Exposição Marcos 14:43-51 (A prisão de Jesus)

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Texto Base

Marcos 14.43–51 ARA
43 E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes. 44 Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança. 45 E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou. 46 Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam. 47 Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. 48 Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? 49 Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras. 50 Então, deixando-o, todos fugiram. 51 Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão.

Introdução

Estamos dando continuidade à narrativa do último dia da vida terrena de nosso Mestre. Jesus havia se dirigido a Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa e permaneceu ali por cerca de uma semana. Como vimos anteriormente, essa semana foi intensamente movimentada: tivemos a unção em Betânia, a entrada triunfal na cidade, o juízo contra a figueira, a purificação do templo, a denúncia contra Jerusalém, o sermão profético no monte das Oliveiras e as duras advertências contra os líderes religiosos. Cada um desses atos contribuiu para acirrar a ira dos inimigos de Jesus, que já conspiravam contra Ele desde a Galileia e que agora, consumidos de ódio, buscavam uma oportunidade para prendê-lo longe dos olhos da multidão. Essa oportunidade foi provida pela ganância e avareza de Judas, que, após a unção em Betânia, correu para negociar a entrega do Mestre. A narrativa diante de nós descreve justamente esse momento: a prisão de Jesus, ocorrida logo após a última ceia com os discípulos, quando anunciou sua morte e identificou o traidor, e após sua angustiada oração no Getsêmani.

Explicação

1. A chegada de Judas e a aparência da falsa fé (V43)

O texto que temos diante de nós se inicia, no verso 43, com a chegada de Judas, acompanhado por uma turba de homens armados com espadas e porretes, enviados pelos principais sacerdotes, escribas e anciãos. Marcos escreve:
"E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes." (Marcos 14.43)
Note a descrição: Judas, um dos doze. O evangelista enfatiza a posição de proximidade e privilégio que Judas ocupava entre os discípulos. Ainda assim, ele se coloca agora entre os inimigos de Cristo.

Aplicação

O fato de Judas — um dos doze — unir-se aos inimigos de Jesus deve nos levar a uma séria reflexão. Será que nós, com essa aparente proximidade de Jesus — Frequentamos igreja, cantamos louvores, erguemos os braços e professamos uma fé — somos contados entre os amigos ou inimigos de Jesus?
Durante muito tempo, Judas teve todas as aparências de um crente verdadeiro e uma profissão de fé pública que o fazia aceito dentro dos círculos “ortodoxos”. Ele:
Foi escolhido pessoalmente pelo Mestre,
Foi companheiro dos apóstolos,
Testemunhou milagres,
Pregou o Reino,
Curou enfermos e expulsou demônios.
Porém, toda essa aparência se mostrou falsa, desmascarada pela cobiça e pelo amor ao dinheiro. Sua profissão de fé era vazia — e diante da oportunidade, trocou o Senhor da glória por trinta moedas de prata.
Essa realidade nos chama a um exame pessoal:
Somos verdadeiros?
Amamos a Deus acima de todas as coisas?
Será que o problema de nossa frieza é sempre externo, ou seja, a igreja, o pastor? Não foi o caso de Judas que teve o maior pastor que já passou pela terra.
A queda de Judas revela o perigo de amar um falso Cristo criado de acordo com nossas ideias e de amar o dinheiro como um deus. Que nosso coração não esteja preso à aparência, mas esteja enraizado na verdadeira fé.
J. C. Ryle comenta de maneira impactante:
“Cumpre-nos notar, em primeiro lugar, até que ponto um homem pode continuar em uma falsa profissão religiosa. É impossível conceber uma prova mais impressionante dessa triste verdade do que essa que se vê na história de Judas Iscariotes. (...) Como poderíamos explicar essa incrível conduta de Judas? Só há uma resposta possível: o amor ao dinheiro foi a causa da ruína daquele infeliz. (...) O caso de Judas destaca-se diante dos olhos do mundo inteiro como um eterno comentário daquelas solenes palavras da Bíblia: 'O amor ao dinheiro é raiz de todos os males' (1Tm 6.10).”
(J. C. Ryle, Meditações no Evangelho de Marcos, Editora Fiel, p. 253–254)

2 - Ele o trai com um gesto de proximidade (V44-46)

O texto continua nos dizendo que Judas havia combinado uma senha com os perseguidores de Cristo — e essa senha seria um gesto de intimidade entre um discípulo e seu Rabi. Diz o evangelho:
"Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança. E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou. Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam." (Marcos 14.44–46)
Observe que Judas usa um beijo — sinal de afeição e reverência — como instrumento de traição. Ele se aproxima, chama Jesus de "Mestre", mas, no coração, já o havia vendido.

Aplicação

Existem muitos inimigos declarados da fé cristã: pessoas que odeiam abertamente o Senhor e o seu Ungido. O Salmo 2 já profetizava:
"Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas." (Salmo 2.1–3)
Entretanto, o maior perigo para a Igreja não está apenas nos ataques externos — mas quando esses inimigos conseguem adentrar a igreja por meio de homens com uma falsa profissão de fé. Enfrentamos hoje uma luta contra o progressismo, o secularismo e até contra um conservadorismo moralista — todos caminhos que corrompem a verdade do Evangelho. A Igreja é ferida e, muitas vezes, destruída quando esses inimigos conseguem infiltrar-se por meio de falsos discípulos.
A Escritura nos alerta claramente sobre isso:
João, lidando com os hereges de seu tempo, afirmou:
"Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora. Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." (1 João 2.18–19)
Paulo, ao se despedir dos presbíteros de Éfeso, também advertiu
"Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles." (Atos 20.28–30)
Esses lobos surgem de dentro da comunidade cristã, usando a aparência de piedade para semear destruição.
Por isso, a apologética é essencial em nossos dias. Não buscamos uma "unidade" acima da verdade — não existe verdadeira unidade sem a verdade. Se fosse assim, ainda estaríamos em Roma.
O apóstolo Paulo, em sua fidelidade à verdade, nomeava publicamente os inimigos da fé:
1Tm 1.19–20: Himeneu e Alexandre;
2Tm 2.17–18: Himeneu e Fileto;
2Tm 4.10: Demas;
2Tm 4.14: Alexandre, o latoeiro.
Assim como Judas traiu a Cristo com um beijo, muitos hoje se aproximam da igreja, chamam-no de "Mestre", mas trabalham contra o Reino.

3 - Apesar da malignidade e dos intentos mortais de homens maus associados ao diabo, por fim, todas as coisas vão contribuir para os planos de Deus e para o bem daqueles que o amam. (V47-51)

A sequência que se segue após os eventos descritos acima é impressionante. Até aqui, tudo parece uma enorme tragédia:
Cristo foi traído
Cristo foi preso
A tentativa de defesa de Jesus de Pedro é um fracasso
Todos os discípulos fugiram,
E ainda, um jovem — provavelmente Marcos — foge nu, de forma humilhante.
Tudo parece ruir. É uma tragédia absoluta... Não fosse a fala de Jesus: "É para que se cumpram as Escrituras." Essa frase muda TUDO.
Deus estava no controle. Todos esses eventos haviam sido profetizados:
O salmista já previa a traição de um amigo íntimo:
Salmo 41.9 “9 Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar.”
A angústia do abandono já fora anunciada:
Salmo 22.1 “1 Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?”
A zombaria e a vergonha já estavam descritas:
Salmo 22.7–8 “7 Todos os que me veem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: 8 Confiou no Senhor! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer.”
Porém, algo a mais estava profetizado: Deus prometera um futuro glorioso como consequência desses eventos.
Salmo 22.26–28 “26 Os sofredores hão de comer e fartar-se; louvarão o Senhor os que o buscam. Viva para sempre o vosso coração. 27 Lembrar-se-ão do Senhor e a ele se converterão os confins da terra; perante ele se prostrarão todas as famílias das nações. 28 Pois do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações.”
Aquele que parecia vencido, seria glorificado. Aquela humilhação seria convertida em dupla honra. O luto seria transformado em festa. O espírito angustiado seria vestido de louvor.
Isaías profetizou:
Isaías 61.1–3 “1 O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; 2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram 3 e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.”
Deus estava, cumprindo seu plano perfeito.

Aplicação

Deus converte as maldições em bênçãos. Do meio do deserto, Ele faz florescer um jardim. Enquanto tudo parece estar dando errado — enquanto tudo parece sob domínio dos ímpios e das trevas —, é o Senhor quem está assentado no trono, conduzindo as rédeas da história para o triunfo do seu Cristo.
Salmo 2.1–6 “1 Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? 2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: 3 Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. 4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. 5 Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. 6 Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.”
É Deus quem governa a história. É Deus quem triunfa nas batalhas. Mesmo quando tudo parece perdido, é a vitória de Cristo que está sendo preparada.

Conclusão

Conclusão

Nós enfrentamos muitos perigos:
O perigo da falsa profissão de fé,
O perigo dos inimigos de Cristo,
O perigo dos traidores,
E o perigo das cadeias, açoites e prisões.
Mas nós também enfrentamos muitas certezas:
A certeza da vitória em Cristo Jesus,
A certeza do domínio absoluto de Deus sobre a história,
E a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
Cristo reina — e com Ele reinaremos também!
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