Piedade em Segredo: A Recompensa que Vem do Pai
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Texto: Mateus 6:1-18 (Nova Almeida Atualizada)
Introdução da Escritura
Introdução da Escritura
Meus irmãos, ao abrirmos a Palavra de Deus nesta manhã, somos convidados a refletir sobre algumas perguntas muito importantes:
Por que fazemos o que fazemos na vida cristã?
Quando fazemos algo, estamos buscando a aprovação de Deus ou dos homens?
Será que nossas boas obras, e nossas disciplinas espirituais têm sido motivadas pelo desejo de agradar a Deus? Ou será que, mesmo sem perceber, estamos buscando o reconhecimento das pessoas ao nosso redor?
Vivemos em uma era de exposição. Uma era de aparências, onde muitas vezes as pessoas fingem ser o que não são. Redes sociais, selfies, postagens cuidadosamente editadas. Tudo o que fazemos parece ter um público. Tudo parece ser feito para ser visto, curtido, compartilhado.
Hoje vamos ouvir as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo, registradas no evangelho de Mateus 6:1-18. Jesus, conhecendo o coração humano, nos adverte sobre um grande perigo: a hipocrisia. Mais especificamente, ele denuncia a hipocrisia religiosa, e nos ensina o modo correto de praticar a piedade e as boas obras da forma que agradam a Deus. Ele nos convida a uma intimidade com o Pai que nos vê em secreto, uma relação baseada na sinceridade e pureza de coração, onde a única audiência que importa é a de Deus.
Vamos então ler o texto de Mateus 6:1-18.
Leitura do Texto Bíblico
Leitura do Texto Bíblico
(Leitura de Mateus 6:1-18 – Nova Almeida Atualizada)
[Oração]
[Oração]
Introdução do Sermão
Introdução do Sermão
A palavra “hipocrisia” vem do grego ὑπόκρισις (hypókrisis), originalmente empregada no teatro clássico para indicar a “interpretação” de um papel pelos atores que trocavam máscaras em cena; o verbo relacionado, ὑποκρίνομαι (hypokrínomai), significava “representar, fingir”. Ao migrar para o latim e depois para as línguas modernas, o termo passou a denotar a dissonância entre aparência e realidade — a prática de ostentar virtudes, crenças ou sentimentos que na verdade não se possui. Nos Evangelhos, Jesus chamou de hypokrités (hipócritas) aqueles religiosos que encenavam piedade para ganhar aprovação social, apontando que a falsidade espiritual é tão teatral quanto trocar de máscara diante da plateia. Hoje, “hipocrisia” conserva esse sentido semântico: a arte de vestir uma identidade que não corresponde ao coração, seja no palco religioso, social ou moral.
Mas antes de olharmos com um olhar crítico para os atores gregos, precisamos fazer outra pergunta: Será que nós também não fazemos o mesmo? Quantas vezes nossas ações religiosas têm sido motivadas pelo desejo de sermos vistos, elogiados ou reconhecidos?
No capítulo 5 (v. 20), Jesus já havia ensinado que a justiça dos seus discípulos deveria exceder em MUITO a dos escribas e fariseus. Agora, Ele nos mostra como a motivação é tão importante quanto a ação em si. Jesus nos ensina que uma fé verdadeira não é vivida para os homens, mas para Deus.
A tese central desta mensagem é:
"A verdadeira espiritualidade, uma espiritualidade sem hipocrisia, uma vida piedosa autêntica diante de Deus, é aquela que não busca o aplauso das pessoas, mas a aprovação do Pai que vê em secreto."
Vamos ler o versículo 1 novamente.
Evitem praticar as suas obras de justiça diante dos outros para serem vistos por eles; porque, sendo assim, vocês já não terão nenhuma recompensa junto do Pai de vocês, que está nos céus.
Na Almeida Revista e Atualizada (ARA), o versículo 1 está assim:
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.”
Jesus começa com um imperativo direto: “Guardai-vos.”
No original grego, é uma expressão de alerta contínuo, como quem diz: "Cuidado! Fiquem atentos! Não durmam!"
Por quê ele faz esse alerta? Porque o perigo aqui não é pequeno. Jesus não está falando de um deslize ocasional. Ele está falando de um pecado sutil e profundo, que mora nas motivações mais escondidas do coração humano.
E qual é o perigo? Praticar obras de justiça apenas para ser visto pelos homens.
O termo usado por Jesus para “ser visto” no grego é “theathēnai”, de onde vem a palavra "teatro". É como se Jesus estivesse dizendo: “Cuidado para não transformar a sua vida espiritual em uma encenação. Cuidado para não fazer da sua fé um espetáculo para os outros.”
Jesus está confrontando a religiosidade teatral, a fé performática, a espiritualidade de palco. E o que está em jogo aqui? A recompensa de Deus. Ele diz claramente:
Do contrário “vocês já não terão nenhuma recompensa junto do Pai de vocês, que está nos céus”
Jesus está nos dizendo que existe recompensa de Deus, mas que ela só é dada a quem faz tudo com sinceridade de coração, para agradar ao Pai, e não para ganhar o aplauso das pessoas.
Este é o pano de fundo de todo o restante do trecho. Tudo o que Jesus vai ensinar a partir daqui — sobre dar esmolas, sobre orar e sobre jejuar — é uma aplicação direta desse princípio.
[Transição para os três exemplos:]
Agora que entendemos essa advertência inicial, vamos olhar com atenção para os três exemplos que Jesus nos dá. Em cada um deles, vamos perceber o mesmo padrão:
Uma denúncia da hipocrisia,
Um alerta sobre a motivação errada,
E um chamado a uma espiritualidade verdadeira, vivida diante de Deus.
Esses 3 exemplos que Jesus nos apresenta são:
A generosidade, através das esmolas,
A oração,
O jejum.
Por que esses exemplos?
Por que esses exemplos?
Esses três exemplos — esmolas, oração e jejum — formavam a tríade clássica da piedade judaica. Eles eram considerados os pilares da devoção pessoal no judaísmo:
Esmolas (dimensão horizontal) = relacionado ao próximo - justiça social - O mais visível socialmente — serviço ao próximo.
Oração (dimensão vertical) = relacionado a Deus - devoção a Deus - A ponte entre homem e Deus, mas pode ser contaminada pela vaidade.
Jejum (dimensão interna) = relacionado a si mesmo - autodisciplina e arrependimento - A prática mais íntima das 3, mas até ela pode ser corrompida pelo desejo de aprovação.
Jesus escolhe esses 3 exemplos estrategicamente para mostrar que nenhum aspecto da piedade está imune à corrupção do coração humano. Mesmo as práticas mais piedosas podem ser pervertidas por um desejo pecaminoso quando feitas para "serem vistas pelos outros".
Jesus mostra que todas as áreas da vida religiosa podem ser contaminadas pela hipocrisia. Seu ensino é radical: só importa o que é feito para Deus, diante d’Ele, sem plateia. A recompensa do Pai é melhor e suficiente.
Vamos caminhar juntos por esses três pontos [e permitir que o Espírito Santo sonde profundamente o nosso coração].
Comecemos então com a primeira prática de justiça que Jesus aborda: a generosidade ao dar emolas.
1. A generosidade não se exibe
1. A generosidade não se exibe
Explicação
Explicação
Jesus inicia suas advertências contra a hipocrisia utilizando o exemplo da esmola, um ato de generosidade e misericórdia. Nos dias de Jesus, dar esmolas era considerado um dos maiores sinais de piedade no judaísmo. Era visto como expressão de justiça social, de amor ao próximo. A Lei e os profetas reforçavam a importância de cuidar dos pobres e necessitados.
Contudo, para alguns, tornou-se oportunidade de exibição pública. O versículo 1 estabelece o princípio geral: “Evitem praticar as suas obras de justiça diante dos outros para serem vistos por eles; porque, sendo assim, vocês já não terão nenhuma recompensa junto do Pai de vocês, que está nos céus.”
Jesus, no entanto, aponta para um problema: muitos faziam da generosidade um palco, um espetáculo público. Jesus diz: “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, para serem glorificados pelos homens.” (v.2)
A expressão “não toques trombeta” é uma metáfora para um anúncio público, um espetáculo, uma autopromoção. A crítica de Jesus não está no ato de dar, mas na motivação. Os “hipócritas” “atuam” simulando piedade para uma audiência humana, buscando a “glória dos homens”. Eles queriam ser vistos como pessoas boas, generosas, compassivas.
Jesus declara: “Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa” A recompensa que buscam – o aplauso humano – é a única que receberão. Não há recompensa divina para a piedade performática, pois a aprovação dos homens é passageira e se esgota ali.
Em contraste, Jesus instrui a generosidade secreta: “que a sua mão esquerda ignore o que a mão direita está fazendo”. Esta hipérbole (uma forma um pouco exagerada de explicar esse ponto) enfatiza a discrição. A generosidade deve ser tão despretensiosa que nem mesmo o doador se vanglorie. O foco é a necessidade do receptor e a glória de Deus.
A recompensa para essa generosidade secreta é prometida pelo Pai que “vê em secreto”. Deus, que conhece as intenções, recompensará com Sua aprovação e bênção eterna, infinitamente superior a qualquer aplauso humano.
[Ilustração]
[Ilustração]
Real: Famosos que fazem doações e publicam nas redes sociais só para receber likes. Políticos carregando crianças, beijando mulheres e comendo em locais simples.
Bíblica: Ananias e Safira (Atos 5) fingindo generosidade para parecerem espirituais.
[Aplicação]
[Aplicação]
A aplicação do ensino de Jesus sobre a generosidade secreta é desafiadora, pois nos força a examinar as motivações íntimas do coração. Em um mundo que valoriza a visibilidade, fazer o bem sem que a “mão esquerda saiba o que a direita faz” parece contracultural. Mas é aí que reside a autenticidade da fé.
Primeiro, precisamos fazer uma autoavaliação honesta: Por que faço o bem? Para aliviar o sofrimento, glorificar a Deus, ou há um desejo sutil de ser notado? A resposta pode ser desconfortável, mas é essencial para o crescimento espiritual. Jesus não condena o ato de ajudar, mas a intenção egoísta que pode corrompê-lo.
Segundo, precisamos praticar a generosidade intencionalmente em secreto. Não significa esconder toda boa ação, pois a Bíblia nos ensina a deixar nossa luz brilhar (Mateus 5:16). A diferença é a motivação. Jesus nos protege da tentação de buscar glória para nós mesmos. Isso pode ser: fazer doações anônimas, ajudar um vizinho sem alardear, ou servir sem buscar reconhecimento. A verdadeira generosidade não precisa de holofotes, pois sua recompensa não vem dos homens, mas de Deus.
Considere o impacto de uma generosidade sem retorno. Quando você ajuda alguém e a única testemunha é Deus, a pureza do ato é inquestionável. Isso cultiva um coração humilde, dependente de Deus, livre da escravidão da opinião alheia. A recompensa de Deus não é apenas material; é uma recompensa que toca a alma, traz paz, alegria e propósito que o reconhecimento humano jamais oferecerá.
Finalmente, confie na promessa: “E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.” Nenhum ato de amor e generosidade passa despercebido a Deus. Ele é o justo recompensador, e Sua recompensa é infinitamente maior e mais duradoura. Que nossa generosidade reflita o coração de Deus, que dá sem esperar, e que nossa maior alegria seja agradar Aquele que nos amou primeiro.
[Ilustração Bíblica sobre a recompensa: Esaú]
[Ilustração Bíblica sobre a recompensa: Esaú]
Esaú trocou o direito de primogenitura (bênção e herança) por um prato de lentilhas, matando sua fome momentânea mas perdendo algo eterno e valioso (Gênesis 25:29-34).
Assim como Esaú trocou algo de valor eterno por satisfação passageira, muitos hoje trocam a recompensa de Deus pela aprovação temporária das pessoas.
E lembre-se:
"E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa"
Agora, Jesus nos leva a refletir sobre outra área muito íntima da vida espiritual: a oração.
2. A oração não precisa de plateia
2. A oração não precisa de plateia
Explicação
Explicação
A oração era, e ainda é, uma prática central da fé judaica e cristã. Na época de Jesus, os judeus tinham horários fixos para orar, muitas vezes em locais públicos: nas sinagogas, nas praças.
Jesus não está condenando a oração pública em si. Ele próprio orou em público em várias ocasiões. O que Ele condena aqui é a motivação errada: orar para ser visto pelos homens.
Ele diz: “Quando orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos outros.” (v.5)
Os hipócritas queriam ser admirados como pessoas profundamente espirituais. Eles usavam a oração como um palco para exibir sua intimidade com Deus. Eles oravam “em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas” para “serem vistos pelos homens”. Transformavam a oração em performance, buscando admiração, não comunhão com Deus. Suas orações, embora eloquentes, eram vazias de sinceridade.
Em contraste, Jesus instrui a buscar Deus em secreto: “Mas, ao orar, entre no seu quarto e, fechada a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto.”. A ênfase é na intimidade e sinceridade, longe dos olhos curiosos. A oração deve ser um diálogo genuíno com Deus, sem máscaras. A promessa: “e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” A recompensa para a oração sincera é a comunhão com Ele, a resposta às súplicas e a transformação interior. Jesus então nos chama ao "quarto secreto". Ao lugar onde só Deus nos vê. Onde não há plateia. Onde a oração é verdadeira.
Além disso, Jesus também nos alerta contra as vãs repetições. Contra aquele tipo de oração que tenta manipular Deus através da quantidade de palavras. Não é a repetição em si, o problema, mas a repetição mecânica, sem fé, na crença de que o “muito falar” garante atenção divina. Deus não precisa ser persuadido por nossa eloquência. Ele conhece nossas necessidades antes de pedirmos. A oração não é para informar a Deus, mas para nos alinhar com Sua vontade, expressar dependência e cultivar um relacionamento íntimo. A oração autêntica é relacionamento, não performance ou ritual vazio. A oração que agrada a Deus não é medida por seu tamanho, mas por sua sinceridade.
E então, Ele nos ensina a oração mais conhecida e mais recitada da história da humanidade: o Pai Nosso.
Essa oração nos ensina sobre a intimidade com o Pai, a submissão à Sua vontade, a dependência diária, o perdão e a proteção espiritual.
Ilustração
Ilustração
Real: Alguém que faz orações longas e eloquentes em público, mas em casa quase não ora.
Hipotética: Pense num filho que só elogia o pai quando tem visitas em casa. Mas, quando estão a sós, o ignora. Esse tipo de relacionamento é superficial e hipócrita — assim são orações feitas apenas para serem vistas.
Bíblica: Lembremos da parábola do fariseu e do publicano em Lucas 18:9-14. O fariseu ora exaltando a si mesmo: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os outros homens… jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho."
Enquanto isso, o publicano, de longe, apenas dizia: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!"
E Jesus disse que foi o publicano, e não o fariseu, que desceu justificado.
[Aplicação]
[Aplicação]
A aplicação do ensino de Jesus sobre a oração autêntica é um convite à introspecção e redefinição de nossa comunhão com Deus. A exortação de Jesus para “entrar no quarto e fechar a porta” é um chamado radical à intimidade e sinceridade.
Primeiro, avalie a qualidade de sua oração privada. A oração pública tem seu lugar, mas a que molda o caráter e aprofunda o relacionamento com Deus acontece longe dos olhos humanos. Como é sua oração quando ninguém está olhando? É diálogo genuíno ou repetição mecânica? É vulnerabilidade ou performance? A autenticidade da fé é forjada no secreto.
Segundo, a advertência contra “vãs repetições” nos lembra que a oração não é sobre quantidade de palavras, mas qualidade do coração. Não se trata de convencer a Deus ou manipulá-Lo. Ele já conhece nossas necessidades. A oração é um ato de dependência, submissão e adoração. É alinhar nossa vontade à Dele, expressar gratidão, confessar pecados e interceder. Isso nos leva a valorizar a simplicidade e sinceridade, como no Pai Nosso, modelo de oração abrangente em poucas palavras.
Terceiro, cultive um relacionamento pessoal e íntimo com Deus, que transcende a aprovação humana. A oração secreta nos liberta da pressão de impressionar e nos permite ser quem realmente somos diante de Deus. É no “quarto secreto” que derramamos alegrias e dores, sabendo que somos ouvidos por um Pai amoroso que nos vê em secreto e nos recompensa. Essa recompensa é a própria presença de Deus, paz e transformação interior.
Que nossa oração reflita um coração que busca a Deus acima de tudo. Que não nos preocupemos em parecer espirituais aos homens, mas em ser verdadeiramente espirituais aos olhos de Deus. Que nossa oração seja um ato de amor e devoção, um diálogo constante com o Pai celestial, que nos vê em secreto e nos recompensa com Sua graça e amor.
Lembre-se: "Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Jesus agora nos leva a uma terceira área da vida espiritual: uma das mais íntimas, mais pessoais… o jejum.
3. O jejum não se vangloria
3. O jejum não se vangloria
Explicação
Explicação
Jesus conclui sua ilustração contra a hipocrisia, com o jejum, outra disciplina espiritual judaica. Assim como esmolas e oração, o jejum era valorizado, mas também corrompido pela busca de reconhecimento. O jejum, no contexto judaico, era uma prática de humilhação diante de Deus. Um ato de arrependimento, de busca por santidade, de expressão de dependência. Na Lei Mosaica, havia um jejum obrigatório, o do Dia da Expiação. Mas os fariseus jejuavam duas vezes por semana… e faziam questão de mostrar isso.
Nos versículos 16 a 18, Jesus adverte: “Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.”
A crítica de Jesus aos “hipócritas” que jejuavam é incisiva. “ficam com uma aparência triste” e “desfiguram o rosto” apontam para uma encenação de sofrimento. Fariseus manipulavam sua aparência para que o jejum fosse notado e admirado. Queriam parecer mais santos, mais devotos. O objetivo não era humilhação diante de Deus, mas exaltação diante dos homens.
Jesus reitera: “Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa.” A reputação de piedade, a admiração – essa era a única recompensa. O jejum, que deveria ser devoção, virava orgulho, perdendo valor espiritual.
Em contraste, Jesus instrui a jejuar de forma discreta: “unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto”. A instrução é manter a aparência normal, sem chamar atenção. O jejum deve ser entre o indivíduo e Deus, sem publicidade. O foco é a disciplina interior, a busca por Deus, a humilhação da alma, não a exibição. O jejum, com motivação correta, é dependência e submissão a Deus, fortalecendo a fé e a comunhão.
Como nas outras práticas, a promessa é clara: “E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa” A recompensa para o jejum sincero não é aplauso humano, mas Sua aprovação, fortalecimento espiritual, clareza de propósito e manifestação de Sua presença. O jejum autêntico é um ato de fé que demonstra que valorizamos mais a Deus do que o conforto físico, e mais Sua aprovação do que a dos homens. É um ato de renúncia e de devoção que, em vez de teatral, é transformador e recompensador aos olhos do Pai.
Ilustração
Ilustração
Real: Pessoas que ficam contando para todos que estão jejuando e quanto estão sofrendo.
Bíblica: Outro exemplo vem dos fariseus: eles desfiguravam o rosto, andavam cabisbaixos, com aparência de sofrimento. Tudo para que os outros os vissem.
[Aplicação]
[Aplicação]
A aplicação do ensino de Jesus sobre o jejum autêntico nos convida a reavaliar nossas disciplinas espirituais. Em uma cultura que valoriza a exposição, a exortação de Jesus para jejuar em secreto é um chamado radical à humildade e pureza de intenção.
Primeiro, examine a motivação de suas práticas de renúncia pessoal e autodisciplina espiritual. Por que jejuamos, oramos ou praticamos outras disciplinas? É para buscar a Deus ou para que os outros nos vejam como espirituais? A tentação da aprovação humana é sutil. Jesus nos chama a uma honestidade brutal, a desmascarar vaidade em nossas práticas.
Segundo, mantenha a discrição. A recomendação de Jesus para “ungir a cabeça e lavar o rosto” é uma metáfora para a normalidade. Não precisamos exibir nosso sacrifício. O jejum é entre o indivíduo e Deus. A motivação primária não deve ser exibição, mas busca sincera por Deus. Quando jejuamos em secreto, afirmamos que nossa audiência é Deus, e Sua aprovação é a única que importa.
Terceiro, lembre-se do valor do segredo diante de Deus. A promessa – “teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” – é um convite à confiança. Deus não precisa de anúncios. Ele vê o coração e recompensa a sinceridade. A recompensa para o jejum autêntico não é aplauso humano, mas fortalecimento espiritual, clareza de propósito, sensibilidade à Sua voz e manifestação de Sua presença. É uma recompensa que nutre a alma e nos aproxima do Criador.
Que nossas práticas espirituais, incluindo o jejum, sejam atos de amor e devoção a Deus, não performances. Que busquemos agradar ao Pai que vê em secreto, e que nossa maior alegria seja Sua aprovação. Que nossa vida seja testemunho de fé genuína, enraizada na humildade e sinceridade, e que toda a glória seja dada somente a Ele.
E lembre-se:
"Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
Conclusão e Aplicação Geral
Conclusão e Aplicação Geral
Meus irmãos, ao olharmos para este trecho de Mateus 6, percebemos que o problema não são as práticas espirituais. Jesus parte do pressuposto de que seus discípulos vão dar esmolas, vão orar e vão jejuar.
O problema está na motivação.
Três vezes Jesus repete a mesma advertência:
"Já receberam a recompensa."
E três vezes Ele afirma a mesma promessa:
"O Pai, que vê em secreto, te recompensará."
“Percebam, irmãos, que Jesus não está apenas repetindo a mesma coisa em cada exemplo. Ele está mostrando como a hipocrisia pode se infiltrar em todas as áreas da nossa vida espiritual.
Ela aparece quando servimos o próximo, quando falamos com Deus e até quando abrimos mão de algo por amor a Ele.
Em cada uma dessas áreas, o nosso coração pode desejar coisas diferentes:
Aprovação social,
Status espiritual,
Ou admiração pelo sacrifício.
O teólogo Levertoff diz o seguinte “Embora os discípulos devam ser vistos praticando boas obras, eles não devem praticar boas obras para serem vistos”
Mas o antídoto é sempre o mesmo:
Viver diante do Pai que vê em secreto e busca a Sua recompensa, não o aplauso humano.”
A grande questão para nós hoje é: "Para quem temos vivido a nossa fé?"
Você vive para a aprovação das pessoas… ou para a aprovação do Pai?
[ORAÇÃO FINAL E BENÇÃO APOSTÓLICA]
