a figueira
O exemplo da figueira é usado para ilustrar dois importantes ensinos para as nossas vidas.

2. JESUS EXPULSA OS CAMBISTAS E DENUNCIA O FRACASSO RELIGIOSO DOS JUDEUS (V.15-19)

V.15-16 ­– Jesus chegou a Jerusalém e novamente se dirige diretamente ao Templo. Ele já havia observado tudo com antecedência e já estava determinado no que iria fazer.
Ele expulsou os mercadores e os clientes que estavam negociando na Casa de Deus, Ele derrubou as mesas dos que faziam cambio (troca de moedas) e também as mesas do que vendiam pombas. Os que subiam para Jerusalém na época das festas precisavam fazer seus sacrifícios e depositar suas ofertas, muitos vinham de outros países. Eles não carregavam os animais durante a viagem, eles levavam a quantia em dinheiro para comprar em Jerusalém. Era algo mais pratico a se fazer e não havia problema nisso.
O problema ocorreu a partir do momento em que os sacerdotes “alugavam” uma parte do templo chamada de “pátio dos gentios” para que os mercadores fizesses suas negociatas ali mesmo dentro do templo, dando lucro também aos lideres religiosos.
V.17 - Ele passou a ensinar (exortar) sobre o que havia de errado naquela situação: Os gentios estavam sendo impedidos de adorar a Deus por causa da ganancia dos líderes religiosos. Desde o principio o plano de Deus era alcançar todas as nações da terra através do testemunho do povo escolhido (Ex 19:5-6). Eles desprezaram o mandamento de Deus, transformando o pátio dos gentios em uma feira livre.
Outra acusação é que os mercadores muitas vezes enganavam o povo aumentando os preços, por isso Jesus disse que se tratava de um covil de ladrões, pois se aproveitavam da fé das pessoas!
V.18-19 - Qual foi a resposta por parte da liderança? Incredulidade e Rebeldia!
Nesse ponto do ministério de Jesus os embates seriam com os lideres religiosos e políticos de Jerusalém: Os principais Sacerdotes e os Escribas deles. Os fariseus não disputavam o poder politico e não tinham influencia na administração do templo. Agora Jesus estava desafiando o STF daquela época ele estava enfrentando os “peixes grandes”.
1. Eles não creram em Jesus como Messias e por não crerem estavam mais preocupados com seus cargos políticos e com o lucro que tinham no que faziam.
2. A Incredulidade os levou a Rebeldia, como não podiam contestar o ensino, eles planejavam matar à Jesus, pois o povo dava credibilidade as suas palavras, eles podiam perceber a autoridade do ensino de Jesus!
Lição: A falta de frutos é uma característica da religiosidade vazia que é acompanhada da falta de fé em Jesus.

III ­­­– A LIÇÃO DA FIGUEIRA E O PODER DA ORAÇÃO (V. 20-26)

A maldição contra a figueira serve como encorajamento aos discípulos para que continuem a crer em Deus a despeito da rejeição do Servo por Israel
Agora, uma pergunta precisa ser feita: “Por que o Senhor traz uma lição sobre a oração neste momento?”
Jesus já havia deixado a pulga atrás das orelhas de seus discípulos quando falou a figueira (V .14), a intenção de Jesus era ensiná-los algo mais profundo do que apenas uma figueira morta.
V. 20-21 A surpresa dos discípulos em verem a figueira seca.
Esse trecho começa nos informando que ao retornar para Jerusalém (terça-feira da paixão) enquanto estavam a caminho, cedo da manhã, os discípulos viram a mesma figueira que Jesus havia amaldiçoado, completamente morta. Seca, desde a raiz até a última folha. Isso surpreendeu eles, ao ponto de Pedro perguntar a Jesus como ela havia secado em tão pouco tempo (possivelmente menos de 24 horas).
Os discípulos não entendiam como era possível ter acontecido tão rápido aquela mudança, em um período curto de tempo.
A resposta de Jesus, no entanto, soa um pouco inesperada, imprevisível, surpreendente.
V .22-26 Jesus ensina seus discípulos que a oração é caminho para revelar o poder de Deus.
A resposta que Jesus dá a eles é que eles precisam ter fé em Deus (v. 22). Agora, o que essa resposta significa? Qual a relação entre a maldição que Jesus lançou sobre a figueira, com a fé em Deus?
A relação entre os dois eventos é que, Jesus está ensinando os seus discípulos a acessarem o mesmo poder usado por Ele quando falou com a figueira. O poder exercido por Jesus ao amaldiçoar a figueira, ao condenar o sistema religioso judaico da época, poderia ser acessado pelos discípulos. Mas, como eles poderiam ter acesso ao mesmo poder? Através da oração, estando em harmonia (alinhado) com a vontade e Deus.
Lição: A oração revela o poder de Deus da mesma forma que Jesus o revelou quando amaldiçoou a figueira.
Os discípulos, por meio da oração podiam experimentar do mesmo poder que Jesus mostrou ao fazer secar a figueira (v. 23). De maneira ilustrativa, Jesus diz que eles poderiam lançar o monte das Oliveiras para dentro do mar somente com o poder de suas palavras (“...se alguém disser a este monte...”).
Mas, para acessarem esse poder eles deveriam ter algumas virtudes, algumas características, alguns pré-requisitos.
A Fé
A falta de fé é primeira barreira que nos impede de acessar esse poder porque sem fé é impossível crer em Deus e também receber ao Senhor Jesus como Senhor e salvador da tua vida. A fé é certeza das promessas que esperamos e a convicção de que Deus existe e fez tudo por meio de Sua Palavra e que Jesus esteve aqui na terra e que morreu, foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia para nos dar salvação (Hb 11.1-3).  
A falta de fé impede o agir de Deus na nossa vida. O exemplo da fé de Pedro na pesca maravilhosa em Lc 5:1-8 e também a fé do paralitico e seus amigos em Lc 5.20.
Aqui a ideia é: Estamos tão seguros da resposta da nossa oração, que o que pedimos já aconteceu ou que já recebemos. Mesmo antes de eu pedir.
O Perdão
A falta de perdão é o segundo obstáculo que nos impede de acessar esse poder.
Os discípulos deveriam ter um coração transformado pelo amor de Deus, que os levariam a perdoar qualquer ofensa, seguindo o padrão do próprio Deus (V. 25-26).
Aqui temos dois aspectos do perdão:
O primeiro é vertical – Recebemos o perdão de Deus, unicamente pela sua Graça, nos merecíamos o inferno, mas ele mandou seu Filho Jesus para morrer pelos nossos pecados e nos dar a vida eterna.
O segundo é horizontal – O perdão deve ser concedido ao próximo revelando um coração grato que reconhece a Graça de Deus em sua vida.
Muitas vezes consideramos o perdão como coisa de somenos, mas é algo muito sério! O ensino aqui e em varias outras passagens (Mt 6.12-15, Ef 4.32) é que Deus retem o perdão aos nossos próprios pecados. A falta do perdão gera um divida acumulada que é cobrada pelo próprio Deus.

CONCLUSÃO (Implicações e aplicações)

1. A figueira sem frutos é uma representa a nação infrutífera de Israel em suas praticas religiosas vãs, em consequência da ganancias dos lideres religiosos. Em outra ocasião Jesus havia usado a mesma ilustração (Lucas 13:6-9). Assim como o judaísmo daquela época não apresentava frutos, hoje também muitos que se dizem católicos e evangélicos seguem meros rituais religiosos vazios, mas suas vidas não produzem os frutos esperados. Toda árvore que não produz fruto é cortada e lançada ao fogo!
2. Jesus exortou os lideres religiosos pela sua ganancia e má fé. Desde a época de Jesus até os dias de hoje, muitas igrejas ou lideres de igrejas usam a fé e religiosidade das pessoas como fonte de lucro pessoal. Foi assim na igreja católica com a venda de indulgencias, assim também os neopentecostais/neo-evangélicos prometem milagres e prosperidade para enganar as pessoas. Devemos observar os frutos e nos desviar dos tais!
3. Diante dos ensinos de Jesus temos que avaliar que tipo de resposta vamos dar. Os sacerdotes escolheram a incredulidade e a rebeldia por causa da sua ganancia. Há sempre um ídolo em nosso coração que vai nos levar a essa rebeldia contra Jesus.A Palavra de Cristo também nos exorta a deixar a rebeldia e incredulidade (Hb 3:15-19).
4. Devemos orar com fé, nunca duvidando. Essa oração deve estar de acordo com todo o ensino das Escrituras (Tg 4.3), assim Deus concederá conforme a sua vontade. Essa oração deve ser acompanhada de um coração que reflete o coração amoroso e perdoador do próprio Deus.
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