SE NÃO OUVEM A PALAVRA DE DEUS, CERTAMENTE NÃO SE CONVERTERAM!

Evangelho de Lucas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Lucas 16.14-32

 O sermão dessa noite fala sobre contrastes, o texto de Lucas é estritamente claro. Podemos não gostar, ou até mesmo discordar. Mas, não podemos dizer que o texto não é claro.
Lucas 16 é um capítulo divido em três partes. Temos na primeira parte a parábola do Administrador infiel, seguido por interlúdio, que seria a segunda parte e proporciona conexão e transição entre a primeira e última parábola.
- O problema da avareza, o amor ao dinheiro é o ponto central de todo esse capítulo. Essa informação será de extrema importância para a compreensão acertada da segunda parábola (O rico e Lázaro).
Acredito que a chave de compreensão de todo esse texto está no versículo 15: “Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus”.
- Portanto, devemos nos conscientizar cuidadosamente do que realmente valorizamos mais na vida, Deus ou as coisas deste mundo. Nossas ações serão sempre o resultado dessas escolhas.[1]
Dito isso, vamos ao texto!
Começamos pela reprovação de Jesus aos Fariseus registrada do versículo 14 ao 17.
- 14Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam. 15Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus. 16A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. 17E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei”. [2]
- O texto nos diz que: Os fariseus, que eram avarentos, não gostaram do que ouvirem, e por isso ridicularizavam Jesus.
- Para entendermos o comportamento dos fariseus, precisamos lembrar de como Jesus terminou a primeira parábola. Ele disse:
“11Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? 12Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?   13Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. [3]
- Se é difícil para vocês serem fiéis em coisas temporais, acreditam que serão fiéis com as eternas?
- Se vocês não conseguem cumprir o dever em coisas materiais e temporais, vocês estão certos de que serão fiéis com as coisas eternas, cumprindo e obedecendo, por exemplo a Palavra de Deus?
- Jesus então diz em alto e bom tom: “Ninguém pode servir a dois senhores [...] Não podeis servir a Deus e às riquezas”
- Esse é contexto!
- Então, os fariseus ficaram incomodados, e começaram a ridicularizar Jesus. Esse é modo muito comum nos perdedores, nos mentirosos, arrogantes, aqueles que são fiéis ao seu próprio imaginário lutando contra a verdade.
- Uma vez que não conseguem contra-argumentar, eles atacam seus oponentes com “Falácias Materiais”. Peter Kreeft, em seu livro “Lógica Socrática” dedica o terceiro capítulo para tratar desse tipo de pessoa.
- Deixe-me abrir um parêntese para falar disso, que acredito que servirá para sua vida como um todo: Peter Kreeft, distingue dois tipos de falaciosos. (Uma falácia é um raciocínio que parece lógico e verdadeiro, mas contém erros que o tornam inválido ou enganoso. Em outras palavras, é um argumento que, embora possa parecer convincente, não se sustenta sob análise crítica).
Os falaciosos formais, são aqueles cometem erros na conclusão formal de uma sentença ou pensamento. Por exemplo: “Alguns homens são mortais” (certo) “Alguns mortais são peixes” (certo) “Alguns homens são peixes” (errado). (As falácias formais, são erros de operação no terceiro ato da mente [conclusão]).
- Os falaciosos materiais, acredito que são os mais perigosos, são erros de conteúdo, matéria ou significado.
- E deixe-me te orientar sobre isso, boa parte daqueles que não são o que devem ser diante de Deus, buscam justificar-se por meio dessa fórmula.
- Ele se justificam por meio de diversas falácias
1 – As falácias de linguagem – Me equivoquei, não entendi, espantalho (atacam ou apegam-se a algo sem significado).
2 – As falácias de desvio – Esses cometem o Ad hominem (apelo à pessoa) o que significa “envenenar o poço” ou o Tu quoque (“você também”). Ad verecundiam, que é um apela à autoridade – o que os judeus faziam com muita frequência. Ad baculum, apelo à força, o que mais tarde esses mesmos fariseus usaram para matar Jesus. Ad populum (apelo às massas).
- Eu poderia apresentar aqui certa de mais tipos de falácias materiais empregadas pelos perdedores, por aqueles que buscam justificar sua própria conduta.
- O que esses homens estão fazendo com Jesus, ridicularizando-o, é buscar envenenar o poço, a fim de que ninguém beba dessa água.
- Jesus então responde: “15Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.”
- Vocês justificam a vocês mesmos diante dos homens (Ad populum). A resposta de Jesus está contextualizada com a atitude do Administrar Infiel. Esses homens buscam aceitação dos homens, acreditam que sua conduta terrena, os justificará diante de Deus.
- Por que não és fiel a Deus? bem, tenho pais doentes!
- Por que não és fiel a Deus? Veja só, tenho filhos doentes!
- Por que não és fiel a Deus? Tenho muitas contas!
- Por que não és fiel a Deus? Não tenho muito para oferecer!
- Por que não és fiel a Deus? Sou muito atarefado, trabalho muito a semana toda.
- Por que não és fiel a Deus? Tenho meus motivos!
- Por que não és fiel a Deus? Fiel? O que significa isso? Vou a igreja toda semana, jejuo e dou meu dízimo. Entendi, e por que não és fiel mesmo assim?
- Jesus termina essa sentença dizendo: “Aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus”.
- “Pois aquilo que as pessoas acham que vale muito não vale nada para Deus”. (NTHL)
- Jesus diz: “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei”.[4] – Vocês pensam que podem justificar-se perante Deus, as palavras dadas por Deus serão cumpridas, letra por letra, acento por acento.
- Céu e terra passará, mas essa Palavra será cumprida!
- Aplicação?
Abandone suas falácias, suas desculpas e justificativas para não fazer, não servir, não se dedicar àquilo que Deus exige de você!
- Se vocês não forem fiéis com os bens e bênçãos terrenas que eu coloco em vossa mão, não pensem que receberam as dádivas e bênçãos eternas.
Acerca do Divórcio
Esse texto não é aleatório, ele foi posto propositalmente por Lucas. Acredita-se que ele tenha um duplo sentido, o primeiro literal, ele diz e ensina o que está dizendo e ensinando. Em segundo lugar, ele teria um “sentido”, uma aplicação espiritual.
- Neste sentido, Jesus quer dizer aos fariseus, que a revelia de sua vontade ou gosto, ninguém se apartará da lei. E todo aquele que tentar tornar-se adultero. Vou explicar isso melhor!
“Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”. [5]
- Em certo sentido, Jesus acrescenta esta máxima sobre o divórcio (16.18) como uma ilustração da continuidade da validade da lei.
- Em outro, ele vai além e exemplifica as relações do novo reino, transcendendo as expectativas judaicas. A Torá foi explícita a esse respeito em Deuteronômio 24.1, com um certificado de divórcio escrito apenas para “algo indecente”.
- Já a escola rabínica de Hilel interpretou-a apenas como adultério. A escola mais influente de Hilel, os discípulos, entretanto, a transformou em uma cláusula “sem culpa”, ou seja, de qualquer coisa que desagradasse ao marido.
- Jesus aqui não permite nenhum fundamento, dizendo: “Qualquer um que se divorciar de sua esposa e casar com outra mulher comete adultério”, e depois a estende acrescentando: “e o homem que se casa com uma mulher divorciada comete adultério”.
- Jesus está dizendo que o casamento é uma aliança de marido e mulher não apenas um com o outro, mas também com Deus, e quebrar essa aliança por qualquer razão constitui adultério aos olhos de Deus.
- Ele o afirma de duas maneiras para enfatizar seu argumento: tanto aquele que se divorcia e se casa novamente e aquele que se casa com aquela pessoa comete adultério.
- Ele não menciona nenhuma exceção, afirmando apenas o princípio básico. Em outros lugares, duas exceções são encontradas — o divórcio causado por adultério (Mt 5.32; 19.9) e o divórcio iniciado por um descrente (1Co 7.12–16).
- Sua ênfase aqui é que a continuidade da validade da lei se reflete em seu ensinamento sobre divórcio e novo casamento. Ele está construindo sobre os princípios da Torá no desenvolvimento da nova ética do reino.[6]
O Rico e Lázaro
- Peço que em sua mente continue todo o princípio daquilo que vimos e ouvimos anteriormente, essa parábola é parte daquilo que Jesus ensinou até aqui com talvez uma grande diferença, ou um acréscimo profundo, Jesus fará um contraste entre vida, morte e eternidade.
- Há quem tenha pensado que essa fosse uma narrativa histórica e não uma parábola. O narrativa tem todas as particularidades de uma parábola, incluindo, por exemplo, o introdutório: “havia um homem rico que...”
- Jesus desenvolve, nesta parábola, ainda mais a conexão de Mamon com a salvação.
Elementos Alegóricos
O homem rico tipifica os fariseus com seu amor pelo dinheiro.
- Lázaro, aqui simboliza os pecadores oprimidos que são negligenciados e desprezados pelos fariseus.
- O tema da inversão, visto, por exemplo na parábola do Filho Pródigo, é visto aqui. O homem rico, que tem tudo nesta vida não tem nada na próxima, além de dor e sofrimento. Lázaro, o mendigo mais pobre que se pode imaginar, tem o funeral mais extravagante da Bíblia.
- A ensino da parábola é: Uma chamada para o uso sábio dos recursos oferecidos por Deus em vida, pois eles ecoaram na eternidade.
- Observação: Hoje pela o Pb. Felipe me ajudava me apontando algumas questões no texto. Há o terrível perigo de pessoas falaciosas utilizem esse de maneira progressista, interpretando o texto dentro de um viés político, assim afirmando que o Evangelho é contra os ricos e a favor dos pobres. Essa é uma típica falácia lógica.
Jesus em todo esse capítulo, não está atacando a riqueza, mas o amor a ela. O problema não está em ter isso ou aquilo, mas você colocar o seu coração nisso ou naquilo. “Onde estiver o teu tesouro, ali estará o seu coração”.
v.19-21 “19Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. 20Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.” [7]
- O texto começa apresentando o contexto social do “rico”, que é descrito de forma luxuosa, com “púrpura e linho fino” e vivendo no luxo. Este tipo de vestuário era usado pela realeza e pelos muito ricos.
- A “púrpura” era um manto de lã muito caro tingido de roxo fenício derivado de centenas de pequenos caramujos, e o “linho” era roupa íntima chique e extravagante. A descrição teria lembrado aos leitores do primeiro século as vidas dos Herodes ou dos Césares. “Viver no luxo” é na verdade “comer suntuosamente” e se refere aos incríveis banquetes e hábitos alimentares das pessoas extremamente ricas.[8]
- Em contraste, no portão deste homem rico esnobe estava, sem dúvida, um mendigo aleijado (deitado ali) que também estava coberto com o tipo de feridas que o marcariam como um leproso impuro naquela época.
- O nome Lázaro significa “aquele a quem Deus ajuda”.
- O homem rico não precisa de ajuda, mas Lázaro depende completamente de Deus.
- Este é o ponto central de toda a história.
- Nenhum outro personagem de qualquer parábola é jamais nomeado, portanto, isto é algo extremamente significativo.
- Os nomes mostram o significado de uma pessoa, e este multimilionário não tem significado individual (sem nome), enquanto Lázaro é o que tem verdadeiro valor.[9]
- Coberto da cabeça aos pés com feridas ulcerosas, ele anseia pelas migalhas que “caíam da mesa do homem rico” (16.21).
- Alguns pensam que as “migalhas” eram pedaços de pão que os ricos tiravam ao limpar suas mãos e mesa de gordura da refeição e depois jogavam para os cães.
- Os cães eram saciados, e o mendigo não recebia nada. Provavelmente isso significa que ele não recebeu nada e estava praticamente faminto.
- Enquanto o homem rico comia a comida mais cara que o dinheiro podia comprar, do lado de fora de seu portão, o pobre Lázaro estava morrendo de fome.
- O homem rico não fez nada por Lázaro, e esses mesmos cães (animais selvagens impuros, não animais de estimação) “vieram e lamberam suas feridas”.
- Ele sofreu uma degradação atrás da outra. A disparidade é tão grande quanto possível, desde o homem mais rico até o mais pobre mendigo em toda a Palestina.[10]
Como disse, o texto aponta três contrastes: 1) contraste na vida; 2) contraste na morte; 3) contraste na eternidade. Na vida, um é rico e o outro pobre; na morte, um é sepultado e o outro, como indigente, talvez não tenha tido um sepultamento digno; na eternidade, um está no céu e o outro no inferno.[11]
- Aplicação 1: Duas realidades diametralmente opostas são colocadas aqui. A ostentação egoísta do rico, tudo em sua vida reflete alegria, felicidade e prazer. Vive de consumo e ostentação, usa das riquezas, do bem estar para propagar virtude.
- O rico não é acusado de crimes horrendos. Não é tachado de caluniador, fraudulento, assassino, adúltero, ébrio ou imoral. Tampouco é acusado por ser rico. (Não há nenhuma sentença moral contra ele – Pb. Felipe)
- Seu problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema dele não é a riqueza, mas a riqueza sem Deus. Esse rico não tem tempo para Deus nem para o próximo necessitado à sua porta. Seu deus é o dinheiro.[12]
- Seu problema não era a riqueza, mas a riqueza sem Deus e sem amor. William Barclay tem razão ao dizer que não foi o que o rico fez que o condenou, mas foi o que o rico não fez que o levou ao inferno.[13]
- Do outro lado temos Lázaro, tendo falta de tudo que sobrava ao rico.
v.22 – “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado”.[14]
 - O texto não traz nenhuma informação acerca da situação religiosa de um ou de outro.
- Mas Lázaro era evidentemente um fiel servo de Deus, pois, quando morreu, os anjos o levaram para o seio de Abraão. O rico, por sua vez, por causa de seu estilo de vida, fazia do prazer o seu deus.
- As privações do mendigo e a suntuosa abastança do rico por fim terminaram de modo igual. Chegou o momento em que ambos morreram.
- Rienecker diz que, para Lázaro, a morte trouxe o fim de seu sofrimento terreno, e, para o rico, o fim de sua felicidade na terra.
- Lucas contrasta a pobreza extrema de um e a riqueza imensa do outro do lado de cá da sepultura. Um banqueteava todos os dias, e o outro passava fome todos os dias. Um vestia-se de púrpura e linho finíssimo, e o outro, de trapos. Mas há diferenças entre eles que não aparecem nas roupas, nas casas nem na posição social.
- A morte chegou para ambos. A morte não respeita idade nem condição social. É o sinal de igualdade na equação da vida. Ricos e pobres vieram do pó, são pó e voltam para o pó. Ricos e pobres não trouxeram nada para este mundo e nada levarão dele. Não há caminhão de mudança em enterro nem gaveta em caixão.
- A morte um dia bateu à porta de Lázaro. No seu sepultamento, não houve cortejo fúnebre, nem flores, nem hinos, nem discursos, pois ninguém se importava com ele ou sentiu falta dele. Lázaro desceu à sepultura sem pompa, sem holofotes, sem aplausos humanos.
- O texto silencia completamente sobre seu funeral. Não sabemos ao certo o que fizeram com o corpo de Lázaro. Do que sabemos acerca dos cães do Oriente, podemos até afirmar que eles foram os seus agentes funerários, o seu cortejo e a sua sepultura.
- Com um estremecimento de nojo nos afastamos, dizendo: “Que tragédia!” Mas, até aqui vimos apenas um lado da história.
- Agora, Jesus levanta a ponta do véu e mostra que a vida depois da morte é real. Mostra que a sepultura não é o fim da existência.
Um dia a morte chegou também ao rico e arrancou o copo da alegria de seus dedos cheios de anéis. A doença chegou à sua vida sem mandar telegrama. E ele morreu.
- Embora o texto nada fale sobre a pompa de seu funeral, ela deve ter manifestado a pujança de sua riqueza. E que funeral! Todos os parentes estavam lá. Muitos amigos de banquetes. A urna mortuária refletia o seu imenso poder econômico. Enfim, o esquife baixou à sepultura. Agora, todos dizem: “Descansou!” Ah, não se esqueça, esse é apenas um lado da história. Há mais, muito mais.[15]
v.23-26 “No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.  24Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. 26E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. [16]
- A parte material, visível e temporal foi apresenta. Aquilo que todos os homens viram. O rico, “feliz”, abastado, parece ter sido abençoado por Deus, haja visto que tudo teve em abundância. Já Lázaro, doente, pobre e “infeliz”, parece ter recebido o castigo de Deus. Dentro da mentalidade religiosa, ele nasceu assim pelos seus próprios pecados ou pecados de seus pais (lembra do cego de nascença?); - Essa mentalidade ainda impera hoje, em especial entre os Neopentecostais, que associam riqueza e sucesso com aprovação de Deus.
- Jesus está descortinando o invisível, está levantando o véu físico, e nos permitindo ver o metafísico, o invisível.
- Esse descortinar de Jesus é chocante, pois revela uma realidade que poucos estão dispostos a encarar.
- Depois da morte, o contraste no destino destes dois homens continuou, mas agora a situação está invertida. Uma vez que uma pessoa tenha morrido, sua condição, seja de bem-aventurança ou de condenação, está fixada para sempre. Não existe uma segunda chance. Vejamos.
- Em primeiro lugar, a bem-aventurança eterna de Lázaro(16.22). Quando a cortina foi levantada depois da morte de Lázaro, vemos anjos carregando Lázaro para o seio de Abraão, para o céu.
- O nome Lázaro significa “Deus é o meu auxílio”. Embora desprezado pelos homens e considerado escória da sociedade, no ostracismo social, esquecido, doente, faminto, só rodeado por cães leprentos, ele confiava em Deus. “O rico tinha tudo menos Deus; Lázaro não tinha nada senão a Deus.”
- No seio de Abraão, havia consolo. Quão cedo Lázaro se esqueceu dos seus andrajos, de sua fome, dos cães, das noites frias, do homem rico que não o assistiu na miséria. Ele foi afinal consolado!
- Em segundo lugar, a desventura intérmina do rico(16.22b–31). Aquele que viveu aqui sem Deus, depois da morte, abriu os olhos e estava no inferno, um lugar de tormentos. Se isso não bastasse, das chamas do inferno, ainda conseguia ver Lázaro e notar sua felicidade. Enquanto Lázaro repousava no seio de Abraão, o rico não teve repouso nenhum no inferno.
- O julgamento não acontece nesta vida. A palavra de Deus diz: Ao homem está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disto o juízo(Hb 9.27). Primeiro vem a morte, depois o juízo. Quando transgredimos as leis da natureza, sofremos imediatamente as consequências.
- Quando colocamos a mão no fogo, logo sentimos dor. Mas as leis de Deus podem ser aparentemente transgredidas repetidas vezes sem nenhum castigo.
- O homem que blasfema não parece sofrer com isso. O homem que rouba parece ter motivos para se vangloriar, pois aparentemente vive melhor do que quando não roubava.
- Aquele que vive sem freios morais pode deleitar-se com os prazeres efêmeros do pecado.
- Mas as Escrituras não dizem que toda vez que pecamos Deus envia um anjo com vara de ferro para nos bater.
- A Bíblia diz que Deus marcou um dia em que vai julgar os homens. e eles não poderão fugir de Deus, mas terão de prestar contas por todas as palavras frívolas, todas as obras injustas, todas as omissões pecaminosas e todos os pensamentos impuros.
- Será o dia do juízo! Ah, o Dia do juízo!
- O homem rico não despertou santo. A morte não transforma um pecador num santo. Quem morre na impiedade passa toda a eternidade na impiedade. O texto em apreço mostra várias imagens aterradoras do inferno.
- O inferno é lugar de tormento 16.23). O inferno é descrito aqui como um lugar de tormento, de chamas inextinguíveis, de fogo que não se apaga, de fumaça que sobe pelos séculos dos séculos.
- O inferno é descrito por Jesus como um lugar onde o bicho jamais deixa de roer.
- O inferno é lugar de total ausência de comunhão. Lá é uma prisão, um lugar de trevas eternas.
- O inferno é um lugar onde não há consolo(16.23–25). O homem ali verá a bem-aventurança sem dela usufruir (16.23), clamará sem ser atendido (16.24), será atormentado sem receber refrigério (16.25).
- O inferno é um lugar de onde não se pode sair (16.26) O inferno é definido na Bíblia como uma prisão de algemas eternas (Jd 6,13). Não haverá chance de arrependimento no inferno. Será uma prisão eterna. Será o castigo eterno. Há um abismo intransponível que separa o inferno do céu. Há um caráter de irreversibilidade da sorte de uma pessoa depois da morte.
- O inferno é um lugar onde o pedido de socorro não é atendido (16.27). Não há alívio no inferno. Não há pedidos atendidos no inferno. Não há chance de reverter a situação no inferno.
- O inferno é um lugar de lembranças das oportunidades perdidas (16.27,28). Se as memórias amargas já atormentam os homens nesta vida, quanto mais os afligirão por toda a eternidade. Ah, quantas oportunidades perdidas! No primeiro minuto de inferno, os ímpios se lembrarão dos avisos solenes de Deus. Não haverá ateus no inferno. Não haverá agnósticos no inferno.
- O inferno é um lugar de onde não se pode mais ajudar a família (16.28–30). O tempo de se arrepender é agora. O tempo de evangelizar é agora. O tempo de ajudar alguém é agora. No inferno, os ímpios são inteiramente responsáveis por não terem ouvido as advertências das Escrituras (16.27–31).
- Alguém ressuscitado dentre os mortos não trará convicção alguma àqueles que recusam as Escrituras. Quão equivocado ele estava! Realmente apareceu ao povo alguém dentre os mortos. E o seu nome era Lázaro (ainda que não o Lázaro da parábola).
- A história encontra-se em João 11. O resultado foi que todos se converteram? Absolutamente não! O resultado foi que os inimigos de Cristo planejaram a morte de Lázaro que fora ressuscitado (Jo 12.10) e estavam decididos mais do que nunca a destruírem a Cristo (Jo 11.47–50).
- O inferno é um lugar de duração eterna(16.26). O que é eternidade? É um conceito que vai para além do entendimento humano. Podemos entender o tempo, mas não a eternidade. Imagine um beija-flor afiando o seu bico de mil em mil anos num grande rochedo. Quando esta pedra estiver totalmente gasta, terá passado um pouco da eternidade. O profeta Isaías menciona chamas eternas (Is 66.24). O profeta Daniel fala em vergonha eterna (Dn 12.2). João Batista e Jesus se referem a um fogo que não se apaga (Mt 3.12; Mc 9.43). O apóstolo Paulo fala sobre destruição eterna (2Ts 1.9). O apóstolo João diz que os ímpios serão atormentados pelos séculos dos séculos (Ap 14.11). Thomas Brooks afirma que os ímpios viverão no inferno enquanto Deus viver no céu.
Concluímos com as lições solenes da passagem apontada por John Charles Ryle:
1.           A posição que um homem ocupa diante dos outros nem sempre é a mesma que ele ocupa diante de Deus. O pobre tinha graça, algo que o rico não possuía. O pobre tinha fé e andava nas pegadas de Abraão, enquanto o rico era egoísta e estava morto nos seus delitos e pecados.
2.           A morte vem a todas as pessoas. A morte vem a todas as classes de pessoas. Tanto o sofrimento do pobre quanto a luxúria do rico findaram com a morte. A morte é o sinal de igualdade na equação da vida. Houve um tempo em que ambos morreram.
3.           Deus leva os salvos para o seio de Abraão na hora da morte. Lázaro era pobre, mas possuía tudo; o outro era rico, mas não possuía nada. Um morreu e foi para o céu; o outro foi sepultado e foi para o inferno.
4.           As pessoas não convertidas descobrirão o valor da alma tarde demais. Enquanto viveu, o rico jamais pensou em sua alma. Estava apenas buscando deleites para o seu corpo e não fez nenhuma provisão para sua alma. Quando estava no inferno, despertou para a realidade da alma, mas já era tarde demais.
5.           Os milagres não ajudam as pessoas que desobedecem à palavra de Deus. O maior dos milagres é insuficiente para ajudar alguém que rejeita a palavra de Deus. A confiança na palavra de Deus é a condição para a salvação (16.31). A pessoa que escuta a palavra de Deus, mas ainda espera por mais evidências para se converter, está enganando a si mesma e poderá acordar no inferno.
Concordo com Rienecker quando ele diz que o testemunho das Escrituras se reveste de tanta relevância e validade que sozinho já é suficiente para produzir uma conversão. Um sinal milagroso que age sobre os sentidos de forma alguma é comparável ao testemunho extraordinário das Escrituras.
Concluo dizendo que a doutrina do inferno não é uma verdade popular. Não agrada aos ouvidos. Choca as pessoas mais sensíveis. O ser humano não gosta de ouvir sobre o inferno. Contudo, pior do que ouvir sobre o inferno é ser lançado nele.[17]
[1] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 409.
[2] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.14–17.
[3] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.11–13.
[4] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.17.
[5] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.18.
[6] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 411–412.
[7] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.19–21.
[8] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 413.
[9] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 413.
[10] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 413–414.
[11] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 484.
[12] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 484.
[13] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 484–485.
[14] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.22.
[15] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 485–486.
[16]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.23–26.
[17] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 486–491.
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