Eu moro com meus Pais

Livro de Colossenses  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Cl 3.20-21

Introdução:
Ao tratarmos da vida em família, esta seção da carta aos Colossenses nos apresenta a visão cristã sobre como os lares devem se organizar sob o senhorio de Cristo. Como vimos na semana passada, era comum na antiguidade a presença de códigos domésticos que regulavam o comportamento familiar — mas neles, por exemplo, não havia a exigência de que o marido amasse sua esposa. O cristianismo, portanto, não apenas reafirma certos valores, mas os transforma profundamente.
Ainda que alguns afirmem o contrário, a fé cristã foi — e continua sendo — revolucionária: ela dignificou a mulher, deu voz e valor aos filhos, e estabeleceu uma nova ética para a vida familiar. O que era "comum" começou a ser confrontado por um novo padrão — aquele trazido por Cristo.
Não estamos falando apenas da relação entre marido e esposa. A cosmovisão cristã também oferece orientação clara sobre a relação entre pais e filhos. E é isso que veremos a partir dos versículos seguintes. Em resumo, o texto nos convida a refletir sobre uma verdade essencial:
O respeito e a obediência bíblica devem marcar o amor entre pais e filhos.
Notaremos isso nesse texto.
Desenvolvimento:
Verso 20
Crianças e adolescentes, como vocês perceberam na leitura, Deus ordena que obedeçam aos seus pais — e, sejamos sinceros, isso muitas vezes é difícil, ainda mais quando o mundo tenta empurrar vocês na direção contrária.
Podemos enxergar essa dificuldade por dois caminhos:
1. Má influência de colegas: Talvez alguns amigos seus não tratem os pais com respeito. Isso pode até parecer normal, mas não é! Cada família tem seu próprio contexto, e a sua não é igual à do seu amigo. Pode ser que ele nunca tenha recebido o mesmo cuidado e amor que você recebe dos seus pais. Por isso, seria injusto da sua parte retribuir o amor deles com desobediência. Não traga para dentro da sua casa um comportamento que não pertence à sua criação. Em vez de imitar a rebeldia de outros, ore por seus amigos e os incentive, com amor, a respeitarem seus pais. Se você já entregou sua vida a Jesus, lembre-se: você não é um “crentinho” qualquer — você é um filho de Deus e deve mostrar sua fé nas atitudes, inclusive dentro de casa.
2. Influência da mídia e dos conteúdos que você consome: Alguns vídeos, séries ou músicas podem transmitir a ideia de que pais são antiquados, injustos ou “chatos”. Mas pense: quando seus pais dizem “não”, muitas vezes é justamente porque te amam! Eles enxergam o que você ainda não vê. Isso é cuidado — e nem sempre a gente entende isso logo de cara.
Obedecer aos pais não é só uma questão de educação, é um ato de adoração. Isso agrada ao Senhor! Quando você honra seu pai e sua mãe, está mostrando o quanto ama a Deus. E esse amor deve brilhar em você em casa, na escola, com os amigos e em todo lugar.
Há ainda um ponto importante que devemos refletir: até que ponto devemos levar ao pé da letra a expressão “em tudo”? Isso significa literalmente cada ordem, em qualquer situação?
Vamos pensar juntos, crianças: Imagine que você e seus pais estão em casa, e de repente alguém bate à porta. Seus pais pedem que você vá até lá e diga que eles “não estão”, mesmo estando.
Essa situação é comum — mas o que a Bíblia nos ensina sobre isso?
Irmãos, precisamos refletir cuidadosamente. Ao pedirmos isso a uma criança, ensinamos algo que pode gerar confusão sobre o que é certo ou errado. Será que deveríamos incentivá-la a falar algo que não é verdade?
Paulo, dentro do contexto de Colossenses, está falando de um novo estilo de vida "no Senhor". A obediência que os filhos devem ter aos pais está condicionada a essa nova vida.
Obedecer “em tudo” não significa obedecer cegamente, especialmente quando isso leva ao pecado.
A única situação que mereceria consideração seria um caso extremo — como uma ameaça real à vida —, mas esse não é o ponto do texto de hoje.
Não se trata de uma emergência, mas de algo cotidiano. E, no cotidiano, a formação do caráter de uma criança precisa ser clara, consistente e bíblica.
O que Paulo está ensinando é que a obediência que agrada ao Senhor é uma obediência dentro da verdade e da justiça. E isso exige dos pais muito mais responsabilidade do que se imagina.
Pais, reflitam: Os filhos estão observando vocês o tempo todo. Muitos desejam que seus filhos estejam na igreja, mas…
O que têm feito para que isso aconteça? Não é tarefa do pastor formar seus filhos no temor do Senhor — é tarefa dos pais compreenderem seu papel na criação.
Se há falhas, é preciso humildemente corrigi-las à luz da Palavra. A obediência dos filhos deve ser incentivada e cultivada, mas nunca dissociada da vontade de Deus.
Pais que exigem obediência precisam também viver com coerência diante do Senhor. Afinal, como esperar comportamento bíblico dos filhos, se não estamos ensinando e modelando isso com fidelidade?
Apesar de o evangelho quebrar os padrões humanos errados, ele não desfaz aquilo que é correto. A obediência bíblica aos pais é um princípio que continua válido para todos os que pertencem ao Senhor.
Filhos, vocês têm a responsabilidade de viver isso dentro da casa de seus pais. Não sejam rebeldes, mas pratiquem a obediência conforme é ensinada na Palavra.
E lembrem-se: sua obediência é “no Senhor” — isso significa que ela deve ser voluntária, consciente e baseada na nova vida que vocês têm em Cristo. Não deixem de observar isso!
Verso 21
Continuando o texto, o autor agora se volta para descrever o comportamento adequado dos pais “no Senhor”. Ele diz que os pais não devem irritar seus filhos.
Para alguns, isso até parece algo curioso: imagine você, filho, desejando muito uma coisa e, agora, usando esse versículo para exigir isso do seu pai — “Você não pode me irritar!”.
Mas será que é esse o sentido?
Se fosse, Paulo estaria abrindo um precedente para que os filhos manipulassem os pais com base na própria irritação. Isso é distorcer o mandamento.
O possível sentido de “irritar” aqui está relacionado ao “tratar com amargura” (v. 19), o que indica que os pais não devem tratar os filhos como se fossem sua posse, nem projetar neles seus próprios sonhos frustrados.
Um exemplo prático: o Pr. Almir sempre buscava tirar do aluno o seu melhor, sem exigir além do que ele podia dar. Isso é justiça. Mas muitos pais, ao não realizarem seus próprios sonhos, acabam tentando vivê-los por meio dos filhos.
Isso os leva a investir, cobrar e pressionar de forma desproporcional — criando um ambiente de peso e não de graça. Se o melhor que seu filho pode fazer é tirar uma nota 8, por que exigir dele uma nota 10 como condição de valor?
Isso não é formar — é esmagar. Isso gera amargura e frustração. Talvez o caminho do seu filho não seja um doutorado, mas uma vida íntegra e digna em um trabalho honesto, talvez num concurso público, talvez como técnico, talvez como artista.
Irmãos, cuidado com o peso que colocamos sobre os ombros dos nossos filhos.
Já vivemos numa época de cansaço crônico e exposição extrema à informação. O mundo é predatório, especialmente para os mais novos.
E se o lar, que deveria ser um refúgio, se torna mais um campo de pressão e cobrança sem descanso, onde eles encontrarão alívio para suas mentes cansadas?
Esse é o horizonte que Paulo mira aqui: não apenas regras de conduta, mas o ambiente do lar como extensão da nova vida em Cristo.
Novamente é importante reforçar: o texto não proíbe advertir ou corrigir seu filho dentro de limites saudáveis — isso é válido e necessário.
O ponto de Paulo é outro: não o torne amargo por viver sob cobranças constantes, exigências irreais ou palavras que o diminuem. Sim, ele é seu filho — mas não é você. Ele não vai conseguir repetir exatamente cada passo que você dá.
O “irritar”, no texto, pode estar ligado justamente a esse ponto: exigir além do que ele pode entregar. Isso frustra você, que não reconhece a real capacidade dele, e frustra ele, que não se sente visto ou respeitado em seus limites.
Lembre-se do que diz o Salmo 127.3: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá.”
Eles são bênçãos, não bonecos manipuláveis, sem sentimentos. Exigir metas inalcançáveis pode gerar neles um profundo desânimo. Quando percebem que nunca alcançarão aquilo que você deseja — porque aquilo não é justo, é impossível — eles desistem de tentar.
Lembro de um professor na UFAC que dizia, com orgulho, que ninguém passava na disciplina dele. Para os calouros, parecia uma brincadeira, mas o problema era que ele falava sério. E diante disso, o que fazer? De que adianta tentar, se a meta é inalcançável?
Paulo parece ter algo semelhante em mente aqui: não torne a vida dentro da sua casa um ambiente impossível de viver. Não imponha sobre seu filho um padrão que o oprime, que o perturba, que o deixa aflito por nunca se sentir bom o bastante.
Ele não foi feito para ser um “quebrador de metas”, mas para ser a bênção que o Senhor confiou a você, conforme o potencial que ele tem — e não conforme a sua projeção.
Tenhamos cuidado, irmãos. A saúde mental é algo sério, e danos nesse campo podem durar toda uma vida. Filhos precisam ser tratados com dignidade e graça, não com opressão e amargura.
Esse é o chamado do evangelho para os pais que vivem no Senhor.
Conclusão: Como disse o autor Grant Osborne:

Deus incumbe todos os pais da responsabilidade de ajudar os filhos a se desenvolverem e manterem uma visão de si mesmos — e a acreditarem, como diz Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (

É tarefa dos pais lapidar os filhos no caminho da graça de Deus — não exigindo deles além do que podem oferecer, mas encorajando-os a crescer de forma contínua e saudável. Isso significa ajudá-los a se desenvolver com amor, paciência e sabedoria. Não cabe aos pais reproduzirem uma atitude farisaica, que transforma a vida em um fardo pesado e impossível de carregar, mas sim refletirem a graça que já receberam do Senhor. Pais cristãos devem liderar com compaixão, guiando seus filhos com a mesma misericórdia com que foram alcançados.
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