Um membro de igreja saudável é genuinamente convertido

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2Co 5.16-17

Introdução:
Como podemos ser igreja? Esse é um tema que tem ganhado bastante ênfase, especialmente quando falamos de uma igreja saudável — termo que tem norteado nossos estudos. No nosso último encontro, vimos que o crente, aquele que faz parte da igreja, deve ser saturado do conhecimento do Senhor. Não basta apenas participar ou estar incluso formalmente como membro.
É importante reforçar esse ponto porque, em alguns contextos, percebemos a disseminação de uma ideia quase "católica" (no sentido popular do termo) de “crentes não praticantes”. Esse pensamento, porém, entra em contraste com uma vasta quantidade de textos das Escrituras.
Um exemplo claro disso está em Mateus 5.14: “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.”
A transformação na vida do crente é tão marcante que Jesus a compara com uma cidade edificada sobre o monte — visível, inconfundível, impossível de esconder.
Esse mesmo princípio é reforçado por Paulo em 2 Coríntios 5, onde ele apresenta com clareza que um membro de igreja saudável é, de fato, alguém genuinamente convertido.
Peço, então, que os irmãos abram suas Bíblias em 2 Coríntios 5, para que possamos refletir juntos sobre o que caracteriza essa transformação e como ela nos chama a viver como verdadeiros membros do corpo de Cristo. Observem os versos 16 e 17.
Desenvolvimento:
No verso 15, vemos o resultado da morte de Cristo. É notável que, na mente de Paulo, todos aqueles que se identificam com Ele, de certo modo, também morreram com Ele. Há aqui uma lógica de causa e consequência: estar em Cristo é, inevitavelmente, morrer com Ele.
O texto, como podemos notar, é dirigido aos crentes. Seria estranho — e acredito que os irmãos concordam comigo — se Paulo estivesse se referindo também a descrentes. Afinal, como eles poderiam se identificar com o Senhor? Em que momento isso seria possível? Não há como. Por isso, ao somarmos o contexto anterior com o gênero epistolar (uma carta dirigida à igreja), concluímos com segurança que essa compreensão deve estar em nossa mente ao lermos o texto.
E, considerando essa morte como algo consumado, real e histórico, Paulo continua seu raciocínio no verso 16: “Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne”. Isso indica que a forma de ver uns aos outros mudou. A antiga natureza já não é mais o critério de avaliação. Antes, era comum enxergar as pessoas com base em categorias externas: etnia, status social, aparência — tudo isso valorizado pelo mundo. Mas agora, em Cristo, algo mudou profundamente.
Somos uma cidade edificada sobre o monte, como diz Mateus 5.14. Houve uma mudança espiritual, e ela se manifesta objetivamente no nosso modo de pensar, agir e perceber o próximo. Não somos mais movidos pelos padrões humanos. Por isso, precisamos ter convicção da nossa decisão e viver como aqueles que realmente morreram com Cristo.
Paulo diz: “E, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos deste modo.” Isso aponta para a mudança até mesmo na forma de se relacionar com Jesus. Antes da conversão, Ele podia ser visto como um homem comum ou mesmo um fracassado, alguém que morreu na cruz sem ter cumprido as expectativas humanas — como, por exemplo, derrotar o império romano. Mas a missão de Cristo era muito maior do que derrubar um sistema político: Ele veio trazer vida através da sua morte.
E é nessa morte que também estamos incluídos. A antiga vida, marcada por valores humanos e percepções mundanas, já não deve mais nos dominar. “De agora em diante”, como diz o texto, vivemos sob outro padrão: o da nova criação, do novo nascimento, da transformação real e visível que Deus opera em nós.
Esse é o caminho para formarmos uma igreja saudável. Uma igreja saudável é composta por crentes genuinamente convertidos, e essa nem sempre será a realidade visível — e justamente aí reside um dos maiores desafios que enfrentamos como povo de Deus.
Notamos a vida de uma nova forma. Passamos a perceber Cristo como o nosso Rei. E, aplicando as palavras de Paulo, é preciso dizer com clareza: Cristo não é apenas um guia espiritual ou um grande sábio. Reduzi-lo a isso é, na verdade, esvaziar completamente o seu discurso. As palavras do Senhor o colocam na posição de Deus verdadeiro, digno de toda adoração. Fugir dessa verdade é errar a interpretação dos seus ensinos, descaracterizá-lo e, no fim, enfraquecer a fé que professamos — um erro de propósito e de identidade cristã.
Infelizmente, mesmo nas igrejas, surgem percepções equivocadas sobre Jesus. Isso não apenas prejudica o crescimento de uma igreja saudável, mas também revela o quanto é duvidosa a suposta fé de quem fala assim. A fé genuína transforma, muda a maneira como olhamos para Cristo, para a vida e para o próximo.
“Assim que...” — essa expressão no início do verso 17 faz todo o sentido agora. Ela conecta a nova visão de Cristo (v.16) com o novo nascimento que Ele gera. Aqueles que o reconhecem corretamente e se identificam com Ele em sua morte são os mesmos que vivem a verdade do verso 17:
“Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
Isso aponta para uma nova criação, operada pela cruz de Cristo. É uma vida refeita, redirecionada, com um novo propósito — e isso precisa produzir frutos visíveis. Paulo destaca que houve transformação, consequência direta do sangue de Cristo. Essa nova vida nos conduz a um novo alvo, um novo estilo de vida.
É por isso que, como diz Efésios 2.10, fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas. Há um caminho novo, preparado pela cruz, e isso nos dá uma nova visão de mundo.
Como já mencionei anteriormente, agora passamos a enxergar a vida com a perspectiva de Eclesiastes, mas transformada: uma visão “acima do sol”. É de lá que vem o nosso Salvador, e é com essa ótica eterna que devemos viver. Quando permanecemos com uma visão apenas terrena e limitada, estamos nos afastando da verdade desses versos — e nos tornamos obstáculos ao crescimento da igreja e à edificação dos irmãos.
O impacto da morte de Cristo nos afeta pessoalmente e coletivamente. Ele nos torna outra coisaos primeiros frutos da nova criação, como diz Tiago 1.18. E essa “primeira safra” é apenas o início de uma colheita gloriosa, como a multidão incontável descrita em Apocalipse 7.
Temos uma esperança viva, mas também uma responsabilidade real: viver essa fé de forma coerente e visível. Somos nova criação, com nova vida, e mesmo que ainda lutemos contra o pecado do passado — e lutaremos até o fim —, já temos em Cristo tudo o que é necessário para enfrentar a antiga natureza. Cristo está em nós, como Paulo tantas vezes afirmou em suas epístolas.
Com isso em mente, devemos exercer nossa fé de forma que influencie a sociedade e, ao mesmo tempo, acolha os que se achegam necessitados de Deus. Não fechamos as portas para quem busca o que um dia nos alcançou. Pelo contrário, somos chamados a criar uma mentalidade unitária, que fortalece e ajuda os que estão começando a caminhada.
Não reconhecer que um dia também precisamos de ajuda é arrogância espiritual — algo que não deveria existir na vida de quem foi transformado e recriado por Cristo. E onde isso existir, será impossível formar uma igreja que cresce de modo saudável, conforme nos ensina toda a Escritura.
Como bem disse certo autor, dois resultados surgem à luz da morte de Cristo em nossa vida: o saber e o ser. Aquilo que sabíamos — nossas ideias, percepções e valores — foi transformado e preenchido pelo caminho do Senhor. E o nosso ser — nossa identidade, motivações e postura — foi tornado em outro, porque agora estamos com Ele.
Essa verdade precisa ser vivida. Ela não é apenas doutrina para ser repetida, mas realidade para ser encarnada. E viver essa verdade é o único caminho possível para o crescimento de uma igreja saudável.
Por isso, é indispensável que os membros da igreja sejam realmente convertidos. Não apenas frequentadores, mas gente transformada, recriada pela cruz, visivelmente moldada por Cristo, andando na luz como filhos da luz.
Afinal, só assim a igreja será, de fato, a cidade edificada sobre o monte — visível, firme, cheia de luz, e com as portas sempre abertas para acolher, discipular e transformar outros em nome de Jesus.
Conclusão:
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