Ousadia que vem da oração
Cristiano Gaspar
Igreja em Movimento • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
23 Uma vez soltos, Pedro e João procuraram os irmãos e lhes contaram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes tinham falado. 24 Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram:
— Tu, Soberano Senhor, fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há! 25 Disseste por meio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo:
“Por que se enfureceram os gentios,
e os povos imaginaram coisas vãs?
26 Os reis da terra se levantaram,
e as autoridades se juntaram
contra o Senhor e contra o seu Ungido.”
27 — Porque de fato, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, se juntaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste, 28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram. 29 Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia, 30 enquanto estendes a tua mão para fazer curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo Servo Jesus.
31 Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com ousadia, anunciavam a palavra de Deus.
Lembra que na semana passada falamos sobre a idéia de ser perseguido/rejeitado/prejudicado no trabalho por causa da sua fé? Agora, imagine a seguinte cena:
Você acaba de ser liberado da delegacia. Foi detido porque compartilhou sua fé em Jesus com um colega de trabalho. Nada agressivo, nenhuma imposição, apenas compartilhou a esperança que carrega. Mas isso gerou desconforto. Um superior fez uma denúncia. Você foi chamado, advertido, e agora está livre… mas com uma recomendação clara: “evite falar de Jesus, para o seu próprio bem.”
Qual seria sua primeira oração ao chegar em casa?
Talvez algo como:
“Senhor, livra-me de problemas futuros.”
“Senhor, guarda minha família.”
“Senhor, me dá sabedoria para saber como agir.”
E todas essas são orações legítimas. Mas o que lemos em Atos 4 é surpreendente. Porque quando Pedro e João voltam da prisão e compartilham tudo com a igreja, o que eles fazem?
Eles oram, mas não pedem livramento. Não pedem segurança, não pedem para as ameaças sumirem, eles pedem ousadia.
“Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia...” (v. 29)
A oração da igreja em Atos nos confronta porque expõe a fragilidade das nossas orações. Enquanto nós oramos para que a oposição vá embora, eles oravam para que a missão avançasse, com ou sem oposição. Enquanto nós oramos para que Deus mude as circunstâncias, eles oravam para que Deus os mudasse dentro das circunstâncias.
Pensando nisso, eu te faço algumas perguntas:
E você? Quando foi a última vez que orou por coragem? Você já parou para pensar que talvez Deus não queira te tirar do vale, mas te sustentar no vale com ousadia?
Essa passagem nos mostra que a igreja não é um bunker onde nos escondemos do mundo. A igreja é o povo que ora para avançar no mundo, com coragem, graça e fidelidade.
O mundo tenta calar a igreja com medo. Deus levanta a igreja com oração.
Hoje vamos aprender com essa oração histórica três verdades que precisamos redescobrir como igreja:
A oração começa com a grandeza de Deus, não com o tamanho do problema.
A oração bíblica nos faz interpretar as ameaças com os olhos das Escrituras.
E a verdadeira oração cristã pede poder, não conforto.
1. Uma oração que começa com soberania, não com desespero
1. Uma oração que começa com soberania, não com desespero
Atos 4.23-24
Assim que são soltos, Pedro e João fazem o que todo cristão cheio do Espírito deveria fazer: eles voltam para a comunhão da igreja.
Verso 23:
“Uma vez soltos, Pedro e João procuraram os irmãos e lhes contaram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes tinham falado.”
Essa pequena expressão — “voltaram para os seus” — carrega um peso precioso. Eles sabiam que pertenciam. Não estavam sozinhos. Tinham um povo, uma família espiritual.
E qual é a primeira reação da igreja ao ouvir tudo o que aconteceu? Verso 24:
“Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: — Tu, Soberano Senhor, fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há!’”
Eles não começam dizendo “Senhor, livra-nos!”
Eles não dizem “Senhor, que injustiça!”
Eles dizem: “Soberano Senhor...”
A palavra usada aqui no grego é Despotes — de onde vem a palavra “déspota”, mas no sentido original de alguém com autoridade total, incontestável.
Eles reconhecem:
“Senhor, o Sinédrio pode ter poder religioso. Roma pode ter poder político. Mas Tu tens o trono supremo. Tu criaste todas as coisas. Nada te escapa. Nada te surpreende. Nada está fora do Teu controle.”
Aplicação: Quando a oração começa com adoração, o medo muda de nome
Aplicação: Quando a oração começa com adoração, o medo muda de nome
Essa é uma lição poderosa. Porque a maioria das nossas orações começa assim:
“Senhor, olha o problema...”
“Senhor, me ajuda nisso...”
“Senhor, socorro!”
Mas a oração da igreja em Atos começa com uma declaração teológica antes de um pedido emocional. Eles não ignoram o problema. Mas o colocam na perspectiva certa.
Quando você começa sua oração com o tamanho de Deus, o problema encolhe. Quando você começa com o problema, o medo cresce.
Ilustração visual: lente de aumento invertida
Ilustração visual: lente de aumento invertida
É como olhar uma formiga com uma lente de aumento. Parece enorme. Mas se você virar a lente, ela volta a parecer o que de fato é: pequena.
A oração que começa com soberania faz isso com as ameaças da vida.
Ela vira a lente. Ela não nega o problema, mas lembra que o trono de Deus é maior.
Por isso, eu te pergunto:
Como você começa suas orações?
Com ansiedade… ou com adoração?
Com desespero… ou com doutrina?
Talvez a sua vida de oração esteja fraca porque ela é centrada no medo. Mas a igreja de Atos nos mostra que oração forte começa com teologia firme. Eles não estavam impressionados com as ameaças, porque estavam maravilhados com o Criador.
2. Uma oração fundamentada nas Escrituras, não em sentimentos
2. Uma oração fundamentada nas Escrituras, não em sentimentos
Atos 4.25-28
Depois de começar exaltando a soberania de Deus, a igreja ora com as Escrituras na ponta da língua e no centro do coração.
Veja os versículos 25 e 26:
25 Disseste por meio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo:
“Por que se enfureceram os gentios,
e os povos imaginaram coisas vãs?
26 Os reis da terra se levantaram,
e as autoridades se juntaram
contra o Senhor e contra o seu Ungido.”
Eles estão citando o Salmo 2, um salmo messiânico. E veja que beleza: a igreja interpreta a situação pela lente da Palavra. Eles não estão orando a partir do que sentem, mas do que sabem. Eles dizem: “Senhor, o que estamos vivendo hoje já estava escrito. Já foi anunciado. Nada disso Te pegou de surpresa.”
Esse episódio e essa parte da oração enfatiza a importância do conhecimento bíblico. Eles oram tendo a Bíblia como lente: o Salmo 2 e a conspiração contra Cristo
No Salmo 2, Davi profetiza que os reis e líderes da terra se revoltariam contra o Messias. E a igreja reconhece: foi exatamente isso que aconteceu com Jesus.
27 — Porque de fato, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, se juntaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste,
Herodes, Pilatos, Roma, o Sinédrio, o povo judeu, todos conspiraram. Mas mesmo essa conspiração estava debaixo da providência soberana de Deus.
28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.
Doutrina prática: soberania e responsabilidade caminham juntas
Aqui temos uma das tensões mais lindas da Bíblia:
Os homens são responsáveis pelos seus atos — eles conspiraram contra Jesus.
Mas Deus é soberano — nada fugiu de Seu plano eterno.
Isso não é contradição, isso é evangelho. A cruz de Cristo não foi um acidente, foi um decreto.
Aplicação: oração bíblica é oração com os olhos da Palavra, não da emoção
Aplicação: oração bíblica é oração com os olhos da Palavra, não da emoção
Quantas vezes enfrentamos oposição, frustração, crítica, sofrimento, e oramos como se Deus estivesse nos devendo explicações? Oramos a partir do que sentimos, não do que sabemos. Reagimos ao mundo como se fôssemos vítimas de uma conspiração fora de controle. Mas a igreja em Atos nos ensina a olhar a crise com as lentes da Escritura. Eles não disseram “o mundo está desabando” — disseram “as Escrituras estão se cumprindo.”
Ilustração: o quebra-cabeça visto do lado errado
Ilustração: o quebra-cabeça visto do lado errado
Você já tentou montar um quebra-cabeça sem a imagem da caixa? Fica tudo confuso. Cada peça parece estranha, sem sentido. Mas quando você tem a imagem maior, mesmo as peças estranhas fazem sentido. A Bíblia é a imagem da caixa. A oração feita com base na Palavra nos lembra que Deus já revelou o fim da história.
Por isso eu te pergunto:
E você, como interpreta as crises da vida?
Com base na Palavra ou na sua timeline?
Com o filtro do Reino ou com os filtros da ansiedade?
A oração que transforma não nasce da emoção, mas da revelação.
3. Uma oração voltada para a missão, não para o conforto
3. Uma oração voltada para a missão, não para o conforto
Atos 4.29-30
Depois de exaltar a soberania de Deus e interpretar os eventos à luz das Escrituras, agora a igreja finalmente faz seu pedido. E o que eles pedem?
29 Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia,
Eles reconhecem as ameaças, eles não negam a realidade. Mas não oram para que Deus elimine os inimigos. Não oram por vingança. Não oram por segurança.
Eles oram por ousadia.
Essa é a essência de uma igreja cheia do Espírito: não uma comunidade que busca conforto, mas um povo que busca cumprir a missão, custe o que custar. Eles não pedem menos oposição, pedem mais coragem.
Veja bem: ousadia aqui não é teimosia. Não é gritar mais alto. Não é militância. É coragem espiritual para continuar anunciando o evangelho mesmo sob risco.
Eles não estavam orando para evitar sofrimento, mas para continuar proclamando apesar dele.
30 enquanto estendes a tua mão para fazer curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo Servo Jesus.
Eles queriam que Jesus fosse glorificado. Que o evangelho fosse validado. Que as pessoas vissem o poder de Deus em ação e se rendessem ao nome de Jesus.
Aplicação: a maioria das nossas orações é por conforto, não por coragem
Aplicação: a maioria das nossas orações é por conforto, não por coragem
Se fôssemos sinceros, teríamos que admitir:
Oramos mais por segurança do que por santidade.
Pedimos mais paz do que poder para testemunhar.
Buscamos mais alívio do que avanço do evangelho.
Mas a igreja em Atos orava assim: “Senhor, não nos deixe quietos. Nos deixe fiéis.”
A oração deles não era centrada em si mesmos, mas em Cristo. Não era sobre a igreja se proteger, mas sobre o nome de Jesus ser proclamado.
Ilustração: o farol e o bunker
A igreja às vezes se comporta como um bunker: trancada, protegida, com medo do mundo lá fora. Mas o chamado de Jesus não foi para construir bunkers, foi para ser farol. O farol não pede para que a tempestade vá embora, ele não tem esse poder. Ele apenas brilha, mesmo em meio às ondas.
Por isso eu te pergunto:
Quando foi a última vez que você orou para ser ousado?
Quando foi a última vez que você pediu poder, não proteção?
Será que nossas orações revelam que nosso maior objetivo é o conforto , ou a glória de Cristo?
Agora que os pedidos foram feitos, vem o momento em que Deus responde de forma visível e poderosa. E essa resposta será o centro da nossa conclusão.
Conclusão: O lugar treme, mas o coração permanece firme
Conclusão: O lugar treme, mas o coração permanece firme
31 Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com ousadia, anunciavam a palavra de Deus.
Essa é a resposta de Deus. O lugar treme, mas os corações se firmam. O que o Sinédrio tentou abalar com ameaças, Deus estremece com poder. A oração não mudou a perseguição, mas mudou os cristãos.
Deus não removeu o perigo, mas renovou o povo. Eles foram cheios do Espírito Santo, não para experiências privadas, mas para proclamação pública. O fruto do avivamento aqui não é êxtase, é ousadia.
Aplicação: Por que não temos visto esse tipo de ousadia hoje?
Aplicação: Por que não temos visto esse tipo de ousadia hoje?
Será que é porque não estamos orando como eles oraram?
Será que estamos tão ocupados pedindo conforto, cura, portas abertas, que esquecemos de pedir aquilo que mais precisamos: coragem para permanecer fiéis?
Não é errado orar por alívio. Mas a igreja de Atos nos ensina a ir além: “Senhor, se não fores remover a oposição, então nos enche para enfrentá-la com ousadia.”
A oração do Filho e o clamor da Igreja
A oração do Filho e o clamor da Igreja
No Getsêmani, Jesus também orou diante da ameaça. Mas, ao contrário dos discípulos, Ele não fugiu.
Ele orou: “Pai, não seja feita a minha vontade, mas a Tua.”
E então enfrentou a cruz, para que hoje, você e eu pudéssemos orar com liberdade e ousadia diante de qualquer tribunal.
Pedro e João não tinham medo porque já sabiam que o Cordeiro tinha vencido. Eles oraram com a cruz por trás e a missão pela frente.
Que tipo de igreja você quer ser?
Que tipo de igreja você quer ser?
Queremos ser a igreja que ora para sobreviver? Ou a igreja que ora para avançar?
Queremos ser conhecidos por conforto e estabilidade? Ou por coragem e fidelidade?
O mundo precisa de igrejas que oram como Atos 4. Igrejas que não se dobram às ameaças. Que não se rendem à lógica do medo. Igrejas que brilham como faróis em meio à tempestade.
E você, está disposto a orar assim?
“Senhor, considera as ameaças... e nos dá ousadia para não nos calarmos.”
“Senhor, Tu és o Soberano. Tudo está debaixo das Tuas mãos. As ameaças não nos assustam, porque a Tua glória nos sustenta. Enche-nos novamente com o Teu Espírito. Não para vivermos em segurança, mas para proclamarmos com ousadia o Teu nome. Que a nossa oração seja mais sobre a missão do que sobre o medo. E que o mundo veja que estivemos contigo. Em nome de Jesus, amém.”
