O DOLOROSO PREÇO DA DESOBEDIÊNCIA (Parte 2)1 Samuel 14

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Deus usa de meios para revelar o coração do homem, até o limite de revelar se ele está completamente rendido ou não.

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Grande ideia: Deus usa de meios para revelar o coração do homem, até o limite de revelar se ele está completamente rendido ou não.
Estrutura: O Senhor livra Israel, por meio da fé de Jônatas (vv. 1-23), Saul e o seu voto insensato (vv. 24-35) e o povo defende a Jônatas (vv. 36-52).
 "Teologia do Antigo Testamento - Waltke: Uma abordagem exegética, canônica e temática" de Bruce K. Waltke. "Nesse ato, Saul ascende ao poder quando é ungido por Samuel numa cerimônia particular (1Sm 9.1—10.16), quando é publicamente escolhido em Mispá (10.17-21) e quando liberta Jabes-Gileade (1Sm 11). O denominador comum do reinado de Saul, desde a investidura até a morte, é que sem justificativa ele se recusa a crer em Deus. O talentoso rei revela falta de fé na palavra de Deus proferida pelo profeta Samuel, e essa incredulidade aumenta, iniciando pela timidez diante do fato de ter sido escolhido, passando pelo assassinato de sacerdotes de Eu Sou e terminando no envolvimento com os espíritos das trevas por ocasião de sua morte."
Tim Chester:
Um tema fundamental nos capítulos 13 e 14 é o contraste entre medo e fé. Saul perde o reino por ter agido com incredulidade. O medo motivou suas ações, de modo que suas ações foram desobedientes. Jônatas é o oposto: a fé o motiva e conduz.
Millard Ericson:
Sempre que a criatura destitui o Criador daquilo que é dele por direito, quebra-se o equilíbrio, pois Deus não está sendo honrado nem obedecido. Se tal erro, tal ruptura, ficasse sem correção, Deus deixaria virtualmente de ser Deus. Portanto, o pecado e o pecador merecem e até devem ser punidos.
O Senhor inicia o livramento. (vv. 1-23)
Jônatas toma iniciativa de agir, sua atitude foi de fé no Senhor (seu espirito não era o mesmo de seu pai).
Alguém intitulou essa porção (1 Sm 14.1-5) como “A grande vitória de Jônatas.

Sabemos que Jônatas foi um pecador, mas na sua descrição bíblica vemos um modelo brilhante de virilidade cristã, amizade fiel e serviço dedicado à causa do Senhor.

Saul está “paralisado”, está com um sacerdote (Aías), que ele vai matar mais tarde. Ele não ouve a Deus, só ouve o seu próprio coração.

David Jobling escreve: “Sua própria glória real tendo partido, onde mais esperaríamos que Saul estivesse senão com um parente do ‘foi-se a glória’?” Tendo substituído o conselho dinâmico de Samuel pelo degradante conselho da casa de Eli, Saul perdeu o rumo e é capaz de fazer pouco mais do que agarrar-se a fragmentos da sua credibilidade perdida.

1Samuel 4.19–22 NAA
A nora de Eli, a mulher de Fineias, estava grávida e próxima do parto. Quando ela ouviu estas notícias, de que a arca de Deus havia sido tomada e de que seu sogro e seu marido tinham morrido, encurvou-se e deu à luz; porque as dores lhe sobrevieram. Quando ela estava morrendo, as mulheres que a ajudavam disseram: — Não tema, porque você teve um filho. Ela, porém, não respondeu, nem fez caso disso. Mas deu ao menino o nome de Icabô, dizendo: — Foi-se a glória de Israel. Ela disse isto, porque a arca de Deus havia sido tomada e por causa de seu sogro e de seu marido. E falou mais: — Foi-se a glória de Israel, pois a arca de Deus foi tomada.
1Samuel 22.9 NAA
Então Doegue, o edomita, que também estava com os servos de Saul, disse: — Eu vi o filho de Jessé chegar a Nobe, para falar com Aimeleque, filho de Aitube.
A declaração do verso 6 é a chave para compreendermos essa porção:
1Samuel 14.6 NAA
Jônatas disse ao seu escudeiro: — Venha, vamos até a guarnição desses incircuncisos. Talvez o Senhor nos ajude, porque nada pode impedir o Senhor de livrar, seja com muitos ou com poucos.
Nenhum impedimento- isto é, “nenhuma limitação, nenhum obstáculo”. Deus pode agir para e com o seu povo sem levar em conta o seu número, quer sejam muitas pessoas, quer poucas. A fé atreve-se a coisas impossíveis quando tem em vista “o invisível” (Hb 11.27). Tais palavras bem poderiam ser o lema da igreja em tempos como estes.
Não há restrição para o Senhor salvar por muitos ou poucos - A partir disso, parece que Jônatas tinha uma verdadeira fé no poder de Deus, estando totalmente persuadido de que podia fazer tudo e não precisava da ajuda ou cooperação de causas naturais.
Jônatas e seu escudeiro são valentes. Deus usa seus meios humanos, para cumprir seus fins eternos.

“Enquanto Saul, o comandante, publicamente desonrava o Senhor por meio de sua desobediência inspiradora de medo, Jônatas, o guerreiro, honrava o Senhor por meio de sua fé destemida.”

Eles chamaram a atenção de um grupo dos filisteus: foram bem sucedidos.

Lembrando-se dos exemplos dos juízes e concentrando sua fé no poder soberano de Deus, Jônatas resolveu tornar-se disponível para ser usado pelo Senhor. Sem dúvida, ele estava consciente da desmoralização do exército israelita, e partiu para ver se o Senhor o usaria para mudar a situação.

Olha, mais uma confissão de fé, agora no verso 12:
1Samuel 14.12 NAA
Os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro: — Subam até aqui e nós daremos uma lição em vocês. Então Jônatas disse ao escudeiro: — Venha atrás de mim, porque o Senhor os entregou nas mãos de Israel.
Que expressão: “Foi um terror causado por Deus”, v. 15.
Era tremor de Deus. O texto hebraico deixa claro que o Senhor, e não apenas um terremoto comum, era a causa do terror do inimigo, embora a versão em português não traduza claramente este fato.
Depois desse “terror”, Saul resolve consultar ao Senhor, mas logo desiste. Repito: ele só ouvia o seu próprio coração.

Deus não estava falando com Saul, e os rituais sacerdotais estavam demorando demais. Pelos padrões bíblicos, essa interrupção nos procedimentos divinamente ordenados deu mais uma prova da incompetência espiritual de Saul. Gordon Keddie põe o dedo na ferida: “Saul nos dá a impressão de que sabia que devia ser ‘religioso’ e observar certas convenções nos momentos apropriados, mas realmente não tinha convicções pessoais profundas. Ele usava a religião, em vez de ter uma vida de fé pessoal no Senhor”. Há um contraste muito grande entre a religião de Saul e a fé ousada de Jônatas.

Mas, creio que por conta da fé de Jônatas, o Senhor começou o seu livramento.
1Samuel 14.23 NAA
Assim o Senhor livrou Israel naquele dia. E a batalha passou além de Bete-Áven.
2. O Senhor não acolhe o voto insensato. (vv. 24-35)
Nesse ponto, o narrador nos apresenta um dado: Saul havia levado o povo a fazer um voto.
1Samuel 14.24 NAA
Naquele dia os homens de Israel estavam angustiados, porque Saul havia levado o povo a fazer um juramento, dizendo: — Maldito o homem que comer algo antes de anoitecer, antes de eu me vingar dos meus inimigos. Por isso todo o povo se absteve de comer naquele dia.
Eclesiastes 5.4 NAA
Quando você fizer algum voto a Deus, não demore a cumpri-lo, pois ele não se agrada de tolos. Cumpra o voto que você faz.
Mas Jônatas não sabia desse voto impensado. E temos aqui o relato do “bosque onde havia mel no chão”.
A fala de Jônatas é cheia de entendimento claro e objetivo:
1Samuel 14.29 NAA
Então Jônatas disse: — Meu pai trouxe desastre sobre a terra. Vejam como os meus olhos brilham por ter eu provado um pouco deste mel.

Jônatas respondeu imparcialmente: “Meu pai turbou a terra” (

O resultado desse voto foi desastroso, e até animalesco.
1Samuel 14.31–32 NAA
Naquele dia derrotaram os filisteus, desde Micmás até Aijalom. O povo estava muito exausto. Então, lançando-se sobre o despojo, pegaram ovelhas, bois e bezerros, e os mataram no chão, e comeram a carne com sangue.

Matthew Henry ridiculariza o juramento de Saul como imprudente, “pois, se ganhou tempo, perdeu força”; despótico, pois “proibi-los de se banquetearem seria elogiável, mas proibi-los até de comer, mesmo estando tão famintos, foi bárbaro”; e ímpio “por reforçar a proibição com uma maldição e um juramento. Não teria ele uma punição menor que um anátema para sustentar sua disciplina militar?”. Foi por causa do juramento insensato de Saul que “estavam os homens de Israel angustiados naquele dia” (

Como o sangue era um símbolo de vida, os israelitas não podiam comer carnes cujo sangue ainda não tivesse sido drenado (normalmente isso era feito pendurando-se a carne; veja

Mas:
No entanto, a vitória foi limitada pela proibição precipitada de Saul de que o povo se alimentasse até o entardecer depois que a batalha tivesse terminado em completo triunfo. O rei pode ter estado interessado em evitar atrasos ou, mais provavelmente, devido à linguagem utilizada, teria imposto a restrição como um jejum religioso. De qualquer forma, os resultados foram prejudiciais (24-26).
Saul tenta aplacar a ira divina com um “altar ao Senhor”.

Henry faz o sábio comentário de que “Saul estava se afastando de Deus; no entanto, começou a construir altares, sendo mais zeloso (como muitos) pela forma da piedade quando nega o poder dela”. Em todas essas ações, Saul não mostrou sinal de arrependimento a Deus, tristeza pelo seu pecado ou zelo real em honrar o Senhor. “Ele sente apenas que seus próprios interesses como rei estão em perigo. É esse motivo egoísta que o faz decidir ser mais religioso.”

3. O Senhor completa o livramento. (vv. 36-52)
Agora sim, Saul consulta ao Senhor, mas Deus fica em silêncio.

É possível que Saul tivesse o coração tão duro a ponto de se recusar a reconhecer a si mesmo como a fonte do desfavor de Deus? Mais provavelmente, como suas ações sugerem, Saul estava simplesmente cego quanto à sua verdadeira condição espiritual. É irônico e tragicamente insensato o rei buscar identificar o pecado que havia afastado o Senhor, enquanto recusa-se a tratar da condenação de Deus ao seu próprio pecado.

Há uma busca para saber quem havia quebrado o juramento : Jônatas foi indicado.

Sem a presença de Deus, o Urim e Tumim simplesmente não eram capazes de funcionar adequadamente. A escolha de Jônatas por sortes para juízo – quando, na verdade, Jônatas havia sido o único homem fiel naquele dia – só prova a vaidade da prática religiosa sem a aprovação da presença de Deus. Blaikie comenta que até mesmo “Saul deveria ter visto isso. E ele deveria ter confessado que estava totalmente errado. De maneira honesta e solidária, deveria ter assumido a responsabilidade e imediatamente isentado seu nobre filho”. Contudo, essa atitude exigia uma qualidade de caráter e uma piedade que Saul não possuía.

Saul insanamente se compromete a matar seu próprio filho. Mas o povo intercede:
1Samuel 14.45 NAA
Porém o povo disse a Saul: — Como é que Jônatas pode ser morto, ele que efetuou tamanha salvação em Israel? Nada disso! Tão certo como vive o Senhor, nem um de seus cabelos cairá no chão! Pois foi com a ajuda Deus que ele fez isso, hoje. Assim o povo salvou Jônatas, para que não morresse.
A batalha foi encerrada, mas não a guerra. Os filisteus continuaram no encalço do povo de Deus.

A credibilidade de Saul, agora, estava totalmente despedaçada – uma realização notável para um rei num dia em que o Senhor havia concedido tão grande vitória sobre seus inimigos – com o efeito de que a perseguição ficou pela metade: “Saul deixou de perseguir os filisteus; e estes se foram para a sua terra” (14.46). Os filisteus sobreviveriam para lutar novamente, e Saul nunca teria novamente tão grande oportunidade de defender seu povo.

Saul não dependia do Senhor, mas de sua própria força e expertise.
1Samuel 14.52 NAA
Durante todo o reinado de Saul, houve forte guerra contra os filisteus. Por isso, sempre que via um homem forte e valente, Saul o agregava a si.
"Introdução bíblico-teológica ao Antigo Testamento" de Miles V. Van Pelt: "O legado de Saul é de fracasso trágico. Mesmo tendo reinado por 40 anos, ele o fez sem o favor e a presença de Yahweh. Seu reinado representou um reinado longe de Deus; ele foi apenas um rei como todas as outras nações tinham. Embora ele fosse, tecnicamente, “o ungido do Senhor” (messias), ele não foi um rei que representou o Senhor ou o reinado do Senhor. Era necessário um rei melhor — um que amasse Yahweh e procurasse governar de forma a honrá-lo."
4. Outras aplicações:
(a) Deus é poderoso para fazer coisas grandes, mesmo através de pequenos servos e servas. O nosso Deus faz com “poucos ou com muitos”. Ele é imparável.
não há restrição para o Senhor salvar por muitos ou por poucos ] Ver cap. 1 Samuel 17:46-47; Jz 7:4Jz 7:72 Crônicas 14:11, e as nobres palavras de Judas Macabeu antes da batalha de Bete-Horom (1Ma 3:16-21): "Com o Deus do céu é tudo um para entregar com uma grande multidão ou com um pequeno grupo; porque a vitória da batalha não está na multidão de um exército; mas a força vem do céu." Estes estavam entre os heróis que "pela fé se tornaram valentes na peleja, fizeram fugir os exércitos dos estrangeiros" (Hebreus 11:34).
Juízes 7.4 NAA
Então o Senhor disse a Gideão: — Ainda há povo demais. Faça-os descer até as águas, e ali eu os provarei para você. Aquele de quem eu disser: “Este irá com você”, esse de fato irá com você; porém todo aquele de quem eu disser: “Este não irá com você”, esse não irá.
Hebreus 11.34 NAA
extinguiram a violência do fogo, escaparam de ser mortos à espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros.
(b) Mesmo cometendo o pecado de não ouvir a Deus, faz parte de seu plano perfeito operar salvação de seus eleitos. Ele é persistente.

A diferença entre o Saul pecador e o Davi pecador, que o sucederá como rei, é a mesma diferença que há entre Judas, o discípulo apóstata, e o apóstolo pecador Pedro, ambos os quais traíram Jesus na noite da sua prisão. A diferença entre Davi e Pedro, de um lado, e Saul e Judas, do outro, é a humildade que se arrepende do pecado e busca a misericórdia e a graça do Senhor. A grande oração de arrependimento feita por Davi começa com um fervoroso pedido de misericórdia e uma fé confiante na oferta de perdão feita por Deus por meio do sangue sacrificial: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (

Essa é uma lição que se aplica a todo pecador cercado pela insensatez do seu pecado. Não pense que Deus pode ser comprado com boas obras, formalismo religioso ou pagamentos em dinheiro. Deus requer que cada pecador confesse seu pecado e recorra ao sangue do Salvador a quem ele enviou, Jesus Cristo. Ele promete: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (

Salmo 25.4–7 NAA
Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia. Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó Senhor.
Ilustr.:
Uma história antiga nos conta de um monge que havia se recusado a obedecer a S. Francisco, seu superior, e não bastasse isso havia se rebelado contra, não demonstrando qualquer traço de humildade e submissão ao seu superior.
S. Francisco mandou cavar uma cova com profundidade suficiente para enterrar o monge de pé. Dada a ordem o culpado foi descido à cova, e os seus companheiros começaram a jogar terra para cobri-lo.
Quando a terra já alcançava os joelhos do monge, S. Francisco abaixou-se e perguntou-lhe: “Você já está morto? Já morreu a sua vontade própria? Você está pronto a se render?” Não houve resposta. O homem na cova estava inflexível.
O enterro continuou. A terra já chegava até a cintura, aos ombros, aos lábiosMais uma vez o superior perguntou: “Você já morreu?” Não havia no semblante de S. Francisco modificação alguma, a resistência seria inútil. Poucos momentos mais e a terra cobriria o monge que já respirava com dificuldade. A sua vontade se quebrou: “Estou morto”, disse o monge, e o enterro foi suspenso.
História semelhante aconteceu com o rei Saul. Depois de constituído rei. depois de alcançar sucesso, posição e glória, tudo isto vindo de Deus, Saul resolveu fazer a sua própria vontade, em lugar de obedecer a Deus. Esta foi a causa de sua ruína. Não estaremos nós, irmãos, fazendo o mesmo?
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