(1 Co 8)
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 12 viewsNotes
Transcript
Agora nós saímos de um tema e passamos a outro. Saímos do tema do casamento e passamos a tratar dos ídolos, especialmente da comida sacrificada aos ídolos, do capítulo 8 ao 10. E mais uma vez devemos aprender que esses temas na verdade sempre tratam de coisas mais profundas. Aqui devemos aprender mais sobre o orgulho, a liberdade de consciência e o amor ao próximo.
É muito provável que Paulo esteja respondendo a alguma pergunta sobre comida sacrifica aos ídolos. Em uma cidade como Corinto, havia muitos templos e muitos deuses, e era comum frequentar um templo onde alimentos eram oferecidos a ídolos. A comida era oferecida ao ídolo na forma de um sacrifício, mas parte da comida era reservada para aqueles que celebravam no templo; as sobras eram vendidas no mercado.
Devemos aprender aqui nesse capítulo em especial que os crentes devem buscar a edificação da fé dos irmãos. Existiam alguns que se vangloriavam do conhecimento que tinham, mas Paulo explica como o amor é mais importante do que o mero conhecimento. Paulo também ensina que há apenas um Deus e um Senhor, e que os ídolos nada são. E que devemos amar os fracos, e nos abster daquilo que pode prejudicar a fé deles.
Schreiner: Os crentes imitam o amor sacrificial de Cristo na cruz quando renunciam a seus desejos em prol dos outros.
1-3
1Coríntios 8.1 “No que se refere às coisas sacrificadas a ídolos, reconhecemos que todos somos senhores do saber. O saber ensoberbece, mas o amor edifica.”
A questão da comida sacrificado aos ídolos, apesar de ser algo tão pra nós, era um tema muito vívido pra os coríntios. Haviam muitos templos e muitos deuses, e as refeições nesse contexto eram muito comuns, e era a vida normal no passado de muitos que haviam se torna cristãos. Muita gente frequentava os templos pagãos, e parar com isso era de certa forma se afastar da vida da pólis, da vida social da cidade, e ser excluído socialmente. Além do fato de que a carne sacrificada era vendida no mercado.
Aqui Paulo se refere a dois grupos em Corinto: os que tinham conhecimento, que acreditavam que comer aquela comida era besteira; e os fracos, que acreditavam que comer era pecado. Parece que no final, de certo modo, Paulo acaba discordando dos dois grupos.
Os que tinham conhecimento, que eram mais estudiosos da teologia, que entendiam os efeitos da morte de Jesus e saibam que os ídolos eram nada, se ensoberbeciam disso, e essa soberba, esse orgulho, tinha efeito sobre os mais fracos na fé. Os mais fracos não entendiam as implicações do sacrifício de Jesus que lhes trazia liberdade, e tinham certo receio quanto aos ídolos. Eles atribuíam muito poder aos ídolos, e por isso concluíam que não se podia comer daquela comida.
Então Paulo começa com uma repreensão sobre os “conhecedores”, que sabiam das coisas, mas não amavam os irmãos mais fracos. Paulo mostra: que utilidade tem o conhecimento que leva um irmão à ruína?” “Que utilidade tem o conhecimento que não faz nada além de nos deixar arrogantes, inflados?” Esse é o conhecimento sem amor. Pra nada serve.
É claro que Paulo não está condenando o conhecimento em sim, como muitos fazem. Paulo não era ante intelectualista, pelo contrário, precisamos conhecer pra ser salvos. Paulo quero mostrar o efeito do conhecimento sem temor a Deus e amor aos irmãos.
Calvino: os descrentes tiram vantagem de seus dons divinos para se exaltarem. É assim que riquezas, honras, posições oficiais, nobre nascimento, boa aparência e coisas semelhantes sobem à cabeça do ser humano; pois são arrebatados por uma equivocada confiança nessas coisas, tornando-se tão insolentes quanto podem.
Mas perceba que isso não é culpa da cultura, do conhecimento, mas esse é o coração humano. É que nós fazemos quando tomamos de algo, destituídos de amor.
Você imagina o que é uma igreja que diz que a teologia corrompe, a teologia divide, que condena uma igreja por estudar demais etc. Por traz disso está o pensamento equivocado de que o mal está fora de nós e não dentro de nós. Na verdade, isso é transferir a culpa pra cultura, pra o conhecimento, e isentar o ser humano da sua maldade. A mesma coisa acontece com as riquezas. Quando a gente pensa que uma pessoa é má porque possui algo, porque possui demais, e sem perceber muitas vezes colocamos a culpa no dinheiro, quando na verdade o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. O problema está no nosso coração.
O conhecimento na verdade é bom se lembrarmos sempre que o temor do Senhor é seu fundamento.
E aqui devemos perceber a ironia dessa situação. É que esses coríntios, que julgavam conhecer sobre os ídolos, acabaram se tornando seu próprio ídolo, porque colocavam seus interesses à frente dos interesses de seus irmãos.
1Coríntios 8.2–3 “Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.”
Então Paulo traz uma conclusão devastadora: Aqueles que se orgulham de seu conhecimento não possuem verdadeiro conhecimento, no sentido de que não aplicaram o conhecimento que têm de maneira correta.
Gálatas 6.3 “Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana.”
O verdadeiro conhecimento é adornado com humildade e acompanhado de amor. Vocês percebem, como nossas virtudes estão conectadas? Deus, quando nos dá os dons do Espírito e dá um único Espírito: se conhecemos então devemos amor. Não há verdadeiro conhecimento sem amor e humildade.
MH: Não há prova de ignorância mais comum do que a presunção de conhecimento.
Além disso, é extraordinário o fato de que quanto mais verdadeiramente conhecemos, mais humildes nos tornamos e não o contrário. Quanto mais vemos quem Deus é mais vemos quem nós somos. Devemos usar isso como um princípio para os nossos estudos. Um pastor por exemplo que está sempre estudando a Palavra deve observar o efeito que isso causa na sua alma. Se ficamos mais arrogantes não estamos entendendo nada!
Paulo não está ensinando a gente sermos falsos humildes - a saber das coisas e fingir que não sabe. Ele está ensinando que quem é verdadeiramente sabe, quando ele não sabe ele diz: eu não sei; quando ele sabe alguma coisa, ele confessa: eu sei algo; quando ele sabe muito, ele diz: eu ainda não sei o suficiente, mas eu posso ajudar.
Calvino: o fundamento do genuíno conhecimento é o conhecimento pessoal de Deus, o qual produz humildade e submissão; mais que isso: em vez de nos exaltar, ele nos lança totalmente no pó terra. Mas onde o orgulho se faz presente não há nenhum conhecimento de Deus.
Se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele. Outra maneira irmãos, de avaliarmos se nosso conhecimento é real, é se nós mesmos somos conhecidos por Deus. É maravilhoso conhecer, saber, entender; mais maravilhoso é conhecer a Deus, ver sua face, andar por seus caminhos, ouvir a sua voz; mas mais maravilhoso ainda, é ser conhecimento por ele: é ouvi-lo chamar o nosso nome com intimidade; é ter convicção do Espírito em nossos corações dizendo que nós somos seus filhos. Saber como ele nos ama. De que vale o mundo se Deus não nos conhece?! Deus conhece você? Imagine, você chegar diante de Deus no último dia e dizer: Senhor, meu Deus, meu pai, meu amado, meu amigo; e então, ouvi da sua boca: apartai-vos de mim… eu nunca vos conheci.
4-6
1Coríntios 8.4–6 “No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.”
Algo muito importante a respeito dos ídolos, é que eles não são nada. Ou seja, não há nada de importante nos ídolos. Essa linguagem de Paulo é baseada no AT. Os profetas tratavam os ídolos como sinônimo de nulidade (nada). É interessante que romanos Paulo diz que os pagãos que se julgavam sábios se tornaram nulos em seus raciocínios - ou seja, eles se tornaram como seus ídolos. Vocês percebem como esse conhecimento arrogante na verdade é resultado de idolatria? Os cristãos, que condenavam os ídolos, na verdade estavam se comportando como eles. Eram cristãos que não tinham critério, que participavam de refeições pagãs porque criam na verdade, e é verdade, de que os ídolos não são nada.
É interessante irmãos, como em nossos dias há um movimento que dialogou tanto com a cultura, que acabou mergulhando demais nas práticas dos pagãos. Eles disseram: os ídolos não são nada, devemos ser mais tolerantes, e acabaram se misturando demais com a cultura. Isso é muito interessante e assustador. Isso aconteceu no racionalismo do liberalismo teológico, que na verdade nem é cristianismo, é uma outra religião. Mas eu percebo que isso também acontece em nosso meio, numa linha chamada neocalvinismo, em que muitos calvinistas, que gostavam de estudar bem a cultura e os filósofos modernos, acabam caminhando devagar pra essa modernização da igreja. Igrejas chamadas “emergentes” são fruto dessa linha. Por exemplo, um pastor que gosto muito, Tim Keller (excelente), acabou caindo nesses erros (problemas litúrgicos, evoteísmo etc).
Estou dando esse exemplo que vocês percebam como ignorar os ídolos porque eles não são nada não significa ignorar as artimanhas do diabo e sua intensão sempre presente de desvirtuar a igreja. Paulo então depois explica que, ainda que os ídolos nada sejam, há um demônio por traz deles (1 Co10:19-22). Devem então ter cuidado com nossa liberdade, pra que a gente não caia numa armadilha.
Kenneth Matthews: O bispo católico romano de Breda, na Holanda, incentivava publicamente seus párocos a rezar usando a palavra Alá em vez dos nomes tradicionais para Deus. A palavra Alá é o termo árabe para “Deus”. Seu raciocínio era bem-intencionado, mas incorreto. Ele esperava que, ao usar o nome árabe de Deus, judeus, cristãos e muçulmanos poderiam se aproximar, já que os três confiavam no mesmo Deus, o Deus de Abraão. Várias organizações islâmicas dos Estados Unidos apoiaram a ideia, concordando que isso seria um caminho para fortalecer a fé uns dos outros sem ater-se à linguagem meramente produzida pelo homem. [...] O bispo reconheceu corretamente que, historicamente, judeus e cristãos de países de língua árabe usavam o termo Alá nas suas línguas nativas. O problema está no conteúdo teológico que cada nome comunica aos ouvintes hoje. É errado equiparar o Deus do Islã ao Deus cristão por causa da importância do caráter de Deus como o Deus trino. É apenas pela encarnação do Filho, sua morte sacrificial e ressurreição que a justiça e a salvação são imputadas a uma pessoa por Deus.
Vejam, Alá não é nada, ele não existe, é um falso deus. Mas o nosso Deus não é Alá. Então, de certo modo, Alá não deve ser ignorado, porque ele não deve ser confundido. Quem é o nosso Deus e Senhor?! Paulo responde com o que talvez fosse uma declaração confessional da igreja primitiva baseada na Shemá de Dt 6:4. Paulo diz:
...para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.
Deuteronômio 6.4 “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.”
O Shema de Deuteronômio 6:4 é reformulado de modo a incluir Jesus Cristo, e assim temos uma das declarações cristológicas mais significativas nos escritos de Paulo. Como o Salmo 136:2–3 proclama, o verdadeiro Deus é ‘o Deus dos deuses’ e ‘o Senhor dos senhores’.
Efésios 4.5–6 “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.”
Schreiner: A unidade de Deus, no entanto, é mais complexa do que se poderia esperar ao ler o Antigo Testamento. Pois há também um Senhor, Jesus Cristo. Jesus Cristo é o agente da criação e o meio pelo qual tudo no mundo veio à existência (veja João 1:3; Colossenses 1:16; Hebreus 1:2). Como mencionado acima, a unidade de Deus, sua paternidade e soberania são afirmadas em Efésios 4:6, mas ao mesmo tempo Jesus é confessado como o ‘um Senhor’ (Efésios 4:5), assim como vemos aqui. Em 1 Timóteo 2:5, a unidade de Deus está intimamente ligada ao papel de Jesus como mediador entre Deus e os homens. Como Senhor e Criador, ele compartilha da mesma estatura que o Pai e deve ser incluído na identidade do único Deus verdadeiro. Uma vez que ele é o agente da criação, todas as coisas e todas as criaturas vieram à existência por meio dele. O monoteísmo judaico, portanto, é mais complexo do que muitos judeus imaginavam, pois a unidade de Deus não exclui a complexidade, uma vez que tanto o Pai quanto Jesus Cristo têm status divino e são plenamente divinos.
7-13
1Coríntios 8.7 “Entretanto, não há esse conhecimento em todos; porque alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas coisas como a ele sacrificadas; e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se.”
Paulo então explica que os fracos na fé não compreendem muito bem os ídolos, alguns acabam comendo de coisas sacrificadas aos ídolos e pecam, não por causa da comida em si, mas por causa da consciência deles, que os acusa. Mas essas pessoas, apesar de não entender direito os ídolos, conhecem a Deus o Pai, e seu Filho e nosso Senhor Jesus Cristo, e por isso eram irmãos na fé. A ignorância deles a respeito de outros assuntos, ainda que prejudicasse sua fé, não podia aquela verdade primeira de que Jesus os amava e os conhecia.
O ponto é que aqueles irmãos fracos, apesar de conhecer Jesus e sua obra, não sabiam aplicar esse conhecimento a sua vida passada e presente.
Calvino então descreve a exortação que Paulo está dando aos cristão que conhecem mais bíblia: “Aos olhos de Deus, vosso ponto de vista é perfeitamente correto, e se fôsseis uma única pessoa no mundo, poderíeis sentir-vos livres para comer carne sacrificada aos ídolos como se fosse qualquer outra comida. É preciso, porém, que vossos irmãos sejam levados em consideração, a quem deveis alguma coisa. Vós tendes conhecimento; eles são ignorantes. O que fazeis deve ser determinado não por vosso conhecimento, mas também por sua ignorância.”
Os fracos não entendiam como eles estavam libertos dos ídolos. Eles atribuíam muito poder ao ídolo, acreditavam na sua realidade de uma forma não bíblica. Para os fracos, os ídolos não são entidades sombrias e irreais, mas deuses reais. Isso era porque provavelmente eram pessoas que tiveram um passado muito ligado à idolatria pagã. Você sobre com isso hoje? Seu passado persegue você? Mesmo ouvindo como Cristo te libertou disso você ainda sofre com as sequência desse passado como se fosse presente muitas vezes? Você precisa não apenas aprender acerca de Cristo, mas apreender Cristo, aplicar em suas feridas como um remédio. Como precisa não só entender, mas confiar; não apenas conhecer, mas desfrutar do seu poder libertador.
exemplo da música....
Mas o foco de Paulo aqui não é tanto os fracos, e isso é interessante. É na verdade em como os mais conhecedores podem ajudar os outros em suas fraquezas. Paulo estava preocupado em como esse conhecimento arrogante de alguns poderia ser a ruína de outros. Como irmãos, como podemos transformar um dom, algo bom, em uma arma tão destrutiva?! Simplesmente, quando não usamos nossos dons em favor dos nossos irmãos. Quando nos ensoberbecemos do que temos, somos tomados de orgulho e presunção, ao invés de amor, humildade e serviço. Na verdade, a única forma de nos preservarmos da arrogância quando temos muito, é usando aquilo que temos em serviço do nosso próximo. Então apliquemos esse princípio em nossas vidas, servindo uns aos outros, e tendo cuidado pra não fazer ou não deixar nosso irmão cair, usando aquilo que temos. Veja como cresce nossa responsabilidade à medida que crescem nossa posses. Quando você usa o que tem pra fazer o outro cair, você age como um anticristo — alguém parecido com Jesus, mas que age pra destruição do outro. Jesus disse:
Mateus 18.6 “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.”
O que devemos fazer então, irmãos? O que devemos ser?
O peso deste texto é que os crentes vivem seu amor por Cristo imitando seu amor sacrificial. Cristo se entregou pelos pecadores para que eles pudessem viver. Assim, os crentes demonstram seu amor pelos fracos vivendo de maneira sacrificial e abstendo-se de alimentos sacrificados a ídolos, uma vez que participar de tais alimentos pode fazer com que os fracos se afastem de Cristo. Se Cristo morreu por mim, foi pra que eu fosse como ele, e morresse por meus irmãos. E se ele morreu meu irmão, eu também morrer por ele. Não deve ser comida ou bebida que nos separe. Quantas questões pequenas muitas vezes têm sido suficientes pra nos inchar, nos inflar, nos fazer explodir. Mas como é difícil, e como precisamos ser tão e tão motivados pra que a gente humildes e amáveis como nosso Senhor, que morreu por nós. Então olhe pra Cristo, você hoje aqui com o ego inflado, e tenha seu dominado por seu amor, e ame como ele amou. Você hoje que ainda está preso a coisas pequenas, que não possui nenhuma mal em si, que ainda está preso e com medo do seu passado, você foi liberto em Cristo, e hoje sua consciência pode ser liberta também, basta que você lembra que a maldade não está na comida ou na bebida, mas em nosso coração, mas Cristo levou si nossa culpa, e nos libertou dos nossos grilhões. A ele seja dada toda glória, pra sempre, amém!
