A Lei de Deus (Primeiro Sermão)

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Introdução

Nós temos dentro da igreja evangélica brasileira, em uma grande parte dela, uma cultura do evangelicalismo influenciada por uma doutrina chamada Antinomismo.
Antinomismo, significa literalmente Ante Lei, sendo nomia a palavra grega para Lei.
Essa doutrina estabelece um contraponto exagerado entre o antigo e novo testamento, usando uma ideia hegeliana de tese e antítese como se Cristo e Moisés estivessem em oposição, dando a ideia de uma descontinuidade quase absoluta entre novo e velho testamento, criando um desprezo por tudo que tenha a ver com a Lei Moisaica do A.T.
Porém, a grande verdade é que é impossível estabelecermos uma ética cristã sobre a sociedade e sobre as nossas vidas, ignorando a Lei Moisaica do A.T.
Um caso em que isso é explícito, é na ética sexual. Todos nós entendemos que incesto e bestialidade são pecados e que esse tipo de prática é desprezado por Deus. Porém esse conhecimento deriva das páginas do A.T.
No N.T temos o Apóstolo Paulo trata da Imoralidade Sexual em 1Co 6, porém o que define a Imoralidade Sexual é Levítico 18.
Um outro exemplo prático está no mandamento do amor. Jesus claramente disse que os dois maiores mandamentos são amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo (Mt 22:34-40). Porém o que define o que é amar? E a resposta está mais uma vez no A.T, ou seja, na Lei Moisaica. A ideia de amar ao próximo e como amar ao próximo está em Levítico 19, ao ponto de a bíblia dizer no novo testamento que o cumprimento da Lei é o Amor (Rm 13:10).

Explicação

O homem então foi criado para ser governado pela Lei de Deus, de modo que o reino messiânico de Cristo seria marcado pelas nações obedecendo a sua lei.
Isaías 2.2–5 ARA
2 Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. 3 Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. 4 Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. 5 Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor.
Quando o homem no jardim do Éden pecou contra Deus o que ele quis estabelecer foi sua Autonomia ou seja, sua própria Lei.
Ele estava vivendo debaixo da Lei do Senhor, porém a tentação que ele sofre é para que ele agora venha estabelecer a sua própria lei decidindo ele mesmo o que é o bem e o mal e se tornando assim “um deus”, ou seja, autonomo.
De Adão a Moisés vivemos um período onde não havia lei no mundo (Rm 5:12-14) resultando em caos, derivando disso o Dilúvio, Babel, Sodoma, Gomorra, Egito, e tudo isso porque onde não há a lei de Deus reinando, não a ordem social.
O contraponto existente entre Antigo e Novo Testamento, não é então de Tese e Antítese, mais promessa e cumprimento, continuidade e descontinuidade.
Quando a bíblia declara que a Lei veio por Moisés, porém graça e verdade vieram por Jesus (Jo 1:17), ela não está colocando Jesus contra Moisés, mais completando aquilo que Moisés veio trazer.
A grande promessa da Nova Aliança inaugurada por Cristo é de que ela seria superior a Antiga Aliança estabelecida por Moisés porque ela imprimiria a Lei nos corações através do ministério do Espírito.
Jeremias 31.31–34 ARA
31 Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. 32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. 33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 34 Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.

Aplicação

Podemos concluir então por meio disso tudo que:

1 - A lei não é o agente da morte

Romanos 7.12–14 ARA
12 Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. 13 Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno. 14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.
Não é a lei que mata, mais o pecado que mata, porque a carne está enferma e morta (Rm 8:3) para o cumprimento da Lei.
Romanos 6.23 ARA
23 porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

2 - A Lei é o guia do homem

No jardim do Éden o homem recebeu direção para sua vida e propósito pela palavra-lei de Deus e do mesmo modo o homem só pode viver a verdadeira vida pela palavra-lei de Deus.
Deuteronômio 30.12–14 ARA
12 Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? 13 Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? 14 Pois esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires.
Romanos 10.8 ARA
8 Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos.
A bíblia declara que somos guiados pelo Espírito e vimos anteriormente que o papel do Espírito é imprimir a Lei no coração e a bíblia declara que ele nos lembraria das coisas que temos escutado (Jo 14:26).
Romanos 8.14 ARA
14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Gálatas 5.18 ARA
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.
Obs:. Quando o texto declara que não estamos debaixo da Lei ele não está dizendo que não somos governados pela lei, mais que não estamos debaixo da antiga aliança e sim da nova, que nos fornece o espírito para nos guiar. (É justamente de textos como esse que deriva o antinomismo).
O papel do Espírito é vivificar o corpo para andarmos na Lei.

3 - A Lei promove vida abundante

Jesus nos chamou para termos vida e a termos com abundância.
João 10.10 ARA
10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
Essa vida é encontrada se deliciando na Lei de Deus.
Salmo 19.7–11 ARA
7 A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. 8 Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. 9 O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. 10 São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. 11 Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.
Salmo 119.97 ARA
97 Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!
Salmo 119.11 ARA
11 Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.
A santidade é o que traz a vida abundante e o pecado é o que trás a morte para as nossas vidas, ele seca a nossa alma e esmaga os nossos ossos.

4 - A lei não promove salvação

Apesar disso tudo, a Lei não promove salvação, pois estando enferma pela carne não pode ser cumprida cabalmente em todos os seus “i’s” e “til’s” sendo necessário que Cristo nos salve pelo seu cumprimento da Lei e pela sua morte substitutiva.
Gálatas 2.16 ARA
16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.

Conclusão

Temos na Lei nosso estilo de vida, porém somente em Cristo a nossa esperança e nossa salvação.
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