CIDADANIA CONSCIENTE (3)

Exposição em Romanos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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CAPTOR
Contexto: Identifique o contexto no seu livro e na cultura bíblica.
Análise: Analise o fluxo de pensamento ou o fluxo de uma história
Problemas: Solucione seus problemas - as palavras e os costumes que nos deixam intrigados
Temas: Desenvolva um tema, uma ideia grande que percorre todas as Escrituras
Obrigações: Descubra suas obrigações, a maneira como a Bíblia se aplica a você hoje
Reflexões: Reflita sobre o ponto principal e a obra de Cristo

TEXTO BASE

Romans 13:1–7 ARA
1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

INTRODUÇÃO

SOBRE OS CONTEXTOS DO TEXTO

CONTEXTO GERAL DO LIVRO

O LIVRO DE ROMANOS
A carta de Paulo aos Romanos é considerada o maior tratado teológico do Novo Testamento, sendo chamada de "o evangelho segundo Paulo". Tem grande influência na teologia protestante e já foi até estudada em escolas de direito por sua estrutura argumentativa.
Diversos estudiosos exaltam sua importância. Lutero a descreve como "o mais puro evangelho" e recomenda sua leitura constante. Calvino afirma que compreendê-la é abrir uma porta para os tesouros das Escrituras.
A influência de Romanos se reflete em momentos decisivos da história da igreja:
Conversão de Agostinho (386 d.C.): Transformado ao ler Romanos 13.13-14, tornando-se um dos maiores teólogos cristãos.
Reforma Protestante (1517): Lutero entendeu Romanos 1.17 ("o justo viverá pela fé") e rompeu com a Igreja Católica, dando início à Reforma.
Avivamento Inglês (século 18): João Wesley teve seu coração aquecido ao ouvir a leitura do prefácio de Lutero sobre Romanos, desencadeando um grande despertar espiritual.
Karl Barth (1918): Seu comentário sobre Romanos confrontou o liberalismo teológico e marcou o século 20.
A carta aos Romanos tem sido um ponto de partida para avivamentos e revoluções espirituais, transformando a história da igreja e do mundo.

O local e a data de onde Paulo escreveu a carta aos Romanos

Paulo escreveu a carta aos Romanos durante sua estada de três meses na Grécia (At 20.2-3), provavelmente em Corinto, por volta de 57 ou 58 d.C.. Febe, portadora da carta, era da igreja de Cencreia, cidade próxima de Corinto (Rm 16.1).
A carta foi escrita no final da terceira viagem missionária de Paulo, antes de sua ida a Jerusalém para entregar ofertas das igrejas gentias aos pobres da Judeia (Rm 15.30-31). Após isso, ele enfrentaria longos períodos de prisão em Cesareia e Roma (At 23.31–26.32; 28.16–31).
Ao longo de suas viagens missionárias, Paulo:
Primeira viagem – Evangelizou a Galácia, plantando igrejas e estabelecendo presbíteros.
Segunda viagem – Fundou igrejas na Macedônia (Filipos, Tessalônica e Bereia), passou por Atenas e permaneceu 18 meses em Corinto, fortalecendo a igreja local.
Terceira viagem – Focou-se em Éfeso, de onde o evangelho se espalhou por toda a Ásia Menor (At 19.10).
A carta foi escrita em um momento decisivo: Paulo via sua obra no Mediterrâneo Oriental como concluída e planejava seguir para novos campos missionários (Rm 15.19-20). Ele expressou diversas vezes o desejo de visitar Roma (At 19.21; 23.11; Rm 1.11,15), o que se concretizaria anos depois, como prisioneiro.

A igreja de Roma

Paulo escreveu à igreja de Roma, que ele não fundou nem conhecia pessoalmente. A origem da igreja é incerta, mas há duas principais hipóteses:
Judeus convertidos no Pentecostes (At 2.10): Alguns judeus ou prosélitos de Roma, convertidos em Jerusalém no ano 30 d.C., podem ter levado o evangelho para a capital do império. Roma possuía o maior centro judaico do mundo antigo, com mais de treze sinagogas, e a rede de estradas romanas facilitou a propagação do cristianismo.
Cristãos convertidos pelo ministério de Paulo: Crentes anônimos, oriundos de Antioquia, Corinto ou Éfeso, cidades onde Paulo permaneceu por mais tempo e que tinham grande conexão com Roma, podem ter estabelecido a igreja.
O banimento dos judeus de Roma pelo imperador Cláudio (49 d.C.) pode ter influenciado na formação da igreja. Alguns judeus exilados foram evangelizados por Paulo na Grécia e, ao retornarem a Roma, ajudaram a estruturar a igreja. Priscila e Áquila são um exemplo disso (At 18.2; Rm 16.3-5).
A composição da igreja era mista, formada por judeus e gentios. A expulsão dos judeus em 49 d.C. e o incêndio de Roma em 64 d.C., durante o governo de Nero, impactaram a comunidade cristã. Com o retorno dos judeus cristãos, houve desafios na reintegração com os gentios, o que pode ter motivado Paulo a tratar desse assunto nos capítulos 14 e 15 de sua carta.
Embora Paulo não tenha fundado a igreja, ele a via como parte de seu campo missionário, pois era o apóstolo dos gentios.

A cidade de Roma

Roma foi fundada por Rômulo e Remo por volta de 754 a.C. e passou de reino a república e depois a império, tornando-se a capital do mundo antigo. No tempo de Paulo, Roma era chamada de "cidade imperial" e "cidade eterna", com uma população estimada entre 1 e 1,5 milhão de habitantes, incluindo 40 mil judeus.
Paulo tinha uma estratégia missionária, focando em grandes cidades para que o evangelho se espalhasse pelas regiões adjacentes. Roma, como centro político e cultural do mundo ocidental, era um ponto estratégico para a expansão do cristianismo. Ele via a conversão de Roma como uma chave para evangelizar o império.
Por outro lado, Roma era um centro de luxo e poder, mas também de corrupção e depravação moral, descrita como a "cloaca do mundo". A decadência interna levou ao colapso do Império Romano em 476 d.C., após sucessivas invasões.
Mais tarde, Roma tornou-se independente sob o controle dos papas (728 d.C.), permanecendo sede da corte papal até 1870. Atualmente, o Vaticano, situado no coração de Roma, é um estado independente e centro do catolicismo.

O Propósito da Carta aos Romanos

Diferente de outras cartas de Paulo, Romanos não trata de problemas locais, mas apresenta um tratado teológico profundo, sendo chamada de "carta profilática", pois combate falsos ensinos com a verdade.
Paulo tinha cinco propósitos ao escrevê-la:
Pedir oração – Antes de ir a Jerusalém, Paulo temia perseguições e pediu intercessão (Rm 15.30-31).
Demonstrar seu desejo de visitar Roma – Ele tentou ir várias vezes, mas foi impedido. Como alternativa, escreveu sua mais importante exposição teológica.
Compartilhar dons espirituais – Ele queria fortalecer espiritualmente a igreja em Roma, apesar de não tê-la fundado.
Buscar apoio para ir à Espanha – Ele via Roma como uma base missionária para expandir o evangelho no Ocidente.
Expor detalhadamente o evangelho – Romanos explica a ruína humana, a salvação pela graça e a justificação pela fé.

Principais Ênfases da Carta

Unidade da Igreja – Judeus e gentios agora são um só povo em Cristo.
Universalidade do pecado – Todos pecaram, judeus e gentios, e precisam da graça de Deus (Rm 3.23).
Justiça de Deus no evangelho – A cruz revela a ira contra o pecado e o amor pelo pecador.
Justificação pela fé – Não é pelas obras, mas pela fé em Cristo que somos justificados.
Nova vida em Cristo – O crente não vive mais no pecado, mas é transformado por Deus.
Vida vitoriosa no Espírito – O Espírito Santo nos capacita a viver em santidade.
Soberania de Deus na salvação – A eleição é um ato da graça divina, não de méritos humanos.
Relacionamentos transformados – A fé impacta nossa relação com Deus, o próximo e as autoridades.
A carta termina com saudações e uma doxologia, exaltando a grandeza de Deus.

Esboço

I. Doutrina: O evangelho de Deus (1–8)

A. Introdução ao evangelho (1:1–15)

B. Definição de evangelho (1:16–17)

C. A necessidade universal do evangelho (1:18–3:20)

D. A base e as condições do evangelho (3:21–31)

E. A harmonia do evangelho com o Antigo Testamento (4)

F. Os benefícios práticos do evangelho (5:1–11)

G. O triunfo da obra de Cristo sobre o pecado de Adão (5:12–21)

H. A vida de santidade segundo os padrões do evangelho (6)

I. O lugar da lei na vida do cristão (7)

J. O Espírito Santo como poder para a vida de santidade (8)

II. Dispensação: O evangelho e Israel (9–11)

A. O passado de Israel (9)

B. O presente de Israel (10)

C. O futuro de Israel (11)

III. Zelo: O evangelho na prática (12–16)

A. Na consagração pessoal (12:1–2)

B. No serviço por meio dos dons espirituais (12:3–8)

C. Em relação à sociedade (12:9–21)

D. Em relação ao governo (13:1–7)

E. Em relação ao futuro (13:8–14)

F. Em relação a outros cristãos (14:1–15:13)

G. Nos planos de Paulo (15:14–33)

H. No reconhecimento e apreço por outros (16)

CONTEXTO IMEDIATO

Vimos que, em Romanos 12, o apóstolo Paulo abordou nosso relacionamento com Deus (12.1,2), com nós mesmos (12.3–8), com nossos irmãos (12.9–16) e com nossos inimigos (12.17–21). Agora, no capítulo 13, ele analisará mais três relacionamentos: o relacionamento com as autoridades (13.1–7), com a lei (13.8–10) e com o dia da volta do Senhor Jesus (13.11–14). No capítulo 12 de Romanos, Paulo trata dos crentes espirituais no corpo espiritual, a igreja. Esses crentes viviam no mundo. Após dar regras de como viver na igreja, o apóstolo agora explica no capítulo 13 de Romanos como os cristãos podem praticar seu cristianismo no mundo secular, político e cotidiano. O cristão é um cidadão de dois mundos, de duas ordens, e Paulo parece dizer como o Mestre: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Citando J. W. Allen, F. F. Bruce afirma que o capítulo 13 da epístola aos Romanos contém o que talvez constituam as palavras mais importantes já escritas na história do pensamento político.
PRÓXIMAS PREGAÇÕES
D. Qual deve ser a atitude do crente justificado para com as autoridades “Que cada um esteja em submissão às autoridades governamentais” 13.1–7 E. Qual deve ser a atitude do crente justificado para com todos “Não fiquem devendo nada a ninguém, exceto amar uns aos outros” 13.8–10 F. Qual deve ser a atitude do crente justificado para com o Senhor Jesus Cristo “A noite está bem adiantada, o dia já vem raiando… vistam-se do Senhor Jesus Cristo e não façam provisão para [a satisfação de] as concupiscências da carne.” 13.11–14

CONTEXTO HISTÓRICO CULTURAL DO TEXTO

Quem escreveu? Quando escreveu? Pra quem escreveu? Onde escreveu? Por que escreveu? O que escreveu? Quem são os personagens e as pessoas que aparecem no texto e estão no contexto histórico? Que práticas ou atitudes estranham precisam ser compreendidas melhor à luz da cultura da época?
A carta foi escrita sob o Império Romano, no reinado de Nero. Embora seus primeiros anos tenham sido relativamente estáveis, o governo era marcado por injustiças e imposição da autoridade imperial. Paulo escreve a uma igreja que não gozava de muitos direitos civis. Ainda assim, exorta os cristãos à submissão não cega, mas por consciência diante de Deus, reconhecendo a função providencial do Estado.
O pano de fundo incluía o culto ao imperador, onde cidadãos deviam declarar “César é Senhor”, em contraste com a confissão cristã “Jesus é o Senhor” (Kyrios Iēsous). Assim, o texto de Paulo não legitima regimes opressores, mas delimita o papel das autoridades como ministros de Deus para o bem comum.
🏛 CONTEXTO POLÍTICO DO IMPÉRIO ROMANO (57 d.C.)
1. O IMPÉRIO DE NERO : Nero subiu ao trono em 54 d.C., ainda muito jovem (cerca de 17 anos), com forte influência de sua mãe Agripina e de conselheiros como o filósofo Sêneca e o comandante Burro. Os primeiros anos de seu governo (incluindo o período em que Paulo escreveu Romanos) foram relativamente estáveis e administrados com moderação.
Contudo, essa paz era frágil e enganosa. Nero logo se mostraria instável, paranoico e cruel. A perseguição violenta aos cristãos ainda não havia começado em 57 d.C., mas Paulo já percebia os perigos de se viver sob um governo autoritário, centralizador e sacralizado.
2. ESTRUTURA DE PODER: O império era uma monarquia disfarçada de república: O Senado existia, mas com poder limitado; Os governadores provinciais (como Pôncio Pilatos) exerciam autoridade local; O imperador era considerado quase divino — o culto ao imperador era exigido em várias regiões, como um ato de lealdade ao Estado.
3. A “PAX ROMANA”: A Pax Romana era uma paz garantida por força militar, altos impostos e controle cultural. O Império oferecia segurança, mas com: Tributos pesados; Vigilância constante; Supressão de dissidências
Judeus e cristãos, por sua exclusividade religiosa, eram vistos com desconfiança. A recusa em prestar culto a César era considerada subversiva.
⚔️ CRISTÃOS SOB SUSPEITA
A nova fé cristã, por afirmar que Jesus é Senhor (Kyrios), soava como uma ameaça à autoridade de Roma, que proclamava: “César é Senhor”. Ainda que o cristianismo não fosse perseguido oficialmente nessa fase, era olhado com hostilidade.
Romanos Versículos 1 a 2

Parecia algo absurdo, pois, reconhecer como legítimos aqueles senhores e governantes que tudo faziam para destruir o reino de Cristo, o único Senhor do céu e da terra

🕊 SIGNIFICADO DE ROMANOS 13 NESSE CONTEXTO
Portanto, quando Paulo diz que “não há autoridade que não proceda de Deus”, ele não está endossando um Estado absolutista, mas: Reconhecendo que até mesmo os governantes ímpios estão sob o governo soberano de Deus. Exortando os cristãos à vida ordeira, responsável e irrepreensível, como testemunho diante do mundo. Esse ensino tinha função pastoral: evitar conflitos desnecessários, promover o bem comum e viver a fé em meio a um mundo hostil, sem abrir mão da fidelidade a Cristo.

CONTEXTO LITERAL GRAMATICAL DO TEXTO

Qual o gênero literario da passagem? Quais palavras-chave ou frases que podem dar pistas sobre a ideia central da passagem? Qual o enredo ou o movimento das ideias? O que acontece nos contextos anterior e posterior? Quw paralelos encontramos entre esse texto e outros textos? Como essa passagem se encaixa no livro e qual o seu papel?
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