Ousadia e Verdade

Cristiano Gaspar
Igreja em Movimento  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Imagine a seguinte cena.
Você está prestes a ser promovido no trabalho. Sua performance é admirada, seus resultados são reconhecidos, e a liderança da empresa vê em você um potencial a ser investido. Mas há um detalhe que você conhece bem: todos sabem que você é cristão. E você sabe que assumir isso de forma mais explícita pode custar a promoção, o respeito ou pelo menos o convite para certos círculos.
Então você começa a ponderar: será que é mesmo necessário falar sobre Jesus aqui? Será que não dá para manter minha fé só para mim, sem criar ruídos? Será que vale a pena o risco?
Essa é a pergunta que ninguém gosta de fazer, e muito menos responder. Porque ela nos expõe. Revela como muitas vezes nossa fé está condicionada ao conforto, estabilidade e segurança. Revela como tememos mais a rejeição dos homens do que a aprovação de Deus. E revela que, no fundo, às vezes preferimos ser aceitos a ser fiéis.
Foi exatamente essa tensão que Pedro e João enfrentaram em Atos 4. Eles haviam acabado de pregar, testemunhar um milagre — um homem coxo foi curado em nome de Jesus! — e, em vez de reconhecimento, foram presos. Diante do mesmo conselho religioso que condenou Jesus, eles agora seriam julgados por anunciarem a ressurreição. E é nesse cenário que eles fazem uma das declarações mais marcantes do Novo Testamento:
“Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos.” (v. 20)
Essa frase é um divisor de águas. Porque, no fim das contas, a vida cristã não é sobre o que você sente por Jesus, mas sobre o que você fala dele, mesmo quando é custoso.
Hoje, vamos olhar para essa história não apenas como algo que aconteceu com os apóstolos, mas como algo que pode acontecer conosco, e muitas vezes acontece, de forma mais sutil. Vamos ver:
Como o evangelho sempre confronta e incomoda;
De onde vem a ousadia de quem já negou, mas agora proclama;
E por que não podemos nos calar, mesmo quando tudo nos pressiona a isso.
Atos dos Apóstolos 4.1–4 NAA
1 Enquanto Pedro e João ainda falavam ao povo, chegaram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, 2 ressentidos porque os apóstolos estavam ensinando o povo e anunciando, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos. 3 Prenderam Pedro e João e os recolheram ao cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde. 4 Porém muitos dos que ouviram a palavra creram, subindo o número desses homens a quase cinco mil.

1. Quando o evangelho é pregado com clareza, ele sempre confronta

Logo após o poderoso milagre do capítulo 3 — a cura do homem coxo à porta do templo — Pedro não perde tempo: ele prega. E não qualquer mensagem. Ele aponta para Jesus como o autor da vida, chama ao arrependimento e diz que só nEle há salvação e restauração.
Agora, em Atos 4, vemos o que acontece quando o evangelho é anunciado com clareza: oposição.
Veja os versículos 1 e 2:
“Enquanto Pedro e João ainda estavam falando ao povo, chegaram os sacerdotes, o capitão da guarda do templo e os saduceus. Eles estavam muito perturbados porque os apóstolos estavam ensinando o povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos.”
Essa não é uma simples interrupção. É uma tentativa de silenciamento. E ela vem de onde? Dos religiosos. Dos líderes do povo. Dos que, teoricamente, deveriam estar esperando o Messias, mas rejeitaram o próprio Messias.
O texto diz que eles estavam “muito perturbados”. Por quê? Porque os apóstolos estavam pregando “em Jesus” a ressurreição dos mortos. Isso incomodava especialmente os saduceus, que eram a ala teológica mais liberal entre os judeus. Eles negavam milagres, anjos, e principalmente a ressurreição. Eram materialistas disfarçados de religiosos. Sua fé era funcionalmente ateísta.
A mensagem de Pedro e João não era apenas sobre espiritualidade. Era uma mensagem radicalmente centrada em Cristo e historicamente ancorada na ressurreição. E isso era insuportável para o sistema religioso.
Aplicação: o evangelho confronta porque é claro
Perceba, irmão, irmã: a oposição não veio porque Pedro e João estavam sendo agressivos ou arrogantes. Eles estavam pregando com ousadia e clareza. Mas clareza, por si só, já é ofensiva quando o conteúdo é o evangelho. Os apóstolos não estavam pregando regras, mas ressurreição. Da mesma forma, nossa pregação e ensino não devem recomendar um conjunto de regras morais para tornar as pessoas mais aceitáveis a Deus, mas sim anunciar o Senhor ressuscitado, Jesus Cristo, que nos torna aceitáveis. Ele é o herói de toda a Bíblia.
Talvez hoje ninguém vá te prender por pregar Jesus. Mas muitos vão tentar te silenciar de outra forma:
Com constrangimento social;
Com marginalização intelectual;
Com a pressão de parecer “respeitável” o suficiente para não falar de exclusividades.
Já percebeu que, se você falar de espiritualidade, ninguém se incomoda? Mas fale que Jesus ressuscitou dos mortos e que só nEle há salvação, e o tom da conversa muda.
É sempre assim. O mundo aceita uma fé vaga, moralista, subjetiva. Mas quando você diz: “Há um só nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos”, você cruzou uma linha. O evangelho claro sempre confronta.
E você, tem sido confrontado?
Agora me permita perguntar com carinho, mas com firmeza: Você tem vivido sua fé de forma tão clara que incomoda alguém? Ou sua fé é tão neutra, tão “socialmente aceitável”, que ninguém sequer sabe o que você crê?
Há um padrão em Atos: onde o evangelho é pregado, há conversão e oposição. Se você nunca enfrentou nenhum tipo de rejeição ou desconforto por causa da sua fé, talvez seja o caso de se perguntar: Será que eu tenho anunciado o evangelho com clareza?
Tony Merida comenta que, onde Paulo ia, havia tumulto — e onde muitos de nós vão, há apenas cafés e conferências. Isso diz algo. Não que devamos buscar perseguição, mas que a ausência total dela pode revelar uma fé escondida.
Semente para o coração: o evangelho não é um conselho; é uma notícia
E aqui está a questão central: o evangelho não é uma sugestão de vida. Não é uma boa filosofia. Não é um caminho entre outros. É uma notícia. Algo que aconteceu na história: Cristo morreu, ressuscitou, está vivo e voltará. E se isso é verdade, não pode ser ignorado. Tem que ser proclamado, mesmo quando confronta, mesmo quando incomoda.
Atos dos Apóstolos 4.5–12 NAA
5 No dia seguinte, as autoridades, os anciãos e os escribas se reuniram em Jerusalém 6 com o sumo sacerdote Anás, com Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote. 7 E, colocando os apóstolos diante eles, perguntaram: — Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso? 8 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: — Autoridades do povo e anciãos, 9 visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo como ele foi curado, 10 saibam os senhores todos e todo o povo de Israel que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vocês crucificaram e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado na presença de vocês. 11 Este Jesus é a pedra que vocês, os construtores, rejeitaram, mas ele veio a ser a pedra angular. 12 E não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.

2. A ousadia surge de uma convicção maior do que o medo

O dia amanhece, e Pedro e João são levados à presença dos principais líderes religiosos de Jerusalém. O texto diz que estavam ali os “governantes, anciãos e mestres da lei”, e entre eles, dois nomes muito conhecidos: Anás e Caifás, os mesmos que lideraram o julgamento de Jesus.
Pedro e João estão diante dos homens mais poderosos do sistema religioso, os mesmos que conseguiram crucificar o Filho de Deus. É como se eles estivessem diante do Supremo Tribunal da religião judaica.
A pergunta que fazem no verso 7 é direta:
“Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso?”
A resposta de Pedro é uma explosão de coragem e clareza. E a chave para entender essa resposta está no verso 8:
“Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes...”
Ele não estava apenas com boa retórica. Não estava apenas treinado. Ele estava cheio do Espírito Santo. Aquilo que o Senhor Jesus prometeu em Lucas 21.12–15 estava se cumprindo ali:
“Quando forem levados às sinagogas e diante de reis e governadores, não se preocupem com o que dirão, pois eu lhes darei palavras e sabedoria que ninguém poderá resistir ou contradizer.”
O mesmo Pedro que negou, agora é o Pedro que proclama
Pedro já tinha estado perto de uma fogueira, lembram? Poucos dias antes do Pentecostes, ele negou conhecer Jesus por medo de uma simples serva (João 18.17). Agora, diante do Sinédrio, ele declara:
“Foi em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vocês crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos...” (v. 10)
Isso não é só ousadia. Isso é uma nova identidade. Pedro não é mais um homem dominado pelo medo, mas um homem dominado pela convicção de que Jesus está vivo e reina.
Jesus é a pedra rejeitada — e o único nome que salva
No verso 11, ele cita o Salmo 118:
“A pedra que vocês, construtores, rejeitaram, tornou-se a pedra angular.”
Pedro está dizendo: “Vocês achavam que estavam descartando um agitador. Mas rejeitaram o alicerce de tudo. Jesus é a base da nova humanidade, da nova criação, do novo templo de Deus.”
E então vem o clímax, no verso 12:
“Não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos.”
Essa é uma das declarações mais exclusivas e escandalosas da fé cristã. E, por isso mesmo, uma das mais libertadoras.
Aplicação: o problema não é que confiamos em outros deuses — mas que confiamos em nós mesmos
Cristão moderno costuma achar que esse texto é para muçulmanos, budistas, ateus. Mas, na verdade, ele é para nós. Porque, mesmo confessando com os lábios que Jesus é o único Salvador, muitas vezes tentamos viver como se fôssemos nossos próprios salvadores.
Quando achamos que Deus nos ama mais porque tivemos uma “semana espiritual” boa — estamos tentando ser salvos pelas obras.
Quando nos sentimos condenados e nos afastamos de Deus por causa de um pecado cometido — estamos confiando na nossa própria performance para ter comunhão.
Quando baseamos nossa identidade na imagem que projetamos, no sucesso do ministério, na aceitação de líderes ou amigos — estamos buscando outro “nome” para nos salvar.
É como se disséssemos com os lábios: “Jesus é meu Salvador”, mas com o coração: “minha reputação é o que me salva”, “minha fidelidade é o que me garante”, “meu desempenho espiritual é o que me dá segurança”.
Mas Pedro é claro: Não há salvação em nenhum outro nome. Nem no seu. Nem na sua obediência. Nem na sua imagem. Nem no seu acerto teológico.
Idolatria disfarçada de santidade
É possível ser idólatra mesmo falando de Jesus o tempo todo — se o Jesus que pregamos serve apenas como escada para o nosso próprio orgulho ou mérito. Por isso essa verdade é tão libertadora:
“Jesus é o único nome que salva, inclusive da sua justiça própria.”
E isso nos dá ousadia. Porque se a salvação depende dele e não de mim, então eu posso confessar meus pecados sem medo, posso testemunhar sem vergonha, posso servir sem necessidade de aplausos. Porque tudo está seguro em Cristo.
Lições práticas:
Seja ousado porque a ressurreição é real.
Seja ousado por amor a Deus e ao próximo.
Lembre-se da exclusividade do evangelho: só Jesus salva. Isso pode soar ofensivo hoje, mas mentir por “amor” é, na verdade, cruel. Sugerir outro caminho desonra a cruz de Cristo.
Tim Keller comenta: a igreja primitiva era “atraente e odiada”. Cristãos verdadeiramente próximos de Jesus experimentarão ambas as coisas. É muito mais difícil declarar Atos 4. 12 do que defender valores ou idéias que podem não ser socialmente ou culturalmente aceitas. Será que para você que é conservador é mais confortável defender suas idéias diante de um mundo progressista ou dizer para aqueles que são igualmente conservadores, mas não confessam sua fé unicamente em Cristo que a moralidade deles não salva e que eles estão tão perdidos como progressistas que igualmente rejeitam a Cristo. Observe, estou dizendo de exclusividade em Cristo, Cristo e mais alguém ou Cristo e o que eu faço é a mesma coisa que nada, que rejeitar Cristo completamente. Da mesma forma você que talvez tenha uma cosmovisão mais progressista e tem amigos muito bons e socialmente muito engajados, que façam muitas coisas boas, mas que rejeitam a Cristo. É fácil para você confrontar essas pessoas dizendo que as eventuais boas obras e causas que eles estão engajados não são capazes de salvá-los e que só em Cristo há salvação? O que é mais difícil?
Atos dos Apóstolos 4.13–22 NAA
13 Ao verem a ousadia de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, ficaram admirados; e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. 14 Vendo que o homem que havia sido curado estava com eles, nada tinham a dizer em contrário. 15 E, mandando-os sair do Sinédrio, discutiam entre si, 16 dizendo: — Que faremos com estes homens? Pois todos os moradores de Jerusalém sabem que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar. 17 Mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, vamos ameaçá-los para não falarem mais neste nome a quem quer que seja. 18 Chamando-os, ordenaram-lhes que de modo nenhum falassem nem ensinassem no nome de Jesus. 19 Mas Pedro e João responderam: — Os senhores mesmo julguem se é justo diante de Deus ouvirmos antes aos senhores do que a Deus; 20 pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. 21 Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido. 22 Ora, o homem em quem tinha sido operado esse milagre de cura tinha mais de quarenta anos de idade.

3. Quando o evangelho é vivido, até os poderosos percebem

O verso 13 marca uma virada poderosa na narrativa. Depois de ouvirem a ousada defesa de Pedro, os líderes do Sinédrio ficam, literalmente, desconcertados:
“Ao verem a coragem de Pedro e João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” (v.13)
Eles não sabiam explicar a coragem. Não conseguiam negar o milagre. E não tinham como impedir a evidência: aqueles homens comuns tinham estado com Jesus.
Pedro e João não tinham currículo… tinham comunhão
A palavra usada aqui para “sem instrução” no grego significa literalmente “analfabetos”, no sentido de não terem formação rabínica formal. Mas havia algo neles que nenhuma escola poderia produzir: a autoridade de quem conhece o Senhor ressuscitado.
Os líderes religiosos esperavam enfrentar um argumento, mas encontraram um testemunho vivo. Esperavam derrotar uma ideia, mas estavam diante de homens transformados.
Eles perceberam: “Esses homens estiveram com Jesus.” E essa continua sendo a marca mais poderosa de um cristão. Não é o diploma. Não é o título. Não é a habilidade. É a comunhão com Cristo.
A partir do verso 14, os líderes estão encurralados. Há um homem curado, de pé, ao lado dos apóstolos. É inegável. Eles até mandam Pedro e João saírem da sala para “fazerem uma reunião”, como se pudessem abafar um milagre com um memorando.
E então, a conclusão deles não é “o que faremos para conhecer essa verdade?”, mas:
“O que faremos com esses homens para que isso não se espalhe ainda mais entre o povo?” (v.17)
Percebe a ironia? Em vez de se renderem à verdade, tentam contê-la. Em vez de se dobrarem diante da evidência, entram em modo de controle de danos.
Mas aqui está algo que precisamos destacar: eles tinham medo da popularidade da mensagem, não temor de Deus. Eles estavam preocupados com poder, posição, reputação.
E ainda hoje, muitos rejeitam a fé por esse mesmo motivo: não por falta de evidência, mas por apego ao próprio trono.
Pedro e João respondem com a ousadia de quem viu a glória de Cristo
Nos versículos 19 e 20, temos uma das respostas mais lindas e corajosas do Novo Testamento:
“Julguem os senhores mesmos se é justo, aos olhos de Deus, obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos.”
Isso é evangelho vivido. É convicção que não se dobra. É fé que já viu a ressurreição, e por isso, não teme mais a morte.
Eles não estão sendo rebeldes por orgulho. Eles estão sendo obedientes por temor ao Deus vivo.
Aplicação: o evangelho vivido é incontrolável
Você não pode controlar alguém que não tem mais medo de perder.
Pedro e João não tinham medo de perder o respeito dos líderes — já tinham o favor de Deus.
Não tinham medo de perder a liberdade — já eram livres em Cristo.
Não tinham medo de perder a vida — já criam na ressurreição.
E é exatamente esse tipo de fé que o mundo não consegue explicar.
Quando você vive como quem já morreu com Cristo, o mundo perde o controle sobre você.
Será que o mundo percebe que estivemos com Jesus?
E aqui, vem uma das perguntas mais importantes para nós e para a igreja:
As pessoas ao nosso redor — no trabalho, na vizinhança, até na igreja — conseguem perceber que estivemos com Jesus?
Não se trata de sermos perfeitos. Mas de sermos marcados. Como alguém que saiu de uma sala com perfume forte: mesmo depois que o encontro acabou, o cheiro ficou. Assim também deveria ser com quem anda com Cristo.
Será que quando falamos, aconselhamos, servimos, pregamos, reagimos — as pessoas reconhecem o tom, o olhar, a atitude de quem andou com Jesus?
Porque o mundo pode resistir aos nossos argumentos. Pode rejeitar a nossa doutrina. Mas não consegue ignorar uma vida que carrega o perfume de Cristo.

Conclusão

A fé que não pode ser silenciada
Pedro e João foram ameaçados, pressionados, julgados. Tudo o que o sistema queria era um silêncio. Um recuo. Uma adaptação.
Mas eles disseram:
“Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos.” (v. 20)
Cristo havia sido crucificado — e eles O viram ressurreto. Eles O tocaram. Ouviram Sua voz. Foram perdoados por Ele, comissionados por Ele, cheios do Espírito dEle. Como se calar depois disso?
E nós, o que vimos e ouvimos?
Essa não é apenas uma história do passado. É o diagnóstico do presente.
Nós também vivemos em um mundo que tolera tudo, menos a exclusividade de Jesus. Um mundo que nos oferece mil formas de sucesso, paz e salvação que não exigem cruz. E, muitas vezes, não somos perseguidos… porque simplesmente nos calamos.
Mas se você viu a beleza do evangelho — se foi perdoado por essa graça — então você carrega uma notícia que o mundo precisa ouvir.
Da pedra rejeitada ao novo templo
Pedro disse que Jesus é a pedra que os construtores rejeitaram, mas que se tornou a pedra angular. É a imagem perfeita da história da redenção:
Rejeitado por nós — mas exaltado por Deus.
Humilhado na cruz — mas entronizado na ressurreição.
Desprezado pelos homens — mas fundamento do novo povo de Deus.
E agora, nós, a igreja, somos as pedras vivas desse novo templo. Edificados sobre Cristo. Cheios do Espírito. Chamados a testemunhar.
A pergunta que fica é: por que ainda nos calamos?
Será que, como Pedro antes do Pentecostes, temos medo? Será que, como os líderes do Sinédrio, queremos preservar poder, reputação, conforto?
Ou será que hoje o Espírito Santo pode nos encher novamente, e nos fazer falar com ousadia?
Ore por isso, peça por essa ousadia. Mas saiba: orar por ousadia não é orar por conforto. É orar por coragem para glorificar a Cristo, custe o que custar.
Você pode se calar?
Você pode se calar depois do que Cristo fez por você?
Depois da cruz? Depois do túmulo vazio? Depois de ter sido salvo, amado, perdoado, chamado?
“Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos.”
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