NA OLARIA DE DEUS
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NA OLARIA DE DEUS
Palavra do Senhor que veio a Jeremias:
Levanta-te e desce à oficina do oleiro. Lá te farei ouvir as minhas palavras.
Desci à oficina do oleiro, e ele estava ocupado com a sua obra sobre a roda.
Como o vaso que o oleiro fazia do barro se estragou nas suas mãos, então fez do barro outro vaso, conforme melhor lhe pareceu.
Então veio a mim a palavra do Senhor:
Por acaso não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?, declara o Senhor. Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.
INTRODUÇÃO:
DEUS FALA NO SILÊNCIO DA OBRAS COMUNS
Ao longo da história bíblica, Deus se revelou de formas grandiosas: por meio de trovões no Sinai, colunas de fogo no deserto e visões celestiais a profetas. No entanto, há momentos em que o Eterno escolhe falar de maneira mais sutil, no silêncio da rotina, nas atividades simples, nas obras comuns da vida. Essa é a beleza do capítulo 18 de Jeremias: Deus transmite uma mensagem profunda e transformadora não através de prodígios, mas por meio da imagem cotidiana de um oleiro moldando barro.
1. Contexto histórico: um tempo de crise e endurecimento
O ministério profético de Jeremias se desenvolveu entre os anos 627 e 586 a.C., durante os últimos dias do Reino de Judá — um período sombrio e turbulento. O Reino do Norte (Israel) já havia sido destruído pela Assíria em 722 a.C., e agora Judá se encontrava no mesmo caminho, ameaçado pelo crescente poder do Império Babilônico. Espiritualmente, a nação estava mergulhada em idolatria, corrupção moral, injustiça social e desobediência deliberada à aliança com Deus. Os reis se afastaram da Torá, os sacerdotes se tornaram cúmplices da perversão e os profetas mentirosos enganavam o povo com falsas promessas de paz.
Jeremias, conhecido como o “profeta chorão”, foi chamado para anunciar a verdade divina em meio a essa apostasia coletiva. Seu chamado (Jeremias 1) é marcado por resistência pessoal e por uma promessa divina de sustento em meio à oposição: “Não temas diante deles, pois eu sou contigo para te livrar” (1:8). Sua vocação seria uma jornada de lágrimas, prisões, rejeição e fidelidade solitária. Mas também seria um reflexo do coração de Deus, que, mesmo em meio ao juízo iminente, ainda buscava restaurar seu povo.
2. A pedagogia divina na casa do oleiro
Em Jeremias 18, Deus não transmite sua mensagem por visões celestiais ou palavras audíveis do céu. Ele convida o profeta a ir à “casa do oleiro”, um local comum, uma cena diária nas ruas de Jerusalém. E é ali, na simplicidade do trabalho manual, que Deus revela uma verdade espiritual poderosa. Jeremias observa o oleiro moldar um vaso que, ao se estragar em suas mãos, é refeito com liberdade e propósito. Essa imagem não apenas comunica a soberania de Deus sobre Judá, mas também revela seu caráter: um Deus que prefere restaurar do que descartar; que modela, corrige, renova.
A lição é clara: “Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jeremias 18:6). A nação ainda podia ser moldada, se houvesse arrependimento. Mas, caso continuasse endurecida, o julgamento seria inevitável. Deus é paciente, mas também é justo. Sua misericórdia sempre busca espaço antes de exercer a disciplina.
3. Deus fala no ordinário — e isso é extraordinário
É significativo que Deus use uma imagem tão simples para comunicar algo tão profundo. Isso revela uma faceta do seu modo de agir: Ele se manifesta no comum, no trabalho diário, no silêncio das ações habituais. Assim como falou com Moisés através de uma sarça no deserto e com Elias no “sussurro suave”, aqui Ele fala através da roda do oleiro. A espiritualidade bíblica não separa o sagrado do cotidiano — ela os une. Aquilo que parece banal pode se tornar o palco de uma revelação divina.
Como disse Warren Wiersbe, “a vida cristã é um processo de formação contínua — Deus não nos descarta quando falhamos; Ele nos refaz com mais beleza do que antes.” Deus vê os vasos quebrados, mas não os abandona. Ele desce ao nível da roda, se envolve com o barro, se suja com a imperfeição humana, e começa novamente — um símbolo do Seu amor redentor e da Sua incansável obra em nós.
4. Aplicação: somos barro nas mãos do Oleiro - mas também cooperadores
A imagem do oleiro nos ensina sobre humildade, dependência e transformação. Somos o barro — frágeis, inconstantes, propensos a falhas. Deus é o Oleiro — sábio, paciente e soberano. Ele conhece o propósito de cada vida e está disposto a recomeçar, quantas vezes for necessário, até que o vaso se torne adequado para o Seu uso. Mas isso exige entrega. O barro precisa permanecer maleável. Um coração endurecido resiste à formação divina e se quebra irreparavelmente.
Portanto, quando Deus nos leva à “casa do oleiro”, Ele está nos chamando a observar, a ouvir e a refletir. Está nos convidando a confiar no processo, a reconhecer que mesmo as experiências mais simples — uma conversa, um trabalho comum, um momento de silêncio — podem carregar verdades eternas. Ele ainda fala, ainda molda, ainda transforma.
Contudo, ser barro nas mãos de Deus não é uma posição passiva. Deus nos molda para nos tornar vasos úteis — chamados a refletir Sua glória e participar ativamente de Sua missão no mundo. Isso significa obedecer, servir, testemunhar e construir, com Ele, a realidade do Reino. Nossa responsabilidade não é apenas sermos moldados, mas permitir que Deus use nossa vida como instrumento de transformação na vida dos outros.
1. A OBSTINAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO NOS AFASTA DA VONTADE DE DEUS
1. A OBSTINAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO NOS AFASTA DA VONTADE DE DEUS
Em Jeremias 18:4, encontramos uma cena carregada de significado espiritual: “Como o vaso que o oleiro fazia do barro se estragou nas suas mãos, então fez do barro outro vaso, conforme melhor lhe pareceu.” À primeira vista, pode-se pensar que o oleiro errou no processo. Mas o texto nos mostra outra realidade: o problema não está nas mãos do oleiro, mas na condição do barro. E aqui começa uma lição profunda sobre o nosso coração diante de Deus.
O barro: símbolo da nossa natureza rebelde
Na metáfora apresentada, o barro representa o povo de Judá, e, por extensão, toda a humanidade. O barro se estraga, não por culpa do Oleiro, mas por causa de sua composição interna: impurezas, bolhas de ar, dureza em certas partes. Esse estado do barro aponta para o que as Escrituras chamam de coração obstinado, um coração que resiste à vontade de Deus, que rejeita correção, que se fecha à voz do Espírito.
A obstinação espiritual é uma recusa deliberada de se deixar moldar. E isso não se manifesta apenas em atos abertamente rebeldes, mas também na indiferença, na religiosidade superficial, na resistência sutil à transformação. Quantos de nós vamos à casa do Oleiro (à igreja, à oração, à Palavra), mas permanecemos impermeáveis à Sua ação?
Isaías 29:16 denuncia essa inversão absurda de valores espirituais: “Vós considerais o oleiro igual ao barro, dizendo: a obra dirá do que a fez: ele não me fez.” Essa é a voz de um coração que já não reconhece sua dependência de Deus. É o orgulho espiritual que tenta inverter papéis: o barro quer ditar o que o Oleiro deve fazer. Paulo, em Romanos 9:20, reforça essa verdade com uma pergunta contundente: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?”, revelando como é tola e perigosa a pretensão humana de resistir ao Criador.
A análise de Matthew Henry e a paciência do Oleiro
O renomado comentarista Matthew Henry afirma:
“O vaso estragado é símbolo da resistência humana à vontade divina. Mas Deus não abandona o vaso: Ele o refaz.”
“O vaso estragado é símbolo da resistência humana à vontade divina. Mas Deus não abandona o vaso: Ele o refaz.”
Essa afirmação nos mostra dois lados do caráter de Deus: Sua santidade, que não tolera deformidades espirituais; e Sua misericórdia, que não desiste facilmente de nós.
Mesmo quando o vaso se estraga, quando caímos, quando erramos, quando nos endurecemos, Deus não nos lança fora de imediato. Ele começa de novo. Ele quebra o que está malformado, remove as impurezas, amassa novamente, e recomeça o processo. Mas isso exige que o barro aceite ser moldado.
A grande verdade aqui é que Deus nunca será impedido por nosso fracasso — a menos que resistamos a ser transformados. A formação espiritual é um processo que depende da cooperação do coração humano. Um coração obstinado pode frustrar temporariamente os propósitos de Deus em nossa vida, não porque Ele seja limitado, mas porque Ele escolheu trabalhar com pessoas livres — e não com marionetes.
Um coração quebrantado responde com arrependimento, humildade, sede de transformação. Um coração endurecido reage com indiferença, crítica, racionalizações. Essa é uma verdade espiritual séria: não ouvir Deus com humildade pode levar à insensibilidade irreversível.
E você? Como tem reagido à voz do Oleiro? Tem se deixado moldar, mesmo quando isso dói? Ou tem resistido, insistindo em manter suas próprias formas e caminhos? A obstinação é sutil, mas mortal. Ela nos afasta da vontade de Deus, e, sem perceber, nos tornamos vasos deformados que perdem a utilidade original para o qual foram criados.
Aplicação prática e chamada à reflexão
Você tem escutado a Palavra apenas com os ouvidos, ou também com o coração?
Há alguma área da sua vida onde você tem resistido à ação moldadora de Deus?
Você está disposto a deixar Deus quebrar o que está torto em você para começar de novo?
A boa notícia do evangelho é que ainda estamos na roda. O Oleiro está trabalhando. Ainda há tempo. Ainda há esperança. Ainda é possível sermos moldados novamente — se tivermos um coração ensinável.
Com isso precisamos entender que discipulado é o oposto Obstinação.
O DISCIPULADO É O PROCESSO DE SER MOLDADO — E DE COOPERAR COM O OLEIRO
Se a obstinação do coração humano nos afasta da vontade de Deus, o discipulado é o caminho que nos reconduz à Sua vontade. Em essência, ser discípulo é ser um barro disposto a ser moldado diariamente. O discipulado cristão não é apenas seguir a Jesus externamente, mas permitir que Ele transforme nosso interior, nossos desejos, nossos hábitos e nosso caráter. É a jornada contínua de sermos refeitos por Deus, conforme Sua imagem e propósito.
Discipulado: um chamado à rendição constante
Jesus foi claro sobre o custo do discipulado: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-me” (Lucas 9:23). Essa negação de si mesmo não é algo natural, é justamente o oposto da obstinação. O discípulo é aquele que reconhece sua tendência à dureza e voluntariamente se submete ao processo doloroso, mas glorioso, da formação espiritual.
O problema é que muitos desejam os benefícios de Deus sem o compromisso de serem moldados por Ele. Querem ser vasos de honra, mas resistem ao torno, ao fogo, à pressão que faz parte da forja divina. No entanto, discipulado verdadeiro não é conforto, é transformação. É abandonar a forma que achávamos ideal para assumir a forma que Deus sabe ser perfeita.
O discipulado forma o caráter, não apenas o comportamento
Em Mateus 28:19-20, Jesus não mandou apenas fazer convertidos, mas fazer discípulos. Isso implica ensino, convivência, correção, amadurecimento e perseverança. Discipulado não é um evento; é um processo vitalício. E esse processo exige corações quebrantados e ensináveis, como barro pronto para ser amassado e refeito quantas vezes forem necessárias.
Enquanto o coração obstinado rejeita a voz do Oleiro, o discípulo ouve, mesmo quando a palavra corrige, mesmo quando a vontade de Deus confronta seus desejos. O verdadeiro discípulo aprende a dizer: “Seja feita a tua vontade, e não a minha”. Esse é o ponto de virada entre um vaso que se estraga e um vaso que é usado com propósito.
O discipulado se manifesta na obediência prática
Um discípulo não apenas aprende a verdade; ele vive a verdade. Discipulado é fé com prática, é ouvir e obedecer, é receber a formação de Deus e, em seguida, ajudar outros a serem moldados também. A missão do Oleiro inclui nos transformar, mas também nos usar como instrumentos para alcançar e formar outros.
Como disse o apóstolo Paulo em 2 Timóteo 2:2: “E o que de mim ouviste entre muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” O discipulado autêntico é multiplicador. Um vaso moldado se torna cooperador do Oleiro na formação de novos vasos.
Reflexão: você tem sido um discípulo moldável?
Você permite que Deus confronte sua forma de pensar e viver?
Você está disposto a desaprender padrões mundanos para ser formado à imagem de Cristo?
Você tem caminhado com outros, sendo moldado e ajudando-os a também serem transformados?
O discipulado é mais que um chamado , é uma resposta. Deus continua trabalhando em nós, mas Ele espera nossa cooperação. O vaso que se entrega ao Oleiro é restaurado, fortalecido e usado. Você está pronto para esse tipo de rendição?
A boa notícia continua verdadeira: ainda estamos na roda. Ainda há tempo de sermos feitos à imagem do Filho. O Oleiro está presente, com as mãos firmes, e Seu desejo não é descartar, mas transformar. Ser discípulo é dizer, dia após dia: “Molda-me, Senhor.”
2. A COMPAIXÃO DE DEUS ULTRAPASSA NOSSO ENTENDIMENTO
2. A COMPAIXÃO DE DEUS ULTRAPASSA NOSSO ENTENDIMENTO
O segundo movimento do texto de Jeremias 18:4 é tão poderoso quanto o primeiro. Após o vaso se estragar nas mãos do oleiro, o texto declara: “tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.” Aqui está uma das expressões mais belas da graça divina: Deus não nos descarta quando falhamos — Ele nos refaz.
O verbo hebraico usado para “tornar a fazer” é shuv, o mesmo radical usado para palavras como “retorno” e “restauração”. Trata-se de muito mais do que um simples reinício técnico; é uma ação intencional do oleiro que refaz o vaso com novo propósito, novo valor, e nova forma. O barro que havia se estragado não foi rejeitado, foi transformado.
A restauração é obra de amor, não de obrigação
Deus não restaura por necessidade, mas por compaixão. A paciência do Oleiro não é resultado de impotência diante do erro humano, mas sim de Seu caráter misericordioso. Como diz Lamentações 3:22: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim.” Esta afirmação ganha ainda mais peso quando lembramos que foi escrita pelo próprio Jeremias, o profeta que testemunhou a queda de Jerusalém, mas ainda assim encontrou esperança nas misericórdias renovadas de Deus.
O pregador Charles Spurgeon capta bem esse ponto ao dizer: “Deus não é apenas um Criador, mas um Recriador. Seu amor recomeça onde o nosso fracasso termina.” Essa é a essência do evangelho: Deus entra nos escombros do nosso pecado e começa ali uma nova obra. Ele não apenas conserta; Ele transforma. Ele não apenas limpa; Ele renova. Ele não apenas nos restaura ao que éramos — mas nos conduz a algo melhor do que jamais fomos.
Deus vê valor onde outros veem fracasso
Vivemos numa sociedade descartável, onde o que quebra, se joga fora; o que falha, se esquece; o que não se encaixa, se marginaliza. Mas o Oleiro celestial opera com outros olhos e outro coração. Mesmo quando as pessoas nos rotulam, a consciência nos acusa ou o inimigo nos condena, Deus ainda vê potencial em nosso barro quebrado.
O processo de refazer o vaso envolve quebrar o antigo e recomeçar. Pode ser doloroso, mas é necessário. O Oleiro não alisa as rachaduras; Ele desfaz o que está malformado e começa de novo. E esse processo é expressão máxima do Seu amor. Como diz o Salmo 103:13-14: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura, lembra-se de que somos pó.”
Aplicação prática: Deus trabalha com a matéria-prima da nossa falha
Você já se sentiu arruinado, sem forma, sem valor?
Já acreditou que sua história estava manchada demais para ser útil a Deus?
Já teve medo de que Deus tivesse desistido de você?
O vaso se estragou na mão do oleiro — ou seja, mesmo estando nas mãos de Deus, há momentos em que nossas falhas se manifestam. Isso nos ensina que estar próximo de Deus não nos torna imunes a quedas, mas também que estar em Suas mãos é o lugar mais seguro para recomeçar.
Deus não se escandaliza com nossa imperfeição. Pelo contrário, Ele já havia previsto nossa falha e preparado a restauração. Como o pai que espera o filho pródigo, Ele nunca fecha a porta do recomeço. Ele é o Deus que transforma culpa em graça, vergonha em honra, feridas em marcas de redenção.
“A graça de Deus não apenas cobre o nosso passado, ela cria um novo futuro.”
“A graça de Deus não apenas cobre o nosso passado, ela cria um novo futuro.”
A compaixão do Oleiro nos convida a confiar, a descansar e a nos render ao processo. Ele não desiste de nós. Mesmo que tenhamos nos quebrado mil vezes, Ele está disposto a refazer-nos quantas vezes for preciso, até que a imagem de Cristo seja formada em nós (Gálatas 4:19).
3. A VONTADE DE DEUS PRECISA ENCONTRAR UM CORAÇÃO QUEBRANTADO
3. A VONTADE DE DEUS PRECISA ENCONTRAR UM CORAÇÃO QUEBRANTADO
O clímax do texto de Jeremias 18:6 é marcado por uma pergunta divina, cheia de autoridade, mas também de ternura:
“Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?”
É como se Deus dissesse: “Eu ainda posso moldá-los. Eu ainda quero trabalhar em vocês.” A vontade do Oleiro é clara: moldar, transformar, dar forma e propósito. Mas há uma condição implícita e inegociável: o barro precisa estar maleável — e isso exige quebrantamento.
A imagem do barro nos lembra que Deus só trabalha onde há rendição. Um barro endurecido, ressecado ou resistente não pode ser moldado. Da mesma forma, um coração arrogante, autossuficiente ou inflexível não pode ser transformado. Não porque Deus não tenha poder, mas porque Ele respeita o livre-arbítrio que nos deu.
O quebrantamento é a porta da transformação
Salmos 51:17 nos ensina: “Coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” Davi, que conhecia o abismo da queda e a força da restauração, sabia que Deus não se impressiona com performance religiosa, mas com autenticidade humilde. Um coração quebrantado não é um coração fraco — é um coração disposto a ser moldado, mesmo quando isso significa passar pelo fogo da correção ou pelo aperto da disciplina divina.
Quantas vezes impedimos a ação de Deus porque nos agarramos aos nossos próprios planos, teimosias, pecados de estimação e zonas de conforto? A dureza do nosso “eu” é como uma crosta que impede as mãos do Oleiro de nos refinar. O orgulho espiritual é o maior inimigo da formação divina. Como o barro ressecado que precisa de água para voltar a ser moldável, nós precisamos da Palavra e da presença do Espírito Santo para sermos amolecidos e ensináveis.
Quebrantamento não é destruição — é preparação
John Stott disse: “Deus nunca usará alguém grandemente até que o tenha quebrado profundamente.” Isso ecoa a verdade que vemos em toda a Escritura: antes de Deus levantar, Ele quebra; antes de usar, Ele molda; antes de encher, Ele esvazia. Moisés foi quebrado no deserto antes de libertar Israel. José foi esmagado pela prisão antes de governar no Egito. Pedro chorou amargamente antes de se tornar coluna da Igreja.
🔨 O quebrantamento de Deus não é punitivo — é formativo. Ele não nos quebra para nos humilhar, mas para nos alinhar com o propósito eterno. Ele não esmaga para nos destruir, mas para tirar as deformações que impedem que Sua glória se manifeste em nós.
“Deus não usa vasos cheios de si, mas os que se esvaziam para serem cheios dele.”
“Deus não usa vasos cheios de si, mas os que se esvaziam para serem cheios dele.”
O mundo exalta autoconfiança, performance e independência. Mas o Reino de Deus se move na contramão: Ele escolhe os fracos para envergonhar os fortes (1 Co 1:27), os humildes para levantar os abatidos, e os quebrantados para manifestar a Sua glória.
O Oleiro pode, sim, esmagar o barro — mas é para dar nova forma, nova beleza, nova utilidade. É no esvaziar-se de si que o vaso se torna apto para ser cheio do Espírito. É no quebrantamento que nascem os instrumentos de honra.
Aplicação final: o vaso que Deus usa é o que se deixa moldar
Você tem permitido que Deus mexa nas áreas mais rígidas da sua vida?
Está disposto a dizer: “Senhor, quebra o que for preciso para cumprir o Teu querer em mim”?
Você se vê como barro moldável ou como algo já “pronto demais” para mudar?
A vontade de Deus está sempre disponível, mas ela só se cumpre na vida dos que têm um coração quebrantado. A pergunta de Deus em Jeremias 18 ainda ecoa nos nossos dias: “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro?”
Que a nossa resposta seja um “sim” humilde, confiante e submisso. Pois nas mãos do Oleiro, até o vaso mais rachado pode ser transformado em instrumento de glória.
CONCLUSÃO:
CONCLUSÃO:
O OLEIRO AINDA ESTÁ NA OFICINA!
O texto de Jeremias 18 é uma poderosa alegoria da relação entre o Criador e a criatura. Ele nos mostra que Deus é soberano, mas também misericordioso. Que Ele tem planos para nós, mas deseja nossa colaboração através do quebrantamento e obediência.
Na olaria de Deus, ninguém é irreparável. O vaso pode estar trincado, rachado, deformado — mas o Oleiro tem o poder de refazer, restaurar e dar um novo propósito! A restauração é uma das marcas do Deus que servimos!
2 Coríntios 4:7 diz: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” O barro é frágil, mas o tesouro é eterno. A glória não está no vaso, mas no Oleiro que o molda e o enche.
NAS MÃOS DO OLEIRO, A ESPERANÇA É REFEITA
A visão da casa do oleiro em Jeremias 18 não é apenas uma lição teológica — é um convite existencial. Um chamado divino para voltarmos à roda do Oleiro, para permitirmos que Ele trate, transforme e use nossas vidas segundo o Seu propósito eterno.
Relembrando os três pontos:
A obstinação do nosso coração nos afasta da vontade de Deus.
Quando resistimos ao toque do Oleiro, endurecemos nossa alma e bloqueamos a obra que Ele deseja realizar. O problema não está em Suas mãos — está na dureza do nosso barro.
A compaixão de Deus ultrapassa nosso entendimento.
Mesmo quando nos estragamos, Ele não nos descarta. A misericórdia dEle nos alcança, nos quebra com amor e nos refaz com novo propósito. O Deus que criou é também o Deus que restaura.
A vontade de Deus precisa encontrar um coração quebrantado.
Só há transformação verdadeira quando há rendição profunda. Deus não trabalha com barro orgulhoso, mas com corações que se deixam amolecer por Sua graça.
Deus ainda trabalha. Deus ainda molda. Deus ainda refaz.
Você não é um vaso descartado. Sua falha não é o fim. Sua deformidade não te desqualifica. Enquanto houver barro na roda, há esperança no processo.
Deus continua agindo. Ele continua falando. E às vezes, Ele fala não no estrondo do céu, mas no silêncio de um oleiro trabalhando — no comum, no simples, no cotidiano da nossa vida.
Frase de encerramento e apelo:
“Deus não desiste de vasos quebrados. Ele os transforma em instrumentos de glória.”
“Deus não desiste de vasos quebrados. Ele os transforma em instrumentos de glória.”
Hoje, o Oleiro te chama à roda novamente.
Você está disposto a se render? A ser quebrantado? A confiar nas mãos que sabem exatamente o que fazer com você?
Volte às mãos do Oleiro. Deixe Ele refazer você. E veja como Ele transforma o que parecia perdido em algo eternamente precioso.
APLICAÇÃO PRÁTICA:
NA GERAÇÃO DO DESEMPENHO, DEUS PROCURA CORAÇÕES MOLDÁVEIS
Em uma era de narcisismo digital, onde todos querem mostrar perfeição, Deus nos convida à quebrantação interior. Em tempos de frieza espiritual, Ele busca vasos disponíveis, mesmo que rachados, para derramar seu Espírito. Em meio ao individualismo e relativismo, Deus ainda trabalha com barro, não com mármore. O barro aceita ser moldado — o mármore resiste e precisa ser talhado com dor.
Que esta geração compreenda: Deus não usa quem se acha pronto, mas quem se dispõe a ser quebrado e refeito todos os dias. A santidade não vem da força, mas da entrega. O poder do Evangelho não opera em vasos autônomos, mas em corações submissos. 🙇♀️🕯️
Hoje, o Espírito Santo te chama para a casa do oleiro. Ouça. Veja. Sinta. Deixe-se moldar. O que está te impedindo de ser barro nas mãos do Oleiro? Abandone o orgulho. Renda-se à roda. Jesus está moldando sua história para a glória do Pai!
ORAÇÃO FINAL
Senhor Deus, Oleiro Eterno, quebra em nós toda dureza de coração. Refaz o vaso da nossa vida, mesmo que seja doloroso. Queremos ser moldados por Tuas mãos, viver segundo Teus planos e carregar em nós o Teu tesouro. Molda-nos, restaura-nos e usa-nos para Tua glória. Em nome de Jesus, o Vaso Perfeito. Amém!
VASO NOVO
