A Decadência da Humanidade
O Evangelho do Cristo Ressurreto • Sermon • Submitted • Presented
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Texto Romanos 1.18–32
Texto Romanos 1.18–32
1. Introdução: Contexto da Carta aos Romanos
1. Introdução: Contexto da Carta aos Romanos
Tema Central: A humanidade que rejeita a revelação de Deus mergulha num processo de decadência moral e espiritual, colhendo os frutos de sua rebelião.
Entendendo o contexto:
Entendendo o contexto:
uma das mais profundas exposições teológicas das Escrituras.
Escrita em Corinto por volta do ano 57 d.C.,
Paulo dirige-se a uma igreja que ele ainda não conhecia pessoalmente, mas que desejava visitar.
Sua intenção era apresentar de forma sistemática o evangelho que ele pregava entre os gentios, preparar o caminho para uma futura visita à Espanha (Rm 15.24), e também fortalecer a fé dos crentes romanos (Rm 1.11).
Nos versículos 16 e 17 do capítulo 1, Paulo apresenta o coração do evangelho: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê...”.
A seguir, ele inicia uma longa seção que vai até o capítulo 3, mostrando que todos — judeus e gentios — estão debaixo do pecado e, por isso, carecem da justiça que só Deus pode oferecer.
O trecho que vamos expor (Rm 1.18–32) inicia essa seção com a acusação clara contra os gentios: mesmo tendo acesso à revelação de Deus na criação, o rejeitaram deliberadamente.
2. A Revelação de Deus (Rm 1.18–20)
2. A Revelação de Deus (Rm 1.18–20)
Proposição: Deus se revela claramente à humanidade, e sua justiça exige resposta.
Paulo declara que a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade (contra Deus) e injustiça (contra o próximo) dos homens que suprimem a verdade.
Essa ira não é impulsiva ou emocional como a dos homens, mas uma reação santa, justa e contínua de Deus contra o pecado.
É importante notar que o texto não fala apenas de pessoas ignorantes, mas de pessoas que “detêm a verdade pela injustiça” (v.18). Ou seja, há uma supressão ativa e deliberada daquilo que sabem ser verdade.
Suprimir significa reter, impedir, impedir o progresso ou seu curso natural
Deus se revelou à humanidade de duas formas:
Revelação Geral: manifesta-se na criação, na ordem, na beleza e na complexidade do universo. Paulo afirma que os atributos invisíveis de Deus — seu eterno poder e sua divindade — são claramente reconhecíveis desde a fundação do mundo, por meio das coisas criadas (v.20). Essa revelação é suficiente para tornar os homens indesculpáveis.
Revelação Específica: mais tarde, Paulo explicará que Deus também se revelou na história de Israel, nas Escrituras e, plenamente, em Jesus Cristo. Mas aqui o foco é a revelação geral.
John Stott observa que a natureza é um livro aberto, escrito com as impressões digitais do Criador. Sua beleza e complexidade apontam para a existência de um Deus inteligente, poderoso e digno de louvor.
No entanto, mesmo com esse conhecimento, os homens escolheram reprimir essa verdade em vez de respondê-la com adoração.
3. A Rejeição da Verdade (Rm 1.21–23)
3. A Rejeição da Verdade (Rm 1.21–23)
Proposição: A rejeição de Deus não é por ignorância, mas por resistência à verdade.
Apesar de conhecerem a Deus — não de maneira salvadora, mas real — os seres humanos não o glorificaram como Deus e nem lhe deram graças.
A rejeição é dupla: falta de adoração e de gratidão. Como consequência, tornaram-se nulos em seus raciocínios e o coração se obscureceu.
Aqui temos uma verdade pastoral profunda: quando o homem rejeita a verdade de Deus, ele não se torna neutro, mas entra num processo de degradação espiritual, moral e intelectual. Ele começa a chamar o mal de bem, o feio de belo e a loucura de sabedoria. É o que vemos em nossa geração.
Eles se vangloriaram de sua própria sabedoria — e Paulo diz que “tornaram-se loucos” (v.22). Como escreve Pohl, essa “loucura” é o fruto de uma inversão espiritual: o ser humano, criado para adorar, passou a adorar criaturas e imagens feitas à sua semelhança — aves, quadrúpedes, répteis.
A idolatria é a substituição do Criador pela criatura, e isso sempre leva à degradação.
Aplicação: A ingratidão leva à idolatria. Quando deixamos de reconhecer Deus como a fonte da vida, buscamos sentido e segurança em outros lugares: no dinheiro, no prazer, na fama, no controle, nos sistemas políticos, econômicos, ideologias humanas e na religão. Todo ídolo exige sacrifício, e muitos hoje sacrificam paz, família, saúde e fé para adorar o que não pode salvá-los.
4. A Retribuição de Deus (Rm 1.24–32)
4. A Retribuição de Deus (Rm 1.24–32)
Proposição: Quando o homem rejeita a Deus, Deus o entrega às consequências de sua escolha.
A consequência da rejeição de Deus é o abandono à própria perversão.
Três vezes Paulo repete: “Deus os entregou” (vv. 24, 26, 28). Isso não significa que Deus desistiu do mundo, mas que ele respeita a liberdade humana e, como juízo, permite que os homens colham o fruto de sua rebelião.
A entrega tem três manifestações:
Deus os entregou à impureza (v.24): A sensualidade tomou o lugar da santidade. Corpos foram desonrados entre si. Isso revela como o pecado começa dentro, nas concupiscências do coração.
Deus os entregou a paixões infames (v.26): Aqui Paulo aborda a distorção da sexualidade criada por Deus. Relações contrárias à natureza, tanto em mulheres quanto em homens. Isso não é apenas um juízo moral, mas teológico: o corpo, como criação de Deus, é desonrado quando usado de maneira contrária ao propósito divino.
Deus os entregou a uma disposição mental reprovável (v.28): Isso culmina numa sociedade onde tudo o que é bom é desprezado, e o mal é celebrado. A lista de vícios nos versos seguintes mostra uma humanidade deformada pelo pecado: inveja, homicídio, engano, calúnia, desobediência, sem misericórdia. E o pior: não apenas praticam essas coisas, mas aprovam os que as fazem (v.32).
Comentário Esperança destaca que esse “entregar” é como um pai que, depois de muitos avisos, deixa o filho colher as consequências de suas escolhas. Não se trata de vingança, mas de uma justiça pedagógica — para que, mesmo em meio ao caos, o ser humano veja sua necessidade de salvação.
John Stott afirma que essa seção é uma das mais devastadoras descrições da decadência moral da humanidade, e profundamente atual. Vivemos uma era onde o pecado não é apenas praticado, mas institucionalizado. A consciência é silenciada, e o pecado é normalizado.
Aplicação: Quando uma sociedade chama o mal de bem, e o bem de mal, está sob juízo. O abandono de Deus é revelado não apenas em catástrofes, mas na perda do senso de certo e errado. O maior juízo de Deus, às vezes, não é o castigo visível, mas a retirada de Sua presença.
5. Conclusão: Indesculpáveis, mas ainda alcançáveis
5. Conclusão: Indesculpáveis, mas ainda alcançáveis
Paulo fecha esse primeiro diagnóstico com uma afirmação dura: são indesculpáveis. A humanidade não pode alegar ignorância. Deus se revelou. Os homens escolheram rejeitá-lo. Por isso, a ira de Deus se manifesta.
Mas esse é apenas o começo da mensagem. O restante da carta não é sobre condenação, mas sobre justificação, redenção e reconciliação. O propósito de Paulo não é apenas condenar, mas preparar o coração para a glória do evangelho.
Consolo e Esperança: A mesma ira de Deus que revela sua santidade também prepara o caminho para sua graça. Onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20). E essa graça é revelada plenamente em Jesus Cristo, que foi entregue por nossos pecados (Rm 4.25).
Exortação final: Não endureça o coração. O mesmo Deus que se ira contra o pecado também estende a mão para salvar. A decadência da humanidade é o pano de fundo para a beleza do evangelho. E ainda hoje, “o justo viverá pela fé” (Rm 1.17).
