Viva em obediência ao Criador - Gn 1.24-31
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Leitura Texto: Gn 1.24-31 - 1 min - 0”
24 Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez. 25 E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. 26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. 31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.
ILUSTRAÇÃO: 3 min - 1”
Em 2008, foi inaugurado na fronteira entre a Suíça e a França o Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo, construído pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, o famoso CERN. Com 27 quilômetros de extensão e um custo superior a 9 bilhões de dólares, o objetivo era um só: descobrir como o universo começou.
Milhares de cientistas se uniram nesse projeto com o sonho de recriar as condições que teriam existido nos primeiros instantes do universo. Mas, após anos de pesquisa, o máximo que conseguiram foi gerar resultados parciais, hipotéticos, e até hoje nada conclusivo foi encontrado e debates continuam. Apesar de todo o conhecimento, poder e recursos, a origem da vida continua sendo um mistério para a ciência.
E então, abrimos a Bíblia. Gênesis 1 declara com clareza o que a ciência não pode explicar: em seis dias, Deus criou todas as coisas, e no sexto dia, criou o ser humano à Sua imagem, e viu que tudo era muito bom.
Você percebe o contraste?
Enquanto cientistas constroem túneis subterrâneos para tentar compreender o início, Deus criou tudo:
Como um Click,
com uma simples palavra.
Enquanto o mundo investe bilhões para entender de onde viemos, Gênesis nos mostra não apenas como viemos a existir, mas o porquê de sermos criados: por Deus, com dignidade, vocação e propósito.
Somos mais do que matéria ou um choque de partículas, fomos criados à imagem do Criador.
E como fomos criados por Ele, a única resposta digna é viver em obediência ao seu chamado.
Meus irmãos, e este é exatamente o tema do nosso sermão:
Viva em obediência ao Criador,
Contexto
Estamos diante de um dos textos mais belos e significativos de toda a Escritura: o relato do sexto dia da criação, registrado em Gênesis 1.24-31.
Este texto, escrito por Moisés sob inspiração divina, não é apenas um registro histórico antigo, é a revelação de como o Criador decidiu nos contar a origem de todas as coisas.
Lembremo-nos de que Moisés não estava presente na criação. Ele recebeu esse relato por meio da revelação do próprio Deus (Êxodo 24.4 ), e isso nos ensina algo essencial: não conheceríamos corretamente nossa origem se Deus mesmo não nos revelasse. E Ele o fez com palavras poderosas, organizadas com beleza e propósito.
Ao lermos Gênesis 1, percebemos um ritmo, uma estrutura, uma ordem. Há paralelos e progressões que não são casuais. Os dias se conectam, e há um movimento crescente em direção a algo grandioso. Quando chegamos ao sexto dia, sentimos que o texto está nos preparando para um clímax não apenas na ordem da criação, mas no propósito da nossa existência.
É isso vamos trazer neste sermão neste sermão:
o que torna esse sexto dia tão especial?
O que ele nos revela sobre o Criador e sobre nós mesmos?
Antes de focarmos no sexto dia, é importante lembrar brevemente o que aconteceu nos dias anteriores da criação.
No primeiro dia, Deus criou a luz, separando-a das trevas.
No segundo, fez a expansão, separando as águas de cima e de baixo.
No terceiro, reuniu as águas, fez surgir a porção seca e criou toda a vegetação.
No quarto dia, formou os astros — o sol, a lua e as estrelas — para governar o tempo.
No quinto dia, criou os peixes e as aves. E no início do sexto, os animais da terra.
Cada dia revela um Deus que trabalha com ordem, sabedoria e propósito. Nada foi feito ao acaso.
Tudo foi preparado progressivamente para um momento culminante: a criação do ser humano.
É neste ponto que o texto muda de tom. O ritmo desacelera. O foco se intensifica.
Aqui começa a parte mais nobre da criação.
Frase de transição: Diante de tantas riquezas fundamentais trazidas pela escritura sagrada, em especial a de que fomos criados à imagem de Deus, vamos olhar para a primeira verdade que o texto impõe a nós é que para Viver em obediência ao criador, você deve:
1 REFLETIR A IMAGEM DE DEUS v.24-27 - 9 min - 4”
Meus irmãos, no verso 24, o texto começa com a frase “E disse Deus...”, cujo verbo hebraico pode ser entendido também como “ordenou”.
Não é apenas uma fala, é uma ordem do Criador.
Quando olhamos o texto, nos versos 24 e 25, vemos uma distinção fundamental: os animais são criados “segundo a sua espécie”, mas o ser humano é criado “à nossa imagem”.
Diferente de todas as outras criaturas, o ser humano não é feito apenas com uma ordem direta.
Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem”. O verbo está no plural e isso ecoa um conselho interno na divindade.
A Trindade está em ação: Pai, Filho e Espírito agindo em harmonia na criação do homem.
Isso marca a singularidade e o valor incomparável do ser humano.
Esse mesmo verbo "façamos, também carrega um sentiodo mais profundo, o de manufaturar.
Quando se trata da criação dos animais, Deus “faz” conforme as espécies (v. 25).
Mas com o homem, há um cuidado mais direto — o homem é “feito com as mãos”, vejamos o que diz (Gn 2.7).
7 Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.
O homem feito a mão a partir do pó da terra ,
Isso indica proximidade, intenção e afeição divina na criação humana. O ser humano é formado da mesma terra da qual vêm os animais.
Mas é moldado diretamente pelas mãos de Deus, e a ele é concedida a imagem divina.
Imagine um artista muito habilidoso que faz a sua arte com muito cuidado, ele prepara suas ferramentas, modela o seu objeto a partir de algo bruto, ele aplica tudo o que ele tem, seu conhecimento, criatividade, toda a beleza da sua arte, a singeleza das formas, e imprime uma imagem que saiu da sua mente para expressar a sua arte.
Isso expressa uma verdade profunda: o homem é parte da criação, mas tem um chamado superior, como representante do Criador.
Essa mesma ideia aparece no Salmo 139.13, onde Davi declara:
13 Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe.
O verbo תְּ֝סֻכֵּ֗נִי descreve o ato de tecer, entrelaçar fios, como um bordado minucioso.
Assim, ao contrário dos animais, criados por ordem divina, o ser humano é apresentado como uma obra de arte pessoal do Criador.
Agora o porque dessa distinção, o porque dessa criação tão especial?
Essa expressão “imagem de Deus” carrega uma carga profunda de significado.
Segundo Hoekema “A imagem de Deus não é uma parte do homem, mas a totalidade do homem como ele foi criado para se relacionar com Deus.”
Para ilustrar essa ideia de correspondência, Provérbios 27.19 nos diz:
19 Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim, o coração do homem, ao homem.
Assim como um reflexo na água revela a forma e os traços de um rosto, a humanidade foi criada para refletir a natureza e o caráter de Deus, para que haja uma semelhança entre o original e a representação.
Mas meus irmãos, essa imagem foi manchada pelo pecado, como vemos em Gênesis 3.
A Queda distorceu nosso reflexo de Deus.
O homem que refletia, passou a querer se esconder, pois não mais refletia a pureza da imagem do Criador.
Ilustração: O Espelho Inteiro
Imagine um grande espelho pendurado na parede de uma sala. Esse espelho foi cuidadosamente feito para refletir perfeitamente a imagem de quem passa por ali. Ele não está rachado, nem embaçado, nem sujo. Toda a sua superfície reflete com nitidez, em detalhes, a pessoa que está diante dele.
Agora imagine que, com o tempo, esse espelho caiu no chão e quebrou. Alguns pedaços continuam refletindo, mas de forma distorcida, limitada, e muitos fragmentos se perderam. Por mais que você chame o melhor vidraceiro para conserta-lo, Ele já não cumprirá plenamente seu propósito: refletir com fidelidade a imagem.
Assim é o ser humano
Quando Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem, Ele os fez como um "espelho inteiro" toda a sua vida, seu ser, sua mente, suas emoções, sua vontade, seu corpo, tudo refletia perfeitamente quem Deus é. A imagem de Deus não era apenas uma "parte" do homem, como a razão ou a moralidade; era a totalidade do seu ser voltado para Deus, em relacionamento com Ele.
Mas com o pecado, esse espelho caiu e se quebrou. Ainda há reflexos, o homem ainda é homem, ainda carrega traços da imagem de Deus, mas a plenitude dessa imagem, o reflexo total e verdadeiro, foi distorcido.
João Calvino ao tratar dessa passagem diz:
[...] Mas agora, mesmo que se achasse em nós resquícios de alguns traços obscuros dessa imagem, eles, ainda assim, estariam tão danificados e mutilados que não seria falso afirmar que foram destruídos…
Você de estar se perguntando, como posso refletir a imagem do Criador?
Contudo, há uma boa notícia em meio a isso, a imagem é restaurada em Cristo,
Ele é "...a imagem do Deus invisível" (Cl 1.15), e em nele somos transformados à semelhança de Cristo, ou,
como Efésios expressa, "revestir-vos do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade" (Ef 4.24).
por meio dEle, Deus está reconstruindo em nós aquilo que foi perdido.
O plano de Deus não é simplesmente colar um pedaço aqui ou ali, mas restaurar o espelho inteiro a totalidade do nosso ser, para que voltemos a refletir plenamente a glória de Deus em relacionamento com Ele.
Olhe para o Espelho da Graça, ao contemplar sua própria humanidade, marcada pelas cicatrizes do pecado, não se desespere.
O verdadeiro espelho que revela a plenitude da Imago Dei é o rosto de Jesus Cristo, como diz Paulo aos coríntios:
6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
Nele vemos a perfeita relacionalidade com o Pai, a capacidade moral e espiritual sem mácula, a representação fiel de Deus diante da criação.
como afirma Lutero:
Assim, a imagem da nova criatura principia a ser restaurada pelo Evangelho nesta vida, mas não termina de sê-lo aqui. No entanto, no reino do Pai, quando a restauração for concluída, a vontade será livre de fato, a mente se iluminará de verdade, e a memória persistirá.
Meu amado, irmão a notícia díficil é que a sua imagem foi manchada pelo pecado de Adão,
Mas nós temos uma este excelente notícia de que em Cristo, somos chamados a ser restaurados à semelhança dessa imagem perfeita.
Ele atua como um artista restaurando uma pintura antiga danificada.
Ele cuidadosamente limpa, preenche as lacunas e redesenha os traços originais. Cristo faz isso em nós, restaurando a beleza original da imagem de Deus.
Reflita a imagem do Criador na sua vida, imitando o nosso Salvador, o uínico que refletiu perfeitamente ao Pai
Reflita essa imagem do cordeiro imaculado,
Reflita a imagem daquele que veio e cumpriu perfeitamente a vontade do Pai.
Frase de Transição: Vimos, portanto, que em primeiro lugar, para viver em obediência ao Criador, você deve Refletir a imagem do Criador. A criação à imagem de Deus nos confere uma dignidade única, mas também invoca responsabilidades impostas pelo Criador a nós. Para que você viva em obediência ao Criador, você deve em segundo lugar, devemos:
2 OBEDECER AO CHAMADO DO CRIADOR V.28 - 9min - 13”
28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
A partir do verso 28 de Genesis 1, vemos que Deus não apenas nos deu a sua imagem, Ele nos deu um propósito!
Ele nos abençoou e nos deu uma missão clara com cinco imperativos: frutificar, multiplicar, encher a terra, dominar e sujeitar.
Destas cinco ordens quero destacar uma, o domínio, algo que nos distingue completamente do restante da criação.
Irmãos, Esse chamado para "dominar" pode nos soar estranho hoje, pensamos logo em poder, em controle, soberania.
Ao analisar o verbo “dominar” no original,
Temos a ideia de ter domínio, governar, de exercer autoridade, mas percebemos que o modo verbal que expressa um comando, desejo ou permissão.
Assim, podemos entender nesta passagem que o Homem recebe uma ordem que expressa o desejo do Senhor para dominar,
mas o autor do texto, coloca Deus como o Soberano, supremo governador, em posição de superioridade, expressando a Sua vontade.
Isso nos leva a entender que o domínio não soa como algo que o homem deve fazer simplesmente como função, mas ele deve fazer isso obedecendo a ordem do Supremo governador.
A intenção do autor não era de que homem tivesse a função de um governador tirano de pisar, esmagar e subjugar a criação, mas governar com responsabilidade, como um rei justo que cuida do seu povo em obediência ao Criador. O chamado para 'dominar' deve ser entendido como um convite para governar a criação de forma responsável, refletindo o próprio governo de Deus."
Devemos ter em mente, que esse domínio nunca foi nosso por direito próprio.
Somos administradores, mordomos. Acima de nós está sempre o Criador, a quem devemos prestar contas.
Essa é a tensão do nosso chamado: governar, sim, mas sempre em submissão a Deus.
Mas como devemos fazer isto? através da:
Em Genesis 1, Deus nos confiou essa terra, essa criação maravilhosa, para cuidarmos dela. Mas Não somos donos, somos inquilinos, administradores.
Imaginem um jardineiro que cuida de um jardim. Ele não o destrói, não o explora para ganho próprio. Ele o cultiva, o protege, sabendo que ele pertence ao dono da casa. Assim deve ser conosco.
Mas a triste verdade é que falhamos nessa missão.
Adão e Eva, em vez de cuidarem do jardim e governarem com gratidão, se rebelaram contra Deus (Gn 3). Quiseram ser como Deus, tomar o lugar dEle. E essa desobediência trouxe a ruína.
A Escritura Sagrada demonstra que a maneira pela qual a vocação humana é exercida revela a postura do coração humano para com Deus.
Afinal, como nos lembra: 1Samuel 15.22'Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar', e
João 14.15 afirma que 'Se me amais, guardareis os meus mandamentos'.
A obediência, portanto, emerge como um elemento crucial na compreensão do propósito divino para a humanidade.
O Antigo Testamento apresenta figuras régias que, apesar de sua investidura de poder, ilustram as consequências da desobediência.
O Rei Davi, proeminente líder de Israel, exemplifica essa realidade. Embora ungido por Deus e agraciado com sucessivas vitórias, Davi cedeu à tentação e ao orgulho, culminando em atos de profunda desobediência. O episódio de seu adultério com Bate-Seba (2 Samuel 11) não apenas manchou seu reinado, mas também desencadeou uma série de eventos trágicos. A subsequente angústia espiritual e física de Davi é eloquentemente retratada no Salmo 32, onde ele declara no versículo 3:
"Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos por causa dos meus constantes gemidos o dia todo".
Poder ver também, a decisão de Davi de realizar um censo em 2 Samuel 24, motivada pela soberba, resultou em juízo divino sobre a nação.
A trajetória de Davi, portanto, serve como um paradigma de que o poder desvinculado da obediência a Deus conduz à ruína.
1.2.1 Homens de Obediência: Um Modelo de Fidelidade
Em contraste, a narrativa bíblica também apresenta indivíduos que escolheram trilhar o caminho da obediência, mesmo diante de desafios.
Moisés, por exemplo, criado na corte egípcia, respondeu ao chamado divino para libertar o povo de Israel, renunciando ao poder e à riqueza do Egito (Êxodo 3; Hebreus 11.24-26).
José, por sua vez, enfrentou a escravidão e a injustiça, mas resistiu à tentação e exerceu sua posição de autoridade no Egito para o bem-estar do povo como vemos em Gênesis 39.
No contexto neotestamentário:
Apóstolo Paulo emerge como figura central. Ele se autodenominava "escravo de Cristo", Romanos 1.1, enfatizando sua submissão ao Senhor.
Paulo exortou os crentes a imitarem a Cristo nas suas cartas,
A verdadeira liderança se manifestava no serviço conforme 1Coríntios 1.31 e 2Coríntios 4.5:
31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
A sagrada Escritura demonstra consistentemente que a obediência a Deus é fundamental para o exercício adequado da vocação humana.
Enquanto a obediência honra a Deus e conduz à bênção, a desobediência invariavelmente acarreta consequências negativas.
ILUSTRAÇÃO:
Irmãos, eu quero compartilhar com vocês um pouco da minha jornada. que deve ser familiar para muitos de vocês.
No ano de 2021, eu e minha esposa estávamos bem estabelecidos no ramo da construção civil. Nossos dias eram cheios de projetos, entregas, planilhas e obras. E, no íntimo, eu pensava: “Estamos sendo úteis para o Reino. Podemos servir com nossos recursos, ajudar a igreja com dízimos e ofertas... Isso também é ministério.”
Nesse ano em especial, passei a ter cada vez ter mais sede da Palavra e quanto mais eu me aproximava da Palavra, mais ela me confrontava. E quanto mais eu orava, mais sentia dentro de mim um chamado que não podia mais ser silenciado. As pranchetas e as obras perderam o sentido. Os contratos pareciam vazios. Havia algo maior sendo erguido, mas não com tijolos.
Voltei para casa várias vezes do trabalho, em silêncio, em lágrimas, lutando com o que sentia. Até que decidi contar à minha esposa. Confessei com temor que acreditava que Deus me chamava para o ministério pastoral, e que não conseguia mais fugir disso. Então depois de um tempo ouvindo, ela para, olha para mim com olhos marejados e
“Se Deus está te chamando, vamos juntos.”
Fechamos nosso negócio. Ela deixou o emprego. Viemos para o seminário sem garantias, sem segurança, sem plano B, só com fé. E dia após dia, vimos a fidelidade do Senhor nos surpreender. Um parceiro sustentou quase tudo. Uma igreja nos acolheu. E aqui estamos.
Mas, queridos irmãos, eu não conto isso para falar sobre mim. Conto porque sei que vocês conhecem esse mesmo caminho.
Talvez você tenha deixado sua carreira, talvez sua estabilidade, sua família, seu conforto. Talvez você ainda enfrente dias de incerteza, orando por provisão, por graça, por força.
Eu sei [pausa de silencio] porque eu também estou aqui.
E o que nos une neste lugar é o mesmo chamado: Obedecer ao nosso Deus, Somos apenas mordomos da missão de Deus.
Então, quando os dias forem difíceis — e eles virão — lembre-se: não estamos aqui por sucesso, mas por obediência.
Trabalhe com excelência.
Estude com temor.
Sirva com alegria.
Não por reconhecimento, mas como um ato de adoração Àquele que nos chamou.
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Co 10.31)
Que cada esforço nosso aqui, mesmo no cansaço, seja um eco da cruz — e que Cristo seja sempre o centro da nossa vocação.
A figura de Jesus Cristo representa o ápice da obediência. Ele, em contraste com a falibilidade humana, demonstrou uma obediência irrestrita ao Pai.
Cristo veio para fazer a vontade do Pai o apostolo João diz:
"...Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou". (João 6.38),
aprendeu a obediência por meio do sofrimento "...embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu."(Hebreus 5.8)
Seu exemplo revela que o verdadeiro domínio se expressa no amor, no sacrifício e na entrega total
42 dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.
Transição
Vimos que em primeiro lugar viver em obediencia é refletir a imagem do Criador, em segundo lugar vc deve obedecer ao chamado e em terceirto lugar o texto nos mostra que voce deve:
3 CELEBRAR A BONDADE DO CRIADOR v.29- 31 - 9min - 22”
Os Versículos de 29 a 31 de gênesis 1 expressam claramente o cuidado de Deus para conosco desde a criação.
Deus não somente nos orienta a cumprir o nosso mandato, mas ele demonstra claramente o seu cuidado em nos suprir de tudo aqui que necessitamos.
Parafraseando o texto ele diz que a criação servirá de mantimento para nós. Ao longo do história da humanidade, sobretudo no contexto bíblico veterotestamentário, vemos Deus sustentando os Seus, mesmo depois da queda do homem:
Gn 3 o homem pecou, e Deus co briu a sua vergonha.
Gênesis 4.15 Caim pecou, mas Deus amaldiçoou quem tocasse em Caim, Deus manda o maná em meio ao deserto.
Deus supriu o povo de Israel diante do cativeiro.
15 O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse.
Deus sempre demonstra seu amor para conosco.
Embora muitas vezes o seu amor e bondade não pareçam o melhor para nós, sob a nossa ótica distorcida pelo pecado.
Muitas vezes olhamos para as barreiras que temos a enfrentar, o nosso objetivo parece muito mais distante e difícil, temo um caminho árduo a seguir. Diante das muitas horas de estudo aqui no seminário, com leitura e mais leituras, provas e trabalhos. Com notas Que muitas vezes não refletem aquilo que representa o nosso esforço. Nesse momento nós costumeiramente baixamos nossas frontes, nos entristecemos e desanimamos e murmuramos conta Deus.
Deus é um pai que não só ordena ensina, mas ele é cuidadoso para conosco.
Meu Irmão, se você tem medo, insegurança de que Deus, pode te suprir, olhe para a sagrada escritura, Deus criou, ordeno
refletir é obedecer, obedecer é agradar. O mantenedor deste processo é o Próprio Criador.
Os versos 29-30, nos dizem que deus nos Deu todas as ervas, todas as sementes, todos os animais. Tudo para o nosso mantimento, para nos suportar.
Ele ordena, requer obediencia, mas ele próprio é que sustenta nessa jornada.
Portanto A obediência não é um fardo — é o reflexo da imagem de Deus restaurada em nós.
O verso 31 nos traz a resposta ao ápice da criação no sexto dia!
Para compreendermos a profundidade dessa obediência, precisamos voltar ao clímax da criação, descrito em Gênesis 1:31. O texto nos diz:
"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E houve tarde, e houve manhã: o sexto dia."
A palavra "muito bom" aqui é crucial. Como bem observa o comentarista Reyburn:
"Neste versículo, todos os atos criativos estão completos. E Deus viu tudo o que havia feito: veja o versículo 4 e o versículo 10. E eis que era muito bom: aqui, eis que chama a atenção e enfatiza muito bom." [18]
Assim podemos observar que essa é a primeira vez que Deus usa essa intensidade para descrever sua criação. Nos dias anteriores, ele viu que era "bom" (טוב - tov). Mas aqui, após a criação do ser humano, ele declara que é "muito bom" (טוב מאד - tov me'od).
Essa mudança linguística no hebraico não é mera coincidência. Ela aponta para o fato de que a criação atinge sua plenitude, seu propósito máximo, com a criação do ser humano. Adão e Eva, em sua inocência, refletiam a imagem de Deus de forma perfeita, e sua obediência ao propósito divino de governar a criação era parte integrante dessa perfeição.
No Jardim do Éden, a obediência não era um fardo, mas a expressão natural de sua relação com Deus. Eles caminhavam em harmonia com o Criador, com o próximo e com a própria criação. Sua vocação era exercida em perfeita sintonia com a vontade divina.
No entanto, a história não termina aí. Deus, em sua infinita misericórdia, enviou seu Filho Jesus Cristo para restaurar aquilo que foi perdido. Em Cristo, a Imago Dei
é renovada, e somos capacitados pelo Espírito Santo a viver em obediência.
A obediência, portanto, não é apenas uma resposta à salvação, um mero cumprimento de regras. É, na verdade, um retorno ao propósito original para o qual fomos criados.
É viver de acordo com o desígnio de Deus para a humanidade desde o princípio.
E aqui, a vida do apóstolo Paulo nos serve de exemplo inspirador. Paulo, em sua jornada, enfrentou inúmeras dificuldades, perseguições e sofrimentos por causa do evangelho. Ele poderia ter desistido, ter se desviado do chamado. Mas, em vez disso, escolheu a obediência radical.
Em 2Timóteo 2.10
10 Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória.
Em 2Timóteo 4.6-8, próximo de sua morte, ele declara:
6 Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. 7 Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. 8 Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.
Paulo via sua vida como uma oferta a Deus, um cumprimento fiel de sua vocação. Ele sabia que a recompensa da obediência não era terrena, mas eterna. Sua perspectiva nos desafia a viver da mesma forma.
Fomos criados com o potencial para refletir a imagem de Deus e cumprir seu propósito.
A obediência é o processo que nos transforma de uma "semente" para uma "árvore frutífera" que glorifica a Deus.
Aplicação:
Irmãos, assim como a obediência de Adão e Eva no Éden contribuía para a perfeição da criação, nossa obediência hoje, capacitada pela graça divina, contribui para a manifestação do Reino de Deus na Terra.
Somos chamados a obedecer em todas as áreas de nossa vida: em nossos relacionamentos, em nosso trabalho, em nossa família, em nossa igreja. Refletir a imagem de Cristo em nossas ações e palavras é a essência da verdadeira obediência.
É importante lembrar que essa obediência nem sempre será fácil. Haverá momentos de luta, de sacrifício, de renúncia. Mas, assim como Paulo, precisamos manter nossos olhos fixos na recompensa eterna, na alegria de agradar a Deus e de cumprir o propósito para o qual fomos criados.
Que a graça de Deus nos capacite a viver em obediência, restaurando em nós a beleza da Imago Dei e glorificando o nome do Senhor em tudo o que fazemos.
A Palavra como Guia e Cristo como Exemplo:
A Palavra de Deus é o nosso guia para a obediência, mas o próprio Cristo é o nosso exemplo supremo.
Ao estudarmos as Escrituras, vemos como Jesus viveu em perfeita obediência ao Pai em todas as coisas.
Contemple a obediência de Cristo, desde a sua encarnação até a sua morte na cruz, e permita que ela inspire e motive a sua própria jornada de fé e obediência.
A Obediência Capacitada pela Graça: Nossa obediência não é uma tentativa de ganhar a aceitação de Deus, mas uma resposta grata à graça redentiva que recebemos em Cristo. Ele cumpriu a lei perfeitamente por nós (Rm 8.4), e agora nos capacita, pelo seu Espírito, a viver em novidade de vida (Rm 6.4). Portanto, busque obedecer a Deus não por medo ou obrigação, mas por amor e gratidão ao sacrifício de Cristo.
A Palavra como Guia e Cristo como Exemplo: A Palavra de Deus é o nosso guia para a obediência, mas o próprio Cristo é o nosso exemplo supremo. Ao estudarmos as Escrituras, vemos como Jesus viveu em perfeita obediência ao Pai em todas as coisas. Contemple a obediência de Cristo, desde a sua encarnação até a sua morte na cruz, e permita que ela inspire e motive a sua própria jornada de fé e obediência.
CONCLUSÃO - 4 min - 31”
9 e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,
Essa alegria divina se concentra de forma especial na criação do ser humano, a coroa de sua criação, feito à sua imagem e semelhança.
No entanto, como sabemos, essa alegria foi ofuscada pela queda. O pecado introduziu a desarmonia e a distorção, quebrando o relacionamento entre Deus e o homem e danificando a própria imagem divina em nós.
Mas a boa notícia é que Deus, em sua infinita graça, não abandonou sua criação.
Ele enviou seu Filho Jesus Cristo para realizar a obra da reconciliação. E aqui, encontramos um paralelo poderoso com a alegria de Gênesis 1:31.
Em Romanos 5:10-11, Paulo nos diz:
10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
A palavra "reconciliação" em grego, embora signifique primariamente a restauração de um relacionamento rompido, aponta para algo mais profundo. Teologicamente, ela implica na restauração da própria imagem de Deus em nós.
Assim como Deus se alegrou na criação do homem à sua imagem em Gênesis 1:31, ele se alegra agora na obra de Cristo, que nos restaura a essa imagem original.
Em Cristo, os "pedaços" da nossa humanidade quebrada são reunidos, e somos renovados à semelhança do Filho.
Nossa obediência, capacitada pela graça, é a resposta a essa obra maravilhosa, é o reflexo da imagem de Cristo em nós, para a glória de Deus.
Que possamos viver, então, com a mesma alegria de Deus em Gênesis 1:31 e com a mesma exultação de Paulo em Romanos 5:11, sabendo que em Cristo, somos recriados para a glória do Criador!
Toda a criação reflete a glória de Deus.
Mas só o homem carrega sua imagem — e, por isso, também carrega uma responsabilidade.
Você não é um acidente.
Não está aqui por acaso.
Você foi criado para algo maior.
Você é imagem de Deus.
Essa verdade define sua dignidade, orienta sua missão e exige sua obediência.
Mas essa imagem foi quebrada. Perdemos nossa identidade no pecado. Por isso, Cristo — a imagem perfeita — veio ao mundo. Viveu, morreu e ressuscitou para nos restaurar à imagem original. Em Cristo, você é chamado a viver o que foi criado para ser.
Apelo pastoral
Talvez você tenha vivido como se sua vida fosse comum. Talvez tenha esquecido de quem você é, ou esteja tentando ser quem não foi chamado para ser. Hoje, Deus te lembra: você carrega a Sua imagem. E em Cristo, você pode viver como reflexo da Sua glória.
Exortação final
Viva em obediência ao seu Criador, fortalecido pela graça de Cristo:
Refletindo a imagem de Deus com a dignidade que Cristo nos concede,
Obeceça ao chamado do Criador com a fidelidade e o serviço de Cristo,
Celebre a bondade do Criador com o temor e a alegria que brotam do amor de Cristo.
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