O amor conjugal - Encontro de casais
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1Coríntios 7.1–5 “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.”
Na idade média foi um erro comum pensar na relação sexual como algo inerentemente pecaminoso. Isso começou sendo, com alguns pais da igreja. Alguns deles entenderam Paulo mal quando ele disse: “é bom que o homem não toque em mulher”. Tenho tido a oportunidade de expor a primeira carta aos coríntios na igreja e passamos 4 ou 5 domingos expondo o capítulo 7, que trata dos assuntos relacionados ao casamento, e pude entender que Paulo não estava contrariando o próprio que disse “não é bom que o homem esteja só”. Paulo não condenava o casamento. Ele sabia que o casamento na verdade era bom, porque Deus o criou, e o criou com um propósito solene, de refletir a sua glória. Mas Paulo tratou de uma situação específica entre os coríntios, e ensinou o contentamento para aqueles que não estevam casados ainda, que nunca se casariam, ou mesmo que estavam mal casados.
Não pretendo expor esse texto, mas meu objetivo é trazer um a palestra sobre a perspectiva reformada do casamento. Quero mostrar pra vocês como o verdadeiro cristianismo é a religião que resgata a união entre o homem e a mulher, que resgata a família. Vamos falar sobre ideais de família, marido e mulher, que muitos ou talvez ninguém aqui se encaixe, mas deve ser nosso objetivo buscar ao máximo se parecer com aquilo que Deus tem pra nós.
Auxílio mútuo - o primeiro aspecto do casamento
A reforma protestante rejeitou a visão medieval do casamento. Os puritanos por exemplo falavam do casamento com muita paixão e exaltavam os aspecto de amizade e camaradagem entre o marido e a esposa. Thomas Gataker por exemplo disse:
Não há sociedade mais próxima, mais inteira, mais necessária, mais gentil, mais agradável, mais confortável, mais constante, mais contínua, do que a sociedade entre homem e mulher, a principal raiz, fonte e padrão de todas as outras sociedades.
É sobre isso que vamos falar hoje. Vocês percebem, como esse tipo de falar desperta, nem que seja lá no fundo de nós, alguma vergonha, alguma aversão, algum desagrado. Isso porque fazemos parte de uma cultura que vê o casamento como algo ruim. Entendem como isso é uma tendência em todo lugar? No mundão, numa cultura secularizada, e mesmo na cristandade, em algum momento. Nós tendemos a menosprezar o casamento. Por que será? Há alguns motivos pra isso. Vou citar pelo menos dois, um teológico e um prático: (1) Nossa inclinação pecaminosa em nos afasta daquilo que aponta pra Deus (no caso aqui o casamento); (2) o desconforto de conviver com uma pessoa que nos conhece tão bem, e que pode reprovar nossos erros com muita propriedade (no caso, o orgulho).
Na idade média, o ideal de amizade era confinado aos homens; na reforma foi transferido para o casamento. Richard Baxter disse:
É uma misericórdia ter um amigo fiel que lhe ama inteiramente… a quem você pode abrir sua mente e comunicar suas preocupações… E é uma misericórdia ter tão perto um amigo para ser um ajudador da sua alma e suscitar em você a graça de Deus.
É muito interessante a gente começar falando sobre isso porque esse aspecto da amizade entre o homem e a mulher era negligenciado na idade média pela visão inferior que tinham da mulher em especial. E o no mundo, a coisa mais importante da relação entre homem e mulher é o sexo. Mas na visão reformada o aspecto mais importante do casamento era o auxílio mútuo:
CFW 24:II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para evitar-se a impureza.
O amor romântico - O fogo do casamento
Os reformados, especialmente os puritanos, fizeram um resgate do amor conjugal. O romantismo como movimento literário só começou no século 18. E muitos acusavam e acusam o reformados de serem contra esse tipo de amor emocional, mas me digam vocês como os puritanos pensavam, irmãos: Vejam o que Daniel Rogers disse:
o amor conjugal é, muitas vezes, uma secreta de Deus, ligando o coração de uma pessoa a outra, por nenhuma causa conhecida; e, assim, quando esse poderoso ímã atrai um ao outro, nenhuma outra pergunta precisa ser feita, mas aceita-se que tal homem e tal mulher foram feitos, no céu, um para o outro, e que Deus mesmo os uniu.
Vejam como o maior poeta inglês, que não foi Shakespeare, mas John Milton, um puritano, como ele se refere ao amor conjugal:
o amor refina os pensamentos, e o coração aumenta, tem sua base na razão, e é judicioso, é a escala pela qual o amor celestial deve ascender
John Winthrop escreveu uma carta à sua esposa, em que ele a chama de “o principal de todos os confortos abaixo da esperança da salvação”.
William Gouge condenou
a disposição daqueles maridos que não amam suas esposas de forma calorosa, atitude essa em parte alguma sancionada pela Palavra. Os fiéis santos do Senhor não eram estoicos, destituídos de qualquer afeição. Não pensavam que seja impróprio que os maridos se deleitem, de maneira peculiar, em suas esposas (o que é comprovado pelo fato de Isaque ‘brincar’ com sua esposa), porquanto esse é um privilégio que é pertinente ao estado do matrimônio.
Por isso ele disse também que
Sob o amor, todas as outras tarefas estão contidas: pois sem ele nenhum dever pode ser bem realizado… é como fogo, que não é apenas quente em si, mas transmite calor ao que está próximo.
Ele falava sobre o amor conjugal.
Isso é impressionante, irmãos. Na idade média as poesias e histórias de amor enalteciam o adultério. Aquele amor proibido na forma… da forma mais suja. Aquele escape, aquela aventura. Ora, não são as novelas da globo, os filmes de hoje? Nada novo. C. S. Lewis disse que “a mudança do cortejo amoroso monogâmico [fiel] foi grandemente o trabalho...dos puritanos”. Alguém disse que eles tiveram a ousadia de combinar o amor romântico com o casamento. Eles criaram o “casamento romântico”. Esse deve ser o nosso ideal - o amor conjugal romântico, de auxílio mútuo, amor pela família, pelo lar, pelos filhos, e a pureza do casamento.
O apóstolo Paulo disse que “o marido deve conceder a esposa o que é devido… e a esposa… ao marido”. Ele se referia ao sexo, e em particular o sexo como remédio contra a impureza. No capítulo Paulo fala do casamento como arma contra a falta de domínio próprio. Case-se se estiver abrasado. Mas no capítulo 13 nos vemos que conceito elevado Paulo tinha do amor.
1Coríntios 13.4–7 “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
Essa é a visão que você e eu, irmãos, precisamos resgatar e cultivar em nosso casamento. Como disse William Whately: “o amor é a vida e a alma do casamento”.
John Wing disse que o amor conjugal...
deve ser o mais caro, íntimo, precioso e completo que um coração possa dirigir a uma criatura; nenhum exceto o amor de Deus está acima dele, nenhum exceto o amor por nós mesmos é companheiro dele; todo amor pelos outros é inferior a ele.
As limitações - a realidade do casamento
Ao mesmo tempo em que devemos sim ser românticos, inflamados de amor, devemos também ser realistas. Não devemos ter expectativas irreais, sempre lembrando que casamos com um filho de Adão. Que o casamento é para pecadores. E que carrega muitas dificuldades. Mas há um pensamento muito importante que você deve ter a respeito do casamento neste aspecto: é que o casamento ele serve também, na verdade em grande medida, para nos fazer crescer em paciência e mansidão, tolerância, perdão e esquecimento das provocação. O casamento não é pra gerar orgulho em nós, é na verdade para tratar o nosso orgulho. Para pararmos de pensar em nós mesmos. Para viver para o outro e encontrar nossa alegria na alegria do outro. Nada chega mais próxima dessa natureza do que o casamento. Se você tem passado certas dificuldades no seu casamento, lembre do que o Senhor falou a Israel no deserto:
Deuteronômio 8.2 “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.”
“Para saber o que estava no teu coração”… quando as coisas estiverem ruins… quando você for ruim, preste atenção, o que está saindo do seu coração naquele momento é exatamente o que Deus quer tratar em você. Seu coração está exposto.
O sacrifício não deve ser uma anomalia do casamento, um desvio de rota ou algo do tipo. Ele na verdade está na essência do casamento. Lembrem-se: a mulher foi tirada da costela de Adão. Deus lhe arrancou um pedaço para criar o casamento. Às vezes Deus nos arranca pedaços para manter nosso casamento. Não foi por acaso que Deus fez assim. Há pelo menos razões pra Deus ter criado a mulher dessa forma. A primeira eu vou descrever nas palavras de Matthew Henry:
A mulher foi feita de uma costela tirada do lado de Adão. Não foi feita de sua cabeça, para dominá-lo; nem de seus pés, para ser pisada por ele; mas de seu lado, para ser igual a ele, para ser protegida por seu braço; e de perto de seu coração, para ser amada.
A outra razão, e seu grande propósito, era apontar para o maravilhoso amor de Cristo, nosso noivo, que teve seu lado perfurado, sua carne dilacerada, para purificar sua noiva e recebê-la como esposa pura, sem mácula, irrepreensível. Por isso Paulo diz: Efésios 5.25 “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. É assim que devemos amar. É isso que Deus quer de você essa noite. Que você ame e perdoe e cuide, e auxilie, como ele fez e faz por nós.
Gostaria de terminar, irmãos, com algumas recomendações de Richard Baxter para o casamento:
Amem totalmente um ao outro; por isso, escolha alguém que seja verdadeiramente amável e evite tudo que tenda a extinguir seu amor;
Vivam juntos, desfrutem um do outro, unindo-se fielmente na tarefa de educar os filhos, no governo da família, no gerenciamento de seus negócios seculares;
Ajudem-se especialmente na santificação um do outro; despertem, um ao outro, para a fé, o amor a obediência e as boas obras; admoestem-se e ajudem-se mutuamente contra o pecado e todas as tentações; unam-se na adoração familiar e também na adoração particular; preparem-se mutuamente para a aproximação da morte e consolem um ao outro na esperança da vida;
Evitem todas as dissensões e suportem as fraquezas um do outro, pois nenhum pode curar-se sozinho; amenizem e não provoquem as paixões desordenadas; e, nas coisas legítimas, agradem-se um ao outro;
Mantenham a castidade e a fidelidade conjugal, evitando toda conduta imprópria e sem modéstia em relação a um terceiro, o que pode provocar ciúmes; evitem todo ciúme injusto;
Ajudem-se mutuamente a levar suas cargas (e a não agravá-las pela impaciência). Na pobreza, nas dificuldades, nas enfermidades, nos perigos, consolem-se e apoiem-se mutuamente. Sejam companhia agradável no amor santo, nas esperanças e nos deveres espirituais quando falharem todos os confortos materiais.
