Quem dizes que Eu sou?

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Texto Bíblico

Lucas 9.18–22 18 
18. Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu
19 Responderam eles: João Batista, mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas.
20 Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus.
21 Ele, porém, advertindo-os, mandou que a ninguém declarassem tal coisa,
22 dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.

INTRODUÇÃO

Tem uma ilustração muito interessante, talvez você já tenha ouvido antes, mas que se encaixa perfeitamente para nós hoje.
Havia um menino que olhava curioso para o céu. Lá no alto, ele via um avião cruzando as nuvens. Observando, comentou com seu pai: “Papai, olhe para aquele avião, como que algo tão pequeno pode voar naquela altura?”
O pai, sorrindo, percebeu que era a oportunidade perfeita para ensinar algo ao filho. Então o levou até o aeroporto. Chegando lá, diante de um imenso avião estacionado, o menino arregalou os olhos e exclamou surpreso: “Mas papai, como esse avião é enorme! Não parece nada com aquele que eu vi no céu...”
E o pai, então, explicou: “Filho, o tamanho de qualquer coisa depende da distância que você está dela. Quanto mais longe, menor ela parece. Mas quanto mais perto, maior ela se torna aos nossos olhos.”
— E assim também acontece com Jesus. Para muitos, Ele é alguém distante — talvez um homem bom, um grande mestre, um profeta... Mas, para quem se aproxima, quem anda com Ele, quem escuta sua voz, quem reconhece e confessa verdadeiramente quem Ele é, a percepção muda. Ele se torna maior. Sua verdadeira identidade começa a ser revelada.
E é exatamente isso que encontramos neste episódio no Evangelho de Lucas. Jesus faz uma pergunta que ecoa até hoje:
— “Quem dizem as multidões que eu sou?”
E depois, de forma direta e pessoal:
— “E vocês, que são meus discípulos, quem vocês dizem que eu sou?”
Essa não é uma pergunta só para os discípulos de dois mil anos atrás. É uma pergunta para mim. É uma pergunta para você. Porque o Jesus que conhecemos, quem verdadeiramente Ele é para nós, vai determinar exatamente a nossa aproximação dEle! Então a pergunta que você deve refletir hoje é a mesma que Jesus fez naquela ocasião. “Quem você diz que é Jesus?”
E mais: há uma descoberta que até mesmo os mais íntimos de Jesus precisaram fazer. Que ser o Cristo não era ser um rei político, nem apenas um realizador de milagres, mas aquele que veio cumprir uma missão: a missão da cruz.
Aquela pergunta de Jesus — “Quem dizeis que eu sou?” — não é uma simples curiosidade.
Ela revela algo essencial sobre a fé: aquilo que você crê sobre Jesus determina tudo na sua vida. Sua esperança, suas escolhas, seus valores, sua eternidade.
E este texto nos mostra três maneiras diferentes de perceber quem é Jesus, todas ligadas à distância ou à proximidade que cada um tem com Ele.
Vamos mergulhar no texto?
Vamos ao primeiro ponto de vista, quem é o Cristo para as multidões. Vamos ler novamente os versículos 18 e 19, olhe para a sua Bíblia...

1. O Cristo das multidões (18-19)

18. Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu
19 Responderam eles: João Batista, mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas.
O texto começa dizendo que Jesus estava “orando em particular, e os seus discípulos estavam com ele”. É significativo perceber como os momentos mais decisivos no ministério de Jesus estão sempre cercados de oração.
Antes de perguntar quem Ele é, Jesus ora. Isso mostra que a revelação da sua identidade não é um mero exercício intelectual, mas um ato que envolve a obra do Espírito e a intervenção do Pai.
Jesus é para nós o melhor exemplo vivo de que não é possível conhecer a Deus de verdade sem ter uma vida de oração. A Palavra de Deus diz isso em Jeremias 29.13 “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” É necessário buscar a Deus de coração para encontrá-lo de verdade. Tiago 4.8 faz um chamado objetivo nessa direção: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.” Arrependimento e fé é imprescindível para conhecer a Deus!
Só depois de mostrar a importância da oração que Lucas revela a primeira pergunta de Jesus: “Quem dizem as multidões que eu sou?”
A resposta dos discípulos revela o retrato espiritual do povão:
“Uns dizem João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, que algum dos antigos profetas ressuscitou.” (v. 19)
Essas respostas são impressionantes, porque todas reconhecem que Jesus não é uma pessoa comum. As multidões o consideram alguém extraordinário, um homem de Deus, um profeta. Mas nenhuma reconhece sua verdadeira identidade como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Enquanto opiniões populares não eram unânimes de forma alguma acerca da identidade de Jesus, eram unânimes no fato de que ele era uma grande pessoa...
Mas isso queria dizer que ele era um numa série... primus inter pares — o primeiro entre os iguais.
Assim, as multidões reconheciam Jesus como alguém grande, mas não como o único, o absolutamente singular, o Cristo de Deus.
Essa percepção distorcida não era um problema apenas daquele tempo, continua sendo o grande problema de hoje também. Se você não souber com clareza quem é Jesus, estará perdido na questão mais importante da vida.
E a questão mais séria da vida é, sem dúvida, definir quem é Jesus? Reduzir Jesus a um mestre, profeta ou exemplo moral é ignorar sua verdadeira identidade e rejeitar a única esperança de salvação. Jesus não deixa espaço para neutralidade. Ele mesmo declarou: “Se vocês não crerem que Eu Sou, morrerão nos seus pecados” (João 8.24). Não reconhecê-lo como o Cristo, o Filho de Deus, é permanecer na cegueira espiritual, longe da vida eterna. Como diz a Escritura: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1João 5.12). A maior tragédia da multidão é admirar Jesus, mas não se render a Ele como Senhor e Salvador. A maior tragédia da vida humana é deixar de reconhecer Jesus como Deus e Senhor, porque, como diz Atos dos Apóstolos 4.12 “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”
Esse texto nos faz refletir sobre algumas doutrinas importantíssimas no Texto:
A primeira delas é o perigo da fé superficial e da visão distorcida de Cristo.
A visão distorsida das multidões é a mesma de hoje. Muitos dizem: Jesus foi um homem iluminado. Foi um grande mestre. Um exemplo de amor e compaixão. Um exemplo de quem valorizava os pobres. Alguém que pode curar, fazer milagres, resolver problemas. Mas isso não é suficiente. Crer em Jesus apenas como exemplo moral ou por interesse pessoal não vai salvar ninguém. Apenas a fé nEle como o Cristo, o Filho de Deus, o único Senhor e Salvador, Deus encarnado, que morreu e ressuscitou para perdoar os nossos pecados, pode salvar e conduzir à vida eterna.
A ignorância espiritual é um problema de todos os tempos. Não devemos ficar surpresos ao encontrarmos, em nossos dias, as mesmas opiniões a respeito de Cristo... Muitos vagueiam como moscas ao redor das coisas espirituais, porém nunca pousam como as abelhas para se alimentar da doçura do Evangelho de Jesus.
Jesus é mais do que um profeta. As Escrituras são claras ao mostrar que Jesus não é “um” mensageiro enviado, mas Ele é O unigênito Filho de Deus enviado para restaurar o que se perdeu com a queda: Ele é o próprio Deus encarnado, o Salvador prometido, que veio reconciliar pecadores com Deus, restaurar a comunhão quebrada e conceder vida eterna aos que creem.
A pergunta de Jesus — “Quem dizem as multidões que eu sou?” — não surge isolada na narrativa bíblica. Ela está profundamente ligada ao tema central das Escrituras: a revelação de Deus em Cristo e a cegueira espiritual do mundo decaído.
No Éden, a serpente lançou dúvida sobre quem Deus é desde então, a humanidade vive em confusão sobre Deus.
Os profetas anunciaram que Deus se revelaria de forma plena no Messias, quando o Messias veio, “veio para o que era seu, e os seus não o receberam”* (João 1.11). Isso cumpre a descrição de Isaías 53.3 “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.”
As multidões cometeram o maior erro da história: ver Jesus, mas não reconhecer sua verdadeira identidade.
Então a pergunta para reflexão é: Quem é Jesus para você?
Você tem uma opinião sobre Ele ou uma convicção baseada na revelação das Escrituras?
Sua visão de Jesus é bíblica ou cultural?
Será que, no fundo, você também tem uma percepção superficial, como as multidões? Você o vê como um solucionador de problemas, um exemplo de bondade, ou como o Senhor, o Salvador, o Cristo de Deus?
Cuidado com uma fé de segunda mão. As multidões tinham muitas opiniões... Você está vivendo de opiniões dos outros, ou de uma convicção pessoal e transformadora?
Cuidado com isso, não basta ter uma opinião certa baseada na convicção dos outros, é preciso crer em Jesus com o coração para depois confessá-lo com a boca!
Então meus irmãos, o que molda sua visão sobre Jesus?
As Escrituras? ou a cultura?
As redes sociais? ou uma tradição religiosa vazia? É preciso ter uma fé que brota de um coração convicto sobre Jesus!
Então, sua prática de fé vai além das palavras que professa? Você vive como quem realmente crê que Jesus é Deus?
Se Ele é quem diz ser, então nossa vida não pode mais ser conduzida do mesmo modo. Suas palavras, sua cruz, sua ressurreição e seu senhorio devem redefinir tudo em nós.
Então, meu irmão, não se perca na multidão. Não se esconda atrás das opiniões. Não adie a decisão mais importante da sua vida.
Jesus ainda pergunta: E você, quem diz que eu sou?
Você pode admirar Jesus, respeitar Jesus, elogiar Jesus... e mesmo assim estar perdido. Porque só há salvação para quem o reconhece não como mais um, mas como reconheceu o corajoso Pedro: Jesus, Tu és o Cristo de Deus, o Salvador, o Senhor da sua vida.
É o que veremos agora, no segundo ponto: O Cristo dos mais íntimos!

2. O Cristo dos mais íntimos (20-21)

Se, por um lado, as multidões tinham uma visão distorcida sobre Jesus, vendo-o apenas como mais um na galeria dos grandes homens de Deus — um profeta, um mestre, um realizador de milagres —, por outro lado, Jesus conduz seus discípulos a um momento de confronto espiritual e revelação.
A pergunta muda de direção, sai do campo das opiniões populares e se volta diretamente para os seus seguidores: Mas vós, quem dizeis que eu sou? (v. 20). Aqui não há mais espaço para respostas terceirizadas, nem para repetir o que os outros pensam. É uma pergunta pessoal, intransferível, decisiva e eternamente relevante.
Em nome dos discípulos, Pedro se levanta e faz a declaração mais importante que um ser humano pode fazer: “És o Cristo de Deus” (v. 20). Essa confissão não é fruto de uma percepção natural, nem de mera observação dos milagres e ensinos de Jesus. Como esclarece o evangelho de Mateus, essa revelação foi dada diretamente pelo Pai (Mateus 16.17 ) Jesus diz para Pedro: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.”
Isso nos ensina que ninguém reconhece verdadeiramente quem é Jesus sem que Deus lhe abra os olhos da alma. A fé que salva não nasce do convencimento humano, mas da revelação divina. A Bíblia diz isso, o próprio Jesus disse isso em João 6.44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” 1Coríntios 2.14 diz que “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” Precisa de uma revelação especial, precisa das Escrituras, precisa do Espírito Santo.
Ao confessar que Jesus é “o Cristo de Deus”, Pedro está declarando que Ele é o Ungido, o Messias prometido desde o Antigo Testamento, aquele que carrega em si todas as esperanças da redenção. Porém, é aqui que ocorre uma grande inversão de expectativas: a concepção que os discípulos tinham do Messias ainda estava contaminada pelas ideias populares da época.
Eles, assim como o povo, também esperavam um Cristo glorioso, político, triunfante, que esmagaria os opressores e restauraria o reino de Israel. Por causa disso que, imediatamente após a confissão, Jesus ordena severamente que não digam isso a ninguém (v. 21). Por quê? Porque, embora a afirmação de Pedro fosse correta, a compreensão deles sobre o que significava ser o Cristo estava profundamente equivocada.
Se Jesus permitisse que essa verdade se espalhasse naquele momento, o povo interpretaria de forma totalmente distorcida. Eles tentariam tomá-lo à força para fazê-lo rei. João 6.15 diz que “Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.” Por isso que Jesus pedem para não divulgarem essa informação porque ela inflamaria ainda mais as esperanças nacionalistas e políticas. Isso poderia gerar um movimento messiânico revolucionário, que não fazia parte do plano divino e que colocaria tudo a perder, humanamente falando.
Além disso, os discípulos precisavam primeiro compreender a natureza real da missão do Messias, que não passava pela glória dos homens, mas pela humilhação da cruz. É isso que vamos ver no último ponto.
Por isso, Jesus começa a prepará-los para uma revelação ainda mais chocante: o Cristo de Deus, o Ungido, não veio para ser coroado por homens, mas para ser rejeitado, sofrer, morrer e, ao terceiro dia, ressuscitar.
A verdadeira glória do Messias está na cruz, não no trono político. Sua missão não era derrotar o Império Romano, mas derrotar o império do pecado, da morte e do inferno. E isso só seria possível através de sua entrega voluntária como Cordeiro de Deus, como sacrifício perfeito em favor dos pecadores.
Portanto, o Cristo dos mais íntimos não é um Cristo moldado pelas expectativas humanas. É o Cristo revelado pelo Pai, o Cristo que abraça a cruz como caminho de vitória, e que só pode ser verdadeiramente reconhecido quando Deus abre os olhos do coração.
Sem essa revelação, Jesus continuará sendo para muitos apenas um mestre, um exemplo ou um milagreiro. Mas, para aqueles que, como Pedro, receberam a luz do alto, Ele é verdadeiramente o Cristo de Deus, o Salvador do mundo.
Você faz parte dos mais chegados? Você tem essa compreensão sobre quem é Jesus?
Reconhecer Jesus como o Cristo de Deus não é apenas acertar uma resposta teológica; é se render a Ele como Senhor da sua vida. Significa abrir mão dos seus próprios planos, da sua autossuficiência, dos seus desejos de um “salvador” que apenas resolva seus problemas terrenos. Significa crer que a maior necessidade da sua alma não é prosperidade, sucesso ou cura, mas salvação — libertação do pecado, reconciliação com Deus e vida eterna. Seguir esse Cristo é trilhar o mesmo caminho que Ele trilhou: o caminho da cruz, da renúncia, do arrependimento e da fé.
Por isso, precisamos refletir: em quem temos crido? No Cristo verdadeiro, revelado nas Escrituras, ou em uma versão distorcida moldada pelas nossas expectativas? Muitos querem um Jesus que cure, que prospere, que resolva seus problemas, mas não querem um Jesus que governe suas vidas e que os convoque a carregar a cruz. A maior pergunta da vida continua ecoando: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc 9.20). A sua resposta a essa pergunta define não apenas sua vida aqui, mas seu destino eterno.
Jesus é o Cristo de Deus, o Messias prometido, cuja missão inclui sofrimento, morte e ressurreição, contrariando as expectativas humanas. Ao ouvir a confissão de Pedro, Jesus imediatamente começa a revelar o que, de fato, significa ser o Cristo. Ele não permite que seus discípulos alimentem uma visão triunfalista, moldada pelos anseios políticos e terrenos da época. Ao contrário, Jesus esclarece que seu caminho não passa por um trono de glória humana, mas por uma cruz de vergonha e dor.
Essa revelação é tão chocante quanto necessária. O Cristo de Deus é, também, o Cristo da Cruz. Sua missão não é derrubar impérios terrenos, mas destruir o império do pecado, da morte e do inferno. E para isso, era absolutamente necessário — por determinação soberana de Deus — que Ele sofresse, fosse rejeitado, morresse e, ao terceiro dia, ressuscitasse. Assim, chegamos ao terceiro ponto: 3. O Cristo da Cruz (v. 22)

3. O Cristo da Cruz (22)

Logo após a confissão de Pedro, Jesus revela uma realidade que contraria profundamente as expectativas humanas: ser o Cristo significa, antes de qualquer coisa, abraçar a cruz. O verso 22 é uma declaração solene e inegociável sobre sua missão:
Ouça o que Jesus diz no verso 22: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.
A expressão “é necessário” não é fruto do acaso, nem uma consequência de forças humanas. Ela revela o plano soberano de Deus. Jesus não foi vítima de circunstâncias, nem foi morto apenas por inveja dos líderes religiosos. A cruz era o centro da sua missão.
Essa necessidade surge da vontade do Pai: Um dos textos mais conhecidos da Bíblia: João 3.16 diz isso: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” e Romanos 8.32 diz que “O Deus Pai não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou”, mas também é fruto do compromisso voluntário do próprio Filho. Em João 10.11, Jesu declara: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” e, em Gálatas 2.20, o apóstolo Paulo declara que o Filho de Deus a si mesmo se entregou, e tudo isso é cumprimento das Escrituras Is 53 já tinha profetizado tudo o que sofreria o Servo Sofredor.
A cruz também era necessária por causa das exigências da justiça divina. Deus é amor, mas também é absolutamente justo e santo. O pecado não pode ser ignorado nem relativizado diante de Deus. Por isso, como declara 2Coríntios 5.21, “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” Na cruz, Jesus assumiu, de forma voluntária, o nosso lugar, carregando sobre si a culpa que era nossa, para que nós pudéssemos receber sua justiça. O apóstolo Paulo também explica em Romanos 5.12–21 que, assim como o pecado entrou no mundo por meio de um só homem, trazendo condenação a todos, da mesma forma, pela obediência de um só — Jesus Cristo — veio a justificação que conduz à vida. Portanto, a cruz não foi um acidente, nem um erro da história. Ela é o lugar onde a justiça e o amor de Deus se encontram. Deus não passa a mão sobre o pecado, mas oferece seu próprio Filho como sacrifício perfeito, a fim de que, por meio dele, pecadores sejam perdoados, reconciliados e recebam vida eterna.
Ao se autodenominar “Filho do Homem”, Jesus une duas realidades fundamentais. Por um lado, essa expressão ressalta sua plena identificação com a humanidade — Ele é verdadeiramente homem, participante de nossas dores e limitações. Por outro lado, carrega um peso messiânico profundo, pois faz referência direta à visão de Daniel 7.13-14, onde o “Filho do Homem” é aquele que vem nas nuvens do céu e recebe de Deus, o Ancião de Dias, “domínio, glória e um reino eterno, que não passará, e seu reino jamais será destruído.” No entanto, diferentemente das expectativas humanas, esse domínio não seria conquistado pela força, pela espada ou pelo poder político. Seria alcançado de forma surpreendente, por meio da cruz. A coroa viria depois dos espinhos; a exaltação, depois da humilhação. O caminho do reinado passa, necessariamente, pelo sacrifício redentor em favor dos pecadores.
Os irmãos estão entendendo isso?
O texto destaca quatro ações que fazem parte desse “é necessário” sofrer muitas coisas — rejeição, dor, escárnio, injustiça.
A primeira delas: Sofrer — Jesus, o Filho do Homem, não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida. Seu caminho seria marcado por dor, humilhação e sofrimento intenso. Esse sofrimento não era apenas físico, mas também espiritual e emocional, carregando sobre si o peso dos pecados do mundo (Isaías 53.3-5). O sofrimento de Jesus revela tanto a gravidade do pecado quanto a profundidade do amor de Deus.
A segunda: Ser rejeitado — pelos três grupos que compunham o Sinédrio: os anciãos, que eram os líderes leigos das famílias aristocráticas de Jerusalém; os principais sacerdotes, pertencentes à linhagem de Arão, responsáveis pelo culto no templo, incluindo o sumo sacerdote em exercício e outros de sua família; e os escribas, os teólogos e intérpretes oficiais da Lei. Em outras palavras, todo o sistema religioso da nação, aqueles que deveriam reconhecer e receber o Messias, se levanta contra Ele.
A terceira: Ser morto — não apenas sofrer, mas ir até a morte. A cruz não foi um acidente, nem um plano humano que deu errado. Foi o cumprimento do plano eterno de redenção. Jesus entregou-se voluntariamente, assumindo nosso lugar, para satisfazer as justas exigências da santidade de Deus e fazer expiação pelos pecados do seu povo (2Co 5.21; Rm 5.12-21).
E a quarta: Ressuscitar ao terceiro dia — a cruz não é o fim, mas o caminho para a vitória definitiva sobre o pecado, a morte e o inferno. A ressurreição é a glória após a humilhação, a confirmação de que o sacrifício foi aceito e a certeza de que todo aquele que crê nEle tem vida eterna. Nossa esperança não está em um Cristo morto, mas em um Cristo vivo, vitorioso, que reina e que voltará. É na ressurreição que está selada a nossa salvação, a nossa justificação e a certeza de que nem a morte poderá nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.34-39).
Essa declaração de Jesus foi um choque para os discípulos, pois destruía completamente a ideia popular de um Messias político, guerreiro e triunfalista. No entanto, se Jesus é o Cristo de Deus, sua causa jamais poderia fracassar. A cruz não é sinal de derrota, mas de vitória.
A cruz não era um acidente, mas uma necessidade imposta pela justiça divina. Hb 9.2 nos diz que sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados. O Cristo não morre como mártir, mas como sacrifício vicário, substituto dos pecadores.
Por isso a missão de Jesus não era libertar Israel do domínio romano, mas libertar a humanidade do domínio do pecado e da morte. Seu reinado não era terreno, mas espiritual e eterno.
Embora Jesus anuncie também sua ressurreição, os discípulos não conseguem absorver essa esperança naquele momento. O peso da cruz parecia ofuscar qualquer possibilidade de glória. Eles ainda não compreendiam que glória e cruz estão inseparavelmente ligadas no plano de Deus.
Veja irmãos que não é fácil ter uma compreensão correta sobre Jesus porque essa verdade nos confronta. Se o Cristo é o Cristo da cruz, então não há cristianismo sem cruz. Não há discipulado sem renúncia. Não há salvação sem arrependimento e fé no sacrifício de Cristo.O caminho de Jesus sempre foi e continua sendo confuso e inaceitável para quem não crê. Era difícil de compreender para as multidões da época, foi um choque até para os próprios discípulos, e continua sendo ofensivo para muitos hoje. Isso porque a lógica da cruz confronta toda expectativa humana de glória sem sofrimento, de vitória sem renúncia, de salvação sem arrependimento.
Foi por isso que o apóstolo Paulo declarou, em 1Coríntios 1.23-24:
“Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.”
A cruz é, sim, escândalo e loucura para o mundo. Mas, para aqueles que tiveram os olhos abertos por Deus, a cruz é o caminho da vida, da salvação e da verdadeira glória. Se queremos o Cristo da glória, precisamos abraçar o Cristo da cruz. Não existe outro caminho. Não há coroa sem cruz. Não há vida sem morrer para si mesmo. Não há salvação sem confiar exclusivamente no sacrifício de Jesus.
Essa é a grande pergunta que fica diante de nós: De qual Cristo você é seguidor? Do Cristo das suas expectativas ou do Cristo da cruz? Porque só há salvação no Cristo verdadeiro — o Cristo que sofreu, foi rejeitado, morreu e ressuscitou.

CONCLUSÃO

Quem dizes que Eu sou? Essa continua sendo a pergunta mais importante da vida.
Diante de Jesus, ninguém pode permanecer neutro. Você pode até tentar ignorá-lo, pode reduzi-lo a alguém muito menor do que Ele é, mas nada disso é suficiente.
A única resposta correta, a única que salva, é reconhecê-lo como “o Cristo de Deus”, o único Salvador, o Filho do Deus vivo, que veio para morrer na cruz, ressuscitar ao terceiro dia e nos reconciliar com Deus.
As multidões continuam existindo hoje — gente que admira Jesus, mas não se rende a Ele.
Talvez você tenha crescido ouvindo falar de Jesus, talvez até fale dEle, cante sobre Ele, mas nunca, de fato, se rendeu a Ele como Senhor e Salvador da sua vida.
Então: Quem é Jesus para você?
Ele é só um mestre? Um exemplo? Alguém a quem você recorre quando está em apuros? Ou Ele é o Cristo, o Filho de Deus, o Senhor da sua vida?
O caminho da cruz também continua sendo um escândalo. Isso vale tanto para o incrédulo, que rejeita a mensagem da salvação, quanto para o crente, que às vezes quer glória sem renúncia, bênçãos sem compromisso, vida sem cruz.
Se você ainda não crê de verdade, entenda que não há neutralidade com Jesus, não é possível ficar em cima do muro, não dá pra ser indiferente. O próprio Senhor disse em João 8.24: “se não crerdes que Eu Sou, morrerão nos vossos pecados.”
Ficar em cima do muro é, na prática, estar contra Cristo. Mas hoje, pela graça de Deus, você está ouvindo esta mensagem. E hoje é dia de salvação. Arrependa-se dos seus pecados, creia que Jesus morreu na cruz no seu lugar e ressuscitou para lhe dar vida. Abrace o Cristo da cruz e você encontrará o Cristo da glória. Se você está sendo desafiado com essa mensagem, me procure depois ou procure alguém aqui da igreja para conversar melhor sobre isso.
Mas também há desafios para você que já é crente em Jesus: Lembre-se: seguir a Cristo é carregar a sua cruz todos os dias. É morrer para si mesmo, para os próprios desejos, e viver para a vontade de Deus. O evangelho não é sobre usar Deus para realizar nossos sonhos, mas sobre ser transformado para viver os sonhos de Deus.
Por isso, avalie: A sua vida revela que você conhece o verdadeiro Cristo? Ou você tem vivido uma versão distorcida, mais confortável, moldada pelos seus próprios interesses?
O mundo está cheio de opiniões sobre Jesus. Cheio de gente que fala dEle, mas não anda com Ele. A sua vida responde, todos os dias, essa pergunta: “Quem você diz que Eu sou?” Então se arrependa hoje e passe a demonstrar o que verdadeiramente você crê!
Que a sua resposta não seja só de palavras, mas de vida. Que você viva de forma que o mundo olhe para você e perceba que Jesus não é só um nome nos seus lábios — Ele é o Senhor do seu coração, o Salvador da sua vida e o Rei da sua existência.
Que o Senhor nos ajude a seguir com fé!
Vamos orar?

ORAÇÃO FINAL

Deus Eterno, nosso Senhor e Pai,
Diante da Tua presença nos curvamos, reconhecendo que Tu és o único Deus verdadeiro, e não há outro além de Ti. Como diz o salmista: no Salmo 63: “Tu és o meu Deus; eu Te buscarei ansiosamente; a minha alma tem sede de Ti, meu corpo Te deseja numa terra seca, exausta, sem água”
Ó Pai, nós Te louvamos porque em Teu amor, Tu nos enviaste o Teu Filho, Jesus Cristo, o Teu Ungido, o Salvador, o Cristo de Deus.
E nós confessamos, Senhor, que muitas vezes somos tentados a moldar Jesus às nossas expectativas humanas, buscando apenas um mestre, um exemplo ou alguém que resolva nossos problemas, mas recusando o caminho da cruz. Perdoa-nos, Senhor. Tem misericórdia de nós.
Graças Te damos, ó Deus, porque Tu mesmo abriste os olhos da nossa alma para contemplarmos as maravilhas da Tua lei, como declarou o salmista.
Obrigado porque, pela Tua graça, reconhecemos que Jesus não é apenas um profeta, nem um entre muitos — Ele é o Teu Filho amado, o Cristo, o Salvador do mundo, aquele que morreu e ressuscitou por nós.
Senhor, nós Te bendizemos porque a verdadeira glória do Teu Filho está na cruz. Como anunciou a Tua Palavra:
“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, homem de dores e que sabe o que é padecer”. E nós reconhecemos que “Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades e que o castigo que nos trouxe a paz estava sobre Ele e sobre as Suas pisaduras nós fomos sarados”. Que jamais percamos de vista essa cruz, ó Deus, pois foi nela que recebemos a vida e a nossa esperança.
Ó Pai, clamamos por aqueles que ainda estão cegos, que ainda não reconheceram quem é Jesus de verdade. Tem misericórdia, salva, abre os olhos, ilumina os corações, dá arrependimento e fé! Como diz o salmo: Inclina, Senhor, os Teus ouvidos, e ouve-me, porque sou pobre e necessitado. Tu és bom e perdoador, abundante em misericórdia para todos os que Te invocam”
E quanto a nós, Senhor, que já fomos alcançados pela Tua graça, ajuda-nos a viver uma vida que responda todos os dias à pergunta que Teu Filho nos faz: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”
Que a nossa resposta não esteja apenas nos lábios, mas em uma vida rendida, obediente, submissa, que carrega a cruz e que vive para a glória do Teu nome.
Sustenta-nos, Senhor, nas lutas e nos desafios. Fortalece nossa fé. Que possamos dizer como o salmista: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me consolam”.
E olhando para a cruz, nunca esqueçamos que ela não é o fim, mas o caminho para a glória. Pois como diz a Tua Palavra: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.
Por isso, Senhor, declaramos com todo o nosso coração: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá glória, por amor da Tua misericórdia e da Tua fidelidade”.
Oramos assim, confiados no nome precioso e poderoso de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
Amém e amém.
E que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, nosso Pai, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos nós, hoje e sempre. Amém.
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