CONHEÇA A JUSTIÇA DE DEUS
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CONHEÇA A JUSTIÇA DE DEUS
CONHEÇA A JUSTIÇA DE DEUS
Introdução:
“Uma noite, o evangelista Moody pregou na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos. Após o término da reunião, uma jovem senhora muito perturbada espiritualmente se aproximou dele. Moody perguntou: “A senhora é crente?”. A senhora respondeu que não, mas expressou o desejo de ser. Ela contou a Moody que há três anos estava em busca de Jesus, mas ainda não o havia encontrado. Moody respondeu: “Deve haver algum equívoco. Não é possível que um pecador ansioso leve três anos para encontrar seu bondoso Salvador!”. A jovem senhora, então, perguntou o que deveria fazer. Moody explicou que a dificuldade estava em ela estar procurando fazer algo por conta própria, quando, na verdade, o que ela deveria fazer era crer no Senhor Jesus Cristo e ter a prescrição de que Ele a salvaria quando ela realmente cresse. Naquela mesma hora, a jovem senhora decidiu crer, aceitar Jesus e, assim, recebeu a paz que tanto buscava. Através do poder da fé, ela encontrou a resposta que tanto almejava em seu coração.”
Muitas pessoas são semelhantes a essa senhora: estão buscando Jesus, mas não O encontram. Muitos crentes estão buscando a salvação, mas ainda não a têm. Por que não O encontram? Por que não a têm? Porque estão fazendo isso da forma errada: estão estabelecendo sua própria justiça, em vez de se submeterem à justiça de Deus.
As palavras de Moody a essa senhora são bem claras e expressam muito bem o conceito da justiça de Deus. O problema dela — e de muitos — era “estar procurando fazer algo por conta própria”, quando o que se “deveria fazer era crer no Senhor Jesus Cristo”. Ou seja, não buscar uma justiça própria, mas submeter-se à justiça de Deus em Cristo, mediante a fé. Cristo é a justiça de Deus, e essa justiça é alcançada mediante a fé.
Lição: Cristo É a Justiça de Deus, e essa Justiça É Alcançada mediante a Fé.
Texto: Romanos 10.1-4.
Nos capítulos 9 a 11 de Romanos, Paulo responde a possíveis questionamentos sobre o ensino apresentado em Romanos 1 a 8. Um desses questionamentos seria se Deus teria rejeitado Israel. Ele, então, responde nesses capítulos que não. Em Romanos 9 a 11, o apóstolo trata do passado, presente e futuro de Israel.
Em Romanos 9.1-29, Paulo aborda o passado de Israel, deixando claro que nem todos os descendentes de Israel são, de fato, israelitas (Rm 9.6), pois a salvação ocorre por meio da eleição divina (Rm 9.6-13), e Deus é soberano para escolher quem Ele quiser (Rm 9.14-29).
Em Romanos 9.30-33, que marca a transição do passado para o estado presente de Israel, Paulo retoma o tema da justificação pela fé, deixando evidente que a justificação é alcançada somente pela fé. Essa é a razão pela qual os gentios estavam sendo justificados: criam em Jesus Cristo como a justiça de Deus. Os judeus, por outro lado, não reconheciam a justiça de Deus em Cristo e, por isso, permaneciam na incredulidade. Eles tropeçavam na pedra de tropeço, enquanto os gentios a abraçavam com fé.
Em Romanos 9.1-5, Paulo já havia expressado profunda dor pela incredulidade da nação de Israel. Embora fosse o apóstolo dos gentios, sentia intensamente a situação do seu povo. No versículo 1 do capítulo 10, ele abre o coração e revela seu desejo: a salvação dos judeus, alvo constante de suas orações a Deus. Nos versículos seguintes (2-4), Paulo apresenta a razão do estado miserável de Israel: o desconhecimento da justiça de Deus. Por não a conhecerem, procuraram estabelecer a sua própria justiça. Em contrapartida, os gentios reconheciam a justiça de Deus em Cristo e a recebiam pela fé.
Cristo põe fim à justiça baseada nas obras da Lei, conduzindo à justificação de todo aquele que crê (v. 4). Cristo é a justiça de Deus, e essa justiça é alcançada mediante a fé. Vejamos algumas verdades sobre essa justiça.
A justiça de Deus deve ser compreendida, não ignorada (1-2).
1 Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos. 2 Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento.
Após tratar da soberania de Deus quanto à eleição e mostrar que a justificação é pela fé, Paulo expressa seu desejo e sua súplica a Deus (v. 1). O versículo 1 do capítulo 10 é a expressão emocional de Paulo diante da incredulidade de Israel. Mesmo consciente da soberania de Deus, Paulo, em sua responsabilidade humana, ora e intercede pela conversão dos judeus.
Aplicação:
Mesmo sendo conscientes da soberania divina quanto à eleição, devemos orar pela salvação dos perdidos.
É necessário lembrar que nem todos os judeus foram incrédulos, assim como nem todos os gentios foram crentes — afinal, Paulo, Pedro, João, Mateus e outros eram judeus. O fato é que a grande maioria dos judeus foi incrédula.
Para Paulo, o problema deles era a falta de entendimento da justiça de Deus, embora tivessem zelo por Ele. O sentido de “zelo” aqui é o de profunda devoção, grande fervor. Em Filipenses 3, quando Paulo se refere ao tempo em que vivia no judaísmo, ele usa essa mesma palavra para descrever o que o motivava à perseguição (Fp 3.6). Eles tinham muito zelo por Deus, porém sem entendimento. Ou seja, não compreendiam a justiça de Deus. Eram apenas religiosos fervorosos. Ilustração: É como eleitores que se dedicam à política ou a um político sem entender o que está por trás da política ou quem realmente é aquele político.
Reflexão:
Hoje, o que mais se vê nas igrejas é a religiosidade. A religiosidade cristã é um tipo de zelo por Deus sem entendimento da Sua justiça.
A falta de entendimento da justiça de Deus produz um zelo distorcido, que gera no coração do religioso sentimentos como ódio, indiferença, separatismo, exclusivismo, radicalismo etc. O zelo verdadeiro é fruto do entendimento correto da justiça de Deus. O zelo por Deus que vemos em grande parte das igrejas é, muitas vezes, sem esse entendimento. Para esses, a razão do serviço a Deus é desconhecida.
A justiça de Deus não é incompreensível; Paulo demonstra isso nos versículos seguintes (10.5ss). Precisamos compreender a justiça de Deus, pois, se a ignorarmos ou desconhecermos, teremos zelo por Deus, mas sem agradá-Lo. E não apenas isso: continuaremos condenados pelos nossos pecados. Esse zelo será vazio da justiça de Deus e cheio de justiça própria — um zelo sem Cristo, baseado nas obras.
Porém, se compreendermos a justiça de Deus, entenderemos que Cristo é a justiça de Deus, e que ela é alcançada mediante a fé.
Aplicação:
Ter zelo por Deus sem entendimento da Sua justiça não significa nada; é trabalhar em vão. Jamais agradaremos a Deus assim!
O zelo por Deus sem entendimento da Sua justiça levará à condenação.
Nosso zelo por Deus deve ser acompanhado de entendimento da Sua justiça, ou seja, do entendimento de que Cristo é a Sua justiça e que essa justiça é alcançada mediante a fé (Is 53.4-12; Rm 3.21-26; 5.18-19; 2Co 5.21; Gl 2.16; Fp 3.8-9).
Busque compreender a justiça de Deus, e então você entenderá que Cristo é a justiça de Deus, e essa justiça é alcançada mediante a fé.
A justiça de Deus exige sujeição, não substituição (3).
3 Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.
Nesse versículo, Paulo explica o resultado de uma vida religiosa sem entendimento da justiça de Deus: eles não se sujeitaram à justiça que vem de Deus. O que ele quer dizer é que a rejeição dos judeus a Cristo ocorreu porque não compreenderam a justiça de Deus. Ou seja, não entenderam que Cristo é a justiça de Deus e que essa justiça é alcançada mediante a fé.
Essa insubmissão à justiça de Deus foi consequência do desconhecimento dela e da tentativa de estabelecer uma justiça própria. A ignorância da justiça de Deus os levou a rejeitá-la. Tinham a mente vazia quanto à justiça divina. Ao desconhecê-la, passaram a buscar uma justiça baseada em méritos próprios. Essa justiça que procuraram estabelecer era fundamentada nas obras — ou seja, no cumprimento da Lei. Ilustração: O desconhecimento da justiça de Deus leva muitas pessoas a formarem ideias equivocadas sobre a salvação.
Paulo mostra que o resultado desse processo foi que não se sujeitaram à justiça de Deus. Estavam sem entendimento quanto à justiça divina e, por isso, já haviam definido por si mesmos qual seria o caminho da justiça: uma justiça construída pelo esforço humano, baseada no cumprimento da Lei. A mente deles estava vazia da verdade sobre a justiça de Deus e cheia da ideia de justiça própria.
Reflexão:
Uma das marcas da ignorância espiritual do ser humano é a insubmissão à justiça de Deus. Isso ocorre por causa do desconhecimento da justiça divina e da tentativa de estabelecer uma justiça própria. Por esse motivo, o homem não aceita que Cristo é a justiça de Deus e, mesmo quando aceita, reluta em crer que essa justiça é recebida unicamente pela fé. Os dois estão ligados. Para esse tipo de pessoa, a salvação precisa ser, totalmente ou ao menos em parte, pelas obras. É inconcebível ao coração dela que a justiça de Deus seja alcançada inteiramente pela fé.
A ignorância da igreja em relação a isso decorre da falta de conhecimento bíblico, da ausência de oração, da pouca participação nas programações da igreja e da escassa comunhão cristã — coisas que são essenciais para a compreensão da justiça de Deus e que podem levar o crente à verdadeira submissão a ela.
Cristo é a justiça de Deus, e essa justiça é alcançada mediante a fé. Não endureça o seu coração quanto a isso. Submeta-se a essa verdade. Se não nos submetermos a ela, a substituiremos por outra que não justifica. A justiça de Deus não exige de nós sua substituição, mas sim nossa sujeição — sujeição mental à verdade de que Cristo é a justiça de Deus, e de que ela é alcançada mediante a fé.
A negação de que Cristo é a justiça de Deus e de que essa justiça é mediante a fé vem de quem não conhece a justiça de Deus e já estabeleceu uma justiça própria baseada em obras. Por isso, analise se você realmente entendeu a justiça de Deus? Examine-se: Será que você não está buscando a justificação pelas obras?
Aplicação:
Quando rejeitamos a verdade de que a justiça de Deus em Cristo é totalmente pela fé, é porque estamos desconhecendo essa justiça e tentando estabelecer a nossa própria. Não endureça o coração diante da verdade sobre a justiça de Deus e da realidade da condição humana.
Reconheça que Cristo é a justiça de Deus e que ela é recebida unicamente pela fé. Isso é estar sujeito à justiça de Deus.
A justiça de Deus está em Cristo, não na Lei (4).
4 Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.
A palavra “fim” (telos) pode significar: “término de algo”, “cessação”, “etapa final”, “cumprimento”, “propósito”, “alvo”, “objetivo”, “resultado”, “meta” e até mesmo “tributo”. Mas, afinal, o que Paulo está querendo dizer aqui? Será que ele afirma que Cristo cumpriu a Lei? Que Ele pôs fim à Lei? Que Cristo é o objetivo da Lei?
Ainda que Cristo tenha, de fato, cumprido perfeitamente a Lei, pois não pecou (2Co 5.21), e que a Lei tenha sido cumprida n’Ele (Mt 5.17-18; Jo 5.39), além de ter apontado para Ele (Rm 3.21), não é esse o sentido principal neste versículo. O que Paulo quer dizer é que Cristo pôs fim à justiça própria baseada na Lei — ou seja, à tentativa de se justificar por meio do cumprimento da Lei. Para quem crer, Cristo é o fim da tentativa de justificação por méritos próprios.
Quem crê em Cristo é justificado (Rm 3.22, 28; Gl 3.11), foi libertado da Lei e morreu para ela (Rm 7.6). É como se Paulo dissesse: “O fim da justiça própria por meio da Lei é Cristo.” Ou seja, ao abraçar Cristo pela “lei da fé” (Rm 3.27), o crente abandona qualquer ideia de justiça própria. O problema dos judeus foi que estabeleceram uma justiça própria por meio do cumprimento da Lei (Rm 9.31–32; 10.3), algo que é impossível (Rm 3.19–20; Tg 2.10).
Mais uma vez, Paulo enfatiza que essa justiça é para “todo aquele que crê”, ou seja, não é exclusiva dos judeus.
Reflexão:
A Lei não foi abolida — ela continua sendo fundamental para que conheçamos o nosso pecado e quem Deus é. Ela contém muitos princípios para a vida cristã, e devemos obedecê-los. Contudo, não precisamos cumpri-la para a salvação, pois Cristo já a cumpriu em nosso lugar (Mt 5.17-18; 2Co 5.21).
Todo ser humano está debaixo da Lei de Deus, mas é impossível cumpri-la plenamente. Em Cristo, porém, a Lei é cumprida em nós (Rm 8.1–4).
Muitos, ainda hoje, não compreenderam isso e continuam buscando a justificação por obras. Mas a justiça de Deus não está no cumprimento da Lei, e sim na justiça de Cristo, realizada na cruz do Calvário e alcançada mediante a fé.
Aplicação:
Nossa justiça própria é como trapo de imundícia (Is 64.6). Nossas obras estão contaminadas pelo pecado. Jamais atingiremos os padrões altíssimos de Deus, pois Ele exige perfeição (Tg 2.10) — algo que não somos.
Quem crê em Jesus Cristo renuncia toda ideia de salvação pelas obras. A fé em Cristo põe fim à tentativa de salvação por mérito próprio.
Entenda qual foi o propósito da Lei. Abandone o pensamento de salvação por obras. Creia somente em Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. É pela fé n’Ele que você é justificado diante de Deus, pois a justiça de Deus está em Cristo — não na Lei.
Conclusão:
A qual justiça você tem se submetido: à das obras ou à da fé em Cristo? Lembre-se de que a justiça própria é fruto do desconhecimento da justiça de Deus; ela a substitui e se baseia em obras. Já a justificação em Cristo é resultado da compreensão da justiça de Deus, é submissão a ela e se dá por meio da fé.
Somente pela fé em Cristo, Deus perdoa o pecador e o declara inocente, pois Cristo é a justiça de Deus, e essa justiça é alcançada mediante a fé.
Se formos sinceros nós mesmos, reconheceremos que jamais alcançaremos a justificação por meio de nossas obras — e, então, aceitaremos a justiça de Deus em Cristo, mediante a fé.
1 E assim, irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus a favor deles é pela salvação. 2 Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas sem conhecimento; 3 pois, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus. 4 Porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo o que crê.
