Exposição Marcos 14:12-31 (A última ceia)
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Introdução
Introdução
Nos últimos cultos, temos meditado na última semana da vida de Jesus. Já vimos que, desde o início de seu ministério na Galileia — quando curou um homem com a mão ressequida em um sábado — havia uma conspiração para matá-lo. Porém, após seus feitos no templo e em Jerusalém durante a semana da festa da Páscoa, o ódio e a ira dos líderes religiosos se intensificaram. Nos versículos 1 e 2 do capítulo 14, vimos que eles buscavam um meio de matá-lo mas temiam o povo.
A primeira perícope do capítulo 14 termina com a revelação de que Judas, após a unção feita por Maria em Betânia, já havia decidido entregar Jesus, movido pelo desejo de ganho financeiro.
Agora, caminhamos para o último dia da vida terrena de nosso Senhor, e neste culto meditaremos na narrativa da última ceia de Jesus com seus discípulos, registrada em Marcos 14:12-31.
Texto Base
Texto Base
12 E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa? 13 Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água; 14 segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. 16 Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.
17 Ao cair da tarde, foi com os doze. 18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá. 19 E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu? 20 Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato. 21 Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
22 E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. 23 A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele. 24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos. 25 Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus. 26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito:
Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia. 29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
Explicação
Explicação
Essa narrativa pode ser dividida do seguinte modo:
A Preparação da Ceia (vv. 12–16)
O Anúncio do Traidor (vv. 17–21)
A Instituição da Nova Aliança (vv. 22–26)
O Anúncio do Abandono e da Ressurreição (vv. 27–31)
1 - A preparação da Ceia (vv. 12-16)
1 - A preparação da Ceia (vv. 12-16)
12 E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa? 13 Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água; 14 segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. 16 Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.
Temos, nos versículos 12 a 16, a narrativa da preparação da ceia. Essa ceia foi antecipada, visto que ela deveria ocorrer após as 15h, depois do sacrifício dos cordeiros — e isso nos ajuda a entender o porquê do uso de pão, e não de cordeiro, na ceia pascal. Jesus e seus discípulos se reuniram para a ceia no “primeiro dia da Festa dos Pães Asmos”, ou seja, no dia 14 do mês de Nisã, data da celebração da Páscoa no calendário judaico.
No calendário hebraico, o dia começa ao pôr do sol — aproximadamente às 18h no nosso modo de contar o tempo. Assim, quando Jesus se senta à mesa com os discípulos para celebrar a ceia, já havia se iniciado o dia 14 de Nisã, ainda que, para nós, isso corresponda à noite de quinta-feira.
A cronologia do último dia da vida de Jesus, portanto, segue a seguinte ordem:
Quinta-feira à noite (18h–00h): Ceia com os discípulos, instituição da Ceia do Senhor, ida ao Getsêmani para oração.
Madrugada de sexta (00h–06h): Prisão de Jesus, julgamento religioso diante do Sinédrio, negação de Pedro.
Manhã de sexta (06h–09h): Julgamento diante de Pilatos, flagelação, zombarias, caminho até o Gólgota.
Sexta-feira pela manhã (09h): Jesus é crucificado (Marcos 15:25 — "era a hora terceira", isto é, 9h da manhã).
Sexta-feira à tarde (15h): Morte de Jesus na cruz (Marcos 15:33-37 — "à hora nona", isto é, 15h).
Fim da tarde (15h–18h):
Sepultamento de Jesus por José de Arimateia antes do pôr do sol (Marcos 15:42-47).
O que é interessante nessa narrativa é a descrição do modo como Jesus prepara esse momento, ordenando a seus discípulos que fossem à cidade e encontrassem um homem com um cântaro de água, que lhes cederia o local onde a ceia deveria ocorrer.
Esse relato nos mostra o controle absoluto e o domínio de Deus sobre a história, evidenciando que nada foge ao Seu governo.
Mesmo em um momento trágico, no qual Cristo seria entregue e um traidor seria anunciado, o controle de Deus se revela com clareza.
Aplicação:
Aplicação:
Deus controla os aspectos mínimos da vida. Ele sabe quantos fios de cabelo temos na cabeça; nenhuma folha cai da árvore sem a Sua permissão.
Mesmo nos momentos aparentemente mais caóticos e trágicos, Ele permanece no controle — assim como naquele momento em que as trevas pareciam dominar tudo, Deus continuava soberano.
Podemos, portanto, descansar no absoluto controle de Deus sobre a história e sobre a nossa vida.
2 - O Anúncio do Traidor (vv. 17–21)
2 - O Anúncio do Traidor (vv. 17–21)
17 Ao cair da tarde, foi com os doze. 18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá. 19 E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu? 20 Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato. 21 Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
Nessa pequena narrativa temos pelo menos duas verdade sublimes e grandiosas:
1 - Deus sonda e conhece corações:
Judas, o traidor, já havia estabelecido em seu coração que entregaria Jesus — e isso não ficou oculto aos olhos de Deus. Cristo sabia dos desígnios de Judas.
Jesus não foi surpreendido pela traição. Ele conhecia cada intenção escondida, mesmo enquanto Judas ainda partilhava da comunhão à mesa.
Aplicação 01:
Aplicação 01:
Deus conhece o nosso coração e nossas intenções, e elas não podem ser ocultadas daquele que tudo vê. Podemos enganar os homens, mas não podemos enganar o Senhor. Ele pesa os espíritos, sonda os pensamentos e julga com justiça.
2 - Ainda que Deus seja soberano e tenha controle absoluto o homem é responsável.
O versículo 21 nos mostra que havia um decreto divino: “o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito”. Isso mostra a soberania de Deus sobre a história.
Mas a parte final do versículo nos lembra da responsabilidade humana: “mas ai daquele por quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!”
Mesmo o cumprimento do plano soberano de Deus não isenta o homem de sua culpa pessoal. Judas não foi um peão cego, mas um traidor culpado por sua própria escolha.
Aplicação 02:
Aplicação 02:
Nunca poderemos culpar a Deus por nossos pecados. Há uma tendência pecaminosa do homem de culpar o Criador pelas mazelas do mundo — assim como Adão fez no Éden, ao tentar transferir sua culpa para Deus ("a mulher que me deste...").
Mas a Escritura é clara: seremos responsabilizados por cada palavra frívola e por cada ação pecaminosa. Nossos atos são nossos, e responderemos por eles diante do justo Juiz.
3 - A Instituição da Nova Aliança (vv. 22–26)
3 - A Instituição da Nova Aliança (vv. 22–26)
22 E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. 23 A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele. 24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos. 25 Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus. 26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
Jesus, ao partir o pão e oferecer o cálice aos seus discípulos, revela como a Nova Aliança seria cumprida: por meio de seu corpo moído no madeiro e de seu sangue derramado naquela cruz.
Deus já havia profetizado há muito tempo, por meio dos profetas (especialmente Jeremias 31.31–34), que estabeleceria uma nova aliança com o seu povo — uma aliança superior à antiga, firmada no Monte Sinai por meio de Moisés. Naquela antiga aliança, Deus havia dado leis e mandamentos, junto com provisões cerimoniais para o perdão dos pecados, por meio de sacrifícios e rituais contínuos.
Agora, porém, na Nova Aliança, Deus escreve sua lei no coração do seu povo e provê um único sacrifício definitivo e eficaz pelos pecados: o próprio Filho de Deus. Essa nova aliança encerra a necessidade dos ritos cerimoniais da antiga, pois Cristo é o cumprimento profético de tudo o que aqueles ritos apontavam. Além disso, essa nova aliança internaliza aquelas leis que haviam sido escritas em tábuas de pedra, escrevendo-as com a tinta do Espírito nos corações.
Na Ceia, portanto, Jesus antecipa seu sacrifício e mostra que a Nova Aliança seria selada com seu próprio sangue, "em favor de muitos".
Obs.: Aqui temos um ponto importante de debate teológico: a morte de Cristo foi por todos ou apenas por alguns?
O texto nos diz que seu sangue seria derramado "por muitos", e não por todos. Além disso, Jeremias afirma que essa Nova Aliança seria firmada com a casa de Israel, ou seja, com o seu povo.
Cristo morreu por todos aqueles que o Pai lhe deu (João 6.37–39).
Aplicação:
Aplicação:
Vimos, em nosso ponto anterior, que não podemos esconder de Deus nossa malignidade e nossos pecados, e que prestaremos contas por cada palavra frívola que nos sai da boca.
Porém, Deus, em sua graça e misericórdia, nos concedeu um escape — tanto da culpa de nossos pecados quanto da nossa própria natureza corrompida, da maldade dos nossos corações.
Através da Nova Aliança, nossos pecados foram perdoados, e a tinta do Espírito está escrevendo a Lei de Deus em nossos corações, para que tenhamos um coração conforme o d’Ele. E, assim como o salmista, possamos exclamar:
97 Quanto amo a tua lei!
É a minha meditação, todo o dia!
Conclusão
Conclusão
27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito:
Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galileia. 29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
E para encerrarmos, podemos concluir de que devemos sempre firmar a nossa esperança complemente em Deus e nunca na força de nosso braço.
Nos versos 27-31 vemos Jesus anunciando que todos o abandonariam, mais que ele os buscaria após sua ressurreição.
O que vemos é um Pedro relutante dizendo que iria até a morte por Cristo, porém o que a história nos mostra é que Pedro o negou e Jesus o buscou como havia prometido.
