Forçados a Fugir - Cristãos deslocados por causa da violência pedem socorro

Natasha Aguiar Gallante Reis
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Cristãos deslocados por causa da violencia clamam por socorro

A genealogia de Jesus, citada no inicio do livro de Mateus vemos como Deus preservou e fez com que seu nome fosse glorifcado. Em cada momento da hitória desde o o antigo testamento até o novo testamento vemos diversas histórias que, de alguma forma, clamavam e apontavam para o Messias. Perdas, sofrimentos, angústia, separação, morte, alegria e consolo, em todas as ocasiões nenhuma delas tinham fim em si mesmo mas sim em glorificar a Deus!
Quando vemos cristãos ao redor do mundo sendo perseguidos sabemos que seu sofrimento não é em vão. Eles tem um propósito maior: Propagar a história de Deus ao redor do mundo, em lugares que é perigoso ser cristão, e também aqui e agora. Incluindo eu e você!
Em Mateus 2:13 , vemos que nosso Senhor e sua familia também tiveram que fugir de sua cidade para o Egito por conta do decreto de herodes ao mandar assassinar todos os meninos abaixo de 2 anos para que seu lugar no trono não fosse tirado. A Promessa de sua vinda era ameaça para os poderosos e eles queriam achar um jeito de acabar com tudo.
Ainda hoje vemos que muitos procuram matar os seguidores de Jesus, por isso eles são continuamente forçados a deixar suas casa e comunidades, como é o caso de cristãos na Nigéria, Índia e Mianmar. A pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2025 nos mostra que no último ano mais de 183 mil cristãos foram forçados a fugir de casa ou do país.
Anos mais tarde vemos, Jesus inicia seu ministério. João bastista anuncia o reino de Deus “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3.2 ) e isso resulta em sua prisão e posteriorente sua morte. A mensagem que Batista anuncia era perigosa para o governo na época, que em resposta esta mensagem rejeitou ao evangelho,“pois a mensagem do evangelho sempre conflita com os sistemas em vigor, sejam políticos, econômicos ou até religiosos. Nos países fechados, esse confronto vem quase sempre junto com perseguição”.¹
Essa rejeição não é apenas com a mensagem mas com seus mensageiros e com o próprio Messias desde a sua infância. O que esperavamos que acontecesse com seus seguidores? Jesus mesmo disse “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor.” (Mateus 10.24) Indicando que se perseguiram seu mestre, também o faria com seus seguidores (João 15:20-21)
Somente no último ano, pelo menos 4.476 cristãos foram mortos por causa da fé em Jesus Cristo. Isso significa que a mensagem continua sendo perigosa e que a renúncia da própria vida é um requisito fundamental para aqueles que foram convocados para proclamá-la².

Marcas do Reino de Deus na vida do Cristão

“E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mulher], ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.” Mateus 19:29
Neste capitulo Jesus estava indo para o território da Judeia, além do Jordão e seguia seu ministerio instruindo seus discipulos e a multidão que o seguia, provavelmente o seguiam para receber cura, o que alertava os fariseus ao lugar que o Senhor estava, que os cercavam esperando um deslize em suas palavras para o acusarem. Diversas instruções e questionamentos foram feitos nessa viagem e Jesus com sabedoria e autoridade respondeu a todas elas.
Quando chegamos no v.16 vemos um jovem rico interrompendo o Senhor com uma pergunta que aparentemente parece sincera. Saudando Jesus como bom mestre pergunta o que era necessário para alcançar a vida eterna. Mostrando sua ignorancia em relação a salvação, sai intristecido após ter sido posto a prova a amar ao Senhor e ao proximo como si. Ele tinha plena convicção e segurança que ao seguir fielmente os mandametos, seu coração seria salvo, ele estava no engano que poderia herdar o reino pelo principio do fazer e não pela graça que de fato é.
O convite de Jesus ao jovem rico põe a prova a sua dispoção em sacrificar suas posses para entrar no reino, dar prioridade a Deus e ao proximo. Porém seu apego ao que possuia, o fez ser reprovado diante de Deus e o impediu de viver a vida eterna e experimentar o que era bom, não apenas para si, mas para o proximo também. Por isso Jesus diz aos seus discipulos que assim como é impossivel um camelo passar pelo fundo de uma agulha, um rico não pode entrar no reino dos céus por suas riquezas e esforços. Paul Estabrooks fez uma reflexão importante sobre o tema: “Satanás sutilmente promove a mentira de que o dinheiro, propriedades, bens, conforto físico, fama e honras mundanas são o mais importante na vida. Deus criou todas as coisas e é a fonte de tudo o que temos e não tolera que coloquemos os bens e dinheiro em primeiro lugar, que deve ser só do Senhor (...) não significa pensar ‘Deus não existe’ e sim: ‘Eu não preciso de Deus para nada!’. Para os cristãos, o materialismo é como um sapo em uma panela no fogo, cheia de água, aquecendo lentamente. O sapo morre porque não percebe o perigo a tempo de saltar para fora antes que seja tarde demais”.²
Aos olhos dos discipulos, era estranho a ideia de um rico não conseguir entrar no reino, se aquele que tem recursos para fazer o bem não pode entrar, como então quem não tem recursos pode entrar ? Jesus responde de forma clara e aponta para o que é essencial para a salvação “Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” (Mateus 19.26 ). A salvação não pode ser comprada por dinheiro e nem é resultado do esforço humano, é obra de Deus e é recebida gratuitamente, por sua graça, seu amor imerecido.
Tendo esse cenário em mente, vamos pensar nas caracteristicas do reino de Deus na vida do cristão.

#1 Renuncia

Todo cristão é chamado a imitar a Jesus, é isso que o define como um verdeiro discipulo. O irmão André diz que “o verdadeiro chamado de Deus não é ir a determinado lugar ou carreira, mas a obediência diária”.³ Obedecer a Cristo requer renuncia! Não existe a possibilidade de ser seguidor de Jesus sem ama-lo acima de todas as coisas. Por isso, devemos sempre nos questionar: “O que valorizo mais do que Jesus? Eu tenho amado a Cristo com todo o meu coração?”
Existem duas categorias que Jesus coloca como primarias que seus seguidores devem estar dispostos a renunciar por causa dele. Bens materias: como casas e campos - mesmo que houvesse algum apego era algo facilmente reconquistado com dinheiro - e laços familiares: irmãos, irmãs, pais e filhos. Este pode ser considerado o mais dificil pois também faz parte do plano de Deus.
Jesus está nos dizendo, por mais valiosos que seja, em nosso coração, o amor a Ele deve superar até laços familiares. NADA pode ocupar o lugar Dele em nós.
Como a renuncia tem conexão com a perseguição? Cristãos que deixaram tudo para seguir a Cristo pagam um alto preço (Mateus 19:27, 10:20-23), e em muitos países, isso pode custar até mesmo as suas próprias vidas.
Hoje, mais de 380 milhões de cristãos são perseguidos no mundo exatamente pela decisão que fizeram de renunciar tudo, inclusive sua segurança e conforto, para seguir a Jesus. Muitos deles foram forçados a deixar suas casas e tiveram seus familiares brutalmente assassinados em Manipur, na Índia (leia a notícia Cristã abusada viu pai e irmão serem mortos em Manipur *). Outros perderam seus bens: “Eles queimaram nosso depósito de comida, colchões, travesseiros, tudo o que nós tínhamos. Só restou a roupa que estamos vestindo”, contou Simon, da Nigéria (leia a notícia Cristão clama por ajuda para a Nigéria **).
Esses irmãos não apenas renunciam em seu coração desejos e ideias por amor ele, muitas vezes são forçados a deixar tudo por ele. Alguns sofrem a separação forçada de suas familias; outros, a dor da perda de um ente querido. Mas o dificil é ter que decidir entre Jesus e sua família. Quando a perseguição vem justamente daqueles que deveriam nos dar segurança e cuidado. Divorcios, perda de guarda dos filhos e rejeição dos pais - consequencias que tornam a caminhada cristã ainda mais desafiadora. Essa é a consequencia que nossos irmãos tem de passar por amar a Jesus mais do que qualquer coisa, porém sua recompensa por ama-lo é eterna, isso vale mais do que qualquer sofrimento terreno.
Somos chamados a amar a Cristo mais do que qualquer coisa, seja bem ou pessoa. Agora devemos nos questionar, estamos dispostos a renunciar tudo por amor a Cristo?

#2 A recompensa

Existe uma recompensa em deixar tudo e seguir a Jesus! Mesmo sendo um caminho dificil, este é o caminho que ele nos apresenta. Não existe uma vida cristã sem sofrimentos e desafios, assim como também não há como dizer que a viver para cristo tem uma recompensa que maior que todo sofrimento neste mundo. O sofrimento e a perseguição levam nossos corações e mentes para a glória que nos aguarda. Jesus promete uma grande recompensa no céu para aqueles que sofrem (Mateus 5.12).”¹
Paulo afirma isso quando diz “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,” (2Coríntios 4.17 ). O sofrimento é real e não pode ser ignorado, mas não se compara com a eterna recompensa que nos espera que é muito mais real e permanente.
O cenário global é cada vez mais desafiador para o cristão. Notícias como a de idosos que perderam a vida devido à fome (leia a notícia Cristãos deslocados morrem de fome em Mianmar*) e outras dificuldades durante a fuga em Mianmar podem parecer, aos olhos humanos, uma realidade cruel e sem recompensa - de fato ela é, da perspectiva humana não há consolo para tal cenário. No entanto, devemos olhar o que acontece aqui com os olhos espirtuais que enxergam atraves da fé, é sobre essa perspectiva que devemos viver.
Está claro, a recompensa é que “...receberão muitas vezes mais, e herdarão a vida eterna” (Mateus 19:29). Esse verdade deve encher nosso coração de esperança e coragem, por que Jesus disse isso e certamente ele o cumprirá como faz com todas as suas promessas. E também por que não há homem mais rico ou religioso o suficiente para alcança-la, tal recompensa é fruto da graça, não há dinheiro e nem esforço que possa compra-lá ou merece-la.
Mesmo que digamos que não trocariamos algo eterno por algo passageiro, fazemos todos os dias ao colocarmos algo como mais importante do que Jesus em nossos corações. O que podem ser coisas das mais variadas e simples possiveis como: Status, carreira, infuência, dinheiro, fama, ministério, amigos, pai, mãe, filho, neto, sobrinhos, brinquedos e qualquer outro objeto que possa ocupar o lugar de Jesus em nossas vidas. Somos adoradores por essencia, se Jesus não está no centro de nossas vidas, nem seja o objeto do nosso amor, estamos idolatrando deuses falsos e perdendo a vida por eles.
Por isso recebemos o convite de olharmos para aquilo que é eterno (2Coríntios 4:17-18) e contemplar a herança eterna mesmo nos dias maus. É assim que nossos irmãos ao redor mundo podem enfrentar a perseguição e permanecer na fé.
Para repletir: Aquilo que é eterno nos dá mais esperança do que os bens deste mundo?

#3 Segurança

É comum querermos ter controle sobre a vida. Planejamos e esperamos que tudo aconteça da forma que previmos. Muitos buscam nas riquezas tal segurança, e provaram que não é o suficiente. Essa terrena segurança é frágil e passageira.
Todos buscam algum tipo de segurança, ao afirmar que precisamos dela devemos refletir: no que realmente depositamos nossa confiança? Se não temos disposição de deixar tudo por ele, nossa confiança não está nele mas naquilo que possuimos.
É o que vemos na história do jovem rico (v.16-22), seu dilema era escolher entre esses dois tipo de segurança: a terrena (dada por seus bens garantida por dinheiro) e a eterna, oferecida pela promessa de Jesus. O problema não estava na riqueza, mas o lugar que ela ocupava em seu coração. Quando escolheu qual tipo de segurança era mais importante pra ele e confiou de todo coração nela, instantaneamente rejeitou a outra.
Sua carreira, poder aquisitivo, educação dos filhos, lugar onde mora, influência dentro da sua comunidade e qualquer bem pode produzir tal segurança? Como aconteceu com o jovem rico, o problema não está nas coisas em si mas no valor atribuído a elas.
Contudo Jesus nos oferece uma promessa de segurança que não é terrena mas eterna, garantida por Ele e não por homens. É nessa segurança que devemos firmar nossos corações.
Enquanto o mundo nos convida a depositarmos nossa confiança em nosso conhecimento, capacidade, bens e poder, Jesus nos desafia a confiar inteiramente nele, mesmo que isso custe nossa segurança terrena. O jovem rico tinha duas seguranças: (1) A religiosidade, por acreditar que cumpria todos os mandamentos e por isso teria a salvação e (2) a segurança dos seus bens que era maior que a Jesus e ao próximo. Por isso não foi capaz de deixar tudo o que tinha para seguir a Jesus.
Mesmo que seja perigoso viver em um país onde cristãos são perseguidos por causa da sua fé em Jesus, devemos lembrar que não existe perigo maior que amar qualquer coisa acima de Jesus. Esse é o perigo da falsa segurança.
Enquanto muitos cristãos são perseguidos e correm risco de vida por seguirem a Jesus, mas herdam a vida eterna, existem aqueles que amam mais seus bens do que a Cristo e acreditam que estão seguros, mas não herdaram a vida eterna. Sua segurança é definida pelo que você tem em mãos? Deposite sua segurança totalmente em Jesus e você nunca será frustrado.
“Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Romanos 8.38–39
“Senhor, duro é te seguir, mas é impossivel te deixar” Agostinho de Hipona
Se o homem não der seu maior respeito ao Deus que o criou, haverá algo mais que terá posse de seu respeito. Os homens vão adorar o Deus verdadeiro ou algum ídolo. É impossível que seja de outra forma; algo terá o coração do homem. E aquilo a que um homem dá seu coração pode ser chamado de seu deus.
Jonathan Edwards (Pregador Evangélico Norte-americano)
Deus não pode ser desfrutado de outra forma senão quando é obedecido. Nem são, de fato, as noções dele, como um Senhor a ser obedecido e como um Bem a ser desfrutado, inteiramente distintas; mas estão entrelaçadas e se chocam.
John Howe (teólogo puritano)
Não posso morrer pelo pecado como Cristo, mas posso e devo morrer para o pecado como Cristo. Cristo morreu por mim. Nisso Ele está sozinho. Cristo morreu para o pecado, e nisso tenho comunhão com ele.
Andrew Murray
Frequentemente, sem dúvida, quando não temos a paixão do Senhor em mente e vemos a imagem da crucificação de Cristo, Sua paixão salvadora é trazida de volta à lembrança, e caímos e adoramos não o material, mas o que é representado: assim como não adoramos o material de que os Evangelhos são feitos, nem o material da Cruz, mas o que estes tipificam.
São João de Damasco
Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.
Thomas à Kempis (escritor ascético)
Que voltemos completamente ao Senhor e confie nele, o amamemos de todo coração ao ponto de dizer que impossivel deixa-lo mesmo diante da morte
Referências
¹Irmão André. Não há portas fechadas. São Paulo: Missão Portas Abertas, 2024, p.39
²Paul Estabrooks. Permanecendo firme através da tempestade. São Paulo: Missão Portas Abertas, 2012, p. 278
³Irmão André. O contrabandista de Deus: desafiando os limites da fé. São Paulo: Missão Portas Abertas, 2020, p.96
*https://portasabertas.org.br/noticias/cristaos-perseguidos/crista-abusada-viu-pai-e-irmao-serem-mortos-em-manipur
**https://portasabertas.org.br/noticias/cristaos-perseguidos/cristao-clama-por-ajuda-para-a-nigeria
***https://portasabertas.org.br/noticias/cristaos-perseguidos/cristaos-deslocados-morrem-de-fome-em-mianmar
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