QUEM GARANTE QUE VAI DAR CERTO? Efésios 5.31-33
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David Harvey:
"Feixes de luz multicoloridos pontilhavam o santuário à medida que as grandes portas se abriam. Um hino processional mesclava-se ao agradável ar de primavera que ondulava pelas janelas abertas. Quando a família e os amigos se puseram em pé, a madeira escura dos bancos rangeu; era um som de tradição, decoro e retidão.
Tremendo imperceptivelmente e mordendo o lábio numa tentativa de acalmar-se, a noiva iniciou a sua marcha nupcial – passos que ela ensaiou em seu sótão por duas décadas. Ela caminhava em direção a um jovem, um monte de energia num smoking. Um sorriso tomara conta de seu rosto, e seus olhos moviam-se com alegria, enquanto via a noiva aproximar-se.
O pastor fez com a cabeça sinal de aprovação quando o pai da noiva realizou a transferência cerimonial, colocando a mão de sua filha na mão do noivo. “Se existe alguém aqui”, o pastor anunciou, “que pode apresentar uma razão pela qual este homem e esta mulher não devam unir-se, fale agora ou cale-se para sempre!”. Todos esperaram com solene expectativa, quando o ministro pausou para essa prática obrigatória. De repente, a voz de um senhor interrompeu o silêncio cortês.
“Como vocês sabem?”
Ele estava de pé, no fundo da igreja, apertando o banco à sua frente, tendo olhos penetrantes, cheios de zelo. “Não é minha intenção desrespeitar a cerimônia” – ele apelou, visto que cada rosto se volvera em sua direção.
“Como vocês sabem – quero dizer –, sabem realmente que este casamento vai dar certo?”
Sua entonação era séria, mas não desafiadora. Sua intervenção inesperada talvez tenha sido assustadora para a congregação, mas era completamente sincera.
Então, olhando para baixo e com voz branda, suas palavras finais soaram lenta e refletidamente. “Como... como alguém pode saber?”
Surpresas, algumas pessoas fitaram o homem. Outras demonstraram indignação. E, quando a sua pergunta inesperada ecoou brandamente por aquele prédio, foi como se o tempo parasse, enquanto dezenas de pessoas, em silêncio, formulavam suas respostas, cada uma delas ouvindo na mente a sua própria voz.
Eles estão apaixonados; o amor pode superar qualquer coisa – pensou a dama de honra. Compatibilidade é a chave. Este casamento é um fecho – pensou um amigo dos noivos.
O pastor que ministrara aos noivos como jovens, conhecendo ambas as famílias por anos, disse a si mesmo: “Tudo se resume na questão da criação. Estes jovens cumprirão a jornada porque vêm de boas famílias”.
Tio Bob, perito contador, apertou a gravata e riu discretamente. Você tem alguma ideia de como será o capital deles em poucos anos, amigo? Um bom planejamento financeiro elimina a maior causa de estresse que um casamento saudável pode sofrer.
Eles leram todos os livros sobre casamento; o que mais precisam saber? – admirou-se o padrinho do noivo.
Dando prosseguimento à cerimônia, o pastor incluiu sua solução. “Amados, estamos reunidos aqui para dedicar este casamento a Deus. Ele o tornará bem-sucedido. Oremos...”
Russel Moore:
Em um casamento cristão, as testemunhas reunidas são um sinal de que a igreja está ali para considerar o casal responsável por seus votos diante de Deus. O casamento não diz respeito somente ao casal, mas ao evangelho. Isso significa que o casamento diz respeito à igreja inteira.
Essa responsabilidade se refere, em primeiro lugar, ao aspecto da aliança da união em uma só carne: um voto de fidelidade e permanência. A fidelidade à aliança signifique que “o que Deus uniu, não separe o homem”. Assim como Jesus nos deu sinais de sua aliança com a igreja no batismo e na ceia do Senhor, remontando a algo que fez objetivamente para nós ao nos unir a ele em sua obra expiatória, o casamento é um compromisso contínuo para que sejamos uma só carne, a despeito das forças que tentem nos separar um do outro. Isso não quer dizer simplesmente fidelidade sexual (embora também seja isso, é claro), mas também a fidelidade em amar ativamente um ao outro, sem se importar com o preço, “assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela”. (Ef 5.25, NVI).
Fato: o casamento existe para contar a história da redenção.
Augustus Nicodemos:
Essa é uma implicação bem séria do ensino de Paulo em Efésios 5. Ele vê o casamento como expressão da vontade de Deus, desenrolando-se num contexto espiritual. Faríamos bem em nos perguntar se a maior parte dos nossos conflitos no casamento e de nossas atitudes para com o cônjuge e os filhos não seria resultado da falta da verdadeira espiritualidade bíblica.
As pessoas são iguais em seus valores, mas diferentes quanto às suas funções: “igualdade de valor não é identidade de papel”.
Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.
Aqui não pode haver mais grego e judeu, circuncisão e incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo e está em todos.
Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher por causa do homem.
E não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem; esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Mas ela será salva tendo filhos, se permanecer em fé, amor e santificação, com bom senso.
Entenda comigo, e com John Stott:
“Autoridade no uso bíblico não é um sinônimo de tirania. Todos aqueles que ocupam posições de autoridade na sociedade são responsáveis tanto diante de Deus, que lhas confiou, quanto às pessoas por cujo benefício a receberam”.
Reciprocidade de mandamentos: primeiramente as mulheres devem ser “submissas ao marido, assim como ao Senhor’.
Tensão exposta com Gn 3.16: “o seu desejo será para o seu marido, e ele a governará”.
“A submissão da esposa deve ser ao marido que a ama, não a um 'bicho-papão”.
Russel Shedd entende que submissão traz a ideia de apoiar e encorajar.
Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como ao Senhor;
Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também a esposa se sujeite em tudo ao seu próprio marido.
Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como convém no Senhor.
a serem sensatas, puras, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.
Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma a seu próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta de sua esposa, ao observar o comportamento honesto e cheio de temor que vocês têm.
Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos, mas que ela esteja no ser interior, uma beleza permanente de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim também que, no passado, costumavam se enfeitar as santas mulheres que esperavam em Deus, estando cada qual sujeita a seu próprio marido. Foi o que fez Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-o de “senhor”, da qual vocês se tornaram filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.
Larry Coy:
Submissão não é um ato de subordinação em uma situação difícil, mas um profundo sentimento de confiança arraigado no coração da mulher, com respeito a soberania de Deus na vida do marido. Isto resulta em uma atitude e em atos de obediência em relação ao marido, compreendendo os resultados finais da sua colaboração com Deus, segundo a escala de autoridade por Ele estabelecida, irá superar grandemente quaisquer perdas imediatas ou temporárias.
A mulher precisa “respeitar” o marido:
No entanto, também quanto a vocês, que cada um ame a própria esposa como a si mesmo, e que a esposa respeite o seu marido.
As esposas são instruídas a amar o marido e ser submissas a ele. Sua submissão não deve ser relutante nem indiferente, mas amorosa e voluntária. O termo grego para “submeter-se”, hypotasso dá a ideia de “colocar-se sob” a autoridade de outra pessoa, o que implica um ato espontâneo, e não realizado sob coerção. Efésios 5.21-33 associa a submissão da esposa ao respeito pelo marido (5.22,33). Esse respeito deve ser espontâneo. Não significa adoração indiscriminada, assim como submissão não quer dizer subserviência.
Ela deve ainda “amar ao seu marido e filhos”:
a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amar o marido e os filhos,
Reciprocidade de mandamentos: agora os homens precisam “amar a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”.
Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela,
Assim também o marido deve amar a sua esposa como ama o próprio corpo. Quem ama a esposa ama a si mesmo.
No entanto, também quanto a vocês, que cada um ame a própria esposa como a si mesmo, e que a esposa respeite o seu marido.
Larry Coy:
Deus exige que o homem ame e guie a esposa e que a mulher se sujeite e honre o marido. Ser amada e orientada são as necessidades básicas da mulher, enquanto que a submissão e o respeito são os dois ingredientes essenciais, por parte dela, para que o relacionamento entre marido e mulher possa ter bom êxito.
O marido não pode tratar a sua esposa “com amargura”:
Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa e não a trate com amargura.
Ele deve trata-la como “vaso mais frágil”:
Maridos, vocês, igualmente, vivam a vida comum do lar com discernimento, dando honra à esposa, por ser a parte mais frágil e por ser coerdeira da mesma graça da vida. Agindo assim, as orações de vocês não serão interrompidas.
Calvino pregava:
“Os maridos não devem ser cruéis para com as esposas, nem pensar que tudo quanto queiram seja permissível ou lícito, porque sua autoridade deve ser mais um companheirismo que um senhorio”.
“O homem que não ama sua esposa é um monstro.” Diz Calvino.
Muitos de nós temos sido entristecidos por casamentos que começaram agradáveis, mas não permaneceram assim, tal como aquela cerimônia de casamento que teria sido encantadora, se não houvesse a interrupção por parte daquele senhor. Cada “Sim” é proferido com a esperança de que amor devotado permanecerá. Mas como podemos ter certeza? Como podemos saber que o nosso casamento não somente durará, mas também prosperará, tornando-se mais prazeroso e mais agradável com o passar do tempo?”.
Se o Senhor não edificar a casa,
em vão trabalham os que a edificam.
Se o Senhor não guardar a cidade,
em vão vigia a sentinela.
Será inútil levantar de madrugada, dormir tarde,
comer o pão que conseguiram com tanto esforço;
aos seus amados ele o dá enquanto dormem.
