24ª Parábola - Os primeiros lugares - uma lição aos convidados e ao anfitrião (Lc 14.7-14)
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Texto
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7 Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus contou-lhes uma parábola: 8 — Quando alguém convidá-lo para um casamento, não sente no lugar de honra, pois pode haver um convidado mais importante do que você. 9 Então aquele que convidou os dois dirá a você: “Dê o lugar a este aqui.” Então você irá, envergonhado, ocupar o último lugar. 10 Pelo contrário, quando alguém convidá-lo, vá sentar no último lugar, para que, quando vier aquele que o convidou, diga a você: “Amigo, venha sentar num lugar melhor.” Isso será uma honra para você diante de todos os demais convidados. 11 Porque todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado. 12 Depois Jesus disse ao que o havia convidado: — Quando você der um jantar ou uma ceia, não convide os seus amigos, nem os seus irmãos, nem os seus parentes, nem os vizinhos ricos; para não acontecer que eles retribuam o convite e você seja recompensado. 13 Pelo contrário, ao dar um banquete, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, 14 e você será bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensá-lo. A sua recompensa você receberá na ressurreição dos justos.
Introdução e desenvolvimento
Introdução e desenvolvimento
Parábola do 2 devedores na casa do fariseu chamado Simão, também foi um banquete
E agora os convidados estão começando a tomar seus lugares em torno da mesa:
vs7. Notando como os convivas estavam escolhendo os lugares de honra à mesa, ele lhes contou esta parábola.
Se as fontes rabínicas escritas algum tempo mais tarde nos fornecem uma descrição correta dos costumes no que respeita às ceias que prevaleciam durante o tempo da peregrinação de Cristo sobre a terra, como provavelmente o façam, então na sala onde se ia celebrar a ceia festiva, os “divãs para três” se dispunham, cada um, na forma de U ao redor de uma mesa baixa.
A posição central (pense na base curva do U) da mesa No. 1 era considerada o lugar de honra mais elevada. À esquerda da pessoa de posição mais elevada se reclinava a segunda em honra; e à direita a terceira ocupava seu lugar. No divã para três pessoas (o triclinium), que ficava à esquerda do primeiro divã, a ordem de reclinação prosseguia assim: quarto, o central; quinto, à esquerda do central; sexto, à direita do central; sétimo, posição central; oitavo, à esquerda do central; nono, à direita do central etc.
O que Jesus notou foi que, quando chegou o momento de os convidados se reclinarem à mesa, houve uma discussão inconveniente em busca dos lugares de mais honra. Essa era definitivamente uma violação da etiqueta correspondente à mesa.
A pessoa encarregada – chamemo-la anfitrião –, sob as ordens do dono da casa, embora às vezes o dono e o anfitrião fossem a mesma pessoa, havia reservado os assentos de mais honra. Não no sentido em que colocasse neles um grande letreiro: RESERVADO, mas no sentido em que ele queria que esses lugares fossem ocupados por determinados convivas, e não por outras pessoas. O fato de tais lugares estarem reservados no sentido indicado e não serem para “qualquer pessoa” é evidente à luz do versículo 9.
Mas para a mente e o coração Jesus, o que estava acontecendo era não simplesmente a violação da etiqueta devida à mesa, mas uma manifestação de falta de humildade, como se vê no versículo 11. É por essa razão que o conteúdo de 14.8–11 é denominado, e realmente é, uma parábola.
8, 9. Quando você for convidado por alguém para uma festa de núpcias, não se recline em lugar de honra, pois uma pessoa mais eminente que você pode ter sido convidada por ele. Se isso ocorrer, o que convidou a você e a ele virá e lhe dirá: Ceda o lugar a este homem. Então, envergonhado, você terá de sair e assentar-se no lugar inferior.
Jesus então mostra o que se pode esperar que aconteça quando em uma festa nupcial (em relação à qual as regras eram ainda mais rigorosas) alguém se apresse a ocupar um lugar que não lhe estava destinado. O anfitrião, vendo o que sucede, virá e, acompanhado de outro convidado, dirá ao aproveitador: “Ceda este lugar a este homem”, alguém que, segundo a avaliação do anfitrião, é mais eminente. O resultado será que o ousado e presunçoso conviva, dolorosamente envergonhado, então terá de desocupar seu assento e buscar um inferior.
Mas, por que inferior? Provavelmente por duas razões:
(a) porque agora todos os demais lugares já estão ocupados; ou
(b) porque mesmo quando ainda haja lugares sobrando, o indivíduo humilhado sabiamente escolherá o mais inferior de todos, porquanto não deseja sofrer uma segunda humilhação.
vs 10. Em vez disso, quando for convidado, vá e se recline no lugar inferior, para que quando seu anfitrião chegar, ele lhe diga: Amigo, venha para cima. Então você será honrado diante dos olhos de todos os seus amigos convidados.
O significado é bastante claro. O que surpreende é que os fariseus e especialistas na lei precisem ouvir essas verdades. Eles deveriam dar o exemplo. Afinal de contas, o que Jesus estava dizendo é quase uma repetição do que há tanto tempo é ensinado em Provérbios 25.6,7 (NVI): “Não se engrandeça na presença do rei e não reivindique lugar entre os homens importantes; é melhor que o rei lhe diga: Suba para cá!, do que ter de humilhá-lo diante de uma autoridade”.
E agora a sentença-chave, aquela que mostra que as palavras dos versículos 8–10, ainda que certamente descritivas daquilo que realmente aconteceu, constituem a parábola:
11. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado. De forma bem apropriada, as mesmas palavras se encontram na conclusão da parábola sobre o fariseu e o coletor (Lucas 18.14 “14 Digo a vocês que este desceu justificado para a sua casa, e não aquele. Porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” ) e em Mateus 23.12 “12 Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado.” quando Jesus censura os escribas e os fariseus - impressionante como Jesus trabalhou a paciência e o orgulho desses homens . Veja também Jó 22.29; Provérbios 29.23; Tiago 4.6; 1Pedro 5.5.
B. Uma Lição para o Anfitrião
B. Uma Lição para o Anfitrião
12–14. Então, [dirigindo-se] também ao seu anfitrião, ele disse: Quando você der um almoço ou jantar, não convide habitualmente seus amigos ou seus irmãos ou seus parentes ou seus vizinhos, para que eles, por sua vez, o convidem e receba em troca. Ao contrário, quando você der uma recepção, faça uma prática de convidar os pobres, os inválidos, os coxos, os cegos, e você será abençoado, já que eles não poderão retribuir-lhe; porque você será recompensado na ressurreição dos justos.
A parábola já terminou. Só que Jesus, ainda tem uma palavra para o anfitrião. Sem dúvida, o Mestre observou que a maioria dos convidados se compunha de pessoas importantes. Mas, se os ricos se associam somente com os ricos, os letrados somente com os letrados, os influentes somente com os influentes, o que sucederá ao resto da sociedade?
Jesus não está dizendo que não podemos ter uma vida social normal ou conviver com nossos amigos e familiares — isso é natural, e até necessário. Como diz o ditado: “Cada um no seu lugar.” Mas quando nos fechamos só para os nossos, impondo limites duros a quem pode se sentar à nossa mesa, estamos andando na contramão do espírito do evangelho. As palavras de Jesus, ontem e hoje, são cheias de sabedoria. E se Ele nos orienta a viver de outro jeito, cabe a nós obedecer com fé e confiança.
Note o seguinte:
a. Ao convidar constantemente só os que são capazes de, por sua vez, convidá-lo, onde fica lugar para se pôr em prática a norma bíblica de mostrar hospitalidade aos que sofrem necessidade? Veja Romanos 12.13 “13 Ajudem a suprir as necessidades dos santos. Pratiquem a hospitalidade.” ; 1Timóteo 3.2 “2 É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, moderado, sensato, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;” ; Tito 1.8 “8 Pelo contrário, o bispo deve ser hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, piedoso, deve ter domínio de si,” ; 1Pedro 4.9 “9 Sejam mutuamente hospitaleiros, sem murmuração.” .
b. Se tal egoísmo for praticado, onde fica a recompensa “na ressurreição dos justos”, acerca dos quais lemos as maravilhosas palavras de Mateus 25.34–40 “34 — Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo. 35 Porque tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; eu era forasteiro, e vocês me hospedaram; 36 eu estava nu, e vocês me vestiram; enfermo, e me visitaram; preso, e foram me ver.” 37 — Então os justos perguntarão: “Quando foi que vimos o senhor com fome e lhe demos de comer? Ou com sede e lhe demos de beber? 38 E quando foi que vimos o senhor como forasteiro e o hospedamos? Ou nu e o vestimos? 39 E quando foi que vimos o senhor enfermo ou preso e fomos visitá-lo?” 40 — O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.”” ? “Os justos”, não como eles são em si mesmos, mas segundo são declarados por Deus com base na expiação feita por Cristo.
c. Mesmo na presente vida, os que se associam somente com as pessoas de sua própria “estirpe” perdem a alegria que resulta da participação generosa, a alegria que irradia dos olhos de quem é abençoado.
Concluindo com aplicação do que nos foi dado a entender até aqui
. Em primeiro lugar, devemos aprender, nesses versículos, o valor da humildade. Trata-se de uma lição que nosso Senhor ensinou de duas maneiras:
ele advertiu os convidados ao jantar a tomarem assento no “último lugar”;
e ele fortaleceu a advertência declarando um grande princípio que, com frequência, fluía de seus lábios: “Todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado”.
O significado é claro. Provavelmente ele fique ainda mais claro quando alguns exemplos bíblicos são apresentados.
O que aconteceu aos que se exaltaram?
Você se lembra de Nabal?
“Este pão e esta água são meus;
Exclusivamente meus, e não de Davi.”
Seu coração então morreu. Ficou como uma pedra.
Leia a história desse homem em 1Samuel 25.3,10,11,36–38.
Você se lembra de Jezabel?
Suas palavras arrogantes, sua língua mentirosa?
Como foi atirada pela janela,
Seu corpo então reduzido a esterco?
Leia a narrativa sobre ela em 1Reis 21.7,23; 2Reis 9.30–37.
E de Nabucodonosor?
Ele disse: “Este é o lugar que eu construi”.
Seu coração se encheu de horrível orgulho.
Deus interveio: seu orgulho foi aniquilado.
Estude Daniel 4.30–33, porém não se detenha ali. Para ser justo com Nabucodonosor, leia também os versículos 34–37.
E Herodes Agripa I
Olhe agora para ele, tão ricamente adornado,
E ouça-o … porém está condenado:
Seu corpo devorado pelos vermes.
A história se encontra em Atos 12.20–23.
Vejamos agora o outro lado do quadro: o que aconteceu àqueles que se humilharam?
Antes de tudo, Ana
Em meio à sua dor ela não se rebelou.
Humildemente orou, tendo Deus por testemunha.
E ele lhe deu o pequeno Samuel.
Leia em 1Samuel 1.12–20.
Em seguida, Maria, a mãe de Jesus
“Minha alma magnifica o Senhor”.
Ela disse que seu coração concordava plenamente
Com Deus, que é pela terra e pelo céu adorado.
Para a história completa, leia Lucas 1.26–56.
Então temos o coletor ou publicano, na parábola sobre o fariseu e o coletor
“Ó Deus, tem misericórdia de mim”,
Disse ele, “embora eu seja pecador”.
E foi embora plenamente justificado.
Estude Lucas 18.9–14.
Depois de todos, Paulo.
Sua vida era Cristo. Não era um sonho.
“Somos salvos pela graça”, eis o seu tema:
“Deus enviou seu Filho para nos redimir”.
Entre as muitas passagens que poderíamos citar para provar a humildade de Paulo e de como a graça de Deus em sua vida foi magnificada, as que seguem são as mais proeminentes: 1Coríntios 15.9 “9 Porque eu sou o menor dos apóstolos, e nem mesmo sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus.” ; 2Coríntios 12.9 “9 Então ele me disse: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” ; Gálatas 2.20 “20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” ; 6.14; 1Timóteo 1.15.
Além do mais, a Escritura está saturada de passagens nas quais se nos apresenta a necessidade de humildade: Salmo 10.17; 69.32; Provérbios 26.12; Isaías 14.12–15; 57.15; Mateus 18.4; 20.25–28; 23.12; Lucas 22.27; João 13.1–15; Filipenses 2.5–8; e aquelas já mencionadas: Tiago 4.6 “6 Mas ele nos dá cada vez mais graça. Por isso diz: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”” ; 1Pedro 5.5 “5 Peço igualmente aos jovens: estejam sujeitos aos que são mais velhos. Que todos se revistam de humildade no trato de uns com os outros, porque “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”” .
Irmãos e irmãs, se há um tema que Jesus insiste em nos ensinar, é o da humildade. Do começo ao fim do Novo Testamento, vemos esse chamado repetido com amor e firmeza. E pense comigo: não é esse ensino um reflexo maravilhoso da salvação que recebemos pela graça, sem merecimento algum? A Palavra de Deus inteira nos convida a confiar de forma simples e sincera no Senhor e a desejar, de coração grato, viver para cumprir a sua vontade. Essa postura humilde não é só um conselho espiritual — é o caminho do Reino. (Romanos 3.27 “27 Onde fica, então, o orgulho? Foi totalmente excluído. Por meio de que lei? A lei das obras? Não! Pelo contrário, por meio da lei da fé.” ).
A humildade pode ser chamada de a rainha de todas as virtudes cristãs. Reconhecer nossa própria pecaminosidade e fraqueza e sentir a necessidade de Cristo, esse é o início do cristianismo que salva. A humildade é a virtude que tem sido a característica distintiva no caráter dos crentes mais piedosos em todas as épocas. Abraão, Moisés, Jó, Davi, Daniel e Paulo, todos eles foram eminentemente humildes. Acima de tudo, é uma virtude que está ao alcance de todo verdadeiro crente.
Nem todos eles têm dinheiro para socorrer os necessitados; e menos ainda têm tempo ou oportunidade para trabalhar abertamente em favor de Cristo. E nem todos têm a capacidade de falar bem, nem a habilidade e o conhecimento necessários para fazer o bem no mundo. Mas todo homem verdadeiramente convertido deve esforçar-se para adornar com humildade a doutrina que professa.
Se não se sentem capazes de fazer qualquer outra coisa, podem empenhar-se em ser humildes.
Irmãos vocês conhecem a raiz e a fonte da humildade? Apenas uma palavra a descreve. O conhecimento correto é a raiz e a fonte da humildade.
O Homem que conhece a Deus e suas majestade e santidade infinitas, conhece a Cristo e o preço que ele pagou por nossa redenção — um homem assim jamais será orgulhoso a partir de Deus O homem é capaz de conhecer a si mesmo e ao seu próprio coração também, olhem esses exemplos:
A exemplo de Jacó, haverá de se considerar “indigno de todas as misericórdias” de Deus (Gênesis 32.10 “10 sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com o teu servo... ” ).
Da mesma forma Jó, dirá a respeito de si mesmo: “Sou indigno” (Jó 40.4 “4 “Sou indigno. Que te responderia eu? Ponho a mão sobre a minha boca.” ).
Clamará, assim como o apóstolo Paulo: “Eu sou o principal dos pecadores” (1Timóteo 1.15 “15 Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” ). Não achará nada bom em si mesmo. Em humildade de espírito, julgará que os outros são melhores do que ele mesmo (Fp 2.3).
Ignorância, nada menos do que ignorância — ignorância acerca de si mesmo, de Deus e de Cristo — é o verdadeiro segredo do orgulho. Devemos orar diariamente para sermos livres de tão miserável autoignorância. O homem sábio é aquele· que conhece a si mesmo e, detentor de tal conhecimento, em seu íntimo não encontrará coisa alguma que o torne orgulhoso.
Em segundo lugar, devemos aprender o dever de cuidar dos pobres. Nosso Senhor nos ensinou um dever utilizando um modo peculiar. Disse ao fariseu que o havia convidado para comer: “Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos […] Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”.
O preceito aqui contido tem de ser interpretado com restrições consideráveis. É certo que nosso Senhor não tencionava proibir-nos de manifestar hospitalidade aos nossos parentes e amigos. Com certeza, ele não tinha o propósito de nos encorajar ao gasto inútil e abundante de nosso dinheiro, dando-o aos pobres. Interpretar a passagem dessa forma a tornaria contrária a outras passagens claras das Escrituras. E interpretações assim não podem estar corretas.
Mas, após ter dito isso, não podemos esquecer que essa passagem contém uma lição profunda e importante. Temos de ser cuidadosos em não limitar ou qualificar a lição, de modo a reduzirmos o ensinamento e acabar por transformá-lo em nada. A lição é clara e distinta: o Senhor Jesus deseja que nos preocupemos com nossos irmãos mais pobres e os ajudemos de acordo com nossas posses; ele quer que saibamos que é um dever solene nunca negligenciar os pobres, e sim ajudá-los e socorrê-los em tempos de necessidade.
É uma lição que deve aprofundar-se em nosso coração. “Nunca deixará de haver pobres na terra” (Deuteronômio 15.11 “11 Pois nunca deixará de haver pobres na terra. Por isso, eu ordeno a vocês que, livremente, abram a mão para o seu compatriota, para o necessitado, para o pobre que vive na terra de vocês.” ). Um pouco de ajuda outorgada aos pobres, com critério e na ocasião oportuna, aumentará intensamente sua felicidade, aliviará suas inquietações e promoverá bons sentimentos entre as classes sociais. É a vontade de Cristo que todo o seu povo que tem condições seja espontâneo e disposto a oferecer ajuda aos pobres.
O espírito mesquinho e sagaz que leva muitos a falar sobre as “necessidades” de sua própria casa e a condenar toda bondade para com os pobres é contrário à mente de Cristo. Não foi em vão que o Senhor Jesus declarou que dirá ao ímpio no Dia do Juízo: “Tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber” (Mateus 25.42 “42 Porque tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e vocês não me deram de beber;” ). Não foi em vão que Paulo escreveu aos gálatas: “Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer” (Gl 2.10).
Por último, devemos aprender a grande importância de pensar antecipadamente sobre a ressurreição dos mortos. Temos uma lição que se destaca de maneira admirável na linguagem utilizada por nosso Senhor quanto ao assunto de demonstrar caridade aos pobres. Ele disse ao fariseu: vs 14“Os pobres não têm com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos”.
Haverá uma ressurreição após a morte. Isso jamais deve ser esquecido. A vida que temos neste corpo não é tudo. O mundo visível que nos cerca não é o único com o qual temos de lidar. Não está tudo acabado quando o último suspiro é dado e homens e mulheres são levados à sua residência no sepulcro. Um dia a trombeta soará, e os mortos ressurgirão incorruptíveis. Todos os que se encontram no sepulcro ouvirão a voz de Cristo e sairão: aqueles que tiverem crido no Senhor Jesus, ressurgirão para a ressurreição da vida, e os que não creram, para a ressurreição da condenação. Essa é uma das grandes verdades fundamentais do cristianismo. Apeguemo-nos com firmeza a essa verdade e dela jamais nos afastemos.
Esforcemo-nos para viver como homens que creem na ressurreição e na vida vindoura, desejando sempre estar prontos para o mundo que virá. Vivendo assim, haveremos de aguardar a morte com tranquilidade. Descobriremos que existe uma herança melhor para nós além do túmulo. Vivendo assim, aceitaremos com paciência tudo que temos de suportar neste mundo. Provações, perdas, desapontamentos e ingratidão pouco nos afetarão. Não esperaremos receber nossa recompensa neste mundo. Confiaremos que tudo será retificado naquele dia e que o Juiz de toda a terra julgará corretamente (Gn 18.25).
Como podemos suportar o pensamento da ressurreição? O que é que nos capacita a aguardar um mundo que ainda há de vir sem ficarmos alarmados? Somente a fé em Cristo. Crendo nele, não temos qualquer temor - 1João 4.18 “18 No amor não existe medo; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o medo. Porque o medo envolve castigo, e quem teme não é aperfeiçoado no amor.” . Nossos pecados não se apresentarão contra nós. As exigências da lei de Deus terão sido completamente satisfeitas. Permaneceremos firmes naquele grande Dia e nenhuma acusação será lançada contra nós (Romanos 8.33 “33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.” ).
