SOMENTE PELA FÉ

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão "Somente pela Fé" apresenta a justificação como o ato de Deus declarar o pecador justo mediante a fé em Jesus Cristo, e não por obras ou méritos humanos. Enquanto diversas religiões e tradições cristãs ensinam que a salvação depende, em parte, de boas obras, o apóstolo Paulo — especialmente em Romanos 9.30–33 — enfatiza que a justificação é exclusivamente pela fé, conforme também ensinaram os reformadores, como Martinho Lutero. O fracasso de Israel, segundo Paulo, se deu porque buscavam justificação por obras e rejeitaram a Cristo, a "pedra de tropeço". A fé em Jesus é o único caminho para a justificação; sem ela, o ser humano caminha rumo ao fracasso, à ruína e à vergonha eterna. A verdadeira fé em Cristo leva à vida eterna, enquanto confiar nas próprias obras resulta em condenação. O chamado final é claro: confie apenas em Jesus, pois somente pela fé se alcança a justificação.

Notes
Transcript

SOMENTE PELA FÉ

Introdução:
O que é justificação?
Justificação é ser declarado inocente, livre de culpa, ser considerado por Deus como justo.
Perspectivas religiosas sobre a justificação:
No judaísmo, a justificação ocorre por meio da aliança com Deus, da obediência à Torá e do arrependimento. Boas ações, oração e jejum são fundamentais nesse processo.
No hinduísmo, a justificação acontece por meio de ações corretas e do cumprimento do dever moral (dharma).
No islamismo, a justificação se dá pela obediência a Allah, pela prática de boas obras e pela fé.
Nos mórmons, a justificação ocorre por meio da fé em Cristo, do arrependimento, do batismo e das boas obras. As obras são muito importantes; a salvação plena exige esforço pessoal.
Nas Testemunhas de Jeová, a justificação se dá pela fé em Jeová, pelas boas obras e pela fidelidade à organização. As obras são consideradas essenciais — sem elas, não há salvação.
Na Igreja Católica Romana, a justificação ocorre pela fé, pelas obras e pela participação nos sacramentos (como batismo, confissão e eucaristia). As obras são parte da cooperação com a graça divina, necessária para manter e crescer na justificação.
Ou seja, em todas elas, sem obras não há justificação.
E na igreja protestante? Você já ouviu falar dos Cinco Solas (ou “cinco somente”) da Reforma Protestante do século XVI? Trata-se de um resumo das doutrinas fundamentais do cristianismo reformado. (Não os apresentarei em ordem tradicional, por uma questão de ênfase final.)
Sola Scriptura – Somente a Escritura: A Bíblia é a única autoridade final e infalível para a fé e a prática cristã.
Sola Gratia – Somente a Graça: A salvação é um dom totalmente imerecido, concedido pela graça de Deus.
Solus Christus – Somente Cristo: Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.
Soli Deo Gloria – Glória somente a Deus: Toda glória pertence somente a Deus, e não a seres humanos, santos ou instituições.
Sola Fide – Somente a Fé: A justificação diante de Deus é somente pela fé, e não por obras ou méritos humanos.
Enquanto outras religiões e seitas cristãs ensinam que as obras são necessárias para a justificação, a igreja protestante declara que a justificação é somente pela fé. Paulo diria: somente pela fé se alcança a justificação.
Lição: Somente pela Fé se Alcança a Justificação.
Texto: Romanos 9.30-33.
Romanos 9.30–33 representa a transição da explicação de Paulo sobre a incredulidade de Israel no passado para sua incredulidade no presente. Paulo já havia falado de seu chamado e explicado o Evangelho em Romanos 1–8. Em seguida, nos capítulos 9 a 11, ele passa a tratar de Israel e da dispensação da graça, abordando o passado, o presente (durante o período da Igreja) e o futuro de Israel.
Em Romanos 9, o apóstolo está tratando do passado de Israel e das razões de sua incredulidade. Como ele deixou claro, a salvação é fruto da eleição divina (Rm 9.6–13), e Deus é soberano, podendo escolher a quem quiser (Rm 9.14–29). Agora, em Romanos 9.30–33, Paulo chega à conclusão da discussão anterior sobre a autoridade soberana de Deus.
Paulo já demonstrou, em Romanos 9.6–29, que a incredulidade dos israelitas no passado (Antigo Testamento) se deu pela ausência da eleição divina. Para ele, essa também é a razão da incredulidade dos judeus em sua época, ou seja, no tempo presente. Em Romanos 9.30–33, Paulo retoma o tema da justificação pela fé, deixando implícito que a fé que levou os gentios à justificação foi resultado da eleição divina, enquanto a incredulidade dos judeus se deveu à não eleição. É a essa conclusão que Paulo deseja conduzir seus ouvintes.
No entanto, em Romanos 10, Paulo argumenta que essa incredulidade também é fruto das decisões humanas. Ou seja, os judeus são responsáveis diante de Deus por sua desobediência e incredulidade.
A desobediência e incredulidade de Israel se manifestam na rejeição de Jesus como o Cristo. O problema deles é cristológico. Não crer que Jesus era o Messias tornou-se a causa da ruína de Israel. Jesus é a justiça de Deus, e enquanto os judeus o rejeitaram, os gentios o receberam pela fé — e, com isso, alcançaram a justificação.
Nesses versículos, fica claro que somente pela fé se alcança a justificação. Contudo, neste parágrafo, quero destacar o que o homem alcança sem a fé.
Sem a fé, o homem alcança apenas o fracasso eterno (30-32a).
30 Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; 31 e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. 32a Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras.
A ideia aqui é: qual a conclusão que se pode tirar de tudo isso? Os gentios, que não buscavam cumprir a lei para alcançar justificação, a obtiveram — pois foi alcançada pela fé. Já os judeus, que buscavam cumprir a lei com esse objetivo, não a alcançaram — porque não foi pela fé.
A resposta que Paulo esperava de seus ouvintes era: a eleição divina.
A justificação decorre da fé (v. 30).
A Bíblia é clara quanto à justificação pela fé (Rm 1.17; 3.22; 4.9, 11, 13; Gl 3.8; 5.5; Fp 3.9; Hb 11.7). A fé sempre foi o único meio de salvação (ex.: Noé, Abraão, Raabe, Naamã, Daniel, Habacuque, entre outros). A salvífica tem um alvo: Jesus Cristo. A fé em Cristo nos conduz ao êxito da justificação.
A justificação não decorre das obras (vv. 31-32a).
A Bíblia é clara quanto à impossibilidade de cumprir a lei (Rm 3.20; 4.14–15; Gl 3.10–11; Tg 2.10–11), e quanto ao que representa, diante de Deus, a justiça do homem (Is 64.6). Ninguém cumpre perfeitamente a lei de Deus, porque a lei é perfeita, e o homem, imperfeito. A justiça humana está manchada pelo pecado.
O fracasso de Israel se deu por causa da falta de fé. Os judeus da época de Paulo não compreenderam que a justificação de Abraão, Moisés, Davi etc. foi somente pela fé — e que as obras desses homens de Deus vieram depois da fé. Esse é o mesmo fracasso de muitos hoje: não compreenderem a singularidade da fé e a inutilidade das obras como meio de salvação.
Uma pessoa do mundo que, nos últimos suspiros de vida, crê em Jesus Cristo alcança a justificação. Mas uma pessoa que se diz crente, mas não tem fé e busca a salvação por suas próprias obras, jamais alcançará a justificação.
Aplicação:
Se buscarmos a justificação através das obras ao invés da fé, o resultado será o fracasso.
Somente pela fé se alcança a justificação; sem ela, o homem alcança apenas o fracasso eterno.
Sem a fé, o homem alcança apenas a ruína eterna (32b-33a).
32b Tropeçaram na pedra de tropeço, 33a como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo
O erro dos judeus foi tropeçar na pedra salvadora de Deus. É isso que Paulo deseja deixar claro aos seus ouvintes. O verbo “tropeçar” significa bater contra, cair, ofender-se. O sentido aqui é o de tropeçar e cair — ao bater contra a pedra de tropeço, ao se ofender com a verdade sobre ela, eles caíram em ruína. A pedra, claramente, é Jesus. Ao rejeitarem Jesus como o Messias (o Cristo) e ao buscarem a justificação por suas próprias obras, em vez da fé n’Ele, estavam tropeçando para sua própria destruição.
Para Paulo, isso não era surpresa nem estava fora do controle de Deus (v. 33). Ele cita partes de dois textos de Isaías juntos (Is 8.14–15; 28.16). Em Isaías 8.14–15, Deus é apresentado como a pedra na qual muitos tropeçariam e cairiam. O reino do Sul (Judá e Benjamim) estava sendo ameaçado pelo reino da Síria e pelo reino do Norte (as dez tribos de Israel), e Deus havia prometido protegê-los. No entanto, eles não confiaram em Deus, mas sim na aliança com a Assíria. Então, Deus, por meio da própria Assíria, traria juízo sobre as duas casas de Israel. Ou seja, por não crerem na promessa de Deus, tropeçaram e caíram para sua própria destruição.
Isaías 28.16 traz uma profecia clara sobre o Messias. Essa pedra — o Messias — seria assentada pelo próprio Deus. Essa pedra leva a dois resultados: salvação ou destruição. Para alcançar o primeiro, Deus exige fé: “Aquele que crer não foge”. Paulo usa essas duas passagens de Isaías para justificar o que estava acontecendo: os judeus estavam sendo incrédulos diante da pedra estabelecida por Deus — Jesus — e isso os levava à destruição, enquanto os gentios criam em Jesus para sua justificação.
Jesus Cristo é escândalo para uns e loucura para outros (ver 1Co 1.23). Muitos não creem em Jesus Cristo e, por isso, tropeçam no único meio de salvação, causando sua própria destruição. Esse tipo de pessoa é infeliz, pois Jesus disse: “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Lc 7.23).
Aplicação:
Quem é Jesus para você?
Se não houver uma entrega total a Jesus Cristo pela fé, não haverá justificação — apenas destruição. Receba Jesus pela fé; abrace-O como seu único e suficiente Salvador.
Somente pela fé se alcança a justificação; sem ela, o homem alcança apenas a ruína eterna.
Sem a fé, o homem alcança apenas a vergonha eterna (33).
33 como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido. 
Os termos tropeço e escândalo (ou ofensa) estão ligados ao julgamento escatológico, e somente quem crê em Jesus Cristo estará livre da condenação. Com essa citação do Antigo Testamento, Paulo comprova que a justificação é somente pela fé. Ele afirma que o crente em Jesus Cristo não será confundido.
O verbo “confundir” significa humilhar, envergonhar. Está no tempo futuro e na voz passiva — ou seja, indica um acontecimento futuro, no qual o sujeito sofrerá a ação. Esse acontecimento é o julgamento final, quando Deus não envergonhará os que creram em Jesus Cristo. O contrário também é verdadeiro: Deus envergonhará os que não creram em Jesus Cristo.
Todo aquele que tem uma fé falsa em Jesus Cristo — baseada em interesses pessoais — e busca a justificação de seus pecados pelas obras será envergonhado por Deus. A condenação eterna será a sua vergonha. Alcançarão apenas tristeza e vergonha por seus atos.
Daniel, ao falar ao seu povo — Israel — declara: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Dn 12.2).
É triste o que vou dizer, mas é a verdade: muitos que se dizem crentes serão envergonhados, porque estão na igreja por interesse e buscam a salvação pelas obras. Esses ouvirão apenas um sonoro: "Nunca vos conheci" (Mt 7.23), da parte de Cristo.
Aplicação:
Vergonha não é reconhecer que a salvação é pela fé. Vergonha é não reconhecê-la — e ser condenado eternamente por confiar nas próprias obras. Ou seja, a fé não nos envergonha, não nos desaponta, não nos decepciona. Não confie nas suas obras; confie no sacrifício de Jesus Cristo por você.
Quando se busca a justificação por meio das próprias obras, você está, na prática, dizendo que não precisa do Salvador, Jesus Cristo. E o seu fim será a vergonha eterna.
Somente pela fé se alcança a justificação; sem ela, o homem alcança apenas a vergonha eterna.
Conclusão:
Marinho Lutero disse: “Não é das obras que somos libertados pela fé em Cristo, mas da crença nas obras, ou seja, de uma tola presunção de buscar a justificação pelas obras. A fé redime nossas consciências, as torna retas e as preserva, pois por ela reconhecemos a verdade de que a justificação não depende de nossas obras”. Uma fé verdadeira em Jesus Cristo põe fim à ideia de justificação pelas obras. Ao crer em Jesus Cristo, a pessoa renuncia a esse pensamento humano de alcançar justificação por méritos próprios.
Existem vários ensinos sobre a justificação, mas apenas um é verdadeiro: o que afirma que ela é somente pela fé. Não é fé mais alguma coisa — é somente pela fé. Somente pela fé se alcança a justificação. E o único alvo dessa fé é Jesus Cristo.
30 Que diremos então? Os gentios que não estão buscando cumprir às exigências de Deus alcançaram a justificação, pois a justificação foi por meio da fé. 31 Mas Israel que está buscando a lei para cumprir às exigências de Deus nela não alcançou. 32 Por quê não? Porque não foi por meio da fé, mas sim por meio das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, 33 como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de armadilha, e aquele que está crendo nele não será envergonhado (ficará desapontado ou decepcionado).
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