Forçados a Fugir em meio a Perseguição
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“E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna” (Mateus 19.29)
INTRODUÇÃO
O livro de Mateus inicia com a genealogia de Jesus, que nos dá a oportunidade de contemplar a grandeza de Deus em preservar e fazer com que seu nome seja glorificado por meio da chegada do Messias.
No decorrer da linhagem, muitas histórias e emoções foram vividas. “Desde o início do Antigo Testamento até o Novo, Deus trabalhou duro para preservar essa linhagem, nos bons e maus momentos, seja ocupada pelo inimigo ou levada para o exílio, através de tempos de apostasia ou prosperidade.”
Pessoas que foram forçadas a fugir de suas terras para se manterem seguras: perdas, sofrimentos, esperança, dor, alegria e consolo. Todas elas, de alguma forma, clamavam pela vinda do Redentor. Nenhuma das histórias tem um fim em si mesmo. Todas elas, de alguma maneira, apontavam para uma história maior do que suas próprias narrativas: o Messias.
Da mesma forma, todo o sofrimento que passaram não se limitava a uma mera cronologia, pois tinha um propósito maior: a glória de Deus.
Quando olhamos para os cristãos perseguidos ao redor do mundo, podemos ter certeza de que todo o sofrimento que eles enfrentam também não é um fim em si mesmo, mas possui o mesmo propósito maior.
A história de Deus está sendo propagada por meio do seu povo ao redor do mundo, nos locais mais perigosos para ser um cristão, mas também aqui e agora. E isso inclui eu e você!
JESUS TAMBÉM FOI FORÇADO A FUGIR
A chegada do Messias prometido, anunciada pelos profetas e pelos anjos, causou uma grande ameaça para os poderosos deste mundo. Jesus, ainda bebê, é procurado por Herodes, que busca matá-lo. Por isso, Jesus foi obrigado a fugir para o Egito: “Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: ‘Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu diga a você, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo’” (Mateus 2.13).
E ainda nos dias de hoje, muitos procuram matar os seguidores de Jesus. É por isso que continuamente são forçados a fugir de suas casas e comunidades, como é o caso de cristãos na Nigéria, Índia e Mianmar. A pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2025 nos mostra que no último ano mais de 183 mil cristãos foram forçados a fugir de casa ou do país.
Muitos anos depois, Jesus começa seu ministério, e seu Reino é anunciado por meio de João Batista: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mateus 3.2), o que resultou na prisão e, posteriormente, na morte daquele que anunciava. Isso mostra quão perigosa era aquela mensagem e a rejeição da pregação do evangelho, “pois a mensagem do evangelho sempre conflita com os sistemas em vigor, sejam políticos, econômicos ou até religiosos. Nos países fechados, esse confronto vem quase sempre junto com perseguição”.
Essa rejeição, porém, não ocorreu somente com a mensagem, mas com os mensageiros e com o próprio Messias, desde sua infância.
O que esperar, então, que acontecesse aos seus seguidores? Não algo tão distante do que aconteceu com o próprio mestre. Não é sem motivo que ele mesmo diz: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor” (Mateus 10.24), indicando que, se perseguiram o mestre, também perseguirão os discípulos (João 15.20).
Somente no último ano, pelo menos 4.476 cristãos foram mortos por causa da fé em Jesus Cristo. Isso significa que a mensagem continua sendo perigosa e que a renúncia da própria vida é um requisito fundamental para aqueles que foram convocados a Proclamá-la
MARCAS DO REINO DE DEUS NA VIDA DO CRISTÃO
“E todos os que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por minha causa, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna” (Mateus 19.29).
Em Mateus 19, o versículo 29 tem como pano de fundo a história do jovem rico (16-22) que queria herdar a vida eterna. Aquele jovem afirmou que guardava todos os mandamentos, mas se entristeceu quando Jesus disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me” (Mateus 19.21).
O jovem acreditava que estava disposto a obedecer aos mandamentos, mas a verdade é que ele não amava ao próximo como a si mesmo, tampouco amava a Jesus acima de tudo, e isso é evidenciado no fato de que ele não teve coragem de renunciar a suas posses. O apego aos bens era maior que o amor ao próximo e a Jesus. Em Marcos, Jesus ainda usa a expressão “tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8.34)
Deus criou todas as coisas e é a fonte de tudo o que temos e não tolera que coloquemos os bens e dinheiro em primeiro lugar.
Considerando esse contexto, vamos meditar em algumas marcas do Reino de Deus na vida do cristão.
MARCA #1: A RENÚNCIA
Todos os cristãos ao redor do mundo são chamados a imitar Jesus Cristo, pois é isso que define um verdadeiro discípulo. O Irmão André diz que “o verdadeiro chamado de Deus não é ir a determinado lugar ou carreira, mas a obediência diária”.4 No entanto, obedecer a Cristo exige renúncia.
Não podemos ser seus seguidores sem amá-lo acima de todas as coisas. Por isso, devemos constantemente nos questionar: há algo em meu coração que valorizo mais do que a Jesus?
Jesus destaca essencialmente duas categorias que seus discípulos devem estar dispostos a deixar por causa dele: bens materiais, como casas e campos – algo que, apesar do apego, pode ser reconquistado com dinheiro – e laços familiares, como irmãos, irmãs, pais e filhos. Esse último é o maior desafio, pois a família faz parte do próprio plano de Deus.
Ainda assim, Jesus nos coloca à prova ao mostrar que nada, por mais valioso que seja, pode ocupar o lugar dele em nossos corações. Isso exige de nós um amor por Cristo que supere até mesmo os laços familiares.
E o que a renúncia tem a ver com a perseguição? Quando cristãos deixam tudo e seguem a Jesus (Mateus 19.27), há um preço alto a ser pago por isso e, em muitos países, isso pode ir ao limite extremo: custar a própria vida.
Hoje, mais de 380 milhões de cristãos são perseguidos no mundo exatamente pela decisão que fizeram de renunciar tudo, inclusive sua segurança e conforto, para seguir a Jesus. Muitos deles foram forçados a deixar suas casas e tiveram seus familiares brutalmente assassinados em Manipur, na Índia (leia a notícia Cristã abusada viu pai e irmão serem mortos em Manipur). Outros perderam seus bens: “Eles queimaram nosso depósito de comida, colchões, travesseiros, tudo o que nós tínhamos. Só restou a roupa que estamos vestindo”, contou Simon, da Nigéria.
Esses irmãos não apenas renunciam tudo em seus corações por amor a Cristo, mas muitas vezes são forçados a deixar tudo por ele. Alguns enfrentam a separação forçada de suas famílias; outros, a dor irreparável da perda de um ente querido.
Porém, talvez o mais doloroso seja ter que escolher entre Jesus e a própria família, quando a perseguição vem justamente daqueles que deveriam oferecer cuidado e segurança. Divórcios, perda da guarda dos filhos, rejeição dos pais – consequências que tornam a caminhada da fé ainda mais desafiadora.
Quando um cristão em qualquer lugar do mundo é forçado a fugir de sua casa por causa de Jesus, essa é a consequência de amar mais a Jesus do que qualquer coisa. Porém, esses irmãos possuem também uma recompensa na eternidade, que vale muito mais do que qualquer sofrimento terreno.
Somos chamados por Cristo para amá-lo mais do que qualquer bem ou pessoa. A pergunta que devemos nos fazer é: será que estamos dispostos a renunciar tudo por amor a Cristo? Pense nisso
MARCA #2: A RECOMPENSA
Há uma recompensa gloriosa por deixar tudo e seguir a Jesus. É isso que ele nos afirma no texto. Embora seja extremamente difícil, é o caminho que ele nos apresenta. Podemos notar que não existe uma vida cristã sem sofrimentos e desafios. Da mesma forma, podemos afirmar que não existe uma vida cristã sem uma recompensa muito maior do que os sofrimentos deste tempo. “O sofrimento e a perseguição levam nossos corações e mentes para a glória que nos aguarda. Jesus promete uma grande recompensa no céu para aqueles que sofrem (Mateus 5.12).
É isso que o apóstolo Paulo afirma quando diz: “Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” (2Coríntios 4.17). O sofrimento é real e não pode ser ignorado, mas o que nos espera na eternidade é muito mais real e permanente. Isso significa que as bênçãos da eternidade são muito maiores do que qualquer bem de que precisamos abrir mão nesta terra.
O cenário global é cada vez mais desafiador para os cristãos. Notícias como a de idosos que perderam a vida devido à fome e outras dificuldades que podem parecer, aos olhos humanos, uma realidade cruel e sem recompensa – e, de fato, sob uma perspectiva terrena, não há consolo suficiente. O olhar humano se limita ao que é passageiro e material, sem expectativas além deste mundo. No entanto, os olhos espirituais enxergam pela fé, e é sob essa perspectiva que devemos ver todas as coisas.
A promessa é clara: “receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna”. Essa verdade deve nos encher de coragem e esperança. Primeiro, porque foi dita pelo próprio Jesus, e sabemos que ele sempre cumpre suas promessas. Segundo, porque essa herança não depende de nossos méritos, mas é fruto da graça de Deus. Não há homem rico nem religioso que possa merecê-la.
O texto nos confronta com a tensão entre bens terrenos e eternidade. Embora nenhum de nós afirme expressamente que trocaria o que é eterno pelo que é passageiro, fazemos isso todas as vezes que amamos mais qualquer coisa do que a Jesus: carreira, status, dinheiro, poder, fama, pai, mãe, filho, ministério e a lista de tudo que pode ocupar o lugar de Jesus em nossas vidas.
Por isso, o convite que recebemos neste momento é para manter os olhos naquilo que é eterno, e contemplar a herança prometida, mesmo que os dias sejam maus. É assim que nossos irmãos ao redor do mundo podem enfrentar a perseguição e permanecer fiéis. “A melhor armadura que você pode dar para um soldado é o tipo que não pode ser destruído pelo inimigo. Paulo, conhecendo a natureza eterna da salvação, exorta o servo-soldado a vestir – ou seja, acreditar – a esperança de vida além deste mundo.”
Para pensar: a recompensa daquilo que é eterno nos dá mais esperança do que os bens deste mundo?
MARCA #3: A SEGURANÇA
É comum desejarmos ter controle sobre a vida. Fazemos planos e esperamos que tudo aconteça conforme o previsto. Muitos buscam a riqueza, acreditando que os bens materiais podem oferecer segurança – e provam que isso não é suficiente. É uma segurança frágil e passageira.
Todas as pessoas buscam algum tipo de segurança na vida. Mas aqueles que dizem tê-la precisam refletir: em quem ou em que realmente depositam sua confiança? Se não estamos dispostos a renunciar aos nossos bens por causa de Cristo, isso revela que nossa segurança não está nele, mas nas coisas que possuímos.
É o que nos aponta a história do jovem rico (16-22), seu dilema era a escolha entre dois tipos de segurança: a terrena, garantida por suas riquezas, e a eterna, oferecida pela promessa de Jesus. O problema não estava na riqueza, mas na posição que ela ocupava em seu coração, ou seja, o valor atribuído a ela. Quando ele escolheu que tipo de segurança era mais importante e confiou nela o seu coração, instantaneamente rejeitou a outra.
Você acha que sua carreira, poder aquisitivo, política, educação dos filhos, local onde você mora e qualquer bem que possua pode produzir tal segurança? Da mesma forma que aconteceu com o jovem rico, o problema não está nessas coisas em si, mas no valor que atribuímos a elas.
Por outro lado, Jesus nos oferece uma promessa de segurança que não é terrena, mas eterna. Uma segurança garantida por ele, e não pelos homens. É nessa segurança que devemos firmar nossos corações. Enquanto o mundo nos convida a depositar nossa confiança em nossa capacidade, conhecimento, bens e poder, Jesus nos desafia a confiar inteiramente nele – mesmo que isso nos custe a segurança terrena.
O jovem rico possuía duas falsas segurança:
1- a religiosidade, por acreditar que cumpria todos os mandamentos e por conta disso poderia obter a salvação
2- a segurança dos seus bens, que era maior do que o amor dele por Jesus e pelo próximo. Por isso não foi capaz de deixar tudo que tinha e seguir a Jesus. Embora seja extremamente perigoso viver em um país onde cristãos são perseguidos por causa da fé em Jesus, é importante lembrar que não existe perigo maior do que amar qualquer coisa acima de Jesus. Esse é o maior problema da falsa segurança.
Enquanto milhões de cristãos são perseguidos e correm risco de vida por conta da decisão de seguir a Cristo, mas herdam a vida eterna, os que amam mais os seus bens do que a Cristo acreditam que estão seguros, mas não herdarão a vida eterna.
Sua segurança é definida pelo que você tem em mãos? Deposite sua segurança totalmente em Jesus e você nunca será frustrado.
“Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8.38-39).
