Rute 1

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O autor apresenta o cenário da ação providencial do SENHOR na preservação da linhagem de Elimeleque, que usa como representação da benção divina preservadora sobre seu povo.

Notes
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Rute 1: A providência divina na preservação da extinção pela concessão de um herdeiro real (pt 1) - A salvação providencial pela fé no Deus que lembra do seu povo.

Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de (…) dar um (…) resgatador” (Rt 4.14).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Contextualização
Introdução - Informativos contextuais cênicos (vv. 1-5)
A) Período situacional: “Nos dias em que julgavam os juízes” (v.1). Período de grande oscilação religiosa em Israel (e.g. v. 4 “casaram com mulheres moabitas”).
B) Movimento em relação à terra como ocasião da ação providencial divina (cf. v. 1 - saída; cf. v. 7, 22 - retorno).
- O reflexo da desordem espiritual do povo: “…um homem de Belém de Judá saiu (saiu da terra da Aliança; da herança abraâmica) a habitar na terra de Moabe…”.
- cf. v. 1 “havia fome” ≠ v. 21 “Ditosa eu parti.
C) Contexto dramático (cf. v. 1b “houve fome”; v.5 “…morreram ela ficou sozinha).
D) Destaque tribal (ref. Judá/Belém/Efrata(eus)) como instrumento da justificação da instalação do rei de Israel (cf. vv. 1, 2, 7, 19, 22) - Judá X Benjamim > Saul X Davi (legitimação deste (cf. Gn 49.10)).
Elucidação
Narração cênica (vv. 6-22)
Cena 1: Partida para Belém - Manifestação da no Deus do povo de Israel (vv. 6-18).
A) Motivação para o retorno: “… o SENHOR se lembrara do seu povo, dando-lhe pão” (v.6).
B) Diálogo entre Noemi, Orfa e Rute: O conselho de Noemi e a reação das noras [#ProvidênciaVelada]:
Aquescência de Orfa (cf. v. 14a-15 “…com um beijo, se despediu de sua sogra… voltou ao seu povo e aos seus deuses”).
Apego de Rute (cf. vv.14b, 16-17).
Cena 2: Chegada a Belém - conversão situacional providente (vv.19-22).
Ótica humana (vv.20b,21a): “…Chamai-me Mara… Ditosa parti… porém o SENHOR me fez voltar pobre…”.
Providência auspiciosa (v.22): “…chegaram a Belém no princípio da sega da cevada”.
Síntese principiológica
O livro de Rute funciona como um funil: do caos da oscilação espiritual do povo de Israel, para esse mesmo, só quem em proporções menores, retratado na vida de uma família.
A falta de confiança de Elimeleque naquele que sempre foi o Rei de Israel, o SENHOR, o fez abandonar a terra da promessa, a qual Deus havia dito que “mana leite e mel” (cf. Êx 3.8, outra linguagem bíblica para “pão”), o que resultou numa tragédia enorme para si e sua família, ponto em risco a sobrevivência de sua linhagem.
Nada obstante, o pecado irrefletido de Elimeleque, foi parte do quadro belo pintado pelo SENHOR no qual, pela manifestação de sua graça à uma estrangeira, o retorno de Noemi à Belém exibe sua providência em mudar mal em bem, e aquela que chega vazia, será farta da graça divina, da qual não somente ela desfrutará, mas todo o povo de Deus, que receberá um rei/resgatador da parte do Deus que se lembra do seu povo.
Aplicações
Ainda que hoje leiamos o livro de Rute a partir de todo um plano maravilhoso da providência divina, como veremos nos próximos domingos, disso não decorre que nossas escolhas pecaminosas serão escusadas pelo SENHOR.
Elimeleque, cujo nome significa “Deus é [meu?] Rei”, agiu contrariando essa realidade. Confiando em si mesmo e em sua perspicácia, mais movido por descontentamento do que por necessidade (tendo em vista que Noemi afirma que ela partiu “ditosa” (i.e. cheia, abundante), o que sugere que sua situação, ao sair de Belém, não era tão ruim assim), abandonou a terra da Aliança, a qual Deus prometera que manaria leite e mel e, ao invés de, juntamente com todo o povo, arrepender-se de seus altos e baixos espirituais (típico do período dos juízes), virou às costas a Aliança, e foi vitimado pela tolice de seus pecados, que acometeram inclusive sua família.
A providência divina não pode ser usada para que escondamos nossos pecados ou desejos malignos sob o argumento de seu curso. Nossos desejos e inclinações virão à lume, e se dermos às costas ao nosso Deus, o afastamento dele poderá nos levar a enfrentarmos situações piores do que aquelas que estamos passando e que são difíceis. Lembre-se: se o caminho é difícil junto ao SENHOR, longe dele é impossível.
Aos maridos
Embora não seja o ponto central do texto, observar a fraqueza de Elimeleque também faz pate de seu horizonte. Sob a tutela dele, estavam sua mulher e seus dois filhos, que sofreram por ele ter saído do lugar que o SENHOR ordenara para que seu povo vivesse, isto é, sua presença e benção, representadas pela terra.
Suas boas e más escolhas poderão provocar bons resultados ou terríveis consequências. Tome cuidado com suas decisões, e que elas reflitam, sobretudo, confiança e fidelidade a Deus!
2. A fé no Deus que se lembra do seu povo, dando-lhe pão, ou seja, preservando-o, produziu efeitos redentores, segundo planejado por Deus e demonstrado na vida de Rute. De igual modo, nossa fé no SENHOR que nos salva, deve evidenciar-se em nossa vida quando, em razão da salvação maior já executada por Cristo Jesus, confiamos que o Pai celeste haverá de nos prover de pão e do que mais necessitamos.
Ao decidir vincular-se ao povo de Deus, Rute estava deixando para trás todas as fontes de segurança aparentemente “tangíveis”, aquelas nas quais confiou Orfa, ao voltar ao seu povo e seus deuses. Por vezes, agarramo-nos àquilo que nos parece muito sensato, escondendo por trás o receio de esperarmos a salvação das mãos daquele que possui o controle de todas as coisas, o que inclui tanto a fome quanto o pão.
É para a confiança na divina providência de Rute que o escritor bíblico direciona nossos olhos, afim de que vejamos quão verdadeira é a ação do SENHOR em preservar os que tem fé nele. O ato de Rute desembocará na providência da linhagem da qual virá Davi, o rei de Israel segundo o coração de Deus; um tipo daquele Rei último, verdadeiro, que não governará somente uma nação, mas todo o universo, um novo universo, onde habitaremos. Mas toda essa grandiosa perspectiva foi retratada a partir de uma história pontual, em que uma família foi salva da fome e da extinção. Nossa fé salvadora está diretamente ligada às situações corriqueiras do dia a dia; se não confiamos que o SENHOR pode nos dar pão, como creremos naquele que é o próprio Pão da Vida descido do céu? (cf. Jo 6.51)?
3. Nossa mente às vezes nos impede de compreender o curso da providência. Não raro interpretamos avessamente os caminhos que o governo de Deus empreende em nossas vidas, como Noemi, que viu amargura em seu retorno para Belém, não percebendo seu retorno a partir dos bons ares da misericórdia divina, providenciando que chegasse no início da colheita.
Como acertadamente observa Emílio Garofalo:

Noemi tem uma teologia correta, mas incompleta. Uma teologia de soberania sem amor. Noemi sabe que é Deus quem a está afligindo (v. 21). Ela está correta em entender a soberania do Todo-Poderoso. Ela não deveria, entretanto, deixar de notar como no meio de toda essa aflição o Senhor está abrindo caminho para seu retorno e crescimento. Que foram o amor e a bondade pactual (hesed) de Deus que pesaram a mão para que ela voltasse e fosse restaurada. “Deus me afligiu.” Ela está correta, mas falta-lhe o aspecto de ver o amor.

Do caos das péssimas decisões de Elimeleque, o SENHOR providenciaria um casamento à Rute, e deste, um herdeiro para que se assentasse no trono, e figurasse Aquele que guiaria todo o Israel de Deus à salvação e obtenção da herança de Abraão. Da mesma forma, do caos de nossos pecados, em Cristo, surgiu a luz da salvação, reconciliando-nos ele com o Pai; bem como do caos de nossa vida, virá o crescimento espiritual que nos fará confiar cada vez mais no SENHOR.
Não sejamos amargos ou rápidos em interpretar com pesar os infortúnios de nossa vida. Lembre-se que a maior de todas as fomes foi saciada pelo Pão da Vida; qualquer outra que sinta, não será capaz de destruí-lo, pois a Providência chegará, assim como chegou no Filho de Davi, no momento certo. Todos chegamos a Belém no início da colheita; na hora determinada por Deus para recebermos dele o cuidado paternal, e a prova disso é Cristo, que não se atrasou nem se adiantou, mas chegou “na plenitude do tempo” (Gl 4.4.).
Conclusão
O caos do livro dos juízes precisava findar. As nuvens obscuras da confusão e infidelidade do povo de Deus precisavam ser dissipadas. Mas, o Livro de Rute não começa com a solução pronta, pelo contrário, o retrata mesmo cenário desastroso “[do] tempo em que julgavam os juízes”. Porém, das trevas brilhará a luz, e o caos dará lugar à salvação, isto é, o resgate de uma família que representa o povo de Deus, e que proverá a este o herdeiro ungido, que guiará o povo ao Reino de Deus.
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